sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Eles (os policiais) tem certeza da impunidade....

Foto Carlos Vera Cruz.


Há cerca de um mês atrás Belém viveu uma noite de terror, uma noite de matança e extermínio de jovens negros. Essa matança ocorreu logo depois do assassinato de um policial e tem fortes indícios que tenha sido praticada por outros políciais por motivação de vingança.
"Eles (os policiais) tem certeza da impunidade".... Esta foi uma das frases emblemáticas de outras tantas registradas no debate sobre o genocídio da juventude negra no programa "Fala Sério, juventude de terreiro no combate ao racismo", os participantes do programa narraram casos de racismo institucional do sistema de segurança pública, narraram casos de abordagens truculentas contra jovens negros, narraram casos de mortes....
O Estado nega o acesso da população negra aos bens públicos que lhes garante o ingresso na sociedade e depois mata a população jovem negra com o argumento de que são bandidos, e a morte foi debatida para muito além do genocídio, o etnocídio que reprime e quer exterminar as tradições de matrizes africanas preservadas em terreiros, também esteve na pauta. e o direito à vida foi relacionado com direito à saúde, educação, cultura, saneamento e todos os direitos de cidadãos. Mas acima de tudo, foi o papel da mídia na construção da imagem negativa da juventude negra que permeou toda esta roda de conversa.
O caminho para a mudança perpassa pela formação política e organização social, aproveitamos o momento para informar da organização de um encontro nacional de juventude de terreiros e propor a formação de uma coordenação no Pará, pois a potência dos terreiros na criação de uma rede de proteção foi o consenso nesta conversa embalada pelos cantos de passarinhos.
O programa é conduzido por Daniel Miranda de Nkosi, e neste debate contou com a participação de Nazaré Cruz, militante da ACIYOMI - Associação Cultural Ile Iyabá Omi e residente no bairro da Terra-Firme, Harrison Lopes, professor e cinegrafista residente no bairro da Terra-Firme, Kota Indembuzile do Mansu Nangetu, Milson Oniletó, Ogã do Ilê Axé Alagbadê Olodumare, em São Luís/ Maranhão e organizador da KIZOMBA - articulação nacional de juventude de terreiro, Don Perna, do Coletivo Casa Preta, e Jorge André Silva.






Programa Fala Sério, juventude
de terreiro no combate ao
racismo debate o genocídio da
juventude negra.
Quinta, 18/12/ 2014, 15h.

Apresentação
Daniel Miranda de Nkosi

Participação
Nazaré Cruz/ ACIYOMI
Kota Indembuzile (Maria Carolina)
Harrison Lopes
Milson Oniletó
Don Perna/ Casa Preta
Jorge André Silva

Equipe técnica e de produção
Táta Kinamboji
Tatetu Ode Oromi
Carlos Vera Cruz
Isabela do Lago
Luiza Soares Cabral

Realização
Instituto Nangetu
Projeto Azuelar
Projeto Kiuá Iobe

Apoio:
REATA – Rede Amazônica de
Povos Tradicionais de Matriz
Africana
PROEX/ UFPA – Pró-reitoria de
Extensão da Universidade
Federal do Pará.




Belém/PA, dezembro de 2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

18/12- Programa Fala sério, juventude de terreiro no combate ao racismo debate o #genocidio da #juventudeNEGRA,



Belém viveu noitee de terror em 4 de novembro de 2014 e nos dias que se seguiram, `partir da morte de Antônio Marco da Silva Figueiredo, 43 anos, cabo da Policial Militar, que impulsionou outras tantas mortes que se seguiram por dois dias em seis bairros da periferia (Terra Firme, Guamá, Jurunas, Tapanã, Canudos e Marco), nos pontos que são considerados os mais 'negros' da cidade, "negros" de batismo policial por sua violência e criminalidade, e não por acaso, também, são os bairros negros por serem em sua maioria a residência da população negra....
A grande maioria dos mortos era trabalhador ou estudantes, morreram porque estavam transitando desavisadamente pela cidade, e a velocidade dos acontecimento e as características dos assassinatos de jovens homens negros no início de novembro nos leva a indícios de vingança pelo assassinato do policial.... Uma vingança praticada por um grupo de extermínio do qual muito pouca informação é veiculada abertamente.

Acreditando que os terreiros tem papel fundamental na proteção das crianças e jovens negros, o Instituto Nangetu, através do Projeto Kiuá Iobe e do Projeto Azuelar, chama a população para debater estratégias de sobrevivência de jovens negros nesta sociedade racista.

Venha participar!!!!


Programa Fala sério, juventude de terreiro no combate ao racismo debate o genocídio da juventude negra.
Quinta, 18/12, 15h. Instituto Nangetu, Tv. Pirajá, 1194 - Marco.
Transmissão aos vivos pela webTV Azuelar 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Táta Kinamboji falou do Racismo policial no CONSEP.

