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sábado, 26 de setembro de 2015

A voz do povo tradicional de matriz africana no ENGA - Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia.

O Projeto Azuelar, do Instituto Nangetu, e o Projeto Rádio Portão da ACIYOMI, em parceria com a REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, RENAFRO – Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, FONSANPOTEMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, ACAOÃ, UNIMAZ, TERREIRO ESTRELA GUIA e FESCAB-PA, realizam uma programação de rádio com os programas de cidadania com reportagens, depoimentos, entrevistas e cantigas gravadas com lideranças e autoridades de povos tradicionais de matriz africana.
Serão três programas de uma hora de duração, iniciando sempre as 13h, antecedendo a roda de conversa da programação do encontro.

  1. Dia 28 de setembro de 2015, Território e territorialidades, Roda de conversa com Mãe Nalva de Oxum. Edição do programa de Rádio: Vitor Gonçalves.
  2. 29 de Setembro de 2015, Feminismo negro. Roda de conversa com Maria Malcher. Edição do programa de Rádio: Samily Maria Moreira da Silva e Silva.
  3. 30 de setembro de 2015, Racismo religioso. Roda de conversa com Mametu Nangetu. Edição do programa de Rádio: Sibely Nunes Nascimento.



Apoio:
rede[aparelho]-:
Grupo de Estudos Afro-Amazônico – GEAM (NEAB)/ UFPA
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto  Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi).

UFPA-PROEX 

terça-feira, 12 de maio de 2015

“Cidadania e Tradições de Matriz Africana na Amazônia” formação política de povos tradicionais de matriz africana para o exercício do controle social. e diálogo com a gestão pública.

Seminário“Cidadania e Tradições de Matriz Africana na Amazônia” formação política de povos tradicionais de matriz africana para o exercício do controle social. e diálogo com a gestão pública. No sábado, dia 23 de maio, das 8h às 19h, na quadra da Escola de Samba Deixa Falar, na rua Cesário Alvin, 391, bairro da Cidade Velha, Belém/ PA – telefone 91-32222197, com rodas de conversas sobre política cultural, tradições alimentares, segurança pública e políticas para a juventude e pessoa idosa. Realização RENAFRO, FONSANPOTEMA, REATA, INSTITUTO NANGETU, ACIYOMI, ACAOÃ, UNIMAZ, TERREIRO ESTRELA GUIA, FESCAB-PA, IBANCA. Apoio: GEAM/ UFPA/ PROEX

sábado, 29 de novembro de 2014

Saúde lança campanha contra racismo no SUS

O Instituto Nangetu apoia incondicionalmente a campanha de Enfrentamento ao Racismo do Ministério da Saúde.


O governo federal lançou a primeira campanha publicitária que busca envolver usuários do SUS e profissionais de saúde no enfrentamento ao racismo institucional. Com o slogan "Racismo faz mal à saúde. Denuncie!", a iniciativa visa a conscientizar a população de que a discriminação racial também se manifesta na saúde.
A campanha prevê ainda que, por meio do Disque Saúde 136, as pessoas possam denunciar qualquer situação de racismo que tenham presenciado, além de se informar sobre doenças mais comuns entre a população negra e que exigem maior acompanhamento, como a doença falciforme e o diabetes tipo 2.

Dados do Ministério da Saúde indicam que uma mulher negra recebe menos tempo de atendimento médico do que uma mulher branca. Os números mostram que, enquanto 46,2% das mulheres brancas tiveram acompanhante no parto, apenas 27% das negras utilizaram esse direito. Outro levantamento revela que 77,7% das mulheres brancas foram orientadas sobre a importância do aleitamento materno, enquanto 62,5% das mulheres negras receberam essa informação.
Segundo a pasta, as taxas de mortalidade materna infantil entre a população negra são superiores às registradas entre mulheres e crianças brancas. Os números mostram que 60% das mortes maternas ocorrem entre mulheres negras e 34% entre mulheres brancas. Já na primeira semana de vida, a maioria das mortes é registrada entre crianças negras (47%) entre as brancas, o índice é 36%.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, avaliou que o grande desafio da pasta é produzir igualdade em meio à diversidade. “Dados importantes mostram como a desigualdade e o preconceito produzem mais doença, mais morte, mais sofrimento”, disse. “O que mais pode justificar essa diferença [no atendimento a brancos e negros no SUS] que não seja o preconceito e o racismo institucional”, questionou.
Segundo Chioro, é preciso conscientizar os profissionais de saúde da rede pública sobre a existência do racismo institucional e a necessidade de combatê-lo, além de enfrentar mitos como o de que o negro é mais resistente à dor e, por isso, não precisa de medicação para aliviar o sofrimento. “Não podemos tolerar o preconceito ou nenhuma forma de racismo na saúde”, concluiu.

A campanha vai ser veiculada de 25 a 30 de novembro. Ao todo, 260 mil cartazes e 260 mil folders vão ser distribuídos nas unidades de saúde aos profissionais e à população em geral.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Saúde: "As drogas e os terreiros".

As drogas e os terreiros
Por Patrick Oliveira

O dia já acordou exuberante, chuva e sol, frio e calor - eis a dinâmica climática no Brasil Central. Como se não bastasse a angústia dilacerada, levantar logo cedo, ir a academia exercitar o esqueleto e sentir leve e de bem com a vida. Foi pensando em tudo isso, que no corre-corre dessa manhã que comecei a pensar um pouco nessa questão das relações... do terreiro com as drogas.

