domingo, 24 de abril de 2016

Oficina: Alguidás e outras vasilhas biodegradáveis

No salão de exposições, Mametu Nangetu expõe ALGUIDÁS, objetos construídos com reciclagem para uso ritualísticos. Ela ressalta a preocupação com a natureza e o meio ambiente nas tradições de matriz africana, e constrói sua poética com discurso de manejo ambiental tradicional, e como parte da programação da exposição Nós de Aruanda, artistas de terreiro, a comunidade do Mansu Nangetu oferece uma oficina de troca de saberes com  a tecnologia de construção de alguidás e outras vasilhas de oferendas com material biodegradável.

Foto - ©LucivaldoSena / Projeto Gяiot Amazônida

A preservação do sagrado afro-brasileiro está intimamente ligado à preservação do patrimônio ambiental, e a comunidade do Mansu Nangetu tenta fazer a sua parte em pequenas ações, como a confecção de vasilhas biodegradáveis para utilização em oferendas, a limpeza de áreas de matas urbanas e a criação de ambiente de cultivo de ervas aromáticas e medicinais em hortas de quintais.
É essa experiência que a comunidade adquiriu através das ações do Projeto A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual que será compartilhada na oficina, com outras comunidades de terreiros tradicionais de matriz africana e com quem mais se interessar em trocar experiências poéticas e conhecimentos sobre o patrimônio ambiental afro-amazônico.


A exposição é uma realização do Grupo de Estudos Afro-Amazônico (NEAB-UFPA) e do Grupo de Pesquisa Roda de Axé CNPq, e fica em cartaz até 29 de abril na Galeria Theodor Braga, no sub-solo do CENTUR, Av. Gentil Bittencourt 650, Nazaré, Belém - Pará, com visitação de segunda a sexta das 9h as 19h

Oficina: Alguidás e outras vasilhas biodegradáveis
Instrutores – comunidade do Mansu Nangetu,
Quinta-feira, dia 28 de abril, a partir das 15h.
IV Exposição NÓS DE ARUANDA – ARTISTAS DE TERREIRO.
Galeria Theodoro Braga, a galeria fica no subsolo do CENTUR - Av. Gentil Bittencourt, nº 650, Nazaré - Belém – PA.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

3° Encontro Cria Preta será no Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves.

23 de abril, sábado, a partir das 8h, tem o 3° Encontro Cria Preta.
É um encontro de mães e com seus filhos pra brincar e interagir com o meio ambiente valorizando as culturas e a memória afro-amazônica e as brincadeiras tradicionais de infância.
A ação é uma iniciativa de um grupo de mulheres negras e acontece neste sábado, 23, a partir das 8h no Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves. - Av. Alm. Barroso, 2305 - Marco, Belém - PA.


quarta-feira, 20 de abril de 2016

22 de abril - Cineclube exibe filme de educação ambiental de matriz africana.


Serviço: 
Cineclube Nangetu
Filme: O SAGRADO ÉECOLÓGICO NO CANDOMBLÉ ANGOLA. Educativo. Brasil, 2012.
Sinopse: Ação educativa e prática de saberes culturais na construção da educação ambiental na comunidade do Terreiro Mansu Nangetu, casa tradicional de Candomblé de matriz Bantu em Belém do Pará.
Quando: sexta-feira, 22 de abril - 18h.
Onde: Mansu Nangetu - Tv. Pirajá, 1194 - Marco, Belém/PA.
Colaboração: alimentos não perecíveis (café, farinha, arroz, feijão e outros)

O curta "O Sagrado e o Ecológico no Candomblé de Angola" é um filme educativo fruto de uma produção coletiva realizada em 2012 pela comunidade do Mansu Nangetu (Projeto Azuelar) em parceria com pesquisadores da Especialização em Saberes Africanos e Afro-brasileiros na Amazônia, ofertado pelo Grupo de Estudos Afro-amazônico (NEAB) da Universidade Federal do Pará, e mostra práticas ecológicas de terreiro como exemplo de educação ambiental para crianças e jovens.
A experiência cineclubista do Mansu trabalha com o tripé de difusão, formação e produção audiovisual com caráter étnico e racial e de valorização das tradições de matriz africana na Amazônia, e a comunidade produz vários documentários com o que chama de ‘tecnologia do possível’,. A proposta deste filme veio dos pesquisadores do GEAM/ UFPA que queriam a produção de material didático para ser usado em sala de aula, o filme não teve um roteiro previamente elaborado, ele é o resultado do acompanhamento das ações cotidianas da comunidade .
Mametu Nangetu ressalta que a preservação do sagrado afro-brasileiro está intimamente ligado à preservação do patrimônio ambiental, ela critica o modelo de urbanização de cidades que extinguem as áreas verdes e transformam igarapés em esgotos à céu aberto, e diz que a comunidade tenta fazer a sua parte em pequenas ações, como a confecção de vasilhas biodegradáveis para utilização em oferendas, ação que é mostrada no filme.
O filme faz parte do Box da Diversidade, um projeto de caráter cultural e educativo que reúne uma coletânea de filmes brasileiros para ser distribuída gratuitamente para escolas públicas, cineclubes e organizações sociais. O projeto é desenvolvido pelo Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros/ CNC, e começou a ser distribuído em 2015.  O Box possui os seguintes eixos temáticos: sexualidade e gênero; comunidades tradicionais e étnico racial; meio ambiente e biodiversidade; envelhecimento e memória; superação e acessibilidade; trânsito e pensamento nômade; infância e juventude; dessemelhanças e experimentações; diversidade regional; transversalidade geopolítica.




O SAGRADO ÉECOLÓGICO NO CANDOMBLÉ ANGOLA: Ação educativa e prática de saberes culturais na construção da educação ambiental em comunidade de terreiro.  Direção: Filme Coletivo. Pesquisa - Equipe do GEAAM/ UFPA: Alessandro Ricardo Campos, Anderson Johnny dos S. Nunes, Arthur Leandro, Kátia Simone Alves Araújo, Renato Trindade. Pesquisa - Equipe do Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu: Mametu Nangetu, Mametu Deumbanda, Táta Kinamboji, Táta Kamelemba, Muzenza Vanjulê. Musicas: Táta Mutá "A casa dos olhos do Tempo" Táta Guiamazi/ Casa de Candomblé. Angola Redandá redanda.com.br/ . Edição: Arthur Leandro/ Táta Kinamboji, Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu. Realização: Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu;  CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM SABERES AFRICANOS E AFRO BRASILEIROS NA AMAZÔNIA – IMPLANTAÇÃO DA LEI 10.639/03/ Grupo de Estudos Afro-amazônicos, Faculdade de Ciências Sociais/ IFCS/ UFPA, Faculdade de Artes Visuais/ ICA/ UFPA.

Apoio:
REATA - Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana.
rede [aparelho]-:
FAV - ICA * FCS - IFCH * PROEX/ UFPA
Projetos de extensão:
Produção do Programa "Nós de Aruanda" para a WebTV Azuelar
Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi)
Ngomba d'Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu



domingo, 10 de abril de 2016

Nkosi Bike - Performance de Carlos Vera Cruz.




