[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais para incluir necessidades na consulta pública para o projeto de reforma da feira do Ver-o-Peso.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 22/03/2016, das 10h às 15h.
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segunda-feira, 21 de março de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
Reunião debate a presença de tradições de matriz africana no Ver-o-Peso.
por Abílio Dantas para o blog OUTROS 400
O projeto da prefeitura pode apresentar elementos de racismo institucional. Ontem pela manhã, em reunião realizada pelo Iphan, lideranças de povos tradicionais e técnicos debateram a venda de animais vivos no Ver-o-Peso.
“O Plano Nacional da Igualdade Racial demarca, no primeiro ponto, que se deve combater o racismo institucional. Então eu pergunto a todos aqui: alguém sabe o que é racismo?”. O questionamento de Arthur Leandro, da Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, deu o tom de preocupação da reunião realizada ontem, pela manhã, no prédio do Ministério da Cultura (MinC), em Belém. O encontro, convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reuniu 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.
Os dois únicos vendedores do setor, Edivaldo Moreira e Lucivaldo Oliveira, iniciaram a reunião relatando o susto que sentiram ao constatarem que a atividade que garante o sustento de suas famílias não havia sido considerada ou, ao menos, citada no projeto de reforma apresentado pelo prefeito Zenaldo Coutinho na audiência pública realizada no dia 3 de março deste ano. Segundo os comerciantes, isso representa o esquecimento de uma atividade que possui tradição na capital. “Essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar”, defendeu Lucivaldo.
A antropóloga e técnica do Iphan, Larissa Guimarães, responsável pela condução do encontro e pela inscrição das falas, que avolumavam-se rapidamente, reconheceu que o projeto apresentado pela prefeitura não apresentava nenhuma proposta para o setor de animais. “O que queremos aqui é escutar todas as partes e pensar qual é a melhor maneira de garantirmos a permanência do setor. Ninguém está falando em retirar”, afirmou.
A superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, cumpria também o papel de mediadora da reunião e propôs ideias para que a polêmica entre as exigências legais de manejo de animais colocadas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importância da atividade para comerciantes e líderes religiosos fosse conciliada. “Não seria possível realizar um convênio com a UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) para que fosse dado um auxílio técnico sobre o trato de animais?”, questionou.

RITUAIS AFRO-RELIGIOSOS
“É racismo institucional não considerar os povos de matriz africana que construíram a história desse país”, declarou Edson Catendê, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC/MinC). De acordo com ele, Arthur Leandro e Emanuell Souza, também do CNPC, a compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas afro-religiosas. “É cultural, não só para as religiões de matriz africana, mas de todos nós, pois os animais são trazidos das ilhas, das estradas, vem de todo lugar. É triste perceber que, mais uma vez, estamos sendo invisibilizados nessa cidade”, denunciou Emanuell.

Pato, galinha, cabra e bode são alguns dos animais que Mãe Nangetu, líder religiosa e conselheira municipal de cultura de Patrimônio Imaterial, compra com frequência no Ver-o-Peso. Os animais devem ser adquiridos ainda inteiros, saudáveis e bonitos, segundo ela, pois são utilizados em oferendas em rituais sagrados oferecidos aos deuses.
“Ninguém faz nada sem dar oferenda ao grande comunicador, que é Exu, e que na minha tradição banto se chama Mavambo Izila. Antes de se fazer qualquer ritual, tem que se fazer uma oferenda pra ele, pra que chegue até nossos deuses”. Para ela, a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”, concluiu.
Ao fim da reunião, decidiu-se coletivamente pela criação de um Grupo de Trabalho que será composto pelos vendedores do setor de animais, os representantes da UFRA, Sindicato dos Feirantes, Seurb, Secretaria de Economia (Secom), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Quilombolas, Conselho Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Políticas Culturais e Iphan. O próximo encontro foi marcado para o dia 29 de março, às 10h, também no prédio do MinC.
Fotos: Kleyton Silva
“O Plano Nacional da Igualdade Racial demarca, no primeiro ponto, que se deve combater o racismo institucional. Então eu pergunto a todos aqui: alguém sabe o que é racismo?”. O questionamento de Arthur Leandro, da Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, deu o tom de preocupação da reunião realizada ontem, pela manhã, no prédio do Ministério da Cultura (MinC), em Belém. O encontro, convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reuniu 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.
Os dois únicos vendedores do setor, Edivaldo Moreira e Lucivaldo Oliveira, iniciaram a reunião relatando o susto que sentiram ao constatarem que a atividade que garante o sustento de suas famílias não havia sido considerada ou, ao menos, citada no projeto de reforma apresentado pelo prefeito Zenaldo Coutinho na audiência pública realizada no dia 3 de março deste ano. Segundo os comerciantes, isso representa o esquecimento de uma atividade que possui tradição na capital. “Essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar”, defendeu Lucivaldo.
essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar
A antropóloga e técnica do Iphan, Larissa Guimarães, responsável pela condução do encontro e pela inscrição das falas, que avolumavam-se rapidamente, reconheceu que o projeto apresentado pela prefeitura não apresentava nenhuma proposta para o setor de animais. “O que queremos aqui é escutar todas as partes e pensar qual é a melhor maneira de garantirmos a permanência do setor. Ninguém está falando em retirar”, afirmou.
A superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, cumpria também o papel de mediadora da reunião e propôs ideias para que a polêmica entre as exigências legais de manejo de animais colocadas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importância da atividade para comerciantes e líderes religiosos fosse conciliada. “Não seria possível realizar um convênio com a UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) para que fosse dado um auxílio técnico sobre o trato de animais?”, questionou.

Líderes religiosos acusaram a prefeitura de praticar racismo institucional ao não considerar os povos de matriz africana no projeto de reforma do Ver-o-Peso.
Enquanto ocorria o debate, várias dúvidas pairavam, mas um fato foi confirmado: a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) não ouviu os setores interessados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de reforma. A representante da Secretaria de Urbanismo (Seurb), Paula Andréa Rodrigues, admitiu que a escuta não foi realizada. “Seria muito importante que essa reunião tivesse sido realizada lá atrás, para que toda essa realidade fosse conhecida, mas isso não foi feito”, disse. A ausência de diálogo, de acordo com as lideranças religiosas, pode resultar em um ato de racismo institucional.RITUAIS AFRO-RELIGIOSOS
“É racismo institucional não considerar os povos de matriz africana que construíram a história desse país”, declarou Edson Catendê, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC/MinC). De acordo com ele, Arthur Leandro e Emanuell Souza, também do CNPC, a compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas afro-religiosas. “É cultural, não só para as religiões de matriz africana, mas de todos nós, pois os animais são trazidos das ilhas, das estradas, vem de todo lugar. É triste perceber que, mais uma vez, estamos sendo invisibilizados nessa cidade”, denunciou Emanuell.

ccc
"Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições", afirma Mãe Nangetu.
Pato, galinha, cabra e bode são alguns dos animais que Mãe Nangetu, líder religiosa e conselheira municipal de cultura de Patrimônio Imaterial, compra com frequência no Ver-o-Peso. Os animais devem ser adquiridos ainda inteiros, saudáveis e bonitos, segundo ela, pois são utilizados em oferendas em rituais sagrados oferecidos aos deuses.
a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”
“Ninguém faz nada sem dar oferenda ao grande comunicador, que é Exu, e que na minha tradição banto se chama Mavambo Izila. Antes de se fazer qualquer ritual, tem que se fazer uma oferenda pra ele, pra que chegue até nossos deuses”. Para ela, a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”, concluiu.