Depois de quase três meses viajando pelo sul/sudeste do Brasil, conhecendo vários agentes sociais e falando de drogadição com comunidades tradicionais de terreiros - fica um impasse desmedido que compartilho com vocês. Os terreiros desde suas origens sempre foram lugares primordiais do cuidado de uma população que se quer tinha acesso aos médico de família e ao atendimento hospitalar. Sabemos bem que as Ialorixás assumiram papéis de liderança junto as suas comunidades, cuja a finalidade era a subsistência e a assistência a essa gente, que fora tão negada e ausente de acesso. A vida não era fácil na senzala, nem foi fácil no mocambo, o que dirá no morro, na favela. As questões de cuidado e de saúde sempre tiveram presente na rotina dos terreiros. Espaço por excelência do cuidado, do bem-estar, da saúde, do axé (a energia vital da vida).

As drogas atingem os terreiros das formas mais diversas - direta ou indiretamente. A questão é que um envolvimento nas drogas pode afetar todo um sistema familiar e por esse viés conduzir o grupo familiar para diversas dinâmicas de ajuda. As vezes um membro da família, vai ao terreiro para buscar uma coletividade, uma segunda família, uma vez que isso se ausenta de certa forma para ele. As vezes o membro da família que aproxima do terreiro nem seja o usuário propriamente, e essa pessoa, chega ao terreiro trazendo a demanda de todo o contexto familiar dela.

A Psicologia de Grupo tem ensinado o quanto o grupo pode ser afetado por um dos seus membros, profundamente adoecido - esse membro pode sim, modificar toda a rotina do grupo, inclusive perturbá-lo. No terreiro o equilíbrio, a disciplina, o cuidar de si e do outro, se faz presente, sobretudo pela própria dimensão do sagrado na vida das pessoas. No terreiro o abian (abión) aprende desde cedo que seu corpo é templo, morado do sagrado (dos orixás).

A pedagogia dos terreiros, a cosmogonia que ali se faz presente, herança africana - convoca o iniciante a uma restruturação e reorganização da vida, para além dos pressupostos hedonistas, capitalistas, individualistas etc., do mundo pós-moderno. A rotina do terreiro faz o convite a coletividade, a partilha, a respeitabilidade, o sagrado, o cuidado e o aprendizado.

Uma criança que desde os primeiros momentos da vida, aprendeu a viver na lógica do terreiro, introjetando a cosmovisão de mundo ali presente, terá muito mais subsídios para dizer não as drogas, do que uma criança que foi educada no individualismo, no culto exacerbado ao capital e ao corpo. No terreiro se entende que o corpo faz parte de uma ciranda (xiré) coletivo, ele é entregue a comunidade-terreiro para ser morada de deuses e deusas.

As drogas é uma questão de cunho sócio-econômico, muitos jovens entram nas drogas por ausências de oportunidades na vida, pelo desemprego e por que o capitalismo manda mesmo para a criminalidade, para as drogas jovens que não tem condições de bancar o engodo do capital, o luxo e o consumismo que o capitalismo tanto prega. Mas manda também para as drogas jovens que no sem-sentido da vida, se embebeda no individualismo, na demasia e na ótica do tudo ter. Na ausência do sentido de existência, as drogas entra como anestesia frente a dor de existir - um problema comum em sociedades capitalistas, neo-liberal e por demais individualistas.

A estadia nessas comunidades-terreiros foi para mim enquanto psicólogo, negro e herdeiro da ancestralidade de matriz-africana momento impar de leitura, de analise e sobretudo de sistematização da importância dos terreiros no cuidado com a saúde das pessoas e no cuidado com a vida. E o quanto os terreiros tem sido parceiros do SUS (Sistema Único de Saúde), no que se refere a saúde sobretudo de populações menos favorecidas.

Enquanto as drogas e seus dilemas aumentam, dilacerando a vida e o viver, entendo prontamente que as comunidades de terreiros podem em parcerias com uma rede de assistência, em parceria com a comunidade e com o sistema público de saúde ser propulsora de saúde, de bem-estar e de vida. Nessa época onde nossos jovens negros tem sido brutalmente assassinados, é preciso que toda a sociedade civil seja convocada, alertada e convidada a participar desse mutirão a favor da vida e da dignidade da pessoa humana - nessa empreitada toda os terreiros não podem ficar de fora.

Patrick de Oliveira é Psicólogo, Psicanalista e Assessor Nacional da Rede Afro Ewó de Prevenção as Drogas. É Diretor do Núcleo de Atendimento Psicanalitico em Álcool e Outras Drogas - NAPsi-Ad.


Texto gentilmente cedido por Patrick de Oliveira para publicação no blog do Instituto Nangetu.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O cineclube e o alimento sagrado de cada dia.

Roda de conversas e reflexões sobre o alimento sagrado.


Em Belém do Pará, agosto é o mês em que tradicionalmente os terreiros realizam as celebrações religiosas para Legba, Exu, Mavambo ou Njila.
Ninguém sabe e ninguém viu quando começou essa tradição, só se sabe que é assim. E já que é assim, o Cineclube Nangetu se programou para acompanhar os rituais que os terreiros realizam neste mês, e para isso o Conselho Editorial do Cineclube decidiu fazer o “Mês da Boca que Tudo Come”, um mês com sessões de filmes que viessem a provocar a reflexão sobre a saúde nos terreiros através da alimentação humana – afinal, o que a divindade come, o homem come também...
Ciclovida, a resistência de agricultores familiares em combate ao agronegócio.

A primeira sessão (3 de agosto) aconteceu com o premiado documentário “Ciclovida”, de Matt Feinstein e Loren Feinstein (EEUU, 2010) – É o registro da viagem de bicicleta do Ceará até Buenos Aires, na Argentina realizada pelos agricultores Inácio e Ivânia. Eles descrevem a sua filosofia respeitosa de uma nova relação com a Terra e de outras pessoas como a base para o seu modo de transporte e da necessidade de reunir sementes naturais e criar redes para a futura partilha de idéias e de sementes em contrapartida para a dominação do agronegócio, e principalmente dos agrocombustíveis no campo que tem como conseqüência o deslocamento de milhões de pequenos agricultores e comunidades indígenas. Cultivos e matas nativas estão sendo substituídos por desertos verdes de monoculturas transgênicas onde nada mais, planta ou animal, pode sobreviver aos agrotóxicos que são utilizados.
"A carne é fraca" e os horrores da cadeia produtiva da carne.