Performance de Carlos Vera Cruz para o Projeto Nós de Aruanda, Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.




Luna kubanga kuta kueto Nkosi (Nkosi, aquele que briga por nós.)

Nkosi é um nkisi da nação de candomblé Angola. Divindade Bantu de origem Kongo, que no Brasil é comparado ao orixá Ogum dos Nagô Yorubá. Talvez por ser o senhor da guerra e do ferro; aquele que briga por nós, seguidores desta nação de candomblé. É o leão sagrado, o guerreiro da justiça, o comedor de alma dos ímpios e injustos.
Já que a Antropofagia tem suas bases no ritual antropofágico dos povos Tupinambás do Brasil colônia, o qual tinha o tema da vingança como principal força motriz. Foi nesta perspectiva, a da vingança, que propus a performance de intervenção urbana NKOSI’S BIKE, realizada na cidade de Belém do Pará. Uma cidade construída a partir da exploração de mão de obra escrava de origem Bantu . As mãos Bantus, como tecnologia, construíram a Amazônia colonial. E Nkosi, por ser o senhor do ferro, também é o nkisi da tecnologia.
NKOS’S BIKE é uma performance negra de intervenção urbana, que a partir da ideia Antropofágica de Oswald de Andrade e seus desdobramentos, propôs relações entre as populações de dois bairros de periferia de Belém (Cremação e Guamá), com a cultura Bantu presente na Amazônia. Foi a minha vingança Bantu; como a vingança dos Tupinambá, performada no ritual antropofágico. O Senhor da Guerra, montado em seu cavalo de aço, devorando qual leão da savana os inimigos, e se fortalecendo no cotidiano periférico da selva-urbe equatoriana.
O nosso guerreiro maior, comendo as referências assimiladas, e saindo em batalha por visibilidade e reconhecimento de uma Amazônia Negra, obscurecida pelo mito da predominância indígena na região. Buscando, na devoração do outro pelas abordagens, encontrar a si próprio, na esperança da aceitação identitária.

Carlos Vera Cruz
Artista, Performer e membro do Mansu Nangetu.

O Nkisi é que nos socorre. Ação poética de Weverton de Nkosi.





Ação poética de resistência negra de Weverton Ruan. Projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.


O Nkisi é que nos socorre! Ocupando territórios de saúde, memória, poética e resistência.
Guamá, 05 de abril de 2016.
Nos encaminhamos para o pronto socorro do Guamá as 16:30, com defumações, banhos, folhas, vaso e esteira.
Descemos paramentados em frente ao pronto socorro, brevemente observamos onde colocaremos o banho, ficamos bem à frente da unidade, debaixo de sua placa desgastada e caída, muitos olhares de vários os lados, uma encruzilhada movimentada na frente do pronto socorro, não demora muito saem dois guardas municipais de dentro da unidade, perguntam o que acontecia. Não me prendo muito no que falam e continuo descarregando o material do carro, sei que ligam para alguém, esse pra quem ligam já fala com a Isabela, ela em auto e bom som diz que é uma intervenção política e afroreligiosa.
Preparo o banho, ponho no oberó e jogo na placa debotada do pronto socorro, saio jogando banho pela rampa, as pessoas se afastam, uma mãe grita para o menino sair dali, as pessoas vão se afastando na medida que vou jogando o banho, jogo na entrada, ali já tem uma ambulância e socorristas que entraram com a maca pra dentro do prédio, jogo o banho na entrada, na ambulância, eram visíveis muitas pessoas debilitadas ali, negras, senhoras, senhores, crianças. Jogo o banho pela parede nas placas da prefeitura.
Volto para a frente, o incensador já está aceso e saio defumando, as pessoas já estão afastadas da frente da unidade, sigo incensando.
Pergunto para um casal se querem se incensar, a mulher diz rindo que ele estava precisando, ele responde dizendo que está pegando neles, parecem aceitar de certa forma.
Pego o oberó novamente e pergunto quem quer lavar as mãos, pergunto aos que esperavam na fila, uma mulher resmunga sentada próximo a porta, outros recusam, uma outra mulher pelo sangue de jesus, não aceita. Levo para o outro lado da rua, o moto taxistas recusam, um para faz uma graça e pede pra lavar, enxagua bem as mãos, pergunta se é pra dinheiro, digo que é para saúde e ele bate no meu ombro, saio e ele ao sair me saúda novamente. Ofereço aos guardas, a uns que passam no carro.
Pego as palhas, vou em direção a grade, as pessoas que sentavam em baixo vão se afastando subo na mureta e tranço elas na grade.
Volto junto as folhas coloco no pote e o levo para a entrada da unidade, ficou ótimo, nos organizamos para sair, algumas despedidas, conversas com um jovem evangélico e depois saímos.

Weverton Ruan Rodrigues, de Nkosi.
Artista, membro do Mansu Nangetu.
#NósDeAruanda2016
 

Jardim de tradições, caminhos de resistência... Ação poética de Táta Kinamboji.





Ação poética de resistência negra de Táta Kinamboji. Projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016


 

Jardim de tradições, caminhos de resistência.


Categoria - Poéticas visuais de resistência negra.

Artista propositor: Táta Kinamboji/ Arthur Leandro (Mansu Nangetu).
Realização comunitária: Mametu Nangetu, Tata Kafulumizô, Carlos Vera Cruz, Lucivaldo Sena, Tainah Joge, Isabela do Lago, Renata Beckmann, Luciane Bessa, Weverton Ruan Rodrigues, Sibely Nunes, Samantha Silva, Glauce Santos, Silvia Rodrigues, Rosângela Santos, Anna Lins, Diogo Monteiro, Sr. Fernando da Komby e trabalhadores do porto de Icoaraci. Data: 20 de fevereiro de 2016, ao meio dia. Local: trapiche e orla do porto de Icoaraci. Fotos/ vídeos: Lucivaldo Sena, Renata Beckmann, Isabela do Lago e equipe do Projeto Azuelar. 

Contexto: Trapiche e orla do porto de Icoaraci - Local onde houve recente ataque contra ritual do sagrado de matriz africana.
Motivação - fim do ano passado, fomos para a orla de Icoaraci levar oferendas referentes aos ritos de Tata Kafulumizô (Angelo Imbiriba), e quando alguns barqueiros perceberam que se tratava do sagrado afro-brasileiro, começaram a gritar "macumbaria", "sai daí satanás", essas coisas - a resposta é levar um mar de flores para esse lugar.

Descrição: um mar de pipoca como um jardim de flores para as águas e os barcos do porto de Icoaraci. Levamos também uma panela grande de feijão pra gente comer junto, e debaixo duma mangueira...
Potência artística: O racismo é um câncer social, mas as tradições de matriz africana tem tratamento para cura de doenças...