Ao fim da reunião, decidiu-se coletivamente pela criação de um Grupo de Trabalho que será composto pelos vendedores do setor de animais, os representantes da UFRA, Sindicato dos Feirantes, Seurb, Secretaria de Economia (Secom), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Quilombolas, Conselho Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Políticas Culturais e Iphan. O próximo encontro foi marcado para o dia 29 de março, às 10h, também no prédio do MinC.
Fotos: Kleyton Silva
domingo, 15 de novembro de 2015
Nengua de Angola conversa com Pai Neto de Azile sobre a salvaguarda do Tambor de Crioula no Maranhão.
A conversa aconteceu na manhã do dia 12 de novembro de 2015, logo depois da titulação do carimbó como patrimônio imaterial brasileiro. Pai Neto de Azile falou das vantagens e dos perigos do registro do patrimônio cultural afro-brasileiro e da ameaça de perda de identidade pela ausência de uma política eficaz de salvaguarda que proteja a identidade cultural dos avanços de mercado que lhe deseja como produto cultural.
Programa Nengua de Angola
Apresentação Mametu Nangetu
Conversa com Pai Neto de Azile sobre o registro do
Tambor de Crioula do Maranhão como Patrimônio
Imaterial brasileiro e a política de salvaguarda
desse patrimônio.
Equipe técnica
Samily Maria
Vitor Gonçalves
Weverton Ruan Rodrigues
Edição
Táta Kinamboji
Realização
webTV Azuelar
Instituto Nangetu
Ponto de Mídia Livre
Apoio
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz
Africana
FESCAB - Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-
brasileiras
FONSANPOTEMA-PA - Fórum Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional de Povos
Tradicionais de Matriz Africana
rede[aparelho]-:
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de
mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia
Livre do Instituto Nangetu;
Projeto Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’
para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em
combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas
(Ilê Iyabá Omi).
UFPA-PROEX
Belém/PA
Novembro de 2015
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Conversas cantadas no Mansu Nangetu, 30 de setembro, das 19 as 22h;
Roda de Cantorias entre a comunidade do mansu Nangetu e o Grupo de Carimbó "Filhos de Maiandeua", da localidade de Fortalezinha, município de Maracanã/ PA, Grupos de Capoeira e artistas afro-amazônicos.
Quarta-feira, 30 de setembro, das 19 as 22h no Mansu Nangetu, Tv. Pirajá, 1194 - Belém/PA. Fone 91-32267599.
Parceria:
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
FONSANPOTEMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana
Programa COROATÁ de Formação para Empreendimentos Culturais
Apoio:
rede[aparelho]-:
Grupo de Estudos Afro-Amazônico – GEAM (NEAB)/ UFPA
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do
Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi).
UFPA-PROEX
domingo, 9 de agosto de 2015
Nengua de Angola conversa com Cicero Centriny sobre o Terecô do Maranhão.
Mametu Nangetu recebeu Cicero Centriny, para uma conversa no
programa Nengua de Angola, Cícero prepara o lançamento do livro Terecõ, uma
religião a ser descoberta, e conta, nessa conversa, das coisas de seu livro. Mametu destacou a importância de registrar e transmitir
as informações sobre as tradições de matriz africana na diáspora brasileira e pediu
que ele contasse um pouco mais da importância dos povos bantu na formação do
Terecô.
![]() |
| Mametu nangetu entrevistou Cicero Centriny para o programa Nengua de Angola. |
No Maranhão, mais especificamente nos povoados de Santo
Antônio dos Pretos e de São Joaquim de Alolô, era praticado o “vodu”, tradição
muito parecida com aquelas do Haiti e de Cuba, um culto que permanece submerso,
pois ainda se percebe a presença de suas práticas secretas na atualidade, de
forma velada, em Codó.
Essas e outras informações sobre a história do Terecô de
Codó no Maranhão, é o que nos conta Cicero Centriny, ou Cícero Lejidokan,
pesquisador, educador, estilista e liderança de terreiro de matriz africana
iniciado em Tambor de Mina por Pai Euclides Talabyan Lissanon.
Cícero explica que o Terecô é uma tradição originada e
praticada em Codó desde o período em que Codó nem sequer existia como “cidade”. O lugar de
nascimento dessa prática é um reduto de negros que fugiram da escravidão e das
fazendas de arroz e algodão, e se instalaram num lugar seguro bem distante da opressão dos donos das fazendas. Atualmente esse lugar é o povoado de Santo Antônio dos Pretos, localidade rural remanescente de quilombo que fica a 60 km da zona urbana de Codó, nas margens da rodovia que liga Codó a Don Pedro.
Os africanos escravizados que foram para a região de Codó eram de etnias
Cabindas, Bantus, Cacheus, Fons... E entre as religiões afro-brasileiras
nascidas aqui, surgiu o TEREKÔ, que mantém características dessas diversas
origens e preserva o culto ao grande vodum Legba, trazido pelo povo ewe-fon do
Togo e do Benin e que é invocado em
Codó, como Légua-BojiBuá suas variantes
locais
Cícero trás a memória de celebridades do Terecô, como Dona Melânia,
Tobias, Maria Piauí, Euzébio Jansen e tantas outras autoridades que fizeram, e
fazem , a resistência das tradições de matriz africana no Maranhão.
Programa Nengua de Angola
Apresentação Mametu Nangetu
Conversa com Cicero Centriny sobre sua pesquisa sobre o
Terekô, ancestralidade e resistência
negra em Codó no Maranhão.
Realização
webTV Azuelar
Instituto Nangetu
Ponto de Mídia Livre
Apoio
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
FESCAB - Fórum Estadual Setorial de Culturas
Afro-brasileiras
FONSANPOTEMA-PA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional de Povos Tradicionais de Matriz Africana
rede[aparelho]-:
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural
do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto Produção do
Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate
ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá
Omi).
UFPA-PROEX
Belém/PA
Agosto de 2015
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Conversas de mestre, com Nego Banjo.
No domingo 5 e julho vai ter um relato de memória e da hitória das tradições de matriz africana em Belém do Pará pela ótica e experiência de Nego Banjo.
Colaboração de R$10,00 com dirreito á feijoada.
Local: ILÊ ASÉ OMOLU SADÈ - Rodovia Augusto Montenegro, km 23, Pass. Vidal, 15, Icoaraci, Belém/Pa.
Mais informações 91- 999817859 ou 982818442 - Nego Banjo.
A memória da experiência negra em terreiros de matriz africana e a sua relação com a produção artística é a motivação das “Conversas de mestre, histórias cantadas de Nego Banjo”, que, mais do que um relato de vida, podemos dizer que é um ritual de ensinamentos e troca de experiências de vida de um Alagbê nascido em Santo Amaro da Purificação que migrou para Belém nos anos de 1980, e aqui construiu uma rede de músicos que dão continuidade aos rituais de terreiros em Belém, Macapá, Ananindeua, Santarém e em várias outras cidades amazônidas.
Cada história é contada para nos colocar no contexto de criação de suas músicas, músicas que relatam Ivonilo dos Santos, o Nego Banjo, e recontam sua história de vida como uma mitologia ancestral. Cantos de contos de um universo que nos transportam para um passado épico de heroísmo em cruéis lutas por sobrevivência na extrema pobreza, passando por estórias de viagens fantásticas em mundos aparentemente estranhos, até aqueles que nos remetem ao aconchego familiar do aprendizado com mestres e mestras de tradições de matriz africana em sua infância.
