O mês da consciência negra trouxe os estudantes da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará ao Mansu Nangetu, para uma roda de conversa com os guardiões das tradições Bantu deste terreiro amazônico.
Abrindo a roda de conversa, Mametu Nangetu parabenizou o NPi pelo interesse nas tradições afro-amazônicas e sugeriu que essas visitas acontecessem o ano inteiro e que os estudantes pudessem transitar nos territórios da diversidade de matrizes afro-amazônicas identificadas na 'Grande Belém'. Falou das pesquisas e publicações de cartografia das quais ela participou, e orientou os estudantes a buscarem também essas fontes de referência sobre os terreiros da zona metropolitana de Belém.
Depois a roda de conversa caminhou para o combate ao racismo, cidadania de povos de terreiros de matrizes africanas, direitos humanos e cidadania.
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sábado, 15 de novembro de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
DIREITOS TERRITORIAIS DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS NA AMAZÔNIA: CONTRA SENTIDOS DO DESMATAMENTO E A DEVASTAÇÃO.
Publicação original no site do PNCSA, ver aqui.
Relatório final do Seminário Parcial II
DIREITOS TERRITORIAIS DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS NA AMAZÔNIA: CONTRA SENTIDOS DO DESMATAMENTO E A DEVASTAÇÃO
O Projeto Mapeamento Social como instrumento de gestão territorial contra o desmatamento e a devastação: processos de capacitação de povos e comunidades tradicionais completou 30 meses de execução envolvendo pesquisadores e movimentos sociais nos nove Estados da Amazônia (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Tocantins, Pará, Rondônia e Roraima). De acordo, com o calendário do Projeto foi apresentado à Coordenação a proposta para realização do II Seminário Parcial em Belém, na Universidade Federal do Pará, Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, nos dias 29 e 30 de abril de 2014.
As atividades do Seminário foram desdobradas em seis Mesas e reunião de Grupos de Trabalho. A Mesa de Abertura foi composta pelo Diretor do NAEA, Durbens Martins de Nascimento, Mariana Coutinho, Daniel Sorino, ambos do BNDES agencia administradora do Fundo Amazônia, pela senhora Maria de Fatima de Jesus, presidente da ARQUIRMA, Curralinho, Arquipelago de Marajó, pelo senhor Francisco Parede Lima, da Associação dos Artesãos do rio Jauaperi e pelo professor Alfredo Wagner Berno de Almeida, coordenador do Projeto.
No discurso inicial o professor Durbens Nascimento destacou que o “NAEA, como instituição acadêmica só vai conseguir dar o salto a partir do pressuposto das limitações dos nossos instrumentos, de nossos conceitos e categorias para o entendimento de como funciona a realidade dos seus povos, de suas comunidades, das pessoas que vivem nas diversas regiões, do mundo e articular aqui com a nossa. Então, é a partir desse pressuposto, de que há uma habilitação nossa, de que há uma riqueza dessas práticas e esses conhecimentos, que o NAEA construiu também esse histórico. Então este Projeto da Cartografia Social é, ao meu ver, uma síntese disso tudo. Ele é ao mesmo tempo uma pesquisa de ponta, que congrega pesquisadores e precisa atender a determinados requisitos formais de nossas agências do governo da universidade e o MEC, mas ao mesmo tempo um Projeto que busca, através de metodologias, superar esses limites e encontrar em vários seguimentos sociais existentes a riqueza da produção do novo saber”.
Mariana Coutinho – engenheira e analista de Projetos do BNDES – referiu sua experiencia de conhecer a equipe do Projeto, que definiu como “diferente do nosso padrão” e classifico de ótimo o “resultado, ver funcionando, ver cada detalhe, ver o mapa, estudar o mapa, ver as pessoas, os professores, conhecer cada um, que a gente conhece de nome, nas planilhas”. Daniel Sorino, também do BNDES – ressaltou o Projeto como “oportunidade de ver a realidade tão crua” e acrescentou suas questões sobre “os desdobramentos das comunidades, o sistematizar de tanta informação, para o qual tem como um dos componentes – banco de dados, mapas, etc., de maneira a trabalhar para que essas informações possam ser compartilhadas”.