Foto: Ernandes Costa.
Denúncia dos Sacerdotes e Sacerdotisas da Religião de Matriz Africana do Município de Tucuruí/PA, proposta pela Conselheira Profª Maria Luiza- CEDENPA. Assim convidou o Sr. Arthur Leandro liderança de comunidade de povos tradicionais de matriz africana, que se identificou como Arthur Leandro – Tata Kinamboji uá Nzambi, Kisikar’Ngomga do Mansu Nangetu, e que veio apresentar denúncia de Racismo Institucional, que ocorre  em Tucuruí, onde a Policia Civil tem  cobrado dos terreiros a taxa para realização das atividades religiosas das casas e terreiros de santos daquele município. Disse que as autoridades do município de Tucuruí, no Pará, desrespeitam a Constituição e o Estatuto da Igualdade Racial e obrigam que os terreiros paguem taxa de realização de shows para as cerimônias da religiosidade afro-amazônica. Disse que nessas atividades, que são denominadas como festas, seja para feitura de filhos e filhas de santos, ou até mesmo aniversário das divindades, não vendem entradas e nem há  venda cervejas ou outro tipo de bebida, tampouco se pratica venda de comidas, e que todos que participam das cerimônias da ritualística afro-brasileira comem e bebem a vontade celebrando a comunhão com as divindades, que nos rituais se canta e dança aos som dos atabaques, que não usam equipamentos eletrônicos ou tratamento acústicos em suas atividades,  que entende que  essas taxas não cabem ser cobradas dos terreiros. Disse que toda vez que os terreiros estão sem a taxa paga, a Policia Militar é acionada e, simplesmente, na falta de apresentação do comprovante de recolhimento da taxa, a atividade religiosa é interrompida. Que ele considera  racismo institucional tanto da policia militar e da delegacia administrativa, assim como da delegacia de meio ambiente. Para ele é repressão à religiosidade afro-brasileira e que é fruto de uma conjuntura onde o Estado criminaliza as tradições de terreiro. Fez apresentação de um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=OGYC3e2KrBA), com depoimentos de dois sacerdotes de matriz Africana desse município que foram vitima dessa intolerância religiosa. A final da apresentação lembrou que próximo as esses dois terreiros, há dois templos de igrejas pentencostais que não receberem o mesmo tratamento, pois usam som eletrônico com amplificação direta para rua, nem  assim a DEMA ou a Policia Civil e a Polícia Militar os impede do livre exercício do culto religioso. O Conselheiro Presidente Luiz Fernandes Rocha, lembrou que  essa  luta é uma luta  antiga e todos devem ter mo mesmo tratamento. O Conselheiro DPC Rilmar Firmino/PCPA, disse que com relação as isenções as taxas todas a instituições sem fins lucrativos estão isentos. Quanto a questão de perturbação de sossego público, independente de religião a policia vai lá e faz autuação. Se houve cobrança indevida isso não é recomendação da Policia Civil. Disse que já orientou a Conselheira Maria Luiza para que toda vez faça requerimento a autoridade policial, evitando assim esse tipo de constrangimento ou desrespeito a Constituição e ao Estatuto da Igualdade Racial. O Conselheiro Presidente Luiz Fernandes Rocha, lembrou que quando há denuncia feita por qualquer cidadão, a policia tem de agir, mas sem truculência e usando o bom senso. O Sacerdote  Arthur Leandro – Táta Kinamboji, lembrou que as autoridades tanto da policia Civil e Militar já foram orientadas pelo Sacerdote Edson Catendê que é advogado da Federação Espírita, Umbandista e dos Cultos Afros Brasileiros,(FEUCABEP) que esteve há poucos meses em Tucuruí e reclamou dos interditos a rituais por suposta perturbação do sossego sem que se fizesse a aferição dos decibéis produzidos pelos rituais de terreiros. Disse que os policiais que vão as esses templos religiosos, não fazem a medição de decibéis para constatar a altura do som, mas que mesmo sem a comprovação de infração ambiental eles interrompem as cerimômias religiosas sem nenhuma outra justificativa. Lembra que historicamente há uma cultura de perseguição aos terreiros ao longo da história, e que embora hoje as liturgias afro-brasileiras estejam amparadas na Constituição e no Estatuto da Igualdade Racial, o mesmo Estado que deveria proteger os locais de culto, continua com essa prática de violações. Informou que uma das diretrizes do plano nacional de igualdade Racial e uma das ações da Secretaria Especial de Promoção  da Igualdade Racial é o combate ao racismo institucional,  e sugeriu que a secretaria de segurança pública do estado do Pará promovesse a capacitação de seus gestores e de seus agentes para que eles pudessem, ao menos, identificar o que é racismo para poder combate-lo. O Conselheiro Presidente Luiz Fernandes Rocha, disse que o Estado tem a obrigação de corrigir isso, que  tem de fazer, como ocorre nas audiências públicas, essas discussões para difundir e esclarecer a população, não se pode viver nesse clima de desarmonia, se todos são iguais perante a lei. Destacou como já bem disse o Delegado Geral que já ao orientou a Conselheira Maria Luiza, líder do segmento que sempre que for ocorrer essas comemorações, que façam o requerimento junto a autoridade local, que certamente irá isentá-los da cobrança dessas taxas. Quanto a abusividade, se houve, a Policia Civil vai dar respostas. Se  comprometeu a fazer uma reunião do SIEDS no  município de Tucuuri para discutir essa questão  com os órgãos do poder público estadual e do município, e os sacerdotes de matrizes africanas, evitando assim essas situações. Agradeceu a presença do Sr. Arthur Leandro,   colocando o CONSEP e o SIEDS a disposição dos integrantes da religiões  de matriz africana, que sempre que sentirem seus direitos violados, que  façam a denúncia para que se possa apurá-la. O Sr. Arthur Leandro, agradeceu a oportunidade de ser ouvido no CONSEP de mais essa demanda de seu segmento.

sábado, 29 de novembro de 2014

Saúde lança campanha contra racismo no SUS

O Instituto Nangetu apoia incondicionalmente a campanha de Enfrentamento ao Racismo do Ministério da Saúde.


O governo federal lançou a primeira campanha publicitária que busca envolver usuários do SUS e profissionais de saúde no enfrentamento ao racismo institucional. Com o slogan "Racismo faz mal à saúde. Denuncie!", a iniciativa visa a conscientizar a população de que a discriminação racial também se manifesta na saúde.
A campanha prevê ainda que, por meio do Disque Saúde 136, as pessoas possam denunciar qualquer situação de racismo que tenham presenciado, além de se informar sobre doenças mais comuns entre a população negra e que exigem maior acompanhamento, como a doença falciforme e o diabetes tipo 2.

Dados do Ministério da Saúde indicam que uma mulher negra recebe menos tempo de atendimento médico do que uma mulher branca. Os números mostram que, enquanto 46,2% das mulheres brancas tiveram acompanhante no parto, apenas 27% das negras utilizaram esse direito. Outro levantamento revela que 77,7% das mulheres brancas foram orientadas sobre a importância do aleitamento materno, enquanto 62,5% das mulheres negras receberam essa informação.
Segundo a pasta, as taxas de mortalidade materna infantil entre a população negra são superiores às registradas entre mulheres e crianças brancas. Os números mostram que 60% das mortes maternas ocorrem entre mulheres negras e 34% entre mulheres brancas. Já na primeira semana de vida, a maioria das mortes é registrada entre crianças negras (47%) entre as brancas, o índice é 36%.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, avaliou que o grande desafio da pasta é produzir igualdade em meio à diversidade. “Dados importantes mostram como a desigualdade e o preconceito produzem mais doença, mais morte, mais sofrimento”, disse. “O que mais pode justificar essa diferença [no atendimento a brancos e negros no SUS] que não seja o preconceito e o racismo institucional”, questionou.
Segundo Chioro, é preciso conscientizar os profissionais de saúde da rede pública sobre a existência do racismo institucional e a necessidade de combatê-lo, além de enfrentar mitos como o de que o negro é mais resistente à dor e, por isso, não precisa de medicação para aliviar o sofrimento. “Não podemos tolerar o preconceito ou nenhuma forma de racismo na saúde”, concluiu.