Na sequencia foi a vez de “A carne é fraca”, de Denise Gonçalves (17 de agosto) - um documentário produzido pelo Instituto Nina Rosa sobre os impactos que o ato de comer carne representa para a saúde humana, para os animais e para o meio-ambiente . 
Espírito de porco, a industria e o mercado como responsáveis pelos impactos negativos da criação de suinos.

E a exibição do “Espírito de porco”, de Chico Faganello e Dauro Veras finalizou a programação (31 de agosto) trazendo o debate sobre os impactos da criação de suinos em confinamento para a industria alimentícia.

Mametu Nangetu conduziu o debate do “Ciclovida”, falou que conhece agricultores familiares, ribeirinhos e quilombolas que, como Ivânia e Inácio, resistem e preservam o conhecimento tradicional de produção de alimentos. Acrescentou falando da necessidade da preservação da diversidade daquilo que nos alimenta.... Disse, por exemplo, das frutas amazônicas, e relatou que percebe que a cada dia os ingás, os murucis, os jambos e os mucajás nativos perdem espaço nas prateleiras de supermercado para uvas, maçãs e pêssegos - que são frutas européias que para chegarem em nossas mesas recebem uma imensa carga de agrotóxicos. Luah Sampaio aproveitou para falar de sua experiência com hortas suspensas e o plantio de verduras em casas e apartamentos como opção para o consumo de vegetais saudáveis.
Quando a luz se acendeu depois do filme “A carne é fraca”, Müller de Nzazi imediatamente falou: “qua filme horrível, Táta!” E a partir desse comentário Táta Kinamboji começou a falar que a intenção não era de promover o veganismo e o consumo exclusivo de vegetais, disse que em pouco tempo haveria no terreiro as imolações de animais para Mavambo, e pediu a todos que lhe dissessem as diferenças entre o que o filme mostrou e as práticas do terreiro. Foi então que cada um foi refletindo sobre as diferenças entre a violência e os maus tratos praticados pela industria de alimentos e o respeito à vida que está na essência do sacrifício afro-religioso. Vanjulê recordou do que o filme mostrou do tratamento dispensado aos pintinhos nas granjas e disse que aqui, quando nasce uma ninhada no quintal, eles são tratados com todo o carinho, enquanto no filme “os pintinhos eram tratados como 'coisa' sem importância”. E foi essa idéia da industria tratar os animais como números, como lucro, ou como “coisas sem importância” que norteou o debate sobre o “Espírito de porco”...
Ao fim. Os tries filmes provocaram a sensação de que é necessário encontrar alternativas para a criação de animais com manejo tradicional, animais que tenham uma vida natural, que cresçam no tempo que cada espécie tem para crescer, que se reproduzam da maneira tradicional, com machos e fêmeas copulando, chocando e criando seus filhos...
Certamente, se os membros da comunidade conseguirem criar os animais para os rituais do terreiro, o ganho espiritual será o sagrado alimento saudável...  

sábado, 16 de junho de 2012

Construção de alguidá com material reciclável marca o primeiro dia da "Belém + 20".

O futuro do planeta também está em discussão no "Belém + 20 (vinte) e quantos mais vierem", evento que acontece no Instituto Nangetu no mesmo período da realização da "Cúpula dos Povos" na cidade do Rio de Janeiro. Pois a discussão sobre estratégias de preservação do meio ambiente tem que acontecer em todos os lugares do mundo.
A cidade e as manifestações da naureza, e a preservação da natureza em espaços urbanos estão na pauta da Belém +20 (vinte) e quantos mais vierem.

Neste sábado, dia 16 de junho, Mametu Nangetu reuniu com um pequeno grupo para, em uma descontraída roda de fazer junto, mostrar como as comunidades tradicionais de terreiros podem contribuir com a preservação do meio ambiente. Ela começou dizendo que nós cultuamos a natureza e que precisamos conservar os espaços da natureza para podermos preservar a essência do sagrado afo-brasileiro.
E como conservar o que "sobrou de natureza" em cidades como Belém?
Para ela é necessária a intervenção dos governantes para resolver muitos dos problemas ambientais, mas também chama a atenção para a necessidade de maior participação social e até de uma re-educação ambiental de todos os segmentos sociais, inclusive nas comunidades de terreiros.
A conversa seguiu sobre as oferendas religiosas em espaços urbanos e a conservação desses espaços públicos, como as encruzilhadas, as beiras de igarapés e as matas urbanas, que são utilizados em nossos rituais religiosos. Mametu Nangetu falou que para a redução dos impactos ambientais em zonas urbanas o ideal seria esperar o período necessário para que a divindade receba a oferenda e os proprios religiosos voltarem aos locais para recolher os dejetos ou então que a prefeitura tivesse um programa especial de coleta de lixo proveniente de oferendas afro-religiosas.
Como nenhuma das duas situações pensadas como ideal se tornaram uma prática na cidade de Belém, Mametu Nangetu propôs aos presentes que participassem da construção de alguidás com papel reciclado em uma roda de fazer junto, disse que um alguidá feito com reciclagem de papel se decompõe muito mais rápido do que os feitos com barro cozido, e que utilizar recipientes com matéria orgânica como folhas, ou recipientes recicláveis de rápida decomposição pode contribuir para a redução dos impactos ambientais para oferendas em matas e igarapés.
A reciclagem de papel ela conta que aprendeu numa oficina de construção bonecos para teatro de mamulengo, e que apenas adaptou a técnica para a construção de alguidá com papel reciclado...