Maria de Fátima de Jesus agradeceu a presença de todos e afirmou um sentimento: “acho que todos nos fazemos parte do Projeto Nova Cartografia. Francisco Lima (Juaperi) situou sua experiência no PNCSA comentou que o Projeto trouxe coisas muito positivas para nós, porque antes desse Projeto, a gente não tinha onde recorrer para nossas demandas, nossas dificuldades. O Projeto trouxe essa possibilidade de ver uma transparência muito grande”.
Alfredo Wagner fez comentários sobre “as dificuldades que se intensificaram, desde que a violência contra os movimentos sociais ficou muito acentuada. Os indígenas Tenharim tem 5 presos; há professores perseguidos. Pensamos que a violência diminuiria e ao contrário aumentou. Há uma pressão muito grande contra os movimentos. Tem uma repressão contra os diretos territoriais. No campo muitas coisas começaram a alterar. Quer dizer, nós estamos sendo engolidos por uma onda de violência brutal que tem nos assustado”, esclareceu e acrescentou: “Nós não somos um projeto de militante, somos um projeto acadêmico. Mas, desde outro ponto, temos exemplos de conquistas grandes, como no Rio Cuieiras, conseguimos mostrar que havia erros no mapa oficial. Conseguimos um dado interessante. No caso do Sul do Amazonas, temos conseguido chamar atenção para umas questões que alertamos, como as hidrelétricas. Todo os núcleos da Amazônia, Acre, Rondônia, agora criaram uma Comissão de Estudo de Hidrelétricas. Quando chamamos de Projeto, é um reconhecimento técnico, mas não me alegra, me deixa muito triste, por que cada vez mais vemos situações muito graves de violência. Nos Mundurucu não conseguimos fazer a oficina ainda. Então temos lugares onde é muito difícil conseguir fazer a pesquisa. Este projeto, numa escala microscópica, tem uma certa tragédia, é importante que está registrado. Em Roraima, uma situação de eucaliptos, acácia. Então, nós sem querer, começamos de enfrentar o desastre ambiental, e nós não pesquisamos isso”.

Mesa de Abertura do Seminário Parcial, no dia 29 de abril de 2014. De derecha a esquerda:
Alfredo Wagner Berno de Almeida, Francisco Parede Lima (em pé), Durbens Martins de
Nascimento, Daniel Sorino, Mariana Coutinho, Maria de Fatima de Jesus e Rosa Acevedo.
Alfredo Wagner Berno de Almeida, Francisco Parede Lima (em pé), Durbens Martins de
Nascimento, Daniel Sorino, Mariana Coutinho, Maria de Fatima de Jesus e Rosa Acevedo.
A continuidade do evento foi marcado pela emocionane homenagem a Hõpryre Ronore Jopikti Payaré, Cacique do Povo Akkrikatejê que lutou desde finais da década de setenta contra a Eletronorte que responsavel pela construção da Hidreletrica de Tucurui impus aos indigenas, então conhecidos como Gaviões da Montanha a saida violenta de suas terras para instalar a Usina. Cacique Payaré conseguiu uma terra (TI Mãe Maria) para o seu povo. Hoje os Akrikatejê estão ameaçados pelo projeto da Hidreletrica de Marabá. A homenagem foi realizada por sua filha Kátia Silene e sua neta.
A programação com os títulos das Mesas encontra-se a seguir com diversas fotografias do desenvolvimento do Seminário Parcial
> Mesa I: Mobilizações e resistências de indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais contra o desmatamento e a devastação no Baixo Tapajós, no Pará e no Amapá.Coordenadora: Solange Gayoso
> Mesa II: Desenvolvimento autoritário, desmatamento e devastação. Sudeste do Pará: expropriados, remanejados pela Hidrelétrica de Tucurui. A lua dos Povos Indígenas. Acampamento João Canuto. Pescadores das Ilhas e do Pé da Barragem. Moradores da Cidade de Tucuruí e Marabá. Coordenadora: Jurandir
> Mesa III: Amazônia: entre práticas autoritárias, institucionalização da violência, desmatamento e devastação.
Expositores: Ednaldo Padilha, Kátia Silene Akrkatejê, Ivanildo Tenharin, Lucio Flavio Pinto, Alfredo Wagner Berno de Almeida, Terri do Vale Aquino.
Coordenação: Rosa Acevedo.
Expositores: Ednaldo Padilha, Kátia Silene Akrkatejê, Ivanildo Tenharin, Lucio Flavio Pinto, Alfredo Wagner Berno de Almeida, Terri do Vale Aquino.
Coordenação: Rosa Acevedo.