A campanha vai ser veiculada de 25 a 30 de novembro. Ao todo, 260 mil cartazes e 260 mil folders vão ser distribuídos nas unidades de saúde aos profissionais e à população em geral.

domingo, 23 de novembro de 2014

Lendas afro-amazônicas encenadas no Cine-Teatro Líbero Luxardo.


A rodada de contação de estórias africanas aconteceu na sexta-feira 21 de novembro, no Cine Libero Luxardo, a programação teve a dramatização do "O conto da guerra" e fez parte da semana de conscientização sobre o do Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro.

O evento foi promovido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) por meio da Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial (Copir), em parceria com o Instituto Nangetu.
As histórias foram contadas com dramatização e encenação por atores do Instituto Nangetu e da UFPA. A Ação faz parte de projeto "Teatro de Lendas Afro-Amazônicas nas Escolas", do Instituto Nangetu, em parceria com o programa Mídias Educativas para a implementação da lei n° 10. 639/03, programa da Faculdade de Artes Visuais que engloba o projeto Mitologias Afro-Amazônicas em Formas Animadas. da Escola de Aplicação da UFPA.

“É muito interessante ver as crianças tendo acesso a esse tipo de informação, ter esse referencial dentro das escolas e levar um pouco de nossas tradições e lendas para esses alunos”, afirmou Carlos Vera Cruz, ator e integrante do Instituto Nangetu.
 Segundo Maria Helena Alves, especialista em educação da Copir, disse que essas programações são importantíssimas para enriquecer o conhecimento de crianças e adolescentes sobre a cultura Africana e Afro-Brasileira. “ Isso ajuda os alunos a conhecerem a diversidade cultural e religiosa que o Brasil possui e como a nossa cultura é influenciada por esses povos. Temos que levar essas discussões para dentro de sala de aula e fazer com que os estudantis fiquem mais inteirados a respeito desses assuntos”, destacou a técnica.



"O conto da guerra" (lenda africana)

Ficha Técnica 
PROGRAMA DE EXTENSÃO da UFPA Mídias Educativas de apoio à implantação da Lei 10.639/2003. Projeto: Mitologia afro-amazônicas em teatro de formas animadas; e  projeto: Teatro de Lendas Afro-Amazônicas nas Escolas, do Instituto Nangetu,

Atores-contadores
Tata Kinamboji (Arthur Leandro)
Tata Kafunlumizo (Ângelo Imbiriba) 
Táta Carlos Vera Cruz
Cynthia Valadares (Bolsista PROEX/ UFPA)

Operador de áudio e vídeo
Thiago Ferradaes’

Curadoria
Mametu Nangetu


Fonte de informações: Portal da SEDUC, Fotos ASCOM/ SEDUC e Simone Araújo.

Nós queremos o Grupo de Trabalho “Comunicações para o Desenvolvimento, a Inclusão e a Democracia” no Ministério das Comunicações..

Apesar de marcos legais, como o Decreto 6040/07, o Estatuto da Igualdade Racial, as metas aprovadas nas Conferências de Igualdade Racial, Cultura e Comunicação e tratados internacionais, como o de Durban, tratarem do tema da participação negra e indígenas na mídia, as organizações desse segmento da comunicação ainda são invisíveis para órgãos como o Ministério das Comunicações.

A luta pela participação negra na comunicação é histórica, e desde a imprensa negra no século 19 até os dias de hoje, dezenas de veículos se dedicam diariamente a cobrirem a cultura e história dos povo afro-brasileiro, porém nunca tiveram uma política pública de investimento e fomento.
O Brasil precisa de um novo marco regulatório para as comunicações, que respeite os Direitos Humanos ecombata o racismo na mídia e na sociedade o cumprimento do capítulo VI do Estatuto da Igualdade Racial – Dos Meios de Comunicação – e conforme preconizado em acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Cultural, Conferência de Durban, Agenda 21 da Cultura, possibilitando ações afirmativas para que mulheres, negras(os) e indígenas possam produzir e gerenciar veículos de comunicação, sejam eles comunitários ou de grande porte.
O que precisamos é de editais regulares para produção e distribuição de conteúdos produzidos por povos e comunidades tradicionais de terreiros, indígenas e quilombolas e de fomento à comunicação livre, comunitária e popular em parceria com a sociedade civil.

Para a III Conferência Nacional de Cultura, aprovamos metas nas nossas conferências livres com redação que direcionam para o estímulo ao “...protagonismo dos de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, Povos Indígenas, de comunidades quilombolas, de comunidades ribeirinhas e de comunidades extrativistas para a criação de conteúdos audiovisuais (filmes e programas de televisão e rádio), assim como criar política de incentivo à criação e fortalecimento de rádios e TVs comunitárias para povos tradicionais promoverem a divulgação e valorização das culturas tradicionais de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, Povos Indígenas, de comunidades quilombolas, de comunidades ribeirinhas e de comunidades extrativistas”.

É urgente a promoção da diversidade étnico-racial e das garantias de direitos à comunicação de povos tradicionais negros. e essa diretriz deve ser, portanto, essencial na elaboração de qualquer política pública de comunicação no Brasil.

Por esse motivo a comunidade do Mansu Nangetu, que desenvolve ações de mídia livre através do Projeto Azuelar, declara seu total apoio à solicitação da SEPPIR-PR ao Ministério das Comunicações, de criação implantação e funcionamento de Grupo de Trabalho “Comunicações para o Desenvolvimento, a Inclusão e a Democracia”, cujo objetivo é aperfeiçoar as políticas, ações e projetos comunicação voltados à comunidades tradicionais de matriz africana.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Contação de estórias de mitologias afro-brasileiras no CENTUR.



O Instituto Nangetu, por convite da Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial /COPIR da Secretaria de Estado de Educação do Pará/ SEDUC-PA, organizou uma programação cultural de contação de estórias afro-brasileiras em parceria com o Programa de Mídias Educativas para a Implantação da lei 10.639/03 (Coord. Prof. Arthur Leandro) e o projeto Mitologia Afro-amazônica em Formas Animadas (Coord. Prof. Devison Amorim).A programação acontece no Cine-Teatro Líbero Luxardo as 8:30 desta sexta-feira, 21 de novembro, e tem entrada franca.

sábado, 15 de novembro de 2014

Jovens de terreiro debatendo cotas raciais com cotistas da UFPA.

