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domingo, 29 de abril de 2012

Rede de cineclubes de terreiros de Belém participa da celebração pelos 35 anos da SDDH.


Táta Kinamboji (Cineclube Nangetu e coordenador do GT de Comunidades Tradicionais da PARACINE) esteve na Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos/ SDDH para acertar os detalhes da participação da Rede de Cineclubes em Terreiros da Zona Metropolitana de Belém nas celebrações pelos 35 anos de existência da SDDH.
A reunião contou com a participação dos coordenadores do Cineclube Café com Direitos Humanos, Coordenadores  do MST e do GT de Comunidades de Terreiros da PARACINE.
A rede vai participar de duas sessões do Cineclube Café com Direitos Humanos, ambas com filmes do diretor Luís Carlos de Alencar que virá em Belém particiar dos debates sobre os filmes.
As sessões acontecerão às 18h dos dias 25 e 26 de maio, sexta-feira e sábado, respectivamente no assentamento Mártires de Abril, na ilha do Mosqueiro - com o filme Fragmentos de Mindelo (Cabo Verde, Duração : 75 min. Projeto dos alunos finalistas do Curso da Especialização em Cinema do M_EIA - 2011); e no Cineclube da ARCAXA - Associação Abassá Afro-brasilerio Lekô Xapanã (Terreiro do Pai Orlando Bassu) com o filme Bombadeiras (Brasil, Duração 75 min. Brasil, 2007)
O diretor Luis Carlos de Alencar virá à Belém debater os seus filmes.
A proposta para os terreiros é colocar em discussão a questão da transexualidade e o como os sacerdotes das religioões afro-amazônicas tem se comportado diante da presença de transexuais nas comunidades e a sua legitimidade nos rituais das religiões afro-amazônicas.
Para os coordenadores do GT de Comunidades Tradicionais de Terreiros da PARACINE, o filme Bombadeiras é importante para os terreiros porque traz o depoimento de várias transexuais e de bombadeiras que são sacertodes/sacerdotizas de religiões afro-brasileiras, e eles acreditam que o filme pode fomentar o debate sobre o paradoxo entre o reconhecimento dos diretos civis de escolha de gênero, com os principios das crenças dos afro-religiosos no poder mítico relacionado ao corpo feminino. Mas trazer esse debate à tona pelas próprias transexuais de terreiros.

Cenas do documentário Bombadeira.

Sinopse: Bombadeiras, assim são chamadas as travestis que transformam o corpo de suas clientes com aplicações clandestinas de silicone (geralmente silicone industrial,não permitido para uso em seres humanos). Este universo simbólico de morte e renascimento, em que um ciclo de vida se encerra para permitir a iniciação de outro, é desvendado pelo diretor Luis Carlos de Alencar em seu documentário BOMBADEIRA, registrando o mito das "fadas madrinhas" no imaginário da travesti, e sua importância na construção de uma identidade de gênero.

A Rede de Cineclubes em Terreiros da Zona Metropolitana de Belém é uma articulação criada por poroposição do GT de Comunidades Tradicionais de Terreiros da Federação Paraense de Cineclubes - PARACINE, em parceria com a Diretoria Regional Norte do Conselho Nancional de Cineclubes - CNC e apoio da rede [aparelho]-:.
Fazem parte da Rede: Cineclube Nangetu, Cineclube ti Bamburucema, Cineclube ACIYOMI, Cineclube ACAOÃ, Cineclube Maristrela (AFAIA), Cineclube Estrela Guia Aldeia de Tupynambá, Cineclube do Turco Jaguarema, Cineclube da ARCAXA, Cineclube da Irmandade de São Benedito, FEUCABEP, Cineclube do Turco Ricardinho. 


sábado, 17 de março de 2012

Caminhada marcou a celebração pelo dia internacional da mulher.

Mametu Nangetu na caminhada das mulheres.

No domingo dia 11 de março, o Conselho Estadual de Proteção de Direitos da Mulherpromoveu uma caminhada em celebração à passagem do Dia Internacional da Mulher
Com o tema "Mulheres do Pará, lutas, conquistas e desafios", a caminhada reuniu diversas organizações dos movimentos sociais que lutam pelas causas feministas e pelas causas do feminino.
Mametu Nangetu e Mametu Deumbanda representaram as mulheres de terreiros nesta caminhada que também teve a participação maciça dos membros do Mansu.


por Táta Kamelemba, Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu - Ponto de Mídia Livre.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CONTRA A VIOLÊNCIA E PELOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES: A RESPONSABILIDADE DO ESTADO E DE TODA A SOCIEDADE TAMBÉM É EXTRAMUROS!