> Mesa IV: Desmatamento e violências. Estrategias de recuperação e proteçao das florestas de: Quebradeiras de Coco Babaçu, Extrativistas do Sudeste do Pará; Indigenas do Acre.
Cartografia social no Arquipelágo de Marajó, Ilhas de Abaetetuba, Sul do Amazonas, Baixada Maranhense e Região de Santa Inês.
Coordenadora: Mariana Pantoja
Cartografia social no Arquipelágo de Marajó, Ilhas de Abaetetuba, Sul do Amazonas, Baixada Maranhense e Região de Santa Inês.
Coordenadora: Mariana Pantoja
> Mesa V: Resistência contra os efeitos dos danos ambientais, devastações e desmatamentos. Atualizações das práticas de movimentos sociais na Região Metropolitana de Belém e Indigenas na Região Metropolitana de Manaus.
Coordenador: Glademir Sales
Reuniões de Grupo
Coordenador: Glademir Sales
Reuniões de Grupo
> Mesa VI: Síntese: Atos e sensos das práticas dos agentes sociais.
Coordenador: Antonio João Castrillon
Avaliação Final, Prestação de contas e Encerramento
Coordenador: Antonio João Castrillon
Avaliação Final, Prestação de contas e Encerramento

Mesa IV: Desmatamento e violências. Estrategias de recuperação e proteçao das florestas de: Quebradeiras de Coco Babaçu, Extrativistas do Sudeste do Pará; Indigenas do Acre.
Cartografia social no Arquipelágo de Marajó, Ilhas de Abaetetuba, Sul do Amazonas, Baixada Maranhense e Região de Santa Inês. Coordenadora: Mariana Pantoja
Cartografia social no Arquipelágo de Marajó, Ilhas de Abaetetuba, Sul do Amazonas, Baixada Maranhense e Região de Santa Inês. Coordenadora: Mariana Pantoja
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Fala das autoridades de terreiros de Belém no seminário do Projeto Cartografia Social da Amazônia. parte 2
Fala das autoridades de terreiros de Belém no seminário do Projeto Cartografia Social da Amazônia. webTV Azuelar,NAEA/ UFPA, 30 de abril de 2014
Fala das autoridades de terreiros de Belém no seminário do Projeto Cartografia Social da Amazônia. parte 1.
Fala das autoridades de terreiros de Belém no seminário do Projeto Cartografia Social da Amazônia. webTV Azuelar,NAEA/ UFPA, 30 de abril de 2014
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Resenha: FARFALHANDO A CARTOGRAFIA DA COR NEGREIRA.
FARFALHANDO
A CARTOGRAFIA DA COR NEGREIRA
Por Socorro Patelo
Resenha do livro Cartografia social dos afrorreligiosos em
Belém do Pará.
-->
VALLE,
Camila do (Org.) et all.
Ed: Rio de Janeiro, Belém: Casa 8, IPHAN, 2012. 190p .
De
início pensei em encontrar mapas, pensando em cartografia como arte
de compor mapas, no caso mapeamento social dos afrorreligiosos de
Belém. Mas me deparei com um quadro social descritivo das diversas
comunidades religiosas de origem africana, que, de uma forma anti
literária, traduzem suas experiências místicas e o conflito entre
o mundo de seus deuses e o mundo político dos brasileiros, onde
estão inseridos.
Reunidos
em terreiros – palavra portuguesa para área de terra – que em
yoruba é egbe;
ou casa (ilé,
ou ilé
axé,
casa de axé),
ou como dizem os pertencentes à nação Angola (manso,
Abassá, inso
ou cazuá
Ngunzo-Ngunzo);
ou o chamado barracão, onde eles colocam em xeque os discursos
historicamente estabelecidos como lógicos, que se pretende fixar e
explicar objetivamente.
Quando
os povos africanos vieram para o Brasil, a intenção é que
perdessem tudo: liberdade, família, língua, nação, tribo a que
pertenciam e tudo o mais que poderia identifica-los como pessoas. A
tragédia social que viveram teve a fé em suas divindades, como
único sustentáculo e força de preservação de humanidade e
valores civilizatórios. Foi a fé que manteve (e mantém) suas
identidades, ainda que, com o decorrer do tempo tenha havido
sincretismo, mudanças em suas práticas, através da mútua
influência das várias nações, dos vários dialetos que falavam,
assim como de outros povos oprimidos, como os povos indígenas.