 

No trajeto das águas, sobre o sulco dos rios. Experimentação poética de Glauce Santos.





Experimentação poética de Glauce Santos. Projeto Nós de Aruanda. Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.

Morada dos encantados. Experimentação poética de Samantha Silva.





Experimentação poética de Samantha Silva, Projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016

Fluxo de benção. Ação poética de Tainah Jorge.





Ação poética de Tainah Jorge para o projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.


 
Fluxo de Benção

De forma intuitiva, nasceu "Fluxo de Benção", uma proposta de intervenção urbana com o intuito de falar por stencils pixados em postes na região central de Belém, de amor e benção dentro de um padrão de línguas e linguagens dos povos tradicionais de matriz africana.

A partir de um grupo de mensagens instantâneas que foi criado para dividir informações sobre outro projeto ( trilha “Afro Amazônicos e seus símbolos” do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi), emanou-se então uma comunicação diária de informações sobre o movimento social de povos tradicionais de matriz africana. Em meio a este fluxo informacional, as Mães e Pais de Santo envolvidos nessa micro comunidade, com amor e respeito mútuo entre suas diversas nações, trocam bênçãos e mensagens de força e amor em suas línguas e linguagens específicas de cada nação, gerando um curso, como uma corrente diária de orações constantes, recorrente entre essas pessoas. Já que faz-se necessário no momento contemporâneo a deliberação da pauta social latente das questões de identidade e suas relações de interculturalidade para formação de respeito mútuo e para a construção de uma cultura democrática de paz, a proposição decide transpor o curso informacional restrito a comunidade virtual, para as ruas da cidade.

O pixo é uma arte invisibilizada que surge e está presente na urbanidade. Sua comunicação é restrita aos seus grupos. É subjulgada e polemizada, assim como muitas ações de outras culturas, como a própria matriz africana. Portanto, unem-se expressões marginalizadas para falar de amor. Um amor que deve ser compreendido para ser respeitado, aceito e valorizado, como parte da construção sociocultural do que é ser amazonido, do que é ser brasileiro.

Assim, foram espalhadas frases por ruas movimentadas de Belém e de Ananindeua, expressando desejos de saúde, justiça e caminhos de sucesso pra todos que passarem e se identificarem com a obra. Com a intenção de continuidade desse fluxo, pretende-se agora estender o convite aos pedestres que apoiam a construção de respeito, paz e amor entre diferentes povos para fotografar os pixos e compartilhar em suas redes sociais, usando as hashtags do projeto. Ao final,  será exposto na Galeria Theodoro Braga, dentro do coletivo "Nós de Aruanda", um painel com todas essas fotos, comprovando a vontade de quem participou dessa construção de reverência a essa cultura pacifista.

Tainah Jorge
Estudante de Ciências Socais, agente cultural e figurinista, filha de santo de Mãe Esther de Jarina, da Seara da Oxossi,  Tambor de Mina, há 7 anos.

 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Museu Goeldi inaugura “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos”

Projeto educativo vai mostrar a estudantes do ensino médio as relações entre culturas afro religiosas e espécies de plantas do acervo do Parque Zoobotânico. Saiba como participar
Agência Museu Goeldi – As árvores contam histórias, partes do nosso próprio passado que por vezes desconhecemos. O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) inaugura em abril a “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos”, um roteiro ecológico pelo Parque Zoobotânico que contempla a cultura afro amazônica e suas relações com a natureza.
O projeto do Serviço de Educação (SEC) do Museu foi construído em parceria com comunidades de terreiro de matriz africana em Belém (Candomblé, Umbanda e Mina são algumas delas). Mametu Nangetu, Baba Tayando, Mãe Nalva, Mãe Jakolocy, Mãe Vanda e Pai Alfredo são alguns dos pais e mães de santo convidados. Eles identificaram plantas do acervo do Parque com significado e importância cultural para as suas respectivas religiões; são essas plantas que fazem parte da trilha.
Todo o processo foi transformado em vídeos didáticos que serão disponibilizados para escolas da rede básica de ensino como ferramenta pedagógica. O material é recomendado para ser assistido por estudantes em sala de aula antes de uma visita ao Parque Zoobotânico.
A “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos” faz parte do projeto de pesquisa da bolsista de Educação Tainah Jorge. Ela explica que a meta desse projeto é estimular o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, de acordo com a Lei Federal 10.369.
A lei, promulgada em 2003, se refere à inclusão no currículo escolar do estudo da História da África e dos Africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra brasileira e do negro na formação da sociedade nacional. “A realização desse roteiro possibilita o acesso ao conteúdo afro brasileiro, criando um espaço de informação, educação e conscientização. Uma ferramenta de necessidade pública”, afirma.
Como participar – A primeira fase da “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos” é o minicurso de formação sobre o projeto para professores de nível médio (1º a 3º ano) do ensino básico. Nele serão explicados os fundamento e os saberes ancestrais, bem como as plantas que fazem parte da trilha. O minicurso acontece no próximo dia 13 de abril (quarta-feira) de 9h às 11h30 e 14 de abril (quinta-feira), de 9h às 11h30 e de 14h às 16h30.
Os docentes interessados em participar do projeto devem se inscrever até esta sexta-feira (9) no Núcleo de Visitas Orientadas (NUVOP), localizado no Parque Zoobotânico (Av. Magalhães Barata, 376, bairro São Braz). Serão 30 vagas para professores no total. Para mais informações, ligue para o telefone (91) 3182-3249.
Texto: João Cunha, originalmente publicado no site do Museu Goeldi.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Manifesto público e reivindicações de Povos e Comunidades Tradicionais de Belém face ao projeto de Reforma do Ver-O-Peso

Manifesto público e reivindicações de Povos e Comunidades Tradicionais  de Belém  face ao projeto de Reforma do Ver-O-Peso


Autoridades e lideranças de povos tradicionais de matriz africana, defendem o direito ao Ver-o-Peso.




     No 12 de janeiro de 2016,  no  ato comemorativo dos 400 anos da cidade Belém,  foi anunciada pelo Prefeito Zenaldo Coutinho e o governador do Pará, Simão Jatene a reforma e revitalização do complexo do Ver-o-Peso. Nesse Autoridades dos povos tradicionais de matriz africana tentaram apresentar ao Prefeito uma série de propostas de políticas públicas de combate ao racismo religioso elaboradas pelo movimento “Atitude Afro”. Esse propósito foi impedido quando nossa manifestação foi recebida com um corredor polonês de evangélicos e o lançamento de spray de pimenta sobre os manifestantes os povos tradicionais de matriz africana.  Posteriormente,  a Associação dos Filhos de Amigos do Ilê Iya Omi Ase o Fa Kare (AFAIA), o Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará (CEDENPA), o Instituto Nangetu e  a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), protocolaram no Ministério Público do Estado do Pará (MPE), uma representação contra a Prefeitura de Belém, em função das atitudes De racismo religioso, amparado pelo estado que configura o genocídio de um povo. Violência contra um grupo étnico com aparato do estado ou mesmo racismo institucional, ocorridas naquele data. 