CONTRA A VIOLÊNCIA E PELOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES: A RESPONSABILIDADE DO ESTADO E DE TODA A SOCIEDADE TAMBÉM É EXTRAMUROS!

Nós, do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense, da Articulação de Mulheres Brasileira- AMB, Sociedade Paraense de Direitos Humanos- SDDH, MAMA, Rede Feminista de Saúde – Rede Saúde, União Brasileira de Mulheres UBM, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente CEDECA/EMAÚS, e, outros parceiro@s da luta CONTRA A VIOLÊNCIA E PELOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES que também assinam essa nota, compreendemos que a sociedade civil organizada tem o direito e a competência de, debater, propor e formular políticas que contribuam com os gestores na concretização de um novo modelo de Segurança Pública inclusiva para o Pará. E que também é nossa tarefa cotidiana o acompanhamento das situações de violação dos direitos das mulheres e meninas no nosso Estado.
Por isso, as instituições aqui representadas vêm a público externar seu repúdio diante da denúncia de violação de Direitos Humanos, estupro e exploração sexual vivenciada pelas adolescentes, dentro de instituição estatal de recolhimento de presos, a Colônia Agrícola Heleno Fragoso, em Americano/PA.
O Brasil assumiu as decisões das Conferências Internacionais da ONU, realizadas na década de 90, de fundamental importância para os direitos humanos das mulheres. Em especial, a Conferência Mundial dos Direitos Humanos de Viena (1993), a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento do Cairo (1994) e a Conferência Mundial sobre a Mulher - Beijing (1995), que especificaram os direitos de igualdade de gênero.
Foi em Viena que, pela primeira vez, se reconheceu expressamente que os direitos humanos das mulheres e meninas são parte integrante, indivisível e inalienável dos direitos humanos universais e que a violência de gênero é incompatível com a dignidade e o valor da pessoa humana.
Outros dois importantes tratados internacionais, que relacionam os temas de discriminação e violência contra as mulheres, num contexto de proteção especial são: a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW, ONU, 1979), ratificada pelo Brasil em 1.º de fevereiro de 1984, que garante a defesa em âmbito mundial; e a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará, OEA, 1994), ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995, que define os parâmetros nacionais para o problema.
Não se analisa, nem se dá solução aos contextos de violência urbana - violência estrutural pela precariedade das condições de vida, insuficiência de equipamentos e serviços públicos, interdições ao direito de ir e vir das mulheres no espaço da cidade, à presença da violência ligada ao tráfico e à violência policial nas cidades do Pará especialmente em Belém.
Assim, assistimos a violência relacionada ao tráfico de seres humanos, à exploração sexual de mulheres e meninas, cujo Brasil ocupa rankings vergonhosos; sobretudo a região Norte e Estado do Pará em particular, que convivem com a impunidade de políticos, juízes, milícias, e policiais envolvidos.
Entendemos que são graves e chocantes as denúncias do Conselho Tutelar de Belém, sobretudo em virtude de que o fato teria acontecido dentro de uma instituição pública e de responsabilidade do Estado. No entanto, não podemos deixar de nos posicionar quanto a uma questão que não se encerra no fato de que o crime teria acontecido porque não havia, na colônia agrícola, um muro de contenção para a entrada de pessoas; muito menos no fato de que a situação estaria resolvida apenas com a responsabilização (que é necessária) dos agentes e pessoas envolvidas.
Queremos dizer com isso, que infelizmente para além dos muros, ou da construção de um muro, o problema centra-se na violência sendo utilizada como instrumento de dominação dos homens sobre as mulheres - presente em nossas vidas; como realidade ou como ameaça e possibilidade constante através de humilhações, xingamentos, piadas agressivas, utilizando o medo, o constrangimento, agressão verbal, física e sexual, sempre que lhes parece necessário individualmente ou como grupo.
Queremos chamar atenção aqui para a responsabilidade e o compromisso político e social por parte do Estado do Pará em efetivar políticas públicas para as mulheres para erradicar todas as formas de violência, pois os últimos fatos envolvendo estas meninas estupradas dentro da Colônia Agrícola Heleno Fragoso vai contra todos os direitos humanos preconizados nas convenções internacionais acima referidas, em relação à violência contra as meninas e mulheres.
No caso dessas meninas que sofreram estupro em um espaço prisional do Pará nos perguntamos onde estavam os agentes de segurança púbica que deveriam estar monitorando e exercendo a função para a qual são pagos pelo Estado. Também indagarmos sob a função e monitoramento dos espaços prisionais e administração do setor de segurança do Pará, também nos perguntamos sob o abandono de finalidade da colônia agrícola. O fato é estarrecedor, pois a ação divulgada pelos meios de comunicação vai além da violação de direitos das adolescentes.