A
desconstrução de suas identidades levou-os à construção de uma
identidade religiosa e cultural (africana) formada das diversas
nações (Umbanda, Mina Jeje Nagô, Angola, Keto Jeje Savatu e a
Pajelança). Eles se reconstroem nos terreiros, dando significados às
suas próprias vidas, na cena de seus signos sagrados, sua música e
sua dança (uma espécie de dança de roda de Angola, que em banto
era semba,
ou samba,
na língua quicongo e na língua umbundu, significava
"agitado"),assim como em seus adereços (colares,
pulseiras, tiaras etc.).
Em
cada detalhe, esses povos também se reconstroem em uma África
brasileira e amazônida. A terra de origem tem o caráter mágico no
papel de um elemento crítico e valorativo. O mágico é a dimensão
da origem. Eles são africanos, ainda que tanto tempo tenha se
passado. Sua origem não foi perdida com a tentativa de desconstrução
social. No interior dos terreiros, eles detêm um conhecimento que
não lhes pertencem e que é passado às gerações posteriores
através da oralidade e da memória. É Ifá
(o
oráculo) quem profetiza e dá as orientações e desejos dos orixás
(entre os Yorubas) ou Jinkisis
(entre
os de Angola), pois tudo tem um segredo divino. “Tudo
tem fundamento e tudo tem um tempo.”
Nada há de natural na natureza. Ela é ao mesmo tempo cultural,
natural e divina.
Mas
para a socierdade brasileira o caráter de suas comunidades foi
lapidado nos preconceitos, na intolerância social, na repressão, na
incompreensão e nas violências que sofreram e que ainda hoje sofrem
como demonstram seus depoimentos. Ainda assim, preservam suas
tradições. Mesmo que a complexidade de suas relações e diferenças
ritualísticas manifestados nas várias nações e segmentos, eles se
adequam às circunstâncias políticosociais, buscando cidadania,
liberdade de expressão, liberdade religiosa, o direito de oferecer
suas oferendas aos seus orixás, de confortar doentes em hospitais,
de cultuar os ancestrais nos cemitérios.
O
mapeamento tem por base a visualização dessas diversas nações e
seu fortalecimento como religião, buscando minimizar os
distanciamentos que impedem a aceitação de culturas diferentes,
combatendo a discriminação religiosa, melhorando a relação entre
suas próprias comunidades e ainda, buscando interação com
população. Na visibilidade social e política, eles tem procurado
sair do anonimato a que foram relegados para mostrar que, como toda
religião verdadeira, também buscam a paz, a harmonia social,
promovem trabalhos sociais, inclusive filantrópicos e merecem o
respeito dos demais.
Os
depoimentos contidos no livro são importantes como objeto de
estudos, seja na área de direitos humanos, posto que seus
personagens clamem serem justiçados e verdadeiramente legalizados;
seja na área da política democrática, sinônimo de igualdade; seja
nas dimensões culturais da antropologia, pesquisando-se a relação
identidade e alteridade; seja porque contém rico material para o
campo de pesquisa da psicologia social e os fenômenos de grupos –
algozes e/ou vítimas – de racismo, fanatismo, linchamentos,
perseguições, etc., podendo abranger estudos da sociologia, da
ciência política, da pedagogia (vide Paulo Freire, Pedagogia
do Oprimido)
e da filosofia, que reflete sobre toda atividade humana, na busca de
seu significado.
O
grupo de afrorreligiosos é como “Macunaíma”
de Mário de Andrade, que nasceu “preto
retinto e filho do medo e da noite”.
Na atualidade, o medo que os acuava está se expondo à sociedade,
para que esta possa conhecer a riqueza desse grupo que manifesta sua
visibilidade. Para compreendê-los é preciso imergir em sua cultura,
desfazendo o ofuscamento social secular.
Com
essa cartografia, eles esperam que Marx tenha razão, e que “tudo
que é sólido se desmanche no ar”,
fazendo ruir o sólido império do preconceito e da discriminação
que os situa na exclusão social prejudicial aos seus direitos
humanos mais fundamentais de igualdade e de liberdade.
Profa.
de Filosofia aposentada/
UFPA
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Sem Censura Pará entrevita Mametu Nangetu sobre a cartografia social dos Afro-religiosos..
Será nesta quarta-feira, dia 28 de novembro, e terá como pauta o (Re) Lançamento do Livro Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - Religiões Afro Brasileiras e Ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade.