         Da mesma forma  que naquele evento  chamamos  atenção para a necessidade de Políticas Públicas contra o racismo religioso, também temos o propósito de  nós manifestar sobre o projeto de reforma e revitalização do Ver-O-Peso, que concerne diretamente aos povos e comunidades tradicionais de Belém, entre eles povos de matriz africana, quilombolas, benzedeiras, comerciantes de ervas e animais.  No entanto,  apontamos dificuldades de conversar com a gestão municipal sobre esse projeto e procuramos por todos os meios de dialogar com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artistico Nacional - IPHAN. 

         Nossos argumentos neste Manifesto  apoiam-se nos  marcos legais que nos garantem escuta diferenciada quando em intervenções em espaços que se reproduzem as nossas tradições. Somos Povos Tradicionais,  regidos pela Convenção 169  da Organização Internacional do Trabalho, o Decreto  6040  de  2007 e os artigos 215 e 216  da Constituição Federal  de 1988. 
O artigo 215 consagra o princípio da diversidade cultural, ao garantir o pleno exercício de direitos culturais e o apoio e difusão das manifestações culturais populares, indígenas e afro-brasileiras, impondo ao Estado brasileiro a observância desses direitos,  assim deve promover a valorização da diversidade étnica e regional,  a democratização de acesso aos bens culurais, à defesa e valorização do patrimônio cultural,  que constituem ações fundamentais para o desenvolvimento cultural do país.   O artigo 216,  seção II – Da Cultura, estabelece o patrimônio cultural brasileiro composto por bens de natureza material e imaterial, individuais e coletivos, protadores de referencia à identidade, à ação e à memória dos distintos grupos que formam a sociedade brasileira, estando representadas em 5 categorias, a saber: I – as formas de expressão; II – os modos de criar,  fazer e viver; III – as criações científicas, artisticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artistico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagistico, artistico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
         O Decreto 6040 de 7 de fevereiro de 2007  define no artigo 3º   I - Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição;

         A Convenção  169  da OIT estabelece no artigo 4º:  1. “Deverão ser adotadas as medidas especiais necessárias para salvaguardar as pessoas, as instituições, os bens, o trabalho, a cultura e o meio ambiente desses povos.  2.  Essas medidas especiais não deverão ser contrarias aos desejos livremente expressos por esses povos.  3. De maneira alguma deverá ser prejudicado por essas medidas especiais o gozo, sem discriminação, dos direitos gerais da cidadania”.
         A Convenção  169  da OIT destaca a consulta e a participação dos povos interessados e o direito desses povos de definir suas próprias prioridades de desenvolvimento na medida em que afetem suas vidas, crenças, instituições, valores espirituais e a própria terra que ocupam ou utilizam.  Conforme o artigo 6º os governos deverão: A) consultar esses povos, mediante procedimentos apropriados, principalmente por meio de suas instituições representativas,  toda vez que se considerem medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente.  B)  estabelecer os meios pelos quais esses povos possam participar livremente, pelo menos na mesma proporção que os demais segmentos da população  e  em todos os níveis, na adoção de decisões em instituições eletivas e órgãos administrativos e de outra natureza, responsáveis  por políticas e programas que lhes digam respeito.  C) criar os meios para o pleno desenvolvimento das instituições e inciativas desses povos e, nos devidos casos, proporcionar os necessários recursos para este fim.  D) as consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser fietas de boa fé e de acordo com as circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo ou obter o consentimento sobre as medidas propostas”

         Nós, autoridades tradicionais de matriz africanas buscamos o dialogo que permita o reconhecimento e respeito de direitos étnicos e culturais. Nesse interregno de dois meses,  provocamos duas reuniões  com os técnicos do IPHAN.  Essas reuniões ocorreram: em 27 de fevereiro quando fomos ao auditorio do IPHAN com objetivo de conhecer o projeto arquitetonico. Em 1º  de março, quando participamos de uma conversa no próprio Ver-o-Peso com técnica do IPHAN e nós povos Tradicionais de matriz africana mostrando in loco os lugares para a preservação da nossa tradição e de comércio de ervas, animais e outros produtos necessários para a manutenção das tradições de matriz africana no Pará.  Nesse dialogo temos solicitado para que o Iphan intermedeie o diálogo com a Prefeitura de Belém, sobre a revitalização da feira, sem a eliminação da venda de animais vivos, ou bicho em pé, e de locais necessários para a preservação das tradições de matriz africana na pedra do Peixe do Ver-o-Peso, na orla da feira e na escadinha do Cais do Porto.  

         Na visita que fizemos na feira, nos foi informado que o IPHAN e o Ministério Público Estadual  MPE iriam colocar o projeto em consulta pública na internet e que nós poderíamos intervir na proposta pela internet.  Na oportunidades, nós fizemos uma contra proposta de reunião presencial com povos tradicionais de territórios tradicionais negros. Para isso argumentamos que a preservação desse comércio influencia na economia de dois polos de territórios tradicionais negros, os quilombos - que produzem os alimentos vegetais e animais; e os terreiros, que consomem esses produtos e com eles reproduzem as tradições alimentares de origem africana.
         No dia 16 de março ocorreu a reunião no prédio do Ministério de Educação e Cultura (MINc) em Belém,  convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no qual participaram 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.  Os comerciantes de animais vivos inseridos no debate reclamaram de sua atividade não ter sido considerada no plano de reforma da Prefeitura Municipal de Belém (PMB)  enfatizando o caráter tradicional e o fato de ter sido considerados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de reforma. A compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas tradicionais de matriz africana.
         No dia 31 de março próximo encerra o prazo do que está sendo apresentado como  “consulta pública”  sobre a proposta de intervenção (projeto básico) para a Feira do Ver-o-Peso, integrante do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico tombado pelo Iphan em 2012 (Portaria MinC nº (Lei nº 12.527/2011), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).   Ante os fatos  exposto e a iminencia dessa data, nós povos e comunidades tradicionais de Belém reivindicamos:

         1. Que o Projeto Básico seja revisto inserindo o espaço para comercialização de animais vivos, ervas e plantas.  Essa  revisão deve estar contemplada nos projetos para a Feira do Açaí, Solar da Beira e Pedra do Peixe  em atenção a se tratar de práticas  de povos tradicionais.
            2.  Que  seja obedecido pelo IPHAN e Prefeitura de Belém o que estabelece a Convenção 169 da OIT  no seu artigo 6º  acima transcrito  no relativo à consulta aos povos tradicionais. Esse procedimento deve corresponder a uma consulta livre, previa e informada. O que difere  da consulta publica por intenet  e ainda a anunciada pelo IPHAN de realização de uma Audiência Pública para apresentação do projeto.
            3.  Que consoante a essas reivindicação anterior seja  revisto o prazo para esta etapa e a imediata definida pelo IPHAN.
            4. Que o Ministério Público Federal – MPF focalize e insista junto ao IPHAN no tocante aos dispositivos juridicos que dizem respeitos aos povos e comunidades tradicionais do Pará. Até o presente nos parece não terem sido reconhecidos no Projeto básico.  Ainda que essa instancia reitere o caráter das consultas públicas aos povos tradicionais.