O Programa Fala sério, juventude de terreiro no combate ao racismo reuniu um grupo de jovens de terreiros para debater cotas raciais com bolsistas do programa PET Conexão de saberes/ ICED-UFPA.

O programa é apresentado por Daniel Miranda de Nkosi e ainda contou com a participação da profa. Maria José Aviz do Rosário e do sociólogo Domingos Conceição, que em muito contribuíram com suas experiências para enriquecer o debate que pode ser visto no vídeo que disponibilizamos abaixo.


Estudantes da Escola de Aplicação da UFPA visitaram o Mansu Nangetu.

O mês da consciência negra trouxe os estudantes da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará ao Mansu Nangetu, para uma roda de conversa com os guardiões das tradições Bantu deste terreiro amazônico.

Abrindo a roda de conversa, Mametu Nangetu parabenizou o NPi pelo interesse nas tradições afro-amazônicas e sugeriu que essas visitas acontecessem o ano inteiro e que os estudantes pudessem transitar nos territórios da diversidade de matrizes afro-amazônicas identificadas na 'Grande Belém'. Falou das pesquisas e publicações de cartografia das quais ela participou, e orientou os estudantes a buscarem também essas fontes de referência sobre os terreiros da zona metropolitana de Belém.
Depois a roda de conversa caminhou para o combate ao racismo, cidadania de povos de terreiros de matrizes africanas, direitos humanos e cidadania.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Moção de apoio à eleição de organizações da Amazônia para o CNPIR.


Nós, organizações sociais e representantes de gestão estaduais e municipais do sistema PIR, reunidos em Palmas/ TO, nos dias 11, 12 e 13 de novembro de 2014, considerando a total invisibilidade da negritude na Amazônia e a necessidade de dar vozes à região norte nas instâncias de decisão e diálogo com o governo federal, vimos declarar total apoio à eleição da Rede Amazônia Negra/ RAN, Instituto Ganga Zumba (organizações gerais do movimento negro) e Instituto Nangetu (organizações temáticas, comunicação), e pedir o voto nessas organizações na eleição que ocorre  nos dias 13 e 14 de novembro de 2014.

Organizações Participantes
Universidade Federal do Pará/NEAB; UFOPA  - Universidade Federal do Oeste do Pará/PROEXT; Instituto Federal de Roraima/IFRR/NEAB; Universidade Federal do Tocantins/NEAF; Universidade Federal do Tocantins/NEAB; Núcleo de direitos humanos da UFT – Palmas; NEAB/ UFT – Porto Nacional; Articulação Amazônica de Povos Tradicionais de Povos Tradicionais de Matriz Africana/ ARATRAMA; FONSANPOTMA; Organizações Quilombolas; Organizações de Juventude; Organizações de Mulheres Negras; RAN – REDE AMAZÔNIA NEGRA; RENAFRO; ACCUNERA; ACYOMI; AFATABE; ASSOCIAÇÃO NEGRA COR DE ARAGUAÍNA; ASUAER; CEDENPA; CERNEGRO; CONEN; FECAUBER; Instituto GANGA ZUMBA; GGEMN; INSTITUTO NANGETU; UNA – UNIÃO DE NEGROS DA AMAZÔNIA; UNEGRO.




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Kizomba kwá N´Zabarandá

Kizomba kwá N´Zabarandá 

 Convidamos os filhos, amigos e simpatizantes da comunidade afrorreligiosa para participarem da “Kizomba kwá N´Zabarandá”, na ocasião será apresentado os novos sacerdotes do Mansu: Taata Danrlley Cardoso mona riá Nkisi Nkosi Mukumbe e Kota Maria Carolina, mona Nkisiàme riá Bamburucema; e Dizungu Nkisi riá Auzenza: Érick Moura, mona riá Nkisi Hongôlo, Wagner Palheta, mona riá Nkisi Lembafuranga, Evandro Sousa, mona Nkisi Kafungê e Adilson Junior, mona Nkisi Hongôlo.



Dia: 22 de novembro de 2014 (Sábado) Início: 19h
Endereço: Terreiro Mansu Nangetu Mansubandu Kekê Neta
(Travessa Pirajá, 1194 - Bairro Marco da Légua, Belém-PA)

Agradecemos sua presença!

Mam´etu Nangetu uá N´Zaambi

Programação de cinema infantil para a consciência negra no dia 18 de novembro.

Consciência Negra: Uma atitude diária!!!! 


O Cineclube Nangetu e a Rede de Cineclubes de Terreiro organizaram uma programação de cinema infantil para a consciência negra que vai ser exibida no Cinema Olympia na tarde do dia 18 de novembro de 2014 como parte da programação da Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial /COPIR da Secretaria de Estado de Educação do Pará/ SEDUC-PA.
Para Amilton Sá Barretto, Coordenador de Igualdade Racial da SEDUC, essa é uma oportunidade de levar informações da negritude brasileira com ludicidade, e combater o racismo com ações culturais, por esse motivo a equipe editorial escolheu dois filmes que abordam a infância da população negra, um que relaciona as brincadeiras de um quilombo com as brincadeiras de crianças negras na periferia de uma grande cidade, e outro que mostra o universo das brincadeiras infantis em uma comunidade tradicional de terreiro de matriz africana. Três universos são apresentados nos filmes, dois deles nos territórios tradicionais de resistência negra (Terreiro e Quilombo) e o terceiro universo é o de crianças negras na favela.
A proposta é abordar temas como o respeito a diferenças para a valorização da identidade racial e cultural de crianças negras na rede escolar.

Programa Infância e Consciência Negra
Data: 18 de novembro, 14h
Realização: Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial /COPIR da Secretaria de Estado de Educação do Pará/ SEDUC-PA.
Organização: Rede de Cineclubes de Terreiros
Equipe editorial: Cineclube Nangetu
Local: Cinema Olympia, Av. Presidente Vargas, 918. Campina - Belém/PA (91)3230-5380
                            
Filmes:
Disque Quilombola
Direção: David Reeks, 13 min. 2012
Sinopse: Crianças do Espírito Santo conversam de um jeito divertido sobre como é a vida em uma comunidade quilombola e em um morro na cidade de Vitória. Por meio de uma genuína brincadeira infantil, os dois grupos falam de suas raízes e desvelam o quanto a infância tem mais semelhanças do que diferenças.



















Brincando com os deuses
Direção Maria Augusta Galli  Simone Colombo, 9 min. 2012
O universo infantil de um grupo de crianças iniciadas num terreiro de Candomblé de Keto, em Guarulhos. O piloto traça um paralelo entre a forma como é vivida e elaborada a realidade do cotidiano das crianças - mostrada em rituais, festas e cerimônias - e a forma como esta mesma realidade é interpretada e reinventada nas brincadeiras.