Apoio: - Instituto Nangetu - Projeto Azuelar do Instituto Nangetu - REATA - Rede Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana - rede [aparelho]-: - Projetos de extensão da UFPA: Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu; e Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo - Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi). (Coordenação Prof. Arthur Leandro) - UFPA-PROEX
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Programa Nengua de Angola, com memórias do candomblé em Belém - na webTV Azuelar.
Às 15:30 desta quinta-feira, 25 de junho, o Programa Nengua de Angola entrevista Mametu Deumbanda, trazendo memórias que constroem a história do Candomblé em Belém.
Produção e pesquisa: Mametu Nangetu, Mametu Deumbanda, Mametu Vanjule, Tatetu Kalasambe, Tatetu Dianga Moxi, Tatetu Ode Oromi, Táta Dianvula, Táta Kafunlumizo.
Apoio: - REATA - Rede Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana - rede [aparelho]-: - Terreiro de Mina Estrela Guia Aldeya di Tupynambá - Projetos de extensão da UFPA: Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu; e Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo. (Coordenação Prof. Arthur Leandro) - UFPA-PROEX
Apresentação Mametu Nangetu. Para participar, acesse http://www.ustream.tv/channel/azuelar
Produção e pesquisa: Mametu Nangetu, Mametu Deumbanda, Mametu Vanjule, Tatetu Kalasambe, Tatetu Dianga Moxi, Tatetu Ode Oromi, Táta Dianvula, Táta Kafunlumizo.
Apoio: - REATA - Rede Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana - rede [aparelho]-: - Terreiro de Mina Estrela Guia Aldeya di Tupynambá - Projetos de extensão da UFPA: Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu; e Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo. (Coordenação Prof. Arthur Leandro) - UFPA-PROEX
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
IPHAN premiou o Projeto Azuelar no Edital Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana/2014 – Edital PNPI 2014.
| Programa Nengua de Angola entrevista autoridades de terreiros transmitindo as conversas pela webTV. Na foto Mãe Olindina de Obaluaê em entrevista com Mametu Nangetu. |
![]() |
| Táta Dianvula entrevistando Gil do Jongo para a rádio-janela Azuelar. |
O Instituto Nagentu concorreu com outros 31 projetos, e foi premiado na categoria "Ações educativas voltadas à promoção e valorização do patrimônio cultural na comunidade do entorno da casa e ao público em geral; iniciativas de capacitação para gestão de políticas públicas, elaboração de projetos, mediação de conflitos, e temas correlatos ao universo cultural dos terreiros".
O Projeto Azuelar é um projeto de mídia étnica que funciona há dez anos e tem por objetivo difundir informações sobre o Mansu Nangetu, comunidades de terreiros parceiros e suas tradições. Utiliza o audiovisual e ferramentas de comunicação digital para disseminar conhecimento tradicionais afro-brasileiros, denunciar violações de direitos e informar a população do calendário de rituais e eventos sociais e culturais de povos tradicionais de terreiros de matriz africana.
| Manifestação de combate ao racismo religioso em janeiro de 2014 (Rádio-janela, Projeto Azuelar). |
Confira aqui os outros projetos premiados na 1ª edição do Prêmio Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana/2014.
O Edital faz parta das ações do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana que foi construído com base no Plano Plurianual (PPA 2012-2015) e reúne um conjunto de políticas públicas que buscam a garantia de direitos, a proteção do patrimônio cultural e da tradição africana no Brasil. Além do enfrentamento à extrema pobreza com ações emergenciais e de fomento à inclusão social produtiva e Desenvolvimento Sustentável.
A SEPPIR coordena o grupo de trabalho responsável pela execução, monitoramento e revisão do plano e que agrega os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Cultura, Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Fundação Cultural Palmares, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O Edital faz parta das ações do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana que foi construído com base no Plano Plurianual (PPA 2012-2015) e reúne um conjunto de políticas públicas que buscam a garantia de direitos, a proteção do patrimônio cultural e da tradição africana no Brasil. Além do enfrentamento à extrema pobreza com ações emergenciais e de fomento à inclusão social produtiva e Desenvolvimento Sustentável.
A SEPPIR coordena o grupo de trabalho responsável pela execução, monitoramento e revisão do plano e que agrega os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Cultura, Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Fundação Cultural Palmares, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Nangetu realiza roda de conversa sobre novo prêmio do IPHAN e incentiva terreiros a inscrever projetos.

*Debate contou com presença de consultor do órgão que apresentou a premiação voltada à ações de comunidades tradicionais de matriz africana*
Na tarde da última terça-feira, dia 18, o Mansu Nangetu abriu suas portas para representantes de outros terreiros e espaços de valorização da cultura negra para uma relevante discussão. O encontro teve como objetivo propiciar o debate sobre a mais nova iniciativa do IPHAN, que lançou recentemente a primeira edição do Prêmio Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana.Com inscrições até dia 19 de julho, a premiação suscita dúvidas nos que estão interessados em inscrever projeto. Por isso, o Instituto Nangetu solicitou a presença de um consultor do IPHAN para esclarecimento de pontos do edital, o que propiciou um momento de reflexão mais ampla sobre a importância de políticas públicas que possibilitem a valorização e continuidade das atividades geridas por tais entidades.
Estiveram presentes no bate-papo, integrantes do Mansu Nangetu, Terreiro de Umbanda de Ogum Rompe Mata (Mãe Vanda), Rundembo Ngunzo ti Bamburucema (Bruna Raiol), Ilê Axé Raizô Erê (Mãe Oyá Gindê), e o consultor Benedito Souza. Benedito apresentou os detalhes do edital e esmiuçou as características necessárias que cada projeto deve ter, dependendo da categoria na qual deseja concorrer. No debate, foram evidenciadas também algumas problemáticas que apontam para a debilidade da iniciativa, principalmente relacionadas à participação de casas de terreiro no edital.
O prêmio do IPHAN contempla apenas 25 projetos, sendo que cada proponente pode apresentar somente uma proposta. O número é considerado insuficiente, pois trata-se de um edital de cobertura nacional e somente no Pará existem mais de mil Terreiros. Além disso, grande parte dos recursos disponibilizados é destinado à categoria que contempla espaços tombados pelo órgão. No Brasil, o número de terreiros assim classificados não chega nem a dez – sendo que a maioria encontra-se no Estado da Bahia; um no Maranhão e nenhum no Pará.

Apesar das dificuldades encontradas, as entidades que participaram da reunião organizarão projetos para concorrer ao prêmio. Com esta posição, tenta-se afirmar a importância do edital como espaço de demarcação fundamental para o fortalecimento das práticas que fazem destas entidades um ambiente de diálogo entre a sociedade em geral e as manifestações culturais oriundas das comunidades tradicionais de matriz africana.
Para conhecer o edital, acesse o site do IPHAN.
Texto/ Fotos: Luiza Cabral, Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu/ FAV e GEAM/ UFPA, PROEX/ UFPA.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Programação cultural comemora 10 anos do Instituto Nangetu
Rodas de conversa, programas especiais de rádio e webTV, sessão de cinema e oficina de documentário e performance marcam ciclo de atividades do aniversário
Desde que foi fundado, em 1988, o Mansu Nangetu atua a favor da conservação e do fortalecimento da identidade da cultura tradicional de origem Bantu, constituindo um espaço importante de resistência do legado cultural do povo negro africano na cidade de Belém. Seja no cotidiano do terreiro, por meio do respeito às práticas ao culto do Nkisse Nzumbarandá, seja nas iniciativas políticas, são quase 30 anos de atividades que fazem do Nangetu um efervescente ambiente de debates e ações desta luta histórica.