           

domingo, 27 de março de 2016

Manifesto contra o racismo religioso.

Em 20 de março as autoridades de comunidades de terreiro foram às ruas de Belém pelo respeito ao sagrado de matriz africana, em ato organizado pelo INTECAB-PA e organizações parceiras.

Consideramos muito grave a violência que se acentua por ódio religioso contra as tradições de matriz africana no Brasil, seus lugares de culto, seus símbolos e suas autoridades. Destruição de imagens do sagrado das tradições de matriz africana, se somam aos ataques de depredação a templos religiosos (ou aos territórios de preservação de tradições de matriz africana) em toas as regiões brasileiras e se somam também os assassinatos de autoridades e lideranças de casas, terreiros e roças tradicionais de matriz africana, e esses casos são relegados a planos inferiores nas estatísticas dos órgãos de segurança pública nos 26 estados e no DF.
É notório que o racismo manifesto no etnocentrismo da sociedade brasileira incide contra práticas tradicionais afro-brasileiras, e estas enfrentam a mais absoluta indiferença social. O problema sofre de notória invisibilidade.
Podemos afirmar que persiste na sociedade brasileira a associação nefasta entre a mídia e as instituições de justiça e segurança pública a perpetuar o espectro racista de associação da herança africana com o contexto do mal, e a legitimar o desrespeito às leis e à constituição da República Federativa do Brasil e promover a violência contra a população negra e aos terreiros e suas lideranças.
O que os Terreiros vivem hoje é o medo constante de se tornarem vítimas da violência sem limites promovida por cultos de seitas cristãs que, ao invés de levarem mensagens de paz e conforto aos seus fiéis, promovem o ódio religioso cultivado em alicerces racistas por causa da origem negra africana de nossa religião.
Os ataques racistas se perpetuam principalmente por parte de adeptos de religiões pentecostais e neopentecostais (Igreja Universal do Reino e Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Assembleia de Deus, entre outras. A repressão é percebida pelas lideranças dos povos tradicionais de matriz africana.
A luta pelo direito ao sagrado africano vem de muito tempo, o agravante atual é que esses grupos de seitas cristãs que atacam as tradições afro-brasileiras, possuem mandatos de cargos eletivos no executivo e legislativo e concessão pública de canais de comunicação televisiva e radiofônica, e que o ataque é massificado em redes de comunicação e em discursos nas casas legislativas. As causas do racismo em forma de intolerância religiosa estão intimamente ligadas ao aumento dos poderes midiáticos dos praticantes de cultos pentecostais e neopentecostais - poderes que constroem um império de comunicação utilizado para promover o poder político com caráter de fundamentalismo cristão.
E essa situação, somada à ambiguidade das políticas educacionais - cujo mesmo racismo institucional emperra a implantação de ações afirmativas como o disposto na Lei 10.639/03 -, são considerados os principais fatores da promoção da violência física, psicológica e social contra os povos tradicionais de matrizes africanas.
Mais uma vez, lançamos um alerta para a violência contra as tradições afro-brasileiras em nossos dias, principalmente como consequência do estereótipo do mal repassado em campanha midiática e política contra os povos tradicionais de matrizes africanas. Violência que incide sobre nossas casas, nossos símbolos e até mesmo sobre nossos corpos, e repudiamos essa violência ao mesmo tempo que exigimos que o Estado adote políticas de reparação. É preciso dar uma resposta urgente da gestão pública nas três esferas, e essa resposta só será sentida pelo nosso povo se for feita com ações e políticas públicas que tenham efeito imediato e possam reprimir os malfeitores que atacam nossas lideranças, nossos símbolos, nossos templos e nossa fé...
Belém, 21 de março de 2016 - Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial.
Mametu Nangetu
Presidente do Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e Desenvolvimento social


Alguns casos de violência, e acreditamos que se as vitimas fossem templos ou sacerdotes da fé cristã o Estado já teria dado respostas:

18/03/08 O terreiro Oyá Onipó Neto, localizado há mais de 29 anos na Avenida Jorge Amado, em Salvador, foi parcialmente demolido em 27 de fevereiro, o que provocou polêmica e uma série de manifestações contra a intolerância religiosa. A responsável por autorizar a demolição, Kátia Carmelo, foi exonerada do cargo de chefia da Superintendência de Controle do Uso do Solo do Município (Sucom) e o prédio está sendo reconstruído.  http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL353993-5598,00-DEMOLICAO+DE+TERREIRO+PROVOCA+POLEMICA+EM+SALVADOR.html

06/10/2010 - A mãe de santo, a "Ialorixá" Maria Ferreira de Jesus, 66 anos, também conhecida como "Mãe Dinha", foi assassinada com vários tiros de pistola calibre 380, nesta terça-feira (5), em Santa Bárbara. http://www.interiordabahia.com.br/p_policia/11243.html

08/11/2010 - Mãe de Santo manifestada é jogada no formigueiro por policiais   http://www.alagoas24horas.com.br/620460/mae-de-santo-manifestada-e-jogada-no-formigueiro-por-policiais/

07/10/2011 - A mãe de santo Analice de Freitas Sacramento, de 58 anos, foi assassinada com vários golpes de facão, na noite da última quarta-feira http://www.bahiapolitica.com.br/mae-de-santo-e-assassinada-a-golpes-de-facao/

13/7/2012 - Sete terreiros de umbanda e um centro doutrinário espiritualista foram invadidos e saqueados por populares em São Domingos, no Brejo da Madre de Deus e em Santa Cruz do Capibaribe nessa quinta-feira http://maranauta.blogspot.com.br/2012/07/populacao-do-agreste-destroi-terreiros.html

15-07-2012 em Olinda. Centenas de evangélicos com faixas e gritando palavras de ordem realizaram protesto em frente a um terreiro de matriz africana e afro-brasileira – candomblé, umbanda e jurema. As imagens poderiam ser de um filme sobre a Idade Média. No entanto, foram registradas no domingo, no Varadouro, em Olinda, Grande Recife. As cenas de intolerância religiosa circularam ontem nas redes sociais e provocaram a revolta de milhares de internautas. http://gravatahoje.blogspot.com.br/2012/07/versao-pernambucana-da-noite-de-sao.html

20/07/2012 - Polícia Civil localiza suspeitos da morte de Mãe de Santo Patrícia de Oyá em Rio Pardo http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2012/07/20/policia-civil-localizam-suspeitos-da-morte-de-pai-de-santo-em-rio-pardo/?topo=52,1,1,,171,e171