Chega de mortes da juventude negra em Belém - convocação de ato público para 11 de novembro.

Convocamos a sociedade paraense para um ATO PÚBLICO no próximo dia 11 de novembro (terça-feira), às 9 horas, na Escadinha do Cais do Porto, em Belém, para caminhar em direção à Alepa e exigir a apuração e responsabilização dos assassinos e a instalação de uma CPI.

domingo, 9 de novembro de 2014

Programa Fala sério - juventude de terreiro no combate ao racismo, debate cotas nas universidades.

Programa 'Fala sério', feito pela juventude de terreiro - Projeto Kiuá Iobe - , que procura, indaga e resiste! Fala sério, juventude de terreiro no combate ao racismo! em parceria com o Projeto Azuelar do Instituto Nangetu.
O Enem já foi e agora temos aberto o período das inscrições no processo seletivo (vestibular) da UFPA, e vamos conversar com Fernanda Luciana e Jesus Costa, estudantes cotistas da UFPA, para compreender o contexto dos estudantes de terreiro frente ao sistema de cotas nas universidades públicas.
Compareça, venha conversar conosco e tirar suas dúvidas sobre as cotas nas universidades.

Programa Fala Sério - Juventude de terreiro no combate ao racismo
Apresentação - Daniel Miranda de Nkosi.
Tema: cotas nas universidades
Convidados: Jesus Costa e Fernanda Luciana, bolsistas do PET Conexões de saberes/ UFPA (Coordenação Profa. Maria José Aviz do Rosário)
Transmissão aos vivos pela webTV Azuelar
Sábado, dia 15 de novembro, 15h
Projeto Azuelar, Ponto de mídia livre/ Instituto Nangetu
Local: Tv. Pirajá, 1194. Marco. Belém/PA
informações 91-32267599

Apoio: UFPA/ PROEX

Palestra "Tradições afro-amazônicas e a construção da cultura da paz" na EA-UFPA, antigo NPI.


Táta Kinamboji foi um dos palestrantes do Projeto "Ensino Religioso na Educação de Jovens e Adultos da EA-UFPA", coordenado por Devison Amorim do Nascimento, o evento aconteceu na quarta-feira 22 de outubro na Escola de Aplicação (antigo NPI) da UFPA.

Prof. Eduardo Wagner e Táta Kinamboji participaram do debate.

A palestra "Tradições afro-amazônicas e a construção da cultura da paz"" é fruto dos debates e ações de cidadania de povos de terreiros desenvolvidos pelo Instituto Nangetu, e levou informações sobre a caracterização de povos tradicionais, os valores civilizatórios africanos preservados no Brasil e estratégias da resistência negra na preservação das tradições de terreiros de matrizes africanas frente à política pública de cinco séculos de repressão estatal contra essas tradições.


A proposta também foi provocar o corpo docente e técnico-administrativo da escola para o desenvolvimento de ações pedagógicas de implantação da Lei 10.639/03, e ao final, uma animada roda de conversa concluiu que temos mesmo a necessidade de ações educativas para que a sociedade passe a respeitar a diversidade racial, étnica e também a diversidade religiosa para que tenhamos a promoção da cultura da paz.




sábado, 8 de novembro de 2014

O Instituto Nangetu concorre a uma vaga no CNPIR.

O Instituto Nangetu concorre a uma vaga no CNPIR na categoria temática, como organização social que tem ações em comunicação, e vimos através deste pedir vossa mobilização e apoio para a votação que ocorre nos dias 13 e 14 de novembro de 2014.

O que queremos são políticas públicas que resultem em ações efetivas de comunicação para o povo negro, como nesta solicitação ao governo do Pará e à SEPPIR em maio de 2013https://www.youtube.com/watch?v=WNsbMuOFThs .

Trabalhamos com mídia livre de combate ao racismo (ver em http://institutonangetu.blogspot.com.br/search/label/Projeto%20Azuelar), em especial de combate à perseguição contra os povos tradicionais de matrizes africanas por veículos dos meios de comunicação eletrônica controlados por igrejas evangélicas pentecostais que resulta em violência midiática contra os povos tradicionais de terreiros de matrizes africanas.



  Links de referência

1.     http://institutonangetu.blogspot.com.br/

2.     http://www.ustream.tv/channel/azuelar

3.     https://www.youtube.com/results?search_query=azuelar+nangetu

Sobre a violência midiática, citamos os casos ocorridos na região metropolitana de Belém, onde o racismo comumente se manifesta pela intolerância religiosa, e é tão presente quanto nos exemplos que poderíamos citar vindos das diversas nações do mundo globalizado e de outros estados brasileiros.

Aqui, como em todo território nacional, o alvo do preconceito racista são, em geral, mas não somente, os mantenedores das tradições oriundas da África Negra. Um dos casos mais emblemáticos foi o ocorrido no dia primeiro de outubro de 2002, nas vésperas das eleições gerais no país, quando se veiculou no programa do Ratinho (SBT em rede nacional) matéria que relacionou as tradições de terreiros de matriz africana de Belém à violação de túmulos (ver emhttp://www.youtube.com/watch?v=ugonl95c-7Q). Várias autoridades e lideranças de terreiros apareceram em imagens feitas durante a "Festa das raças", um evento realizado no palácio Antônio Lemos (prefeitura de Belém) no final de agosto e em reconhecimento pela implantação de políticas públicas que beneficiavam as comunidades de terreiro. Naquele momento parecia que finalmente as comunidades tradicionais de terreiros de matriz africana podiam celebrar, afinal a prefeitura de Belém, havia regulamentado a possibilidade de rituais fúnebres nos cemitérios municipais para todas as religiões, pois antes, apenas os cristãos podiam realizar seus cultos nos cemitérios. A manchete do programa dizia: "Prefeito libera cemitério para macumba, mas.... E os túmulos violados?”.  O caso do Ratinho é emblemático por ter sido em rede nacional, mas não é o único fato em que povos tradicionais de matrizes africanas são violentados na mídia, e temos vários outros exemplos nos veículos de comunicação comercial locais, como:

1.     Caso da coluna Bacana (Diário do Pará) ridicularizando a candidatura do Pai Gilmar a vereador (eleições de 2008), ver relato e manifestações de lideranças de terreiros em “Pai de santo pode ser candidato?” http://www.overmundo.com.br/overblog/pai-de-santo-pode-ser-candidato