Mametu Nangetu ensinou técnicas de reciclagem para a construção de recipientes de oferendas.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Belém + 20 (vinte) e quantos mais vierem.

Neste sábado, dia 16 de junho, a partir das 14h, o Mansu Nangetu estará recebendo lideranças de terreiros parceiros e convidados para a "Força Tarefa" em nome da consciência da preservação ambiental. É uma reunião para quem não pode ir para a Rio+20 mas quer manter o debate em dia.
O evento é articulado pelo Instituto Nangetu, ACAOÃ e ACIYOMI, tem o apoio do Forum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Terreiros, e vai acontecer sem uma programação rígida, serão rodas de conversas que vão se tornando rodas de fazer junto, que vão se tornando consciência ambiental....
Estratégias de preservação das matas e igarapés está na pauta dos Povos Tradicioanis de Terreiros.

A pauta para as conversas vai abordar temas de interesse dos Povos Tradicionais de Terreiros, são temas como as propostas dos afro-religiosos para os programas de governo dos candidatos de 2012 à prefeitura de Belém e estratégias para que a próxima gestão municipal desenvolva politicas publicas afirmativas para as comunidades de terreiros, e a necessidade de participação qualificada nas instâncias de diálogo e controle social das ações de governo.
Mas as propostas das lideranças de terreiros não se restringem aos ítens que serão apresentados aos governantes, e as ações sociais estão também em destaque nesse encontro. Para isso também serão debatidas as  estrateegias e ações que podem ser desenvolvidas pelas comunidades de terreiros para a preservação das matas e dos igarapés urbanos, assim como trocar experiências de soluções que as comunidades tem experi mentado para a redução dos impactos das oferendas que são feitas em espaços públicos da cidade de Belém.

sábado, 12 de maio de 2012

Saúde - Nós temos um papel fundamental na prevenção e recuperação de usuários de drogas


O olhar silencioso dos presentes na roda de conversa sobre o filme "Quebrando o Tabu" durou um certo tempo...

Mametu Nangetu começou a falar da importância das lideranças de terreiros se qualificarem para o acompanhamento do tratamento para a recuperação de jovens envolvidos com drogas, principalmente com as drogas quimicas e sintéticas. Disse que esse era um problema de toda a sociedade, das Igrejas, da Família, da Escola... e afirmou sua certeza de que todos os presentes ali tinham uma história para contar sobre esse assunto.
Foi quando os relatos sobre a proximidade com o uso de substâncias ilegais foram aparecendo, desde relatos sobre o uso responsável de álcool e drogas até situações de pessoas cujo contexto as levou ao uso compulsivo e incontrolável. A relação das drogas com a marginalidade também foi discutida, foi a presença de bocas nas vizinhanças das residências dos presentes que fez os presentes concluir que o problema está presente em todos os bairros da cidade.
A principal conclusão dessa conversa sobre o filme veio a partir do histórico mundial do uso de drogas e do entendimento de que não existe nenhuma sociedade que não tenha consumido drogas.
A partir desses argumentos, chegamos a constatação de que a intolerância com as drogas, criada pela guerra iniciada na década de 1970 pelos Estádios Unidos da América do Norte, e espalhada pelas ditaduras militares pela América Latina como um discurso único, não é eficaz, e que tratar o uso de drogas pela repressão armada e como uma questão de segurança só tem levado a juventude negra de periferia para a cadeia e aumentado a marginalidade entre a população excluída dos meios de produção.
E qual o papel dos terreiros nessa luta social?
Para Mametu Nangetu as lideranças de terreiros devem se preparar para a abordagem da questão pelo viés do humano, do acolhimento e do acompanhamento afetivo...
Ela disse que acompanhou de perto dois casos de membros do terreiro que assumiram o uso de entorpecentes, e que ela recusou os conselhos de abandona-los para preservar a comunidade, disse que viver em comunidade é saber lidar com os problemas individuais em consonância com os interesses coletivos, e que agiu provocando conversas que promovessem a compreensão desse universo e a aceitação das limitações de cada um.
Para ela o isolamento dos usuários só agrava a situação e não traz nenhum benefício, e tratar as pessoas com humanidade e lhes mostrando a necessidade de preservar as regras sociais é o primeiro passo para a recuperação dos usuários, e o principal tratamento para a redução dos danos psicossociais causados por uso irresponsável de entorpecentes.




sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Quebrando o Tabu", de Fernando Grostein Andrade, vai colocar as questões da prevenção ao uso de drogas em debate.

Quebrando o tabu, de Fernando Grostein Andrade
(Brasil, 2011 - 74 min)
Sexta-feira, 11 de maio - 19h.
Cineclube Nangetu
Tv. Pirajá, 1194 - Marco.
Belém/PA.
Fone 32267599




Contexto

A Guerra às Drogas lançada pelos EUA a 40 anos atrás fracassou. Políticas proibicionistas baseadas na erradicação, interdição e criminalização do consumo simplesmente não funcionaram. A violência e o crime organizado associado com o tráfico de drogas se mantêm como problemas críticos em nossos países.
A América Latina continua sendo o maior exportador mundial de cocaína e maconha, e está se tornando rapidamente um provedor relevante de ópio e heroína. Hoje, estamos mais distantes que nunca do objetivo de erradicar as drogas. A violência e corrupção associadas ao tráfico de drogas e a políticas ineficazes de combate estão corroendo a cultura cívica e as instituições democráticas.
 