26/8/2012 - O Vale do Amanhecer, centro de doutrina espiritualista Cristã, também foi alvo da ira da população. Um funcionário do templo, Emanuel Jonas da Silva, chegou a ser agredido pelos populares e prestou depoimento à polícia. O centro só não foi incendiado porque policiais militares conseguiram impedir a ação dos manifestantes. O grupo ainda conseguiu saquear o Templo e destruir objetos do local. Tronos, Mesa Evangélica e imagens. "As pessoas estão invadindo os espaços aleatoriamente. Muitos não conhecem a história das religiões e estão cometendo injustiças". Apontou o delegado Antônio Dutra. http://amanheceremnoticias.blogspot.com.br/2012/08/os-principais-alvos-da-revolta-da.html

04/08/2013 -  Além de Yá Mukumby foram mortas mais três pessoas, entre as quais, sua mãe, Alial de Oliveira Santos, 86 anos, e uma neta de 10 anos. O crime chocou Londrina, a segunda cidade mais populosa do Paraná e a quarta da região sul. Além do pano de fundo machista (o alvo do agressor era sua própria companheira, Patrícia Amorim Dias, de 19 anos) o crime pode ter sido gerado pela intolerância religiosa: de acordo com vizinhos, o assassino Diego Ramos Quirino, 30 anos, era evangélico e dizia estar "com o diabo no corpo”. http://www.afropress.com/post.asp?tipo=fotos&id=15261

16/12/2013 “Picharam minha casa, jogaram pedras várias vezes. Há cinco anos, cancelei sessões públicas e deixamos de tocar o atabaque para preservar nossa crença”, conta. Nos aglomerados da capital, o fenômeno se repete e os terreiros também se mantêm discretos. Apesar de presentes, já não é tão fácil encontrá-los.  http://www.otempo.com.br/preconceito-e-viol%C3%AAncia-fazem-terreiros-se-esconderem-em-bh-1.761460

07/03/2014 - Monumento em homenagem a 'Mãe Doca' é destruído em Belém. http://www.ormnews.com.br/multimidia/video/40215  

1/04/2014 - Polícia investiga incêndio e destruição de imagens em terreiro de candomblé em Goiana. A polícia investiga a depredação e incêndio ocorridos em um terreiro de candomblé na madrugada da segunda-feira, dia 1º de abril, em Goiana, na Zona da Mata Norte pernambucana. O local de culto à entidade Jurema teve suas dependências tomadas pelas chamas e várias imagens sagradas foram quebradas. O responsável pelo terreiro é o babalorixá conhecido como Pai Dedo.  http://www.ablogpe.com/2014/04/policia­investiga­incendio­e­destruicao.html

01/08/2014 Terreiro de candomblé é incendiado pela oitava vez em Duque de Caxias - http://boaforma.uol.com.br/videos/assistir.htm?video=terreiro-de-candomble-e-incendiado-pela-oitava-vez-04020D18326AD0895326

25/11/2014 - Mãe de Santo de 61 anos é morta dentro de casa em Eunápolis, na BA http://g1.globo.com/bahia/noticia/2014/11/mae-de-santo-de-61-anos-e-morta-dentro-de-casa-em-eunapolis-na-ba.html

23/04/15 às 15h38 - Comerciante que estrangulou e matou mãe de santo é presa em Euclides da Cunha (BA) http://varelanoticias.com.br/comerciante-que-estrangulou-e-matou-mae-de-santo-e-presa-em-euclides-da-cunha-ba/

20/05/2015 -Mãe de santo presta queixa por ofensa http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=266336

10/06/2015 - A morte de uma ialorixá nonagenária em Camaçari, município industrial localizado a 40 quilômetros de Salvador, é centro de comoção http://oglobo.globo.com/sociedade/religiao/parentes-de-ialorixa-morta-dizem-que-ela-teve-infarto-causado-por-perseguicao-religiosa-16396381#ixzz43bCShFhv

16/06/2015  A menina, iniciada no Candomblé há quatro meses, seguia com parentes e irmãos de santo para um centro espiritualista na Vila da Penha, quando foi atingida na cabeça por uma pedra, atirada, segundo testemunhas, por um grupo de evangélicos. Ainda segundo os relatos, momentos antes, eles xingaram os adeptos da religião de matriz africana. “Eles gritaram: ‘Sai Satanás, queima! Vocês vão para o inferno’. Mas nós não demos importância. Logo depois, o pedregulho atingiu minha neta e, enquanto fomos socorrê-la, eles fugiram em um ônibus”, contou a avó da menina, Kathia Coelho Maria Eduardo, de 53 anos, conhecida na religião como Vó Kathi - http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-06-16/intolerancia-religiosa-leva-menina-a-ser-apedrejada-na-cabeca.html

27/06/2015 "Macumbeiro desgraçado! Povo do diabo!" A relação com os vizinhos, que já não era boa, com o tempo só fez piorar –ponto de as ofensas começarem a ser ouvidas na rua, diz Caio Marcelo Affonso, 42, dirigente espiritual do terreiro de umbanda Pena Vermelha, na zona leste. "Todos nós que vivemos o Orixá já passamos por algo constrangedor", afirma o religioso, que demorou um ano e três meses para conseguir alugar um local para o terreiro. "Quando falava para o que era, não alugavam em lugar nenhum", conta.  Nem só com ofensas verbais, no entanto, a intolerância se manifesta por ali. Pedras e pedaços de paus já foram atirados contra uma das áreas do terreiro, afirma. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1648608-terreiro-de-umbanda-em-sao-paulo-e-alvo-de-pedradas-e-xingamentos.shtml

15/07/2015 - Um terreiro que existe há 39 anos na cidade de Juazeiro, norte da Bahia, sofre há cerca de três meses com ação de vândalos, segundo conta a líder religiosa Adelaide Santos. O templo Ilê Abasy de Oiá Guenã, no bairro Kidé, chegou a ser arrombado algumas vezes, e a casa onde  ela mora com netos e filhos também foi apedrejada. Por causa disso, a líder religiosa de 63 anos passou a dormir na casa de vizinhos.  http://www.portaldenoticias.net/terreiro-de-candomble-e-apedrejado-em-juazeiro/

12/08/2015 O babalorixá  Antônio Caldas contou que o terreiro, localizado no bairro Jardim Borborema, foi atingido por pedradas durante a realização de um Fórum de Diversidade Religiosa. De acordo com o líder religioso, este não foi o primeiro ataque ocorrido no local. Antônio revelou que, em outros momentos, já chegaram a jogar bombas, pedras e até coquetel molotov. http://www.maispb.com.br/117862/terreio-e-apedrejado-em-campina-grande.html