2.     Em 18/02/2011 - jornal o liberal relaciona um feto encontrado no lixo próximo ao cemitério de Santa Isabel, com uma oferenda (“despacho”) que se encontrava próximo ao local, ver emhttp://www.orm.com.br/2009/noticias/default.asp?id_modulo=388&id_noticia=516887   - Manchete: “Feto encontrado em despacho”. O jornal aproveitou a proximidade da lixeira com os restos de uma oferenda  para produzir uma matéria sensacionalista sem nenhum outro objetivo que não fosse vender jornal se aproveitando do medo e da ignorância da população (é preciso registrar que em contrapartida, tivemos o  “Diário do Pará” informando que o saco de lixo que continha o feto estava na lixeira http://mobi.diariodopara.com.br/not.php?idnot=127672 ehttp://www.diarioonline.com.br/noticia-135712-fotogaleria-feto-e-encontrado-perto-de-cemiterio.html  vídeo http://www.diarioonline.com.br/videos_interna.php?id=XkfsSsEnnig  e fotoshttp://www.diarioonline.com.br/imagens-interna.php?galeria=1011#img/imagens/_MG_0867_copy.jpg )

O que se pode avaliar é que, antes de tudo, falta conhecimento, falta diálogo, como sempre foi.

Vem de longa data o debate sobre a difusão da ideologia racista nos meios de comunicação, assim como a discussão da invisibilidade do negro na mídia brasileira e a difusão de estereótipos sobre a população negra brasileira.

Esse tema tem permeado as pautas do movimento negro brasileiro e a primeira resposta do Governo Federal foi a criação do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para Valorização da População Negra através do decreto de 20 de novembro de 1995, assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que definiu como uma de suas competências “estimular e apoiar iniciativas públicas e privadas que valorizem a presença do negro nos meios de comunicação”. Nos relatórios desse Grupo de Trabalho (ver relatório em file:///C:/Users/ArthurLeandro/Downloads/Construindo%20a%20democracia%20racial.pdf) , aparecem questões como:

- inclusão crescente da população negra na publicidade governamental, segundo conceitos de valorização da diversidade;

- valorização da presença de atores negros, na produção de material governamental ou apoiada pelos órgãos de governo;

- implementação de projetos voltados a uma nova e qualificada representação de africanos e afro- brasileiros;

- apoio ao aprimoramento profissional de trabalhadores negros da mídia e suporte para a ampliação de sua atuação profissional, por meio de intercâmbios e de projetos específicos;

- organização de mapa das áreas habitadas por remanescentes de quilombos, já identificados, e sua inserção na rede mundial Internet.

Quase 20 anos depois o Estatuto da Igualdade Racial (ver em http://www.portaldaigualdade.gov.br/Lei%2012.288%20-%20Estatuto%20da%20Igualdade%20Racial.pdf) repetia, em 2012, boa parte das diretrizes apresentadas em 1995, como por exemplo:

Art. 4°  A participação da população negra, em condição de igualdade de oportunidade, na vida econômica, social, política e cultural do País será promovida, prioritariamente, por meio de:  (...) VII - implementação de programas de ação afirmativa destinados ao enfrentamento das desigualdades étnicas no tocante à educação, cultura, esporte e lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, meios de comunicação de massa, financiamentos públicos, acesso à terra, à Justiça, e outros. (grifo nosso)

Art. 24. O direito à liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos de matriz africana compreende: (...) VII - o acesso aos órgãos e aos meios de comunicação para divulgação das respectivas religiões;

 Art. 26. O poder público adotará as medidas necessárias para o combate à intolerância com as religiões de matrizes africanas e à discriminação de seus seguidores, especialmente com o objetivo de:  I - coibir a utilização dos meios de comunicação social para a difusão de proposições, imagens ou abordagens que exponham pessoa ou grupo ao ódio ou ao desprezo por motivos fundados na religiosidade de matrizes africanas;

E o Estatuto ainda dedica um capítulo inteiro à questão da comunicação:

CAPÍTULO VI

DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Art. 43. A produção veiculada pelos órgãos de comunicação valorizará a herança cultural e a participação da população negra na história do País.

Art. 44. Na produção de filmes e programas destinados à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas, deverá ser adotada a prática de conferir oportunidades de emprego para atores, figurantes e técnicos negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de natureza política, ideológica, étnica ou artística.

Parágrafo único. A exigência disposta no caput não se aplica aos filmes e programas que abordem especificidades de grupos étnicos determinados.

Art. 45. Aplica-se à produção de peças publicitárias destinadas à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas o disposto no art. 44.

Art. 46. Os órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica ou fundacional, as empresas públicas e as sociedades de economia mista federais deverão incluir cláusulas de participação de artistas negros nos contratos de realização de filmes, programas ou quaisquer outras peças de caráter publicitário.

§ 1º  Os órgãos e entidades de que trata este artigo incluirão, nas especificações para contratação de serviços de consultoria, conceituação, produção e realização de filmes, programas ou peças publicitárias, a obrigatoriedade da prática de iguais oportunidades de emprego para as pessoas relacionadas com o projeto ou serviço contratado.

§ 2º  Entende-se por prática de iguais oportunidades de emprego o conjunto de medidas sistemáticas executadas com a finalidade de garantir a diversidade étnica, de sexo e de idade na equipe vinculada ao projeto ou serviço contratado.

§ 3º  A autoridade contratante poderá, se considerar necessário para garantir a prática de iguais oportunidades de emprego, requerer auditoria por órgão do poder público federal. § 4º  A exigência disposta no caput não se aplica às produções publicitárias quando abordarem especificidades de grupos étnicos determinados.

O tema comunicação esteve presente nos momentos mais significativos das discussões sobre políticas e práticas anti-racistas e integrou pautas de reivindicações do movimento negro manifesta nas conferências nacionais de comunicação, de cultura e de igualdade racial. Por esses e outros motivos, faz-se necessário manter aceso o debate sobre a mídia, e propor ações concretas para a comunicação no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR.





Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e Desenvolvimento Social

Histórico da instituição:

O Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social, é constituído como associação de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, visando estreitar laços de confraternização e promover o desenvolvimento sócio-econômico da comunidade Afro-religiosa, e está intimamente ligado ao Mansu Nangetu – Mansubando Kekê Neta, que é um espaço sagrado de manutenção e preservação das manifestações de matriz africana de origem Bantu na cidade de Belém, e ambos funcionam na Tv. Pirajá, 1194 – bairro do Marco da Légua.