Sinopse
 
Quebrando o Tabu tem como principal objetivo a abertura de um debate sério e bem informado sobre o complexo problema das drogas no Brasil e no mundo. O filme pretende aproximar diversos públicos, entre eles os jovens, os pais, os professores, os médicos e a sociedade como um todo, para que se inicie uma conversa franca que leve a diminuição do preconceito, ajude na prevenção ao uso de drogas e que dissemine informações com base científica sobre o tema. O âncora do filme é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que aceita o convite do diretor Fernando Grostein Andrade para uma jornada em busca de experiências exitosas em vários lugares do mundo, sempre em diálogo com jovens locais e profissionais que se dedicam a tratar a questão das drogas de forma mais humana e eficaz do que as propostas na “guerra às drogas”, declarada pelos EUA há 40 anos. Quebrando o Tabu, uma ideia original do cineasta Fernando Grostein Andrade, teve duração de 2 anos.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

A luta pela preservação dos conhecimetnos tradicionais e do meio ambiente.

A roda de conversa no Cineclube Nangetu sobre o documetário "A revolução dos cocos", que relata a luta do povo de Bougainville (ilha do pacífico anteriormente pertencente a Papua Nova Guiné) contra a mineradora inglesa multinacional Rio Tinto Zinc, criou similaridade com a luta ambiental amazônida contra a construção da hidroelétrica de Belo monte. Foi inevitável para os presentes fazerem comparações das similaridades das formas de resitência na Oceania e nas margens do Xingu.
Os conhecimentos de medicina tradicional e o uso dos recursos naturais para a promoção da saúde também fizeram parte dos discursos, baseados no exemplo da ilha do Pacífico cujo povo teve que recorrer às tecnologias tradicionais para poder sobreviver aos embargos estatais contra a sua luta pela preservação do meio ambiente.

domingo, 29 de abril de 2012

Rede de cineclubes de terreiros de Belém participa da celebração pelos 35 anos da SDDH.


Táta Kinamboji (Cineclube Nangetu e coordenador do GT de Comunidades Tradicionais da PARACINE) esteve na Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos/ SDDH para acertar os detalhes da participação da Rede de Cineclubes em Terreiros da Zona Metropolitana de Belém nas celebrações pelos 35 anos de existência da SDDH.
A reunião contou com a participação dos coordenadores do Cineclube Café com Direitos Humanos, Coordenadores  do MST e do GT de Comunidades de Terreiros da PARACINE.
A rede vai participar de duas sessões do Cineclube Café com Direitos Humanos, ambas com filmes do diretor Luís Carlos de Alencar que virá em Belém particiar dos debates sobre os filmes.
As sessões acontecerão às 18h dos dias 25 e 26 de maio, sexta-feira e sábado, respectivamente no assentamento Mártires de Abril, na ilha do Mosqueiro - com o filme Fragmentos de Mindelo (Cabo Verde, Duração : 75 min. Projeto dos alunos finalistas do Curso da Especialização em Cinema do M_EIA - 2011); e no Cineclube da ARCAXA - Associação Abassá Afro-brasilerio Lekô Xapanã (Terreiro do Pai Orlando Bassu) com o filme Bombadeiras (Brasil, Duração 75 min. Brasil, 2007)
O diretor Luis Carlos de Alencar virá à Belém debater os seus filmes.
A proposta para os terreiros é colocar em discussão a questão da transexualidade e o como os sacerdotes das religioões afro-amazônicas tem se comportado diante da presença de transexuais nas comunidades e a sua legitimidade nos rituais das religiões afro-amazônicas.
Para os coordenadores do GT de Comunidades Tradicionais de Terreiros da PARACINE, o filme Bombadeiras é importante para os terreiros porque traz o depoimento de várias transexuais e de bombadeiras que são sacertodes/sacerdotizas de religiões afro-brasileiras, e eles acreditam que o filme pode fomentar o debate sobre o paradoxo entre o reconhecimento dos diretos civis de escolha de gênero, com os principios das crenças dos afro-religiosos no poder mítico relacionado ao corpo feminino. Mas trazer esse debate à tona pelas próprias transexuais de terreiros.

Cenas do documentário Bombadeira.

Sinopse: Bombadeiras, assim são chamadas as travestis que transformam o corpo de suas clientes com aplicações clandestinas de silicone (geralmente silicone industrial,não permitido para uso em seres humanos). Este universo simbólico de morte e renascimento, em que um ciclo de vida se encerra para permitir a iniciação de outro, é desvendado pelo diretor Luis Carlos de Alencar em seu documentário BOMBADEIRA, registrando o mito das "fadas madrinhas" no imaginário da travesti, e sua importância na construção de uma identidade de gênero.

A Rede de Cineclubes em Terreiros da Zona Metropolitana de Belém é uma articulação criada por poroposição do GT de Comunidades Tradicionais de Terreiros da Federação Paraense de Cineclubes - PARACINE, em parceria com a Diretoria Regional Norte do Conselho Nancional de Cineclubes - CNC e apoio da rede [aparelho]-:.
Fazem parte da Rede: Cineclube Nangetu, Cineclube ti Bamburucema, Cineclube ACIYOMI, Cineclube ACAOÃ, Cineclube Maristrela (AFAIA), Cineclube Estrela Guia Aldeia de Tupynambá, Cineclube do Turco Jaguarema, Cineclube da ARCAXA, Cineclube da Irmandade de São Benedito, FEUCABEP, Cineclube do Turco Ricardinho. 


sábado, 7 de abril de 2012

Saúde no terreiro - Rodas de conversa, cineclube e atendimento em serviços marcam o Dia Internacional da Saúde no Mansu Nangetu.


Para celebrar a passagem do Dia Mundial da Saúde, comemorado no dia 7 de abril, o Mansu Nangetu recebeu nesta quinta-feira, dia 5 de abril, uma equipe da Secretaria de Estado da Saúde- SESPA - formada pela enfermeira Ruth Cardoso, pelo técnico de enfermagem Bernardino Silva e pela agente administrativa Tânia Nunes. Eles chegaram ao terreiro às 16h e montaram um sistema de atendimento à população dentro do terreiro.