Mais lamentável ainda é sabermos que fatos da gravidade do acontecido, ocorrem corriqueiramente nas casas prisionais e fora delas – o que não exclui a responsabilidade do Estado. Alguns casos chegam ao conhecimento público, mas a maioria continua sob uma cortina de invisibilidade de sistemas de privilégios que são utilizados, sob as vistas do sistema de segurança pública.
A sociedade precisa acercar-se desta realidade, as organizações sociais devem também posicionar-se para não aceitarmos mais que “as rigorosas providências” aconteçam apenas quando acontece um fato dessa natureza. Até agora apenas a menor T foi ouvida pelos órgãos competentes, mas nos perguntamos de que maneira vem se dando esse processo de inquirição? Onde estão as outras meninas? Perguntamos e exigimos providência pela segurança dessas meninas, haja vista que crimes como esses envolvem diversos tipos criminosos e também possíveis responsabilizações de autoridades.
Essa barbárie torna a vida e segurança de meninas e mulheres em nosso estado uma precariedade e vulnerabilidade constantes como conseqüência da omissão do Estado.
A dignidade com suas características de inalienabilidade, imprescritibilidade e irrevogabilidade, exige, na perspectiva dos direitos humanos, eficácia imediata. Desta forma, o fato de alguém, em virtude da necessidade (qualquer que seja ela), dispor de sua dignidade não dá a ninguém o direito de viola-la ou aliená-la!
A violência contra a mulher enquadrada nesse fato que tomou as páginas dos jornais paraenses e nacionais, nos dois últimos dias, constitui-se na ponta do “iceberg” que é a omissão governamental em relação à violação dos direitos humanos que se agrava com a ausência de uma política eficaz de segurança pública.
Por isso, a perspectiva extra-muros não pode deixar de ser colocada como reflexão - construir o muro não resolve o problema – sobretudo porque o enfrentamento da violência e exploração sexual de crianças e adolescentes, não tem sido tratado pelo Estado Brasileiro, e, especialmente pelo Estado do Pará como Política Pública de Direitos Humanos prioritária.
Esse caso não só revela as múltiplas dimensões de violência de gênero, geracional, exclusão e negligência vivenciadas por milhares de adolescentes e crianças no Brasil - que já trazem em sua história de vida sucessivas negações e violações de direitos - como também revelam uma sociedade permissiva, omissa e reprodutora dessa violência.
A violência contra as mulheres deve ser compreendida em vários contextos, para além da esfera doméstica e familiar. No entanto ainda é comum os  discursos e as práticas que justificam de várias formas a violência, muitas vezes responsabilizando as vítimas pela violência que sofrem. Prática essa comum nas instituições de segurança pública, como a polícia.
A exposição, a culpabilização da vítima, e a revitimização, tem sido a tônica dada para esse e outros casos semelhantes, exemplos inequívocos da forma como a sociedade e o estado demonstram o despreparo no enfrentamento da questão. As vítimas passam a ter sua imagem explorada pela mídia sensacionalista e extremamente lucrativa, são alvos de um juízo de valor sexista e permissivo, e álibi para brigas partidárias dentro do Estado.
Questiona-se em que momento se prioriza atenção integral às vítimas de violência? Que sentimento de segurança tudo isso traz? Neste momento, se desfaz a ilusão construída nos “muros que protegem” e “nos muros que separam”. Não são muros que definem uma situação de violência; mas antes são as pessoas e o contexto.
O Estado do Pará parece estar virando uma “terra sem lei e sem direitos”. Afinal qual a providência tomada pelo governo em relação à violência praticada contra uma mulher com sofrimento psíquico que foi agredida no mercado ver- o- peso no dia 07 de setembro? Qual a providencia em relação às 06 mulheres que estão na cela de uma Delegacia em Altamira? Quais as providências que o governo está tomando em relação aos inúmeros assassinatos de trabalhadores rurais, que já são inúmeros só no primeiro semestre deste ano? Qual a ação efetiva de consolidar as retaguardas necessárias para prevenir, coibir e responsabilizar essas inúmeras ações de violência no Estado? Quais as providencias tomadas para o alto índice de assassinatos de mulheres no estado do Pará?
O que o Governo estadual e o Judiciário tem feito em relação ao desmonte, desqualificação da Promotoria de Violência contra a Mulher, Vara da Violência contra a mulher, conquistas no enfrentamento da violência contra a mulher?
Queremos que as políticas públicas do qual o governo é responsável por efetivar funcionem. Os centros Maria do Pará; os abrigos para mulheres; as delegacias de atendimento às mulheres; a disponibilização dos recursos humanos e materiais para a atenção às meninas e mulheres em situação de violência; a  punição dos agressores; as residências terapêuticas são apenas alguns dos dispositivos que têm que ser fortalecidos e efetivados para que os DIREITOS HUMANOS DE MENINAS E MULHERES seja um fato e ação real do Estado e não um factóide - não aceitamos que mais uma vez se coloque a “responsabilidade” dos fatos ocorridos em cima das vítimas!