HISTÓRIA E OBJETIVOS DO INSTITUTO NANGETU

O Instituto Nangetu foi constituído juridicamente em maio de 2004 e funciona no Endereço e contatos: Mansu Nangetu - Tv. Pirajá, 1194. Marco, Belém-PA. 66.095-631- Telefone: 91 32267599

Missão da organização:

1. Lutar pela preservação da memória cultural afro-brasileira postulando a defesa da comunidade afro-brasileira, sua liberdade de expressão através dos cultos afro-religiosos, postulando a adoção de medidas legais de proteção e amparo aos interesses morais e culturais das comunidades religiosas afro-brasileiras.

2. -Enfatizar os princípios da cultura e religião afro no tocante a saúde, educação e civismo;

3. Pleitear junto ao Governo a adoção de políticas públicas que objetivem o desenvolvimento, a integração e preservação da cultura e religiões afro-brasileiras;

4. Contribuir para que a sociedade civil possa construir alternativas de desenvolvimento fundadas na democracia, na justiça social e no desenvolvimento sustentável.

5. Promover ações na área da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico, artístico, cultural, turístico, paisagístico e meio ambiente.

6. Realização de cursos de aperfeiçoamento para o mercado de trabalho, com ênfase na formação e capacitação profissional e de lideranças, como instrumentos de valorização humana.

7. Promoção do voluntariado.

8. Celebração de convênios, contratos, inclusive, de comodato e cessão de uso, acordos com instituições públicas e privadas, de âmbito municipal, estadual e federal, inclusive internacionais, visando sempre à promoção do cidadão e o desenvolvimento sócio- econômico do Estado do Pará.

9. Elaborar em nível de parceria, projetos nas diversas áreas de atuação do setor público e privado, e executá-los de forma a alcançar os objetivos propostos entre outros.



Ações desenvolvidas nos últimos 5 (cinco) anos: Projetos mais significativos desenvolvidos ou em parceira com a instituição:

1. Projeto Azuelar (inicio em 2005) – laboratório experimental de comunicação social comunitária. Objetivos: Informar as ações culturais e sociais do Mansu Nangetu ou das Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas que tem sua parceria; Exibir filmes (ficção, animação, documentários e de outros gêneros) que tratam da temática afro-brasileira, em especial da temática tradicional de matrizes africanas; Contribuir com a formação cultural de membros da comunidade tradicional de matrizes africanas da zona metropolitana de Belém; Combater o preconceito e a discriminação às culturas afro-brasileiras, em especial `as culturas tradicionais oriundas da África negra, de forma lúdica. Projeto mantido por trabalho voluntário e colaborações espontâneas; premiado pelo Edital Pontos de Mídia Livre/ Secretaria de Cidadania Cultural - MinC, 2009; premiado pelo Edital Cine Pará Mais Cultura/ SECULT-PA, 2010, tem o apoio da PROEX-UFPA através de diversos projetos de extensão.

2. Parceiro no projeto Cartografia social dos afrorreligiosos em Belém do Pará: história e georeferenciamento das casas de religiões afro-brasileiras (desde 2006). Descrição: Projeto de Pesquisa que envolve várias universidades e é coordenado pela pesquisadora Camila do Valle   no âmbito do Projeto Nova Cartografia Social e, dentro deste, faz parte das atividades do Núcleo de Territorialização, Identidades e Movimentos Sociais. O Instituto Nangetu participou da pesquisa, da organização do mapa dos afro-religiososna cidade de Belém, da Cartilha dos Afro-religiosos na cidade de Belém, e da organização do livro Cartografia social dos afro-religiosos de Belém.

3. Projeto A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual (início em 2008) . Objetivos: Criar ambiente para manter o cultivo de plantas medicinais e de uso litúrgico no quintal do Mansu Nangetu; Incentivar cultivo de plantas medicinais e de uso litúrgico afro-religioso em pequenas áreas de quintais e em hortas comunitárias da zona metropolitana de Belém; Contribuir com a preservação de matas e de igarapés urbanos. Mantido através de trabalho voluntário e colaborações espontâneas.

4. Projeto Ancestralidade e Resistência (início em 2006). Objetivos: Valorizar a ancestralidade feminina nas Comunidades Tradicionais de Terreiros. Promover eventos que: a) promovam a cidadania da mulher afro-religiosa; e b) valorizem a experiência e os conhecimentos da pessoa idosa. Mantido com trabalho voluntário e colaborações espontâneas.

5. Nós de Aruanda – artistas de terreiro. Parceiro da UFPA na realização da exposição com os artistas de terreiro. Mobilização de artistas e parceria na divulgação das ações poéticas. Desde 2013.

4. A organização participa de redes, fóruns ou coletivos, em especial:

·       Fórum Permanente das Culturas Paraenses, membros fundadores. 2007

·       Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais, membros fundadores. 2007

·       Fórum Audiovisual da Amazônia Legal. 2009

·       Conselho Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Mametu Nangetu/ Oneide Monteiro Rodrigues, conselheira titular.   2011-13

·       Conselho Estadual de Políticas para as Mulheres, Mametu Nangetu/ Oneide Monteiro Rodrigues conselheira titular, 2012-14.

·       Colegiado Nacional Setorial de Culturas Afro-brasileiras/ Ministério da Cultura – Mametu Nangetu/ Oneide Monteiro Rodrigues e Táta Kinamboji/ Arthur Leandro, Conselheiros titulares; e Táta Dianvula/ Alex Leovan Oliveira Ferreira, Conselheiro suplente. 2013-15

·       Conselho Nacional de Políticas Culturais/ Ministério da Cultura – Táta Kinamboji/ Arthur Leandro conselheiro titular representando as culturas afro-brasileiras no CNPC. 2013-15

·       Conselho Municipal de Política Cultural (Belém), Mametu Nangetu/ Oneide Monteiro Rodrigues e Táta Kinamboji/ Arthur Leandro, conselheiros titulares, representando o Patrimônio Cultural e as Artes Visuais, respectivamente. Eleitos em 2014, esperando nomeação

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

IPHAN premiou o Projeto Azuelar no Edital Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana/2014 – Edital PNPI 2014.