O filme "Chama Verequete", de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parrera, foi exibido na sessão do cineclube, promovendo através do enredo do filme um debate sobre a relação da cultura com a saúde. Os participantes falaram de como a alegria de participar das manifestações artísticas e culturais influenciam no quadro de saúde de cada um.
E como não poderia deixar de ser, a proibição do Batuque (como as religiões afro-brasileiras eram chamadas no séc. XIX) pelo código de posturas do município de 1848 e o combate policial ao carimbó como cultura de terreiro - que é mostrado no filme -, foi relacionado com a com a atual repressão às culturas dos povos tradicionais de terreiros, seja pela visão negativa repassada pelo fundamentalismo cristão das igrejas eletrônicas em canais de televisão, seja pela interpretação equivocada das Leis ambientais que resulta em representação policial à religisidade afro-amazônica, e também foi consenso reconhecer esta forma de racismo afeta também a saúde dos povos de terreiros.

A oferta de serviços gratuitos de verificação de pressão arterial e de verificação de nivel de glicose no sangue foi a grande atração do dia. Foram 37 atendimentos para membros da comunidade e para a vizinhança do Mansu, sendo que desses 9 apresentaram alteração na pressão arterial (1 de pressão baixa e 8 quadros de hipertensão) e 2 resultados apresentaram quadros de diabetes. Em todos os casos, a equipe da SESPA conversou com os atendidos sobre os cuidados básicos para a prevenção de doenças, e para aqueles que apresentaram alteração arterial ou de glicose foi orientado que procurassem serviços de urgência em hospitais ou que agendassem consulta com médicos em postos de saúde.


O uso de ervas medicinais, principalmente através de chás de infusão, e cuidados com a alimentação para a promoção de uma vida saudável - conhecimentos tradicionais preservados pela tradição da oralidade dos terreiros -,  também esteve presente nas conversas através das intervenções das lideranças de terreiros, que demonstraram o quanto esses conhecimentos influenciam na prevenção da saúde da população.


O evento terminou com um coquetel de café com pupunha e canjica e uma descontraída roda de conversa com as lideranças de terreiros Mametu Nangetu, Mametu Kaia Onilegi (Kátia Hadad), Mãe Nadir de Ogum,  Pai Valdiney de Badé e com Silvia Macedo do Movimento Popular de Saúde/ MOPS-PA, a roda foi na porta do terreiro e foi o momento em que as lideranças das comunidades de terreiros articularam com o MOPS-PA a extensão da agenda de saúde e acertaram a parceria com o MOPS-PA para uma agenda itinerante de serviços de saúde pelos terreiros de Belém e Ananindeua.





Fotos e texto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre.

sexta-feira, 30 de março de 2012

"Chama Verequete", de Luiz Arnaldo Campos, no Cineclube Nangetu,

Será dia 5 de abril (quinta-feira) às 18:30, como parte do "Dia da saúde" no Mansu nangetu.

Cineclube Nangetu
Tv. Pirajá, 1194 - Marco (entre Duque de Caxias e 25 de setembro)
Informações: 32267599
entrada franca.

Cena do filme "Chama Verequete"
Chama Verequete
Direção: Luiz Arnaldo Campos e Rogério Pereira. Ano: 2002 Duração: 18min Classificação: Livre Cor Belém – PA
Sinopse: Chama Verequete é um documentário poético sobre o Vodun da música paraense, Mestre Verequete, que foi buscar seu nome artistíco no fundo dos terreiros do Tambor de Mina, um dos locais onde se materializa o sincretismo afro-caboclo-indígena, matriz da cultura amazônica. Chama Verequete é um filme conduzido pelas histórias e canções do Mestre, intercalado por intervenções ficcionais que documentam a luta do carimbó contra o preconceito e a discriminação, até a sua vitória final, com o reconhecimento público de sua condição de ritmo raiz do Pará.

Prêmio de Melhor Música no Festival de Gramado, Melhor Fotografia no Festival de Documentários de Santa Catarina, Melhor Fotografia de Curta Paraense no I Festival de Belém do Cinema Brasileiro, Melhor Curta Paraense no I Festival de Belém do Cinema Brasileiro e Menção Honrosa no Festival de Cinema de Curitiba.

Cineclube fará parte de programação de promoção da saúde.
A programação acontece no Mansu Nangetu das 16 as 19h do dia 5 de abril faz parte da Semana em comemoração ao dia 7 de abril - o DIA MUNDIAL DA SAÚDE - e é promovida pelo Movimento Popular de Saúde – MOPS-PA, com a participação do LESBIPARÁ e Instituto Nangetu.
Neste dia os convidados poderão fazer coleta de glicemia e verificação de pressão arterial, e ainda participar de conversas sobre prevenção de doenças e promoção da saúde e, claro, com tudo isso vem também a promoção do bem estar psicológico e social.
Ao final haverá uma sessão do cineclube especialmente pensado para discutir violência, intolerância e promoção da cultura de paz

Saúde nos terreiros - Mansu Nangetu oferece serviços de saúde no dia 5 de abril de 2012


A programação acontece no Mansu Nangetu das 16 as 19h do dia 5 de abril faz parte da Semana em comemoração ao dia 7 de abril - o DIA MUNDIAL DA SAÚDE  - e é promovida pelo Movimento Popular de Saúde – MOPS-PA, com a participação do LESBIPARÁ e Instituto Nangetu.
Neste dia os convidados poderão fazer coleta de glicemia e verificação de pressão arterial, e ainda participar de conversas sobre prevenção de doenças e promoção da saúde e, claro, com tudo isso vem também a promoção do bem estar psicológico e social.
Ao final haverá uma sessão do cineclube especialmente  pensado para discutir violência, intolerância e promoção da cultura de paz.

sábado, 17 de março de 2012

Ultimos ajustes para o livro do projeto “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade".