Ao considerar esta trajetória, há muito que se comemorar. Agora, é chegado o momento de celebrar um grande marco desta resistência: os dez anos de criação do Instituto Nangetu, associação que tem como finalidade estreitar laços de confraternização e promover o desenvolvimento socioeconômico da comunidade tradicional de terreiro. E para festejar montamos uma programação especial entre os dias 30 de maio e 12 de junho, com atividades gratuitas e abertas ao público. O ciclo dará início às comemorações de aniversário que se estenderam até maio de 2015, quando o Instituto completa 11 anos de história.
Nesta década, o Instituto Nangetu apropriou-se de ferramentas diversas para o enfrentamento das problemáticas que paulatinamente atingem a comunidade afro-religiosa. As várias possibilidades da arte e a construção de uma comunicação autônoma para o terreiro são pontos fortes deste combate. Desta percepção, surgiram projetos como a Rádio Janela e a Web TV Azuelar e o cine Nangetu, que na programação de aniversário do Instituto ganham destaque com edições especiais.
No ar, webTV e rádio Azuelar!
No dia 31 de maio, sábado, o Programa Vozes da África recebe o pesquisador Antonio Domingos Braço, professor em Moçambique e doutorando da UFPA. A ideia é abrir espaço para uma roda de conversa entre ele, demais pesquisadores da Amazônia e a comunidade de terreiro. No centro do debate, as diferenças e similitudes dos traços culturais africanos que se preservaram em várias comunidades fora do continente de origem. Vozes de África, proposto pelo professor João Simões da Faculdade de Ciências Sociais da UFPA, tem transmissão ao vivo pela webTV Azuelar pelo link http://www.ustream.tv/channel/ azuelar . Neste mesmo dia, haverá também mais uma edição do programa “A Hora de Zumbá”. Veiculado por uma rádio-janela, a ideia é envolver a comunidade em uma experimentação social da comunicação, centrada no debate entre os diversos agentes que constituem o espaço de terreiro, principalmente os jovens.
Na webTV Azuelar, o lançamento de mais um programa. Focado na produção artística de terreiro, o projeto Nós de Aruanda, que já realizou duas exposições na galeria Theodoro Braga, agora também invade uma das mídias do Instituto Nangetu. A ideia é trazer entrevistas com artistas, para revelar processos criativos e trajetórias que culminaram numa produção poética sobre o universo da cultura tradicional. A estreia do programa “Nós de Aruanda” é dia 8 de junho, domingo, também transmitida ao vivo pela webTV Azuelar pelo link http://www.ustream.tv/channel/ azuelar
As possibilidades da câmera e do corpo serão o ponto de partida para a imersão "Performance & Cinema Documentário de Invenção”. A ideia do encontro é possibilitar o intercâmbio de experiências em múltiplas linguagens (artes visuais, cênicas e audiovisual) entre a comunidade do terreiro e os artistas convidados Wellington Dias, de Macapá, e Renato Vallone, do Rio de Janeiro.
Wellington Dias é artista cênico e visual. Já realizou diversos trabalhos voltados para a performance e teatro e tem como destaque em sua trajetória o projeto “Tecno Barca: Um ateliê-galeria itinerante sobre a terra das águas”, desenvolvido no Arquipélago do Bailique, no litoral do Estado do Amapá, contemplado no Rede Nacional Funarte 2011. Renato Vallone é Cineasta independente há oito anos, começou a carreira na montagem. Atua também como diretor, fotógrafo (câmera) e desenhista sonoro. Realizou diversos curtas-metragens, além de series para tv, web, video-instalações e longas-metragens.
O intercâmbio "Performance & Cinema Documentário de Invenção”será entre os dias 30 de maio e 1º de junho, a partir das 17 horas. Inscrições devem ser feitas por AQUI.
Festividade para Santo Onofre e Santo Antônio
A programação de 10 anos do Instituto Nangetu será envolvida pela Trezena de Santo Onofre, que ocorre entre os dias 31 de maio e 12 de junho. Trata-se de uma tradição que Mametu Nangetu herdou de sua família materna, e tanto a trezena quanto a festividade já acontece no bairro do Marco há mais de 50 anos. Desde 2011 que a ladainha é comandada por um grupo de rezadores de latim popular do Terreiro Estrela Guia, no bairro da Cidade Velha, grupo já premiado no Edital Micro-Projetos Amazônia Legal pelo resgate da memória das ladainhas em latim caboclo na Amazônia. O grupo é formado por Pai Esmael Tavares, Mãe Maria de Jesus e Cristina Tavares, eles aprenderam praticando a ladainha nas andanças em festividades comunitárias cujo contexto é chamado de catolicismo popular, acompanhando seus pais e avós na fé de seus santos de devoção.
O encerramento fica por conta da festividade para Santo Onofre e Santo Antônio, no dia 12 de junho. Abrindo a quadra comemorativa dos santos juninos, o dia será de festa e programação extensiva no espaço do Mansu Nangetu, contando com sessão especial do Cineclube Nangetu e transmissão dos programas da Rádio Janela Azuelar.
Serviço: Programação em comemoração aos 10 anos do Instituto Nangetu. Entre os dias 30 de maio e 12 de junho. Local: Mansu Nangetu - Tv. Pirajá, 1194 – Marco. Contato: (91)3226759. Veja os horários das atividades no cartaz de divulgação.
Apoio: Coordenação estadual da ARATRAMA - rede [aparelho]-: - Terreiro de Mina Estrela Guia Aldeya di Tupynambá – UFPA - PROEX - Projeto: Diálogo em Cabana de Caboco. FCS/UFPA (Coordenação: Prof. Ms. João Simões e Bolsista Luah Sampaio) - Projeto: Muzueri uonene kalunguê (O falador grande não tem razão). FAV e GEAM/ UFPA (Coordenação Prof. Arthur Leandro) - Projeto Ngomba da Aruanda. FAV e GEAM/ UFPA (Coordenação Prof. Arthur Leandro e bolsista Luiza Cabral – Projeto Cineclube Nangetu (Coordenação Isabela do Lago).
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rádio janela,
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sábado, 1 de dezembro de 2012
Re-Lançamento do Livro nova cartografia social da Amazônia no Mansu Nangetu.
Nesta terça feira, dia 28 de novembro, aconteceu no Mansu Nangetu o
re-lançamento do livro Nova Cartografia social da amazônia, para os povos de
Nação Angola com a presença de membros da Academia, OAB, Mametus e
Tateto da de Candomblé Angola.
O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA)
teve como objetivo o estímulo à auto-cartografia dos povos e comunidades
tradicionais na Amazônia, com o intuito de fortificação da resistência cultural
destes povos. Com isso o material produzido, apresenta não apenas esses
processos históricos, mas, sobretudo o trabalho dos movimentos sociais que
contribuem com estes espaços e trazem a discussão de processos de resistência política e cultural na Amazônia brasileira.
Mametu Nangetu, que coordenou a pesquisa da Nação Angola, apresentouo livro ressaltando a força que esta cartografia possui em divulgar a história da
afroreligião no Brasil, que é muitas vezes desrepeitada pela sociedade e acaba
não sendo conhecida pela população. Ela enfatizou a necessidade de continuar se
produzindo ações que fortaleçam as comunidades tradicionais, produtos como filmes, livros, materias didáticos, cartilhas, e outros meios
que consigam contar essa história tão valiosa e esquecida.
Dr. Jorge Farias,
advogado e coordenador da comissão de igualdade étnico-racial da OAB-PA, reafirmou o discurso da resistência e da necessidade de conhecermos as comunidades tradicionais, e que por isso
é importante que se propicie a criação de canais de comunicação para o proagonismo da comunicação destes povos.