PELA VIDA E DIREITOS DAS MULHERES...

Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense- FMAP, Articulação de Mulheres Brasileiras- AMB /PA, Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH, Grupo de Mulheres Brasileiras – GMB, Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos – Regional Pará, União Brasileira de Mulheres - UBM, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente - CEDECA/EMAÚS, Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará – GEMPAC, FASE- AMAZÔNIA, CEDENPA, Fórum Metropolitano de Reforma Urbana, RECID, Grupo de Mulheres do Tapanã, MAMEP, União Brasileira de Mulheres- UBM, GEPEM/UFPA - Observatório Regional Norte - Lei Maria da Penha, Maria Luzia Álvares- Professora UFPA, Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa, MOCAMBO, Associação AFRO-Religiosa e Cultural “ILÊ IYABA OMI” - ACIYOMI, Movimento de Luta Antimanicomial – MLA, UNIPOP, FASE/AMAZÔNIA, APAAC/PARÁ

quinta-feira, 21 de julho de 2011

E tu, vais fazer o que? 25 de julho - Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.

Cineclube e Roda de conversa para comemorar o 25 de julho - Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha no estado do Pará.
Participação de lideranças fenininas de terreiro na II CONEPIR, 2009.



Programação - E tu, vais fazer o que?
Acolhimento afetuoso para nós, mulheres negras. Responsável - GRENI.
Saudação de abertura. Responsável - ACIYOMI.
Cineclube - Responsável - Instituto Nangetu e Rede de Cineclubes em Terreiros.
Cena do filme "Carolina"


Filme: Carolina, de Jeferson De. Brasil, 2003. 15 min.
Classificação: Livre
Documentário com Zezé Motta e Gabrielly de Abreu. Sinopse: Brasil. Final dos anos 50. Carolina de Jesus escreve seu diário. Dentro de seu barraco ela denuncia a fome, o preconceito e a miséria. Publicada, torna-se um sucesso editorial, sendo editada em 13 línguas. Apesar do reconhecimento imediato e explosivo, a “exótica” mulher negra e ex-favelada falece pobre. Passadas algumas décadas, as palavras de Carolina continuam a ser uma denúncia contra a miséria em que se encontram milhões de mulheres negras.
Roda de Conversa - Provacadoras: Grupo de Mulheres Felipa Aranha.
Carta de Incidência Política (construída de forma coletiva) - Responsável: CEDENPA.


Data: 25 dejulho de 2011.
Horário: das 15̣:30h as 18h
Local: IAP - Pça Justo Chermont ao lado da Basílica de Nazaré.

O Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha foi criado em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana. Estipulou-se que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. Desde então, sociedade civil e governo têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data, tendo em conta a condição de opressão de gênero e racial/étnica em que vivem estas mulheres, explícita em muitas situações cotidianas.
O objetivo da comemoração de 25 de julho é ampliar e fortalecer às organizações de mulheres negras do estado do Pará, construir estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais. É um dia para ampliar parcerias, dar visibilidade à luta, às ações, promoção, valorização e debate sobre a identidade da mulher negra brasileira.

...temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades". Boaventura de Souza Santos.


Realização: ACIYOMI, GRENI, Instituto Nangetu, Grupo de Mulheres Felipa Aranha, CEDENPA, IMUNE, Rede Fulanas, AMNB, FMAP/ AMB, NÓS MULHERES, CMNN (Belém), e quem mais chegar.
Apoio: Rede de Cineclubes em Terreiros da Zona Metropolitana de Belém. A Rede de Cineclubes em Terreiros da Zona Metropolitana de Belém é uma articulação criada por poroposição do GT de Comunidades Tradicionais de Terreiros da Federação Paraense de Cineclubes - PARACINE, em parceria com a Diretoria Regional Norte do Conselho Nancional de Cineclubes - CNC. Fazem parte da Rede: Cineclube Nangetu, Cineclube ti Bamburucema, Cineclube ACIYOMI, Cineclube ACAOÃ, Cineclube Maristrela (AFAIA), Cineclube Estrela Guia Aldeia de Tupynambá, Cineclube do Turco Jaguarema, Cineclube da ARCAXA.

domingo, 12 de junho de 2011

Mulheres de terreiros se reúnem em encontro estadual.

O Fórum Paraense de Umbandistas e Afro-religiosos - FORUMPUAR, realizou o I Encontro Estadual de Mulheres de Axé (PA), que reuniu as lideranças femininas de comunidades tradicionais de terreiros para propor questões a serem levadas para o II Encontro Nacional de Mulheres de Axé que vai acontecer ainda no mês de junho na cidade de João Pessoa-PB. Além de promover a mobilização das mulheres de terreiros para as conferências que em breve serão convocadas, como a conferência de políticas para as mulheeres, a conferência de saúde, a conferência de segurança pública, dentre outras.
A reunião proporcionou dois momentos que foram considerados de muita importância. O primeiro foi o relato das práticas sociais desenvolvidas nos terreiros liderados por mulheres, quando foi possível avaliar os impactos de cada atividade para a formação e afirmação cidadã das comunidades de terreiros, para a melhoria das condições de vida de cada comunidade e para a visibilidade social das comunidades de terreiros. Esse foi o momento de cada liderança presnete fazer o relato de sua experiência e de avaliar as atividades.
O outro momento foi também um relato de experiência, pois, mais do que uma palestra, o que se ouviu da profa. Anaísa Vergolino-Henry foi um relato de sua vivência na pesquisa universitária desenvolvida desde a década de 1960 em comunidades de terreiros de Belém.
Anaísa mostrou imagens de Belém daquela época e contextualizou a cidade e as relações sociais que legitimavam essas comunidades mesmo em períodos de repressão policial e proibição de cultos religiosos em terreiros.
Falou da importância da manifestacão pública de intelectuais que em 1938 pediam ao poder público a liberdade aos cultos em terreiros, disse ser uma vasta lista de poetas, artistas, professores que incluia nomes como Dalcídio Jurandir e Bruno de Menezes, que defendiam as religiões afro-amazônicas como celeiro das manifestações artísticas e culturais, inclusive aquelas que eram divulgadas como identidade paraense.
Mas o ápice da sua explanação foi quando Anaísa lembrou o trabalho das lideranças femininas de comunidades de terreiro, enaltecendo tanto o aspecto da manutenção dos preceitos que garantem a existência das práticas religiosas, quanto a rede social que legitima a diversidade de terreiros de religiões afro-amazônicas.
Os poucos homens que também participaram do encontro saíram falando na necessidade de se fazer discussões de gênero masculino também, levantando questões como a necessidade de acompanhamento de saúde, trabalho e renda, juventude, lazer, segurança pública e outros temas que, em conversas informais, foram surgindo como necessários para uma discussão mais ampliada.
A reunião terminou com a sistematização de propostas para o encontro nacional, para o qual as organizações locais estão tentando enviar duas representantes paraenses, e com a formalização de uma organização de rede de mulheres de terreiros - uma espécie de conselho estadual de mulheres de Axé - que tem a função de manter o estado de mobilização social para a discussão das questões de gênero entre as populaçnoes de terreiro.