Programa Nengua de Angola entrevista autoridades de terreiros transmitindo as conversas pela webTV. Na foto Mãe Olindina de Obaluaê em entrevista com Mametu Nangetu.
O Prêmio Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana/2014 teve como objeto o reconhecimento de ações de preservação, valorização e documentação do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades de Matriz Africana – comunidades de terreiro – já realizadas, e que, em razão da sua originalidade, excepcionalidade ou caráter exemplar, mereçam divulgação e reconhecimento público. Os projetos concorreram em duas categorias, cada uma com linhas de ações específicas. Foram oferecidos 10 (dez) prêmios de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) para a Categoria 1 e 25 (vinte e cinco) prêmios de 24.000, 00 (vinte e quatro mil) para a Categoria 2, totalizando um montante de R$ 1 milhão de reais. Ao todo foram oitenta propostas inscritas, sendo onze delas desabilitadas. Na Categoria 1 foram 06 propostas aprovadas e premiadas. Já na Categoria 2, foram aprovados 45 projetos, sendo 25 premiados.
Táta Dianvula entrevistando Gil do Jongo para a rádio-janela Azuelar.

O Instituto Nagentu concorreu com outros 31 projetos, e foi premiado na categoria "Ações educativas voltadas à promoção e valorização do patrimônio cultural na comunidade do entorno da casa e ao público em geral; iniciativas de capacitação para gestão de políticas públicas, elaboração de projetos, mediação de conflitos, e temas correlatos ao universo cultural dos terreiros".
O Projeto Azuelar é um projeto de mídia étnica que funciona há dez anos e tem por objetivo difundir informações sobre o Mansu Nangetu, comunidades de terreiros parceiros e suas tradições. Utiliza o audiovisual e ferramentas de comunicação digital para disseminar conhecimento tradicionais afro-brasileiros, denunciar violações de direitos e informar a população do calendário de rituais e eventos sociais e culturais de povos tradicionais de terreiros de matriz africana.


Daniel Miranda de Nkosi comanda o Fala sério - juventude de terreiro no combate ao racismo.
O trabalho de divulgação da cultura e dos conhecimentos e tecnologias tradicionais, dos conflitos e lutas sociais por direitos à cidadania, foi reconhecido e premiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, como uma importante ação de valorização do patrimônio cultural de povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas. A questão colocada é a visibilidade das comunidades através da divulgação respeitosa das tradições com o protagonismo dos povos tradicionais de terreiros de matriz africana, táta Kinamboji, coordenador técnico do mprojeto, diz que “as comunidades de povos tradicionais de terreiros de matriz africana tem que aprender a fazer a própria mídia e a lidar com a possibilidade da exposição midiática preconceituosa”. A ação do Instituto Nangetu, de criar a própria mídia, se antecipou às diretrizes da política pública da presidência da república que em 2013 lançou, através da SEPPIR - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial -, o Plano Nacional de Sustentabilidade de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas , e este plano em seu primeiro objetivo. Diz: “Promover a valorização da ancestralidade africana e divulgar informações sobre os povos e comunidades tradicionais de matriz africana” em iniciativas como “Realizar Campanha Nacional de informação e valorização da ancestralidade africana no Brasil”.
Manifestação de combate ao racismo religioso em janeiro de 2014 (Rádio-janela, Projeto Azuelar).
Confira aqui os outros projetos premiados na 1ª edição do Prêmio Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana/2014. 
O Edital faz parta das ações do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana que foi construído com base no Plano Plurianual (PPA 2012-2015) e reúne um conjunto de políticas públicas que buscam a garantia de direitos, a proteção do patrimônio cultural e da tradição africana no Brasil. Além do enfrentamento à extrema pobreza com ações emergenciais e de fomento à inclusão social produtiva e Desenvolvimento Sustentável. 
A SEPPIR coordena o grupo de trabalho responsável pela execução, monitoramento e revisão do plano e que agrega os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Cultura, Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Fundação Cultural Palmares, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pela defesa do Estado laico, associados reformaram o estatuto.

 



A sessão aconteceu na manhã do dia 25 de outubro de 2014, e foi presidida por Mametu Nangetu, presidenta do instituto, com a ajuda de Táta Dianvula, que secretariou a assembléia. 

Abrindo a pauta, Mametu falou da necessidade de reformar o estatuto social do Instituto Nangetu, aprimorando e adequando a organização social aos novos contextos políticos e sociais. 

Dentre as reformas propostas, ela apresentou a alteração do nome social da organização propondo chamar-se de “Instituto Nangetu de Tradição Bantu na Amazônia e Desenvolvimento Social”, argumentando o interesse do Instituto no financiamento público de projetos e ações e na participação social nas instâncias de diálogo com o Estado, para isso destacou-se a necessidade de defesa do Estado Laico e a necessidade de defesa das tradições afrobrasileiras o que engloba também os aspectos da religiosidade e a defesa do sagrado de origem africana no Brasil.

Para atender essa necessidade, ela destacou a necessidade, também, de alterar a redação estatuto do Instituto em diversos artigos e incisos que foram detalhados na minuta de proposta de reforma de estatuto, que foi aprovada por unanimidade, ficando desta forma reformado e consolidado o estatuto social do Instituto Nangetu que agora passa a se chamar de INSTITUTO NANGETU DE TRADIÇÃO BANTU NA AMAZÔNIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL.



Mametu aproveitou a ocasião e a presença de Domingos Conceição, do Instituto Mocambo, e do Prof. Devison Amorim, do projeto de extensão "Mitologia afro-amazônica em objetos animados", e, depois da assembléia, provocou um debate sobre os projetos do instituto Nangetu que estão em andamento.

Instituto Nangetu elegeu diretoria para mandato 2014-19.



Na manhã do sábado, dia 13 de outubro, a assembléia geral ordinária do Instituto Nangetu elegeu a diretoria para o quinquênio 2014/ 2019, reconduzindo Mametu Nangetu para a presidência, e tendo como vice-presidente Mametu Deumbanda.
Tatetu Odé Oromi assumiu a função de secretário, Kota Mazakalanje a diretoria administrativa e financeira, e o novo diretor de projetos é o Táta Kfunlumizo. A comunidade do Mansu Nangetu e os associados do Instituto Nangetu, desejam sucesso à nova diretoria.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Convocação da Assembléia Geral Extraordinária do Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e Desenvolvimento Social.

A presidente do Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e Desenvolvimento Social, no uso de suas atribuições estatutárias vem por meio deste convocar seus associados para comparecer em reunião de plenário no dia 25 de outubro, sábado, as 10h, na sede do Instituto Nangetu, sito à Tv. Pirajá n. 1194 – Belém/PA, para decidir sobre a pauta  única de alteração de estatuto.
Belém, 20 de outubro de 2014.
Mametu Nangetu uá Nzambi/ Oneide Monteiro Rodrigues
Presidente