Mametu Kaia Onileji disse que “ Este livro mostra a história e origem de cada espaço
e suas características próprias, mesmo sendo da mesma nação, e por isso
constrói o respeito que precisamos.”, e falou ainda da necessidade
de uma continuação da Academia nestas produções sensíveis sobre os povos de
terreiro, principalmente por estarmos na Amazônia - uma região rica de conhecimentos
na diversidade de práticas como o Tambor de Mina, a Pajelança e a Umbamda.
A professora Marilu Campelo, que neste evento representou o Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM) e a UFPA, reconheceu a importância do protagonismo das comunidades tradicionais de matrizes africanas, e disse que assim como a universidade, as lideranças e os intelectuais das próprias comunidades tem completa condição de falar sobre a sua gente, e concluiu dizendo que o papel da academia
neste momento é justamente sustentar o apoio e a troca de ferramentas para que o protagonismo
aconteça.
A emoção tomou conta de todos os que estavam presentes no grande agradecimento para a equipe que produziu o Projeto da Cartografia dos Afro-religiosos pelo PNCSA. Foi quando Mametu Muagilê resumiu, em sua fala final, o quanto é importante essa produção: “Aqui está nossa identidade, a nossa história! Nunca mais o povo afroreligioso aqui no Pará vai ser o mesmo, nossa visão mudou.”.
Após as manifestaçõs das autoridades presentes, um coquetel com comidas tradicionais de matrizes africanas foi servido aos convidados.
Texto de Luah Sampaio/ Projeto Diálogo em Cabana de Caboco- FACS/ IFCH, Bolsa PIBEX/ UFPA
Fotos de Lucivaldo Sena, gentilmete cedidas ao Projeto Azuelar.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Sem Censura Pará entrevita Mametu Nangetu sobre a cartografia social dos Afro-religiosos..
Será nesta quarta-feira, dia 28 de novembro, e terá como pauta o (Re) Lançamento do Livro Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - Religiões Afro Brasileiras e Ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade.
O Sem Censura Pará tem veiculação de segunda à sexta, das 14h30 às 16h. Melhores momentos aos sábados, ao meio-dia pela TV Cultura, canal 2 em Belém-PA, e pelos canais retransmissores nas cidades do Interior do Estado do Pará.
Link parfa acompanhar a entrevista aos vivos. http://www.webtv.pa.gov.br/ funtelpa_aovivo/tv.html
Para enviar perguntas e comentários pelo twitter: @semcensurapa
“A proposta do projeto é a visibilidade para as comunidades tradicionais, então a gente vem desde maio [de 2010] nesse projeto: mapeando, buscando visibilizar nossa cultura tradicional.” - Mametu Nangetu apresentando o capítulo da Nação Angola.
Mametu coordenou a pesquisa da Nação Angola e vai falar dese processo cartográfico pelo olhar das lideranças de terreiro, nas palavras dela. “as pessoas que vem no terreiro estão acostumados com imagem como eles vêem na Umbanda e na Mina, e quando ele vem aqui e vê uma estátua mas que é de louvor a Oxum e não tem nada haver com o que ele conhece, ele estranha. Mas o povo ele é muito sincrético e ele gosta de ver um caboco, um santo Antônio, e acho que é por isso que as imagens estão nas casas dos terreiros,(...). Os terreiros não sobrevivem sem os clientes, e nem sem os filhos da casa, então tem que ter um chamamento, uma atração, e como atrair essas pessoas para dentro de um terreiro?! Uma casa de culto Angola é isso aqui: tem os tambores e tem os Ngunzos, né?! Tem os nossos Ngunzos-Ngunzos! O que é os nossos fundamentos? A nossa segurança é isso! E nas outras casas de nação isso não tem, não tem Ntoto e nem Cumeeira, que são o nosso Ngunzo. É isso, é a natureza e é por isso que nós não cultuamos nada de gesso, no nosso Ngunzo ou é pedra, ou é ferro, ou é do mar, ou é da terra. A nossa força está na natureza, entendeu?!”
E é esse conhecimento sobre a diversidade de práticas religiosas dos terreiros afro-amazônicos que o livro começa a desvelar...
O Sem Censura Pará tem veiculação de segunda à sexta, das 14h30 às 16h. Melhores momentos aos sábados, ao meio-dia pela TV Cultura, canal 2 em Belém-PA, e pelos canais retransmissores nas cidades do Interior do Estado do Pará.
Link parfa acompanhar a entrevista aos vivos. http://www.webtv.pa.gov.br/
Para enviar perguntas e comentários pelo twitter: @semcensurapa
“A proposta do projeto é a visibilidade para as comunidades tradicionais, então a gente vem desde maio [de 2010] nesse projeto: mapeando, buscando visibilizar nossa cultura tradicional.” - Mametu Nangetu apresentando o capítulo da Nação Angola.
| Mametu Nangetu em roda de conversas com lideranças da Nação Angola da zona metropolitana de Belém. |
Mametu coordenou a pesquisa da Nação Angola e vai falar dese processo cartográfico pelo olhar das lideranças de terreiro, nas palavras dela. “as pessoas que vem no terreiro estão acostumados com imagem como eles vêem na Umbanda e na Mina, e quando ele vem aqui e vê uma estátua mas que é de louvor a Oxum e não tem nada haver com o que ele conhece, ele estranha. Mas o povo ele é muito sincrético e ele gosta de ver um caboco, um santo Antônio, e acho que é por isso que as imagens estão nas casas dos terreiros,(...). Os terreiros não sobrevivem sem os clientes, e nem sem os filhos da casa, então tem que ter um chamamento, uma atração, e como atrair essas pessoas para dentro de um terreiro?! Uma casa de culto Angola é isso aqui: tem os tambores e tem os Ngunzos, né?! Tem os nossos Ngunzos-Ngunzos! O que é os nossos fundamentos? A nossa segurança é isso! E nas outras casas de nação isso não tem, não tem Ntoto e nem Cumeeira, que são o nosso Ngunzo. É isso, é a natureza e é por isso que nós não cultuamos nada de gesso, no nosso Ngunzo ou é pedra, ou é ferro, ou é do mar, ou é da terra. A nossa força está na natureza, entendeu?!”
E é esse conhecimento sobre a diversidade de práticas religiosas dos terreiros afro-amazônicos que o livro começa a desvelar...
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
As lideranças de Terreiros da “Nação Angola” convidam para o: (Re) Lançamento do Livro Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - Religiões Afro Brasileiras e Ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade.
As lideranças de Terreiros da “Nação Angola” convidam para o (Re) Lançamento do Livro Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - Religiões Afro Brasileiras e Ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade
Dia 28 de Novembro (quarta-feira) às 17h, no Terreiro Mansu Nangetu – Trav. Pirajá, 1194 (entre Duque e 25) Belém-PA - Telefone: (91) 3226-7599
Será servido um coquetel com pratos tradicionais da culinária de terreiros afro-amazônicos, como uma forma de resgate da identidade do paladar dos povos de terreiros.
Dia 28 de Novembro (quarta-feira) às 17h, no Terreiro Mansu Nangetu – Trav. Pirajá, 1194 (entre Duque e 25) Belém-PA - Telefone: (91) 3226-7599
Será servido um coquetel com pratos tradicionais da culinária de terreiros afro-amazônicos, como uma forma de resgate da identidade do paladar dos povos de terreiros.
As multiplas falas dos angoleiros.
.