A pesquisadora e professora da UFRRJ, Camila do Vale se reuniu com as lideranças de terreiros que coordenaram os trabalhos em cada uma das nações presentes na pesquisa de mapeamento de terreiros da zona metropolitana de Belém, e junto com outras lideranças que atenderam ao chamado para participar da verificação das informações que vão constar no livro resultante do projeto “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade".
Todos os presentes puderam contribuir para as correções que se fizeram necessáris, e em breve estaremos divulgando a data do lançamento da publicação que tem o financiamento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

domingo, 11 de março de 2012

Saúde nos terreiros no dia da mulher.

Allessandro Montte conduziu a conversa sobre a saúde.

A saúde foi um dos temas abordados no evento “Mulheres de Axé, respeito e amor”, promovido pelo Instituto Nangetu no sábado, dia 10 de marçlo, em celebração ao dia internacional da mulher. A conversa foi conduzida por Alessandro Montte, do Movimento Popular de Saúde – MOPS-PE, que começou fazendo uma enquete com os presente, ele perguntou “o que é saúde?”.... e ficou até engraçado como foram surgindo tantas definições diferentes para a palavra saúde.
Depois do alvoroço que as respostas que ali apareceram foram causando, ele explicou que a saúde não se resume ao controle ou à prevenção de doenças, e que essa idéia de polarizar saúde e doença termina por desviar a atenção da população para outros fatores que se relacionam com o bem estar psicológico e social de cada um de nós em suas singularidades.
Com uma conversa cativante, ele fez todos os que estavam ali perceberem que pra nós podemos alcançar o 'estado ideal de saúde' é preciso que se construa um ambiente favorável, com um lugar agradável pra viver, com relações sociais que respeitam as diversidades de raça, credo, religião e de gênero, e mostrou exemplos de ações sociais onde a coletividade se uniu para a resolução de problemas comuns.
Por fim falou da necessidade do controle social para o perfeito funcionamento do sistema de saúde pública e deu orientações de como as comunidades podem acessar programas e contribuir com melhorias no atendimento de serviços em saúde.



Projeto Azuelar/ ponto de Mídia Livre - Fotos e textos colborativos.
Equipe de cobertura - Táta Kinamboji, Táta Kitauanje e Táta Kamlelmba

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Saúde nos terreiros - informações sobre tuberculose

Marcando presença na campanha de combate a tuberculose do Ministério da Saúde, o Instituto Nangetu, em parceria com a coordenação do Programa de Controle da Tuberculose da Secretaria Estadual de Saúde Pública/SESPA, realizou uma roda de conversa para orientar a população para a prevenção e para a identificação dos sintomas da doença.
Para o enfermeiro Ivam Carlotinho Junior, é importante que a população conheça os sintomas para se fazer o diagnóstico ainda no início da doença - o que ajuda bastante no tratamento. Além do reconhecimento dos sintomas, os especialistas da SESMA ainda orientaram os presentes para os procedimentos corretos nos casos da confirmação da doença. Sonia Obadia, Coordenadora Estadual de Pneumologia da SESPA, informou que o Pará ocuopa o terceiro lugar em incidência de tuberculose entre os estados brasileiros com uma taxa de ocorrência de 47,8 para cada 100 mil habitantes.e que:"Esse valor nos coloca na classificação nacional como área endêmica, ou seja, temos casos de Tuberculose durante todo o ano e independente de qualquer fator externo", e que esse é o principal motivo do alerta da necessidade de controle da doença que foi lançado para a população.

Para mais informações ou para agendar rodas de conversas em sua comunidade, ligue:
(91) 4006 - 4299, ou mande email para comitetbpara@gmail.com

Filmes da campanha foram exibidos





Membros da comunidade do terreiro e da vizinhança participaram da conversa


Sônia Obadia falou sobre a tuberculose no Pará

Profissionais do Programa de Combate a Tuberculose responderam as perguntas dos presentes

Ivam Carlotinho Junior ensinou a identificar os sintomas

A comunidade estava atenta a cada detalhe das informações







Conheça mais sobre a tuberculose

Saiba quais são os principais sintomas da tuberculose e quais órgãos são mais acometidos.

Antes de falar nos sintomas da tuberculose, é preciso esclarecer alguns pontos a cerca da doença que são muito pouco divulgados pelos meios de comunicação.

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada de Mycobacterium tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch em homenagem a Robert Koch, médico alemão que identificou a bactéria.

A doença é muito famosa pelo seu acometimento pulmonar, mas poucos sabem que vários outros órgãos do corpo também podem ser infectados pela tuberculose, como pele, rins, linfonodos, ossos etc...



Desde o surgimento da pandemia de HIV/SIDA (AIDS) na década de 80 que a infecção por tuberculose voltou a ser uma grande preocupação. Pacientes imunossuprimidos são muito susceptíveis ao bacilo de Koch.

O Brasil é o 16º país com maior incidência de tuberculose no mundo, porém ao contrário do que muitas vezes é divulgado, esta incidência tem caído substancialmente nos últimos anos. Em 1999 a incidência era de 51 casos para cada 100.000 habitante. Em 2007 já havia caído para 38 por 100.000. Rio de Janeiro e Amazonas são os estados com o maior número de casos (incríveis 73 por 100.000). Portugal é um dos países da Europa com maior taxa, aproximadamente 32 casos por 100.000. Só como comparação, a Alemanha tem 6 casos por 100.000 habitantes.

Atualmente 1/3 da população mundial está infectado pelo bacilo de Koch. O fato é que apenas 10% das pessoas que entram em contato com a bactéria desenvolvem tuberculose.

Esta resistência se dá pelo nosso sistema imune que é bastante competente em impedir a progressão da tuberculose. O problema é que a bactéria muitas vezes não é completamente eliminada pelo sistema imune e fica adormecida no nosso organismo, sem causar sintomas, à espera de uma queda nas nossas defesas para voltar a se multiplicar. Por este motivo, a epidemia de SIDA (AIDS) trouxe de volta também a epidemia de tuberculose.