12/09/2015 Pouco mais de um mês após um ataque a um terreiro de religião de matriz africana, pelo menos dois templos da mesma doutrina foram incendiados na madrugada deste sábado (12/9) no Entorno do Distrito Federal. Um caso ocorreu em Santo Antônio do Descoberto e o outro, em Águas Lindas, ambos municípios goianos a aproximadamente 50 Km do DF. A ocorrência mais grave é a de Santo Antônio do Descoberto. O terreiro ficou todo destruído pelo fogo. Uma vizinha disse que viu os primeiros estalos, no telhado, por volta das 6h. Outros vizinhos tentaram ajudar, mas não conseguiram apagar o fogo a tempo de evitar a destruição do espaço onde adeptos do candomblé se reúnem. O mesmo templo havia sofrido um ataque parecido em 5 de agosto. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/09/12/interna_cidadesdf,498369/dois-terreiros-de-religioes-afros-sao-incendiados-no-entorno-no-df.shtml

13/09/2015 - Pai de santo é morto a tiros dentro de casa na BA; mulher presenciou crime. Segundo família, vítima foi atingida por diversos disparos de arma de fogo. Homicídio ocorreu na noite de sábado (12), na cidade de Simões Filho  http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/09/pai-de-santo-e-morto-tiros-dentro-de-casa-na-ba-mulher-presenciou-crime.html?utm_source=twitter&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=share-bar

30/09/2015 - Segundo relatos, o pai de santo foi alvejado em várias partes do corpo http://portalitaberabareporter.com.br/itaberaba/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-em-itaberaba/

05/10/2015 – Executado dentro da igreja. Vítima tentou se esconder em templo evangélico, mas foi morto a tiros por bandidos encapuzados, em Benevides. De acordo com informações repassadas pela polícia, Roberto era pai de santo e ainda não se sabe o que motivou o homicídio, já que não há indícios de envolvimento dele com a criminalidade. http://www.ormnews.com.br/noticia/executado-dentro-da-igreja  e http://www.ormnews.com.br/noticia/umbandista-executado-a-tiros
16/10/2015 - Donizete Souza Braga, de 56 anos, foi executado dentro de um centro de umbanda em Cotia (SP)   http://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-em-centro-de-umbanda-em-cotia-sp-16102015

27/10/2015 Os organizadores do terreiro disseram à polícia que não é a primeira vez que o local é alvo de ataque. Segundo eles, durante os cultos, que são realizados duas vezes por semana, o prédio foi apedrejado em várias ocasiões.  http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2015/10/imagens-de-santos-sao-destruidas-em-terreiro-de-macumba-em-botucatu.html

28/10/2015 O Terreiro de Pai Ivon, localizado no bairro de Santa Teresa, em Olinda, está sendo alvo de uma ação de desocupação para posterior demolição na manhã desta quarta-feira. Na sexta-feira passada, o sacerdote Ivon Carlos recebeu a ordem, mas recorreu e conseguiu, no Fórum de Olinda, um prazo de oito dias para tentar reverter a ação. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para tentar evitar a demolição do templo.  De acordo com Tiago Nagô, ativista de direitos humanos para os povos tradicionais, o terreiro é o último existente na Ilha do Maruim, após as últimas desapropriações realizadas pela Prefeitura de Olinda. "Não é uma residência comum, é um terreiro africano, que está sendo posto abaixo com o pretexto das reformas urbanas, para dar caminho a uma pista. Os povos de matrizes africanas não terão lugar para cultuar, enquanto várias igrejas evangélicas estão sendo abertas na mesma comunidade. Eles estão desobedecendo a Lei Federal 12.288 de 2010, o Estatuto da Igualdade Racial", denuncia Tiago Nagô. http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/10/28/interna_vidaurbana,606748/terreiro-e-alvo-de-acao-de-desocupacao-em-olinda.shtml

01/11/2015 PF descobre despacho de macumba na casa de Collor contra Janot POR GUILHERME AMADO - "Numa mesa, os agentes encontraram uma foto do conselho do CNMP com os rostos de Janot e de George assinalados num círculo feito a caneta. Acima da foto, numa folha de papel com o timbre do Senado, os nomes de vários orixás: Iemanjá, Elegbara, Oxalá, Ogum, entre outros." http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/pf-descobre-despacho-de-macumba-na-casa-de-collor-contra-janot.html

02/12/2015 - O pai de santo Marco Antônio Albuquerque da Cruz, de 50 anos, babalorixá do candomblé, foi encontrado morto dentro da casa em que morava no bairro da Pratinha II, em Belém. http://mobi.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-352114-pai-de-santo-e-encontrado-morto-dentro-de-casa.html

17/12/2015 - o pai de santo José Flávio Ferreira de Andrade, de 36 anos, foi atingido com 3 tiros e caiu morto em frente à casa onde morava, localizada no bairro Estrela, mais precisamente na Alameda Liberdade. http://www.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-353643-tres-pessoas-sao-assassinadas-a-bala-em-castanhal.html

22/12/2015 = Na madrugada desta última terça-feira um pai de santo de 50 anos foi assassinado a tiros e facadas dentro de sua residência localizada no bairro Águas Negras no distrito de Icoaraci (21 km de Belém). http://noticiasplantaopolicial.com.br/noticias/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-e-facadas-apos-reagir-a-assalto-dentro-de-sua-residencia

08/01/2016 - Um pai de santo foi morto a tiros na esquina de casa no início desta quinta-feira (7) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/01/pai-de-santo-e-morto-tiros-na-esquina-de-casa-na-baixada-rj.html

11/02/2016 - A mãe de santo Salomé Moura Coelho, 57 anos, e o companheiro dela, que ainda não foi identificado, foram encontrados mortos na tarde do dia 10 dentro de um terreiro no bairro Engenho Velho de Brotas. http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/mae-de-santo-e-companheiro-sao-encontrados-mortos-em-terreiro-no-engenho-velho-de-brotas/?cHash=8cb875fab2a62df0d01143a81867bd28


20/03/2016 – Destruição de imagem de Iemanjá na Paraíba, “vândalos acabaram de cortar a cabeça da nossa estátua de Yemonja que se localizar na praia do cabo branco” - https://www.facebook.com/belatuca/posts/1031975523507417?comment_id=1032784566759846&notif_t=comment_mention 

segunda-feira, 21 de março de 2016

[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais .

[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais para incluir necessidades na consulta pública para o projeto de reforma da feira do Ver-o-Peso.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 22/03/2016, das 10h às 15h.

21 de março, eliminação da discriminação racial.