O evento vai reunir os terreiros de
matriz Banto da zona metropolitana de Belém para a distribuição de
um exemplar do livro para cada liderança ou membro de terreiro que
participou da pesquisa que resultou na cartografia. Será também um
momento de debate e reflexão sobre a preservação de tradições
afro-amazônicas e resistência política e cultural na capital
paraense.
Os organizadores convidaram as pessoas que participam
do capítulo dos angoleiros para fazer um sarau de leitura, e então
cada um vai escolher um trecho de seus depoimentos para uma leitura
coletiva que tem a intenção de provocar o debate com os convidados
que estiverem presentes. Isso tudo à partir da experiência relatada
no livro pelos próprios povos tradicionais de terreiros.
Trechos de depoimentos das
lideranças de terreiros de Angola.
Mametu Nangetu/ Oneide Monteiro
Rodrigues “...e as pessoas que vem no terreiro estão
acostumados com imagem como eles vêem na Umbanda e na Mina, e quando
ele vem aqui e vê uma estátua mas que é de louvor a Oxum e não
tem nada haver com o que ele conhece, ele estranha. Mas o povo ele é
muito sincrético e ele gosta de ver um caboco, um santo Antônio, e
acho que é por isso que as imagens estão nas casas dos
terreiros,(...). Os terreiros não sobrevivem sem os clientes, e nem
sem os filhos da casa, então tem que ter um chamamento, uma atração,
e como atrair essas pessoas para dentro de um terreiro?! Uma casa de
culto Angola é isso aqui: tem os tambores e tem os Ngunzos, né?!
Tem os nossos Ngunzos-Ngunzos! O que é os nossos fundamentos? A
nossa segurança é isso! E nas outras casas de nação isso não
tem, não tem Ntoto e nem Cumeeira, que são o nosso Ngunzo. É isso,
é a natureza e é por isso que nós não cultuamos nada de gesso, no
nosso Ngunzo ou é pedra, ou é ferro, ou é do mar, ou é da terra.
A nossa força está na natureza, entendeu?!”
Mam'etu Muagilê/ Beth de
Bamburucema “...uma senhora chegou comigo eu tava na rua de
casa, e disse “mãe Beth eu queria que a senhora fizesse um banho
pra mim”, ela é evangélica, “mãe Beth eu queria que a senhora
fizesse um banho pra mim construir a minha casa que tão de olho
gordo, tão fazendo macumba tão de olho gordo em cima de mim”, eu
fiquei olhando pra ela e disse: tu vai fazer a tua casa não vai ser
preciso banho nenhum, nem trabalho nenhum, eu disse: tu vai seguir o
que eu vou te dizer? Ela disse: sim, eu disse então ainda bem que tu
vieste me procurar no mês de fevereiro, porque tem o ano todo pra ti
trabalhar e fazer a tua casa e passar ano na tua casa sem ser preciso
eu te dar um banho, como tu disseste, um banho de macumba, que aqui
em casa é banho de Axé, ai tu vai levar esse tempo pra se
organizar, tu vai pagar tudo o que tu deve até o mês de agosto,
quando for setembro tu não és católica mas tu vais comprar um
sapato, uma roupa talvez os teus filhos queiram é possível ai tu
guarda pra final do ano e a partir desse momento em diante tu vai
passar a reservar o teu dinheiro para fazer a tua casa, te organiza.
Ela organizou do jeito que eu disse, quando tu for receber o 13º tu
não traz ai pra tua casa, tu já vai com o orçamento na estância
pega um profissional faz um orçamento de tudo o que tu vai gastar,
não te esquece da mão de obra, do material e tu compra o material
pra fazer a tua casa, vou te mostrar que tu vai passar o ano na tua
casa, ela seguiu tudo aquilo que eu falei pra ela. Quando chegou no
final do ano, estava numa casa de madeira macheada, toda bonitinha,
passou ano na casa dela não foi preciso banho, não foi preciso ela
ir até a minha casa, não foi preciso ela sair da religião dela pra
vim pra minha casa, nem mentir pra dizer que ela estava precisando de
banho uma coisa assim, nos damos uma palavra amiga isso é um tipo de
acolhimento, você aconselhar, escutar a pessoa e orientar essas
pessoa a fazer coisas que vai dar certo, sem ser preciso você
envolver, botar a você vai jogar búzio pra mim ou uma carta pra eu
poder ver se tu vai fazer uma carta não, só pra mim te dar um banho
e te cobrar tanto. Eu acho que a palavra amiga assim um conselho, uma
orientação sabe que muitas vezes vale tanto se você for fazer um
trabalho.”
Tatetu Kalengunzu/ José de
Arimatéia “Eu era da casa do Edilson, (...) o Painho, que era
de Lembá também, e eu era da Mina na casa dele -, entrei na casa
dele em 89 e ai em 95 eu recolhi com pai Edson, que tinha recolhido e
iniciado ele, e ai com 6 anos que eu estava lá eu recolhi também,
ai foi que eu entrei no Angola - iniciei em 95 e há 5 anos atrás eu
recebi o meu Kijingo, né!? já com 10 anos de iniciado eu recebi
Kijingo , e eu estou hoje com 15 anos de feitura na Angola, e não
troco também a minha nação por nada, adoro a Angola e agora mais
ainda, e eu garanto a vocês que vou ter mais força ainda pra buscar
mais conhecimentos, sabe!”
Táta Tauadirá/ Edson Santana
“Tem todas essas histórias da gente começar a obrigação dia de
sexta-feira de madrugada, e terminava de manhã: 6h da manhã, quando
eu voltava para o trabalho E aí chegou um tempo que eu disse eu não
quero mais e acabou, eu não quero mais essa vida de estar
trabalhando e fazendo obrigação. (...) Aí eu decidi fazer por ele
isso, no caso o seu Walter fazia tudo pelo santo.(...) e aí muitas
das coisas começaram a se definir, uma das coisas foi a minha
profissão, hoje em dia sou professor de música num conservatório
(...). É na música, no conservatório e outras coisas mais, que eu
estudei pela vida. Eu disse assim: caramba se eu tivesse visto isso
há mais tempo, eu já tinha feito dessa maneira... mas, o que eu vou
querer dizer é que é o próprio orixá que nos encaminha! “
Táta Kinamboji/ Arthur Leandro
“Mas enfim, então eles nos dão esse poder maléfico e nos atacam
nas emissoras de rádio e de televisão das quais eles são donos, e
ai a pergunta: como visibilizar? A pergunta deveria ser como
resistir! Nós sofremos intolerância como todo mundo que tá sentado
nesta roda, nós sofremos intolerância, nós sofremos racismo
institucional (…) Porque para a justiça brasileira nunca é
preconceito contra nós! A Constituição nos dá o direito de culto,
o direito de consciência religiosa mas o Estado nos reprime, reprime
as nossas práticas religiosas e quando a gente reclama alegam
ignorância e o motivo é que eles “não sabiam como acontece o
culto afro-religioso”. Eles nunca assumem a responsabilidade sobre
o ato deles.”
Uma cartografia para a
visibilidade do nosso povo!
“A proposta do projeto é a
visibilidade para as comunidades tradicionais, então a gente vem
desde maio [de 2010] nesse projeto: mapeando, buscando visibilizar
nossa cultura tradicional.” - Mametu Nangetu apresentando o
capítulo da Nação Angola.
A "Cartografia Social dos
Afrorreligiosos em Belém do Pará - religiões afro-brasileiras e
ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade"
foi lançado durante a XVI Feira Panamazônica do Livro, a mesa de
autógrafos contou com a presença dos pesquisadores.