A população prisional é também uma das mais susceptíveis a infecção, devido a contínua exposição em ambientes fechados.

Outros grupos de risco incluem:

- Idosos
- Diabéticos
- População de rua
- Alcoólatras
- Renais crônicos
- Doentes com neoplasias ou sob quimioterapia
- Transplantados

Sintomas da tuberculose

A tuberculose pulmonar é a manifestação mais comum da doença. A transmissão é feita pelo ar, através de aerossóis expelidos pela tosse, espirro ou pela própria fala. Estima-se que uma pessoas infectada, se não tratada, pode contaminar outras 15 no espaço de um ano. De acordo com as estatísticas, destas quinze, apenas uma ou duas desenvolverão sintomas. Atenção: apenas os casos sintomáticos são capazes de transmitir a doença.

O quadro típico de tuberculose pulmonar é de febre com suores e calafrios noturnos, dor no peito, tosse com expectoração, por vezes com raias de sangue, perda de apetite, prostração e emagrecimento que chegam a 10 ou 15 kg em algumas semanas. (leia: POR QUE TEMOS FEBRE?)

Por ser também uma infecção pulmonar, o quadro pode lembrar o de uma pneumonia (leia: QUAIS SÃO OS SINTOMAS DE PNEUMONIA?). Porém, enquanto a pneumonia é uma doença mais aguda, que se desenvolve em horas/dias, a tuberculose é mais lenta, desenvolvendo-se em semanas. Alguns doentes só procuram atendimento médico 2 meses depois do início dos sintomas. Deve-se pensar sempre em tuberculose pulmonar naqueles pacientes com quadro de pneumonia arrastada que não melhoram com antibióticos comuns.

O diagnóstico da tuberculose pulmonar é feito através da história clínica, da radiografia de tórax e do exame de escarro (catarro), este último o exame que identifica a presença do bacilo de Koch.

Tuberculose pulmonar
RX tórax com tuberculose no ápice do pulmão direito.

Muitas vezes, associado a infecção pulmonar, existe acometimento também da pleura, uma membrana que reveste os nossos pulmões. A tuberculose pleural costuma se apresentar como derrame pleural, que é a presença de líquido/pus na cavidade entre a pleura e pulmão. Causa dor e dificuldade para respirar (leia: DERRAME PLEURAL - Tratamento, sintomas e causas).

A infecção pelo bacilo inicia-se pelos pulmões, mas pode se alastrar por todo o corpo. Nem todo mundo vai desenvolver a tuberculose ativa e alguns permanecerão com a bactéria adormecida no organismo, tendo tido ou não infecção pulmonar ativa. Essa bactéria pode ficar alojada durante anos em qualquer parte do corpo, como cérebro, meninge, rins, intestinos, coração, linfonodos, ossos etc.. apenas à espera de uma queda no sistema imune para voltar a multiplicar-se.

As infecções extra-pulmonares normalmente ocorrem anos depois da infecção pulmonar ou mesmo da contaminação assintomática. O quadro em geral é de febre persistente e emagrecimento importante sem identificação da causa.

Abaixo algumas fotos de tuberculose não pulmonar:

tuberculose do sistema nervoso central
tuberculose do sistema nervoso central

Tuberculose da coluna
Tuberculose da coluna

Tuberculose da pele
Tuberculose na pele

E como saber se você é portador assintomático da bactéria da tuberculose?

Existe um teste chamado de PPD ou teste da tuberculina que é feito através da inoculação subcutânea de proteínas do bacilo de Koch morto. Após 48-72h é feita a avaliação do grau de reação do corpo ao material inoculado. O teste de PPD só fica positivo após 12 semanas da exposição a pessoas infectadas.

PPD
PPDPPD


Em pessoas saudáveis, uma inflamação com o centro endurado maior que 15mm (1,5 cm) é considerado positivo.

Em diabéticos, renais crônicos ou em profissionais de saúde expostos frequentemente a pessoas infectadas, um resultado maior que 10mm (1 cm) também é considerado positivo. Em pessoas com SIDA (AIDS) ou outra causa de imunossupressão 5 mm (0,5cm) já é considerado positivo.

Doentes com o PPD positivo são candidatos ao tratamento contra tuberculose latente, objetivando impedir uma futura reativação do bacilo.

E como tratar os pacientes com tuberculose ativa?

Os doentes que apresentam sintomas de tuberculose são tratados com um esquema de 3 antibióticos por no mínimo 6 meses. O principal esquema é o chamado RIP - Rifampicina, Isoniazida e Pirazinamida. Esse coquetel é distribuído gratuitamente pelo governo brasileiro.

O tratamento das formas latentes descrito anteriormente é feito apenas com a Isoniazida, também por 6 meses.

O grande problema do controle da tuberculose é o abandono antes do final dos 6 meses. Como os sintomas melhoram em pouco tempo e os efeitos colaterais são comuns, muitos pacientes não completam o tempo total de tratamento, favorecendo o surgimento de cepas multi-resistentes do bacilo de Koch.

Os pacientes deixam de transmitir tuberculose após aproximadamente 15 dias de tratamento. Porém, podem voltar a ser bacilíferos (transmissores do bacilo) se não completarem o curso de 6 meses de antibióticos.

A tuberculose não tratada leva a sepse grave e morte ( leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO?)

Existe vacina contra tuberculose ?

Existe uma vacina chamada de BCG, que faz parte do calendário nacional. É administrada quando criança e serve para prevenir as formas mais graves da doença, como a tuberculose disseminada e a meningite tuberculosa. A vacina apesar de diminuir a incidência da tuberculose pulmonar, não a evita por completo. Como é feita a partir de bactérias vivas, não deve ser administrada em imunossuprimidos