O Sem Censura Pará tem veiculação de segunda à sexta, das 14h30 às 16h. Melhores momentos aos sábados, ao meio-dia pela TV Cultura, canal 2 em Belém-PA, e pelos canais retransmissores nas cidades do Interior do Estado do Pará.
Link parfa acompanhar a entrevista aos vivos. http://www.webtv.pa.gov.br/ funtelpa_aovivo/tv.html
Para enviar perguntas e comentários pelo twitter: @semcensurapa
“A proposta do projeto é a visibilidade para as comunidades tradicionais, então a gente vem desde maio [de 2010] nesse projeto: mapeando, buscando visibilizar nossa cultura tradicional.” - Mametu Nangetu apresentando o capítulo da Nação Angola.
Mametu coordenou a pesquisa da Nação Angola e vai falar dese processo cartográfico pelo olhar das lideranças de terreiro, nas palavras dela. “as pessoas que vem no terreiro estão acostumados com imagem como eles vêem na Umbanda e na Mina, e quando ele vem aqui e vê uma estátua mas que é de louvor a Oxum e não tem nada haver com o que ele conhece, ele estranha. Mas o povo ele é muito sincrético e ele gosta de ver um caboco, um santo Antônio, e acho que é por isso que as imagens estão nas casas dos terreiros,(...). Os terreiros não sobrevivem sem os clientes, e nem sem os filhos da casa, então tem que ter um chamamento, uma atração, e como atrair essas pessoas para dentro de um terreiro?! Uma casa de culto Angola é isso aqui: tem os tambores e tem os Ngunzos, né?! Tem os nossos Ngunzos-Ngunzos! O que é os nossos fundamentos? A nossa segurança é isso! E nas outras casas de nação isso não tem, não tem Ntoto e nem Cumeeira, que são o nosso Ngunzo. É isso, é a natureza e é por isso que nós não cultuamos nada de gesso, no nosso Ngunzo ou é pedra, ou é ferro, ou é do mar, ou é da terra. A nossa força está na natureza, entendeu?!”
E é esse conhecimento sobre a diversidade de práticas religiosas dos terreiros afro-amazônicos que o livro começa a desvelar...
O Sem Censura Pará tem veiculação de segunda à sexta, das 14h30 às 16h. Melhores momentos aos sábados, ao meio-dia pela TV Cultura, canal 2 em Belém-PA, e pelos canais retransmissores nas cidades do Interior do Estado do Pará.
Link parfa acompanhar a entrevista aos vivos. http://www.webtv.pa.gov.br/
Para enviar perguntas e comentários pelo twitter: @semcensurapa
“A proposta do projeto é a visibilidade para as comunidades tradicionais, então a gente vem desde maio [de 2010] nesse projeto: mapeando, buscando visibilizar nossa cultura tradicional.” - Mametu Nangetu apresentando o capítulo da Nação Angola.
| Mametu Nangetu em roda de conversas com lideranças da Nação Angola da zona metropolitana de Belém. |
Mametu coordenou a pesquisa da Nação Angola e vai falar dese processo cartográfico pelo olhar das lideranças de terreiro, nas palavras dela. “as pessoas que vem no terreiro estão acostumados com imagem como eles vêem na Umbanda e na Mina, e quando ele vem aqui e vê uma estátua mas que é de louvor a Oxum e não tem nada haver com o que ele conhece, ele estranha. Mas o povo ele é muito sincrético e ele gosta de ver um caboco, um santo Antônio, e acho que é por isso que as imagens estão nas casas dos terreiros,(...). Os terreiros não sobrevivem sem os clientes, e nem sem os filhos da casa, então tem que ter um chamamento, uma atração, e como atrair essas pessoas para dentro de um terreiro?! Uma casa de culto Angola é isso aqui: tem os tambores e tem os Ngunzos, né?! Tem os nossos Ngunzos-Ngunzos! O que é os nossos fundamentos? A nossa segurança é isso! E nas outras casas de nação isso não tem, não tem Ntoto e nem Cumeeira, que são o nosso Ngunzo. É isso, é a natureza e é por isso que nós não cultuamos nada de gesso, no nosso Ngunzo ou é pedra, ou é ferro, ou é do mar, ou é da terra. A nossa força está na natureza, entendeu?!”
E é esse conhecimento sobre a diversidade de práticas religiosas dos terreiros afro-amazônicos que o livro começa a desvelar...
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