Este projeto foi financiado pelo
Programa Nacional de Patrimônio Imaterial do IPHAN, e contou com a
participação de pesquisadores das mais variadas formações
acadêmicas e vinculados a diferentes universidades, e a categoria
“pesquisadores” contemplou tanto formações acadêmicas quanto
afrorreligiosos com suas formações, saberes e conhecimentos
tradicionais. O saber acadêmico e o saber tradicional coordenando a
pesquisa juntos.
Como produto deste trabalho temos um
mapa dos afro-religiosos em Belém e este livro, que foi construído
a partir de entrevistas em encontros e oficinas ocorridas entre abril
de 2010 e fins de 2011 com o objetivo de coletar informaçnoes para
produzir o mapa e o livro, geo-referenciando informações que
revelam a coletividade e o dinamismo das identidades das nações
afrorreligiosas e da Pajelança em Belém do Pará.
A pesquisadora Camila do Valle
salientou a participação de lideranças de cada uma das nações
representadas na cartogarfia: Angola, Jeje Savalu, Ketu, Mina Jeje
Nagô, Umbanda e Pajelança, atribuindo à essas lideranças o papel
fundamental de decisão sobre as informações reunidas e os
resultados da pesquisa. explicou que o livro contém “os afetos,
conflitos, modos de convivência e formas de ocupação e reprodução,
no território, dessas identidades coletivas centradas na
religiosidade”, e que o mapa tem a localização de terreiros e
informações importantes para a compreensão das prátcias das
religiões afro-amazônicas presentes na zona metropolitana de Belém
como o levantamento detalhado dos espaços sagrados - templos, casas,
terreiros, tendas e searas, além da identificação dos locais de
coleta de folhas nas matas e de compra de ervas, locais onde a
realização de ritos religiosos são tensas e até as situações de
conflitos e intolerância religiosa. Camila diz ainda que “podemos
dizer que o mapa, entendido como um mapa narrativo, tem aqui, neste
livro, espaço para expandir seus elementos de narratividade”. E
que ambos, livro e mapa, “são documentos que escolhem, portanto, o
critério da narratividade e, portanto, do dinamismo da ação para
revelar a construção de sua identidade cultural.” Esta identidade
cultural, entendida como patrimônio cultural imaterial, ultrapassa
as fronteiras dos municípios diretamente envolvidos na pesquisa, já
que as narrativas remetem a outros espaços geográficos e a outros
tempos: formas não redutoras de pensar os pertencimentos e os
processos de institucionalidade.
Mametu Nangetu disse que o trabalho com
a Nação Angola foi gratificante porque lhe deu a oportunidade de
visitar os terreiros e conhecer mais profundamente as condições de
vida de seu povo. Lembrou a distinção com que foi recebida em cada
casa de culto e reafirmou a importância de sabermos quem nós somos
e onde estamos, e fez referência à necessidade de afirmação da
identidade afro-religiosa para a visibilidade dos terreiros e para o
combate à intolerância religiosa.
A
luta contra o racismo e formas correlatas de preconceito e
discriminação.
“A intolerância religiosa é o novo
racismo e muitas comunidades que enfrentaram discriminações raciais
durante décadas são agora perseguidas por causa de sua religião”.
(Mark Lattimer, diretor da MRG - Minority Right Groups International
)
A proclamção da república, no século
XIX, separou o estado da religião católica e já na primeira
constituição brasileira constava o artigo que garantia a liberdade
de culto, mas ao contrário do que se pensa, o que aconteceu com as
religiões afro-brasileiras foi o acirramento da repressão e a
tentativa de eliminar essas práticas do território brasileiro.
É nesse contexto que os povos e
comunidades tradicionais de terreiros das sete nações de origem
afro-brasileira que atuam na Região Metropolitana de Belém travam
uma luta histórica contra o preconceito e a discriminação,
inúmeros são os casos de racismo pela intolerância religiosa que
ocorrem cotidianamente na capital paraense. Atitudes preconceituosas
são histórias sem fim para quem segue religiões afrodescendente.
Luiz Augusto Loureiro Cunha (Pai Tayandô/ Acaoã-Unimaz) recorda dos
períodos difíceis das comunidades tradicionais de terreiro no Pará:
1908, quando mães e pais de santo eram proibidos de bater tambor; na
década de 30 (1930), lembrada como a maior repressão contra os
praticantes das religiões remanescentes da África; e o período da
ditadura militar (1964 a 1985), quando foram registradas inúmeras
prisões sob alegações diversas. "No dia 18 de março de 1908,
a mãe de santo “Doca” foi presa porque batia tambor para Dom
José. Ela chegou a ser levada para a delegacia, ficou na cela e
depois foi liberada. Mesmo assim, ela voltou para o terreiro e
continuou a bater tambor para os seus deuses", conta. Por causa
desse gesto de coragem, o dia 18 de Março é lembrado pelos povos e
comunidades tradicionais como o Dia Municipal e Estadual da Umbanda e
dos Cultos Afros-brasileiros. Noche Navakoly (Mãe Doca) é o símbolo
da resistência dos Povos de Tereiros de Belém. Mãe Doca era
natural de Codó/MA, filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo, seu
Vodum é Nana e Toy Jotin, mas também recebia Seu Inambé. Ela foi
presa várias vezes e ainda assim não desititu da luta pelo direito
à consciencia relgiosa.
Para Mametu Nangetu a mídia fortalece
o preconceito existente contra as religiões afro-brasileiras. "Não
querem nos respeitar como povos e comunidades tradicionais de
terreiro e a mídia reforça esta intolerância" e ao contrário
do que se pensa, enfatiza a sacerdotisa, "nós não adoramos o
satanás, mas os orixás, que são a natureza". Ela conta que o
preconceito é tão grande, ao ponto de quando ela vai trabahar na
coleta de ervas na estrada da Ceasa sofre discriminação. Os maiores
autores são os vigilantes de prédios públicos, pessoas humildes
carregadas de uma carga cultural preconceituosa. "Nunca me
expulsaram do local, mas já disseram que eu estaria sendo convidada
a me retirar das proximidades do prédio, onde coletava as ervas",
relata.
Conhecimento
é arma para defesa contra perseguição e promoção do respeito à
diversidade religiosa.
A publicação dos resultados desse
trabalho revela as características próprias de cada nação, seus
locais, formas de cultos e deuses. O mapa aponta, por exemplo, que a
nação Umbanda chegou ao Pará por volta da década de 30, trazida
pela "Mãe" Maria Aguiar. A nação foi resultado do
cruzamento de linhas (sincretismo interno) que acabaram formando uma
religião com suas próprias características, agregando-se Pajés e
Caruanas, Encantados e Deuses para resultar em uma Umbanda amazônida.
Durante uma oficina de Cartografia, realizada em junho de 2010, Mãe
Vanda desabafou lembrando que "a Umbanda resiste ao preconceito
e reafirma a sua tradição através desse sincretismo"
"A Cartografia Social dos
Afrorreligiosos em Belém é o que o governo negou aos
afrorreligiosos, que representam uma parcela da população em cerca
de 10% e, no entanto, não se estima no censo anual feito pelos
centros de pesquisa populacional", afirma Táta Kinamboji, um
dos executores do mapa que é sacerdote e professor universiteario,
Ele conta, por exemplo, que por não haver educadores afro-religiosos
nas instituições de ensino, seja público ou privado, o estigma de
que os praticantes das religiões de origem africana continua sendo
visto como adoradores de deuses satânicos. Na opinião dele, como
educador, somente a partir do momento em que a religião for
discutida sem preconceito nas escolas, o fato poderá mudar
culturalmente, garantindo assim, o direito das pessoas se
manifestarem sem medo de serem identificadas.