Fotos e texto: Arthur Leandro/ Táta Kinamboji - Instituto Nangetu - Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre 2009.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

27 de maio - Sessão Mulheres, artistas e brasileiras no Cinceclube Nangetu.

O Mansu Nangetu faz uma programação especial de curtas e média metragem para mulheres, artistas e guerreiras, Pagu, Leila Diniz e Maria Gladys: três musas que, para além do talento, assumiram atitudes controversas que escandalizaram a sociedade conservadora de suas épocas. Nos três filmes que integram esta sessão está ausente a estrutura narrativa e burocrática que se espera de biografias. As vidas dessas mulheres são narradas da forma como imaginamos suas personalidades – com inquietude, desafio, ambição e inconformismo. Todas elas assumiram posicionamentos políticos e sociais muito claros, geralmente contra os preconceitos de uma sociedade machista, autoritária e violenta. Dois dos curtas-metragens homenageiam mulheres de um passado recente que convém não ser esquecido: Eh Pagu, Eh!, de Ivo Branco, e Leila para sempre Diniz, de Mariza Leão e Sérgio Rezende. O belo média-metragem Vida, de Paula Gaitán, faz uma homenagem em vida a Maria Gladys que, com a participação da própria atriz, constrói uma biografia intima e repleta de confissões poéticas.


* Eh Pagu, eh!  - de Ivo Branco, 1982
“Eh Pagu, Eh!”, é uma viagem /trajetória da vida-obra de Patrícia Galvão, Pagu. Mulher de Oswald de Andrade, participa com ele do Movimento Antropofágico. Milita nos quadros do Partido Comunista e escreve, “Parque Industrial”, o primeiro romance proletário da literatura brasileira. Sua militancia no PCB lhe valeu quase cinco anos de prisão nos porões da ditadura Vargas. Junta-se aos dissidentes trotskistas, sendo expulsa do PC. Libertada, volta-se às suas atividades de jornalista. Funda com Geraldo Ferraz e Mário Pedrosa o jornal “Vanguarda Socialista”. Em 1950 candidata-se a deputada federal pelo Partido Socialista Brasileiro. Desiludida, afasta-se da política e passa a dedicar-se ao trabalho teatral, em Santos, até sua morte, em 1962.


* Leila para sempre Diniz - Mariza Leão e Sérgio Rezende, 1976
"Leila para sempre Diniz"  - Evocação de Leila Diniz através de trechos de filmes de que participou como atriz profissional, depoimentos de amigos e de um filme 'Super 8' que eles realizaram sobre ela, revelando flagrantes de sua intimidade. Leila, que teve sua carreira tragicamente interrompida por um desastre de avião, exerceu grande influência nas gerações dos anos 60 e 70, por sua espontaneidade, irreverência e inquietação criativa... É a reconstituição da vida e da carreira da atriz, com trechos dos filmes 'TODA AS MULHERES DO MUNDO', 'EDU, CORAÇÃO DE OURO', 'O DONZELO' e 'AMOR, CARNAVAL E SONHO' e depoimento de familiares e artistas".


* Vida - Paula Gaitán, RJ, 2008
"Vida" é um filme sobre a atriz brasileira Maria Gladys. Vida é luz e sombra. Vida é um filme de celebração, uma homenagem à potência de estar viva, uma reflexão do que é ser uma atriz brasileira e a possibilidade de se doar com paixão e criatividade. A construção da ação poética do ator como um grito de liberdade que ilumina. “Sinto já coragem, sangue e seiva / Para vida nova, novo jogo...” (Friedrich Nietzsche).

Cineclube Nangetu, coordenação: Kota Mazakalanje.
Tv. Pirajá, 1194 – Marco da légua, Belém/PA. 91- 32267599.
Início de cada sessão- 19h. Ao final haverá roda de conversa com a comunidade do Mansu Nangetu.
O Cineclube Nangetu é premiado no Edital Cine Pará Mais Cultura, e conta com a parceria do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Pará, Secretaria de Estado da Cultura, rede [aparelho]-: e Idade Mídia.
O Instituto Nangetu é Ponto de Mídia Livre/ 2009.