Em dia 21 de março de 1960, vinte mil pessoas protestavam pacificamente, na cidade de Johanesburgo, capital da África do Sul, contra a lei obrigava os/as negros/as a portar cartões de identificação, especificando os bairros e locais, onde lhes eram permitido circular quando os manifestantes foram surpreendidos pela polícia do antigo regime segregacionista do apartheid que atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.

domingo, 20 de março de 2016

Rei Congo e a Cabanagem na webTV Azuelar



Rei Congo e a Cabanagem, roda de conversa com João
Lúcio Mazzini da Costa e Mametu Nangetu.
Como parte da celebração do dia da Mãe Doca, o 18 de
março, dia Estadual e Municipal da Umbanda e das
religiões afro-brasileiras em Belém e no Pará
Captção de imagens e de áudios
Tata Kinamboji
Samili Maria Moreira Silva e Silva
Sibely Nunes
Vitor Gonçalves
Weverton Ruan Rodrigues
Edição/Montagem
Táta Kinamboji
Realização
webTV Azuelar - Projeto Azuelar
 Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre
Apoio
REATA - Rede Amazônica de Povos Tradicionais de
Matriz Africana - rede [aparelho]-:  - Projetos de
extensão da UFPA: Ngomba d’Aruanda: apoio às ações
de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia
Livre do Instituto Nangetu; e Produção do Programa
‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas
visuais em combate ao racismo - Eu vou navegar na
Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi). (Coordenação
Prof. Arthur Leandro) - UFPA-PROEX
O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos
afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14
de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra) e
da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria
da deputada Araceli Lemos) e registra a luta de de dona
Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê
Navanakoly e como Mãe Doca, que era filha de santo
do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e
Toi Jotin. É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas
três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o
racismo e outros preconceitos da época e inaugurou
seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.
Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as
divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica,
e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-
religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de
resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no
Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se
tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-
brasileiras.
Belém, março de 2016.crição

quarta-feira, 16 de março de 2016

Reunião debate a presença de tradições de matriz africana no Ver-o-Peso.

por Abílio Dantas para o blog OUTROS 400
O projeto da prefeitura pode apresentar elementos de racismo institucional. Ontem pela manhã, em reunião realizada pelo Iphan, lideranças de povos tradicionais e técnicos debateram a venda de animais vivos no Ver-o-Peso.


“O Plano Nacional da Igualdade Racial demarca, no primeiro ponto, que se deve combater o racismo institucional. Então eu pergunto a todos aqui: alguém sabe o que é racismo?”. O questionamento de Arthur Leandro, da Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, deu o tom de preocupação da reunião realizada ontem, pela manhã, no prédio do Ministério da Cultura (MinC), em Belém. O encontro, convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reuniu 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.


Os dois únicos vendedores do setor, Edivaldo Moreira e Lucivaldo Oliveira, iniciaram a reunião relatando o susto que sentiram ao constatarem que a atividade que garante o sustento de suas famílias não havia sido considerada ou, ao menos, citada no projeto de reforma apresentado pelo prefeito Zenaldo Coutinho na audiência pública realizada no dia 3 de março deste ano. Segundo os comerciantes, isso representa o esquecimento de uma atividade que possui tradição na capital. “Essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar”, defendeu Lucivaldo.



essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar

A antropóloga e técnica do Iphan, Larissa Guimarães, responsável pela condução do encontro e pela inscrição das falas, que avolumavam-se rapidamente, reconheceu que o projeto apresentado pela prefeitura não apresentava nenhuma proposta para o setor de animais. “O que queremos aqui é escutar todas as partes e pensar qual é a melhor maneira de garantirmos a permanência do setor. Ninguém está falando em retirar”, afirmou.


A superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, cumpria também o papel de mediadora da reunião e propôs ideias para que a polêmica entre as exigências legais de manejo de animais colocadas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importância da atividade para comerciantes e líderes religiosos fosse conciliada. “Não seria possível realizar um convênio com a UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) para que fosse dado um auxílio técnico sobre o trato de animais?”, questionou.





Líderes religiosos acusaram a prefeitura de praticar racismo institucional ao não considerar os povos de matriz africana no projeto de reforma do Ver-o-Peso.
Enquanto ocorria o debate, várias dúvidas pairavam, mas um fato foi confirmado: a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) não ouviu os setores interessados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de reforma. A representante da Secretaria de Urbanismo (Seurb), Paula Andréa Rodrigues, admitiu que a escuta não foi realizada. “Seria muito importante que essa reunião tivesse sido realizada lá atrás, para que toda essa realidade fosse conhecida, mas isso não foi feito”, disse. A ausência de diálogo, de acordo com as lideranças religiosas, pode resultar em um ato de racismo institucional.

RITUAIS AFRO-RELIGIOSOS

“É racismo institucional não considerar os povos de matriz africana que construíram a história desse país”, declarou Edson Catendê, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC/MinC). De acordo com ele, Arthur Leandro e Emanuell Souza, também do CNPC, a compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas afro-religiosas. “É cultural, não só para as religiões de matriz africana, mas de todos nós, pois os animais são trazidos das ilhas, das estradas, vem de todo lugar. É triste perceber que, mais uma vez, estamos sendo invisibilizados nessa cidade”, denunciou Emanuell.








ccc "Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições", afirma Mãe Nangetu.

Pato, galinha, cabra e bode são alguns dos animais que Mãe Nangetu, líder religiosa e conselheira municipal de cultura de Patrimônio Imaterial, compra com frequência no Ver-o-Peso. Os animais devem ser adquiridos ainda inteiros, saudáveis e bonitos, segundo ela, pois são utilizados em oferendas em rituais sagrados oferecidos aos deuses.



a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”

“Ninguém faz nada sem dar oferenda ao grande comunicador, que é Exu, e que na minha tradição banto se chama Mavambo Izila. Antes de se fazer qualquer ritual, tem que se fazer uma oferenda pra ele, pra que chegue até nossos deuses”. Para ela, a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”, concluiu.


Ao fim da reunião, decidiu-se coletivamente pela criação de um Grupo de Trabalho que será composto pelos vendedores do setor de animais, os representantes da UFRA, Sindicato dos Feirantes, Seurb, Secretaria de Economia (Secom), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Quilombolas, Conselho Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Políticas Culturais e Iphan. O próximo encontro foi marcado para o dia 29 de março, às 10h, também no prédio do MinC.

Fotos: Kleyton Silva

segunda-feira, 14 de março de 2016

GT sobre tradições de matriz africana no Ver-o-Peso,



[Reforma do Ver-o-Peso] Visando o estabelecimento e estreitamento de diálogo entre os diversos agentes sociais/tradicionais que atuam no complexo do Ver-o-Peso, vimos por meio deste convidar vossa senhoria a participar de Reunião do Grupo de Trabalho para debater o comércio de animais vivos e outros produtos necessários para a reprodução das tradições de matriz africana na reforma da feira do Ver-o-Peso. Com a participação de comunidades quilombolas, feirantes, comunidades de terreiros de povos tradicionais de matriz africana, barqueiros, os arquitetos responsáveis pelo projeto, agentes da vigilância sanitária, pesquisadores de agricultura familiar e técnicos do IPHAN.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 16/03/2016, às 10h

Mais Acarajé, Menos racismo! Dia 18 de março é dedicado à Mãe Doca.


O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, que era filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin.
É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.
Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-brasileiras.

sábado, 12 de março de 2016

19 de março, 11h - Roda de Abertura do novo polo do Grupo de Capoeira Angola Negros de Aruanda

No próximo sábado, dia 19/03, a partir de 11h no Mansu Nangetu, Roda de Abertura do novo polo do Grupo de Capoeira Angola Negros de Aruanda, sob orientação de Mestre Carlinhos. Não percam!