Táta Kinamboji ressalta que as
comunidades tradicionais de terreiros tem produzido material que pode
sim ser utilizado pelos professore para a difiusão de sconhecimentos
sobre a cosmologia religiosa afro-amazônica, destaca os filmes de
Luiz Arnaldo Campos, especialmene o "Chama Verequete"
(dirigido em parceria com Rogeerio Parreira) e o "A descoberta
da Amazônia pelos Turcos Encantados", que ganhou o DOCTV-PA de
2005, e a fascículo 3 da cartilha do Projeto Nova Cartografia Social
da Amazônia, Movimentos Sociais e Conflitos nas cidades da Amazônia,
e argumenta que se as escolas ainda não utilizam esses documentos
como material didático é porque a Lei não consegue vencer o
preconceito das pessoas que deveriam aplica-la.
Mas para Mametu Nangetu, o que importa
saber é se os professores das escolas vão mesmo utilizar os
documentos da religiosidade afro-amazônicas para difundir o
conhecimento sobre os povos de terreiros, ou se o preconceito e a
intolerância religiosa ainda vai tentar confinar estas publicações
em prateleiras e arquivos escondidos nos fundos das bibliotecas...
segunda-feira, 30 de abril de 2012
A luta pela preservação dos conhecimetnos tradicionais e do meio ambiente.
A roda de conversa no Cineclube Nangetu sobre o documetário "A revolução dos cocos", que relata a luta do povo de Bougainville (ilha do pacífico anteriormente pertencente a Papua Nova Guiné) contra a mineradora inglesa multinacional Rio Tinto Zinc, criou similaridade com a luta ambiental amazônida contra a construção da hidroelétrica de Belo monte. Foi inevitável para os presentes fazerem comparações das similaridades das formas de resitência na Oceania e nas margens do Xingu.
Os conhecimentos de medicina tradicional e o uso dos recursos naturais para a promoção da saúde também fizeram parte dos discursos, baseados no exemplo da ilha do Pacífico cujo povo teve que recorrer às tecnologias tradicionais para poder sobreviver aos embargos estatais contra a sua luta pela preservação do meio ambiente.
Os conhecimentos de medicina tradicional e o uso dos recursos naturais para a promoção da saúde também fizeram parte dos discursos, baseados no exemplo da ilha do Pacífico cujo povo teve que recorrer às tecnologias tradicionais para poder sobreviver aos embargos estatais contra a sua luta pela preservação do meio ambiente.
domingo, 29 de abril de 2012
Lideranças de terreiros falam sobre a cartografia no Balaio do Patrimônio do IPHAN-PA.
![]() |
| Alfredo Wagner, Julia Morim, Camila do Valle e Rosa Acevedo participaram da mesa Identificação, reconhecimento e valorização do patrimônio afro-brasileiro". |
A mesa fez parte do evento "Balaio do Patrimônio" , realizado pela superintendência do IPHAN no Pará em conjunto com Secult/Pa, Fumbel e parceiros. O evento, que está em sua 4ª edição no Pará, tem o objetivo fomentar o diálogo acerca de políticas públicas, projetos e ações voltadas à preservação e salvaguarda do patrimônio cultural.
Para discurtir o patrimônio afro-brasileiro, os pesquisadores colocaram em debate a questão quilombola no Brasil, a identidade afro-brasileira também foi tema do debate, que tratou de ações inter-institucionais e das pesquisas nas comunidades quilkombolas, como a APROAGA e do recente projeto de Cartografia dos Afro-religiosos de Belém.
![]() |
| Mametu Nangetu, coordenadora da pesquisa da cartografia para a Nação Angola, falou da preservação de espaços e dos conhecimetnos tradicionais dos terreiros. |
As três lideranças presentes, então dividiram o espaço da mesa para falar das suas percepções sobre o processo da pesquisa cartográfica. Disseram da importância do processo da construção de um mapa para o auto-conhecimento dos Povos Tradicionais de Terreiros na zona metropolitana de Belém, para a organização social e para a luta por direitos de cidadania para os povos de terreiros.
O debate ainda transiotou por temas como construção de identidades e resistência das minorias nos países pós-coloniais.
sábado, 7 de abril de 2012
Saúde no terreiro - Rodas de conversa, cineclube e atendimento em serviços marcam o Dia Internacional da Saúde no Mansu Nangetu.
Para celebrar a passagem do Dia Mundial da Saúde, comemorado no dia 7 de abril, o Mansu Nangetu recebeu nesta quinta-feira, dia 5 de abril, uma equipe da Secretaria de Estado da Saúde- SESPA - formada pela enfermeira Ruth Cardoso, pelo técnico de enfermagem Bernardino Silva e pela agente administrativa Tânia Nunes. Eles chegaram ao terreiro às 16h e montaram um sistema de atendimento à população dentro do terreiro.

O filme "Chama Verequete", de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parrera, foi exibido na sessão do cineclube, promovendo através do enredo do filme um debate sobre a relação da cultura com a saúde. Os participantes falaram de como a alegria de participar das manifestações artísticas e culturais influenciam no quadro de saúde de cada um.
E como não poderia deixar de ser, a proibição do Batuque (como as religiões afro-brasileiras eram chamadas no séc. XIX) pelo código de posturas do município de 1848 e o combate policial ao carimbó como cultura de terreiro - que é mostrado no filme -, foi relacionado com a com a atual repressão às culturas dos povos tradicionais de terreiros, seja pela visão negativa repassada pelo fundamentalismo cristão das igrejas eletrônicas em canais de televisão, seja pela interpretação equivocada das Leis ambientais que resulta em representação policial à religisidade afro-amazônica, e também foi consenso reconhecer esta forma de racismo afeta também a saúde dos povos de terreiros.
A oferta de serviços gratuitos de verificação de pressão arterial e de verificação de nivel de glicose no sangue foi a grande atração do dia. Foram 37 atendimentos para membros da comunidade e para a vizinhança do Mansu, sendo que desses 9 apresentaram alteração na pressão arterial (1 de pressão baixa e 8 quadros de hipertensão) e 2 resultados apresentaram quadros de diabetes. Em todos os casos, a equipe da SESPA conversou com os atendidos sobre os cuidados básicos para a prevenção de doenças, e para aqueles que apresentaram alteração arterial ou de glicose foi orientado que procurassem serviços de urgência em hospitais ou que agendassem consulta com médicos em postos de saúde.
O uso de ervas medicinais, principalmente através de chás de infusão, e cuidados com a alimentação para a promoção de uma vida saudável - conhecimentos tradicionais preservados pela tradição da oralidade dos terreiros -, também esteve presente nas conversas através das intervenções das lideranças de terreiros, que demonstraram o quanto esses conhecimentos influenciam na prevenção da saúde da população.
O evento terminou com um coquetel de café com pupunha e canjica e uma descontraída roda de conversa com as lideranças de terreiros Mametu Nangetu, Mametu Kaia Onilegi (Kátia Hadad), Mãe Nadir de Ogum, Pai Valdiney de Badé e com Silvia Macedo do Movimento Popular de Saúde/ MOPS-PA, a roda foi na porta do terreiro e foi o momento em que as lideranças das comunidades de terreiros articularam com o MOPS-PA a extensão da agenda de saúde e acertaram a parceria com o MOPS-PA para uma agenda itinerante de serviços de saúde pelos terreiros de Belém e Ananindeua.
Fotos e texto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre.
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