quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sessão solene na ALEPA para entrega da Comenda "Mãe Doca" de Mérito Afro-religioso.

Oito lideranças de Comunidades Tradicionais de Terreiros e a persquisadora Anaísa Vergolino estiveram nesta segunda-feira, 23 de abril,  no Plenário do Palácio da Cabanagem - sede da Assembléia Legislativa do Estado do Pará - para receber a "Comenda Mãe Doca de Mérito Afro-religioso", como reconhecimento do Poder Legislativo do Estado do Pará pelo esforços em promover, proteger e difundir a cultura afro-religiosa brasileira.
Quem indica os comendadores são as bancadas dos partidos representados na Assembléia, e este ano de 2012 foram homenageados Mametu Kaia Onilegi (Kátia Hadad) pelo PSOL; Pai Fernando de Ogum (Fernando Antônio Santos Rodrigues) pelo PSDB; Huntó Ivonildo dos Santos (Nego Banjo) pelo PMDB; Mãe Maria Emília Miranda dos Santos pelo DEM; Mãe Vanda de Ogum Rompe Mata (Vanda Lúcia dos Santos Soares) pelo PSB; Táta Kinamboji (Arthur Leandro) pelo PT; Mametu Muagile (Mãe Beth de Bamburucema – Elizabeth Leite Pantoja) pelo PSC; Pai Bené (Benedito Saraiva Monteiro) pelo PV; e a pesquisadora e professora da UFPA Anaíza Vergolino pelo PDT.

Pai Bené, 93 anos, referência em Tambor de Mina no Pará.
O baiano 'Nego Banjo' é o Huntó Ivonildo dos Santos, recebe homenagem pela sua contribuição para a musicalidade afro-religiosa na Amazônia.
Táta Kinamboji (Arthur Leandro), coordenador do Projeto Azuelar, recebeu a comenda das mãos do dep. Carlos Bordalo (representando toda a bancada do PT) pela sua militância cultural e pelas ações em mídia livre para os Povos Tradicionais de Terreiros.
Mametu Kátia Hadad, recebeu a homenagem pelas mãos do dep. Edmilson Rodrigues, do PSOL.
Mametu Muagile, mestra da culinária afro-amazônica, recebeu as homenagens da bancada do PSC.
A professora e pesquisadora Anaísa Vergoliono recebeu a comenda por indicação do PDT, como reconhecimetno da importância de sua militância afro-religiosa no campo do conhecimento universitário.
 A cerimônia contou com o pronunciamento do dep. Edmilson Rodrigues (PSOL), que, prepresentando os deputados estaduais, falou da importância das diversidades socio-culturais brasileiras e da importância do poder legisltivo homenagear as lideranças que trabalham em prol da preservação dessa diversidade e da promoção da cidadania das minorias da população. Mametu Nangetu representou os povos de terreiros, e em sua fala pediu mais respeito com a religiosidade afro-amazônica e principalmente com os pais e mães de santo mais idosos. Ela ainda fez uma avaliação do processo de negociação com as bancadas de partidos para a indicação dos homenageados e lamentou que apenas 9 das 16 bancadas houvessem homenageado lideranças de terreiros, quanto à essa questão ela sentenciou: "Político não deveria ter religião, pois eles não pedem voto apenas de uma religião, então deveriam respeitar e homenagear a trodas as religiões".
Mametu Nangetu falou em nome dos Povos Tradicionais de Terreiros.
A sessão solene terminou com cânticos e danças em louvor e agradecimentos às divindades afro-amazônicas, manifestação das culturas tradicionais de terreiros que foram comandadas pelo Pai Bené e pelo Huntó Ivonildo dos Santos.


O Huntó Ivonildo dos Santos, fez a celebração de agradecimento e puxou os cânticos aos Jinkisi.

E a sessão se encerrou com os cânticos de Tambor de mina entoados pelo Pai Bené.








Fotos de Isabela do Lago e Arthur Leandro (especialmente para o Projeto Azuelar)
Texto: Táta Kinamboji.



sábado, 21 de abril de 2012

"A revolução dos cocos", sexta 27/4 - 19h, no cineclube


Sexta, 27 de abril de 2012
19h
Cineclube Nangetu
Tv. Pirajá, 1194 -  Marco.
Belém/PA
fone 32267599.

Sinopse.
"A Revolução dos Cocos" relata a luta do povo de Bougainville (ilha do pacífico anteriormente pertencente a Papua Nova Guiné) contra a mineradora inglesa multinacional Rio Tinto Zinc, e depois por sua independência. Os moradores da ilha expulsaram, pelo uso da sabotagem, a mineradora, depois expulsaram o exército de Papua, e depois o exército da Austrália, depois mercenários contratados. Sofreram um cerco de 7 anos (a população é de aprox 150 mil) e inventaram meios alternativos p/ sobreviverem (energia elétrica, combústivel, comida, remédios...) tudo a partir de cocos.
Direção: Dom Rotheroe
Produção: Reino Unido
Duração: 50min.
Ano: 1999
Site: http://www.stampede.co.uk
produzido pela National Geographic,

Convite - Comenda Mãe Doca será entregue na segunda-feira dia 23 de abril às 10h na ALEPA.

A homenagem é uma celebração à memória da luta de de dona Rosa Viveiros, também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, ela era maranhense de Codó e filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin. É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense. Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Seu terreiro se manteve aberto até meados da década de 1960, e Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência das religiões de matriz africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umabanda e das religiões Afro-brasileiras.

A comenda foi institutída em 2009 pelo Poder Legislativo do Estado do Pará por iniciativa a e projeto da deputada Bernadete Ten Caten (PT), e é concedida como reconhecimento da ALEPA às pessoas que trabalham na divulgação, manutenção e preservação das manifestações das religiões de matrizes africanas, mas somente em 2011 foi realizada a primeira sessão solene e entrega da comenda.

Neste ano de 2012 os homenageados são: Mametu Kaia Onilegi (Kátia Hadad) pelo PSOL; Pai Fernando Antônio Santos Rodrigues pelo PSDB; Huntó Ivonildo dos Santos (Nego Banjo) pelo PMDB; Mãe Maria Emília Miranda dos Santos pelo DEM; Mãe Vanda de Ogum Rompe Mata (Vanda Lúcia dos Santos Soares) pelo PSB; Táta Kinamboji (Arthur Leandro) pelo PT; Mametu Muagile (Mãe Beth de Bamburucema – Elizabeth Leite Pantoja) pelo PSC; Pai Bené (Benedito Saraiva Monteiro) pelo PV; e a pesquisadora Anaíza Vergolino-Henri pelo PDT.

A sessão solene de entrrega da Comenda Mãe Doca acontece nesta segunda-feira, 23 de abril, as 10h no Palácio da Cabanagem, rua do Aveiro, 130 - Cidade Velha, Belém/PA.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Valmirzinho (Valmir Bispo)! Saudades, companheiro...

ATÉ LOGO, ATÉ LOGO COMPANHEIRO

Sierguéi Iessênin

Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo!
Tradução de Augusto de Campos



Valmir Bispo, o Valmirzinho, faleceu hoje - 19 de abril de 2012, o dia do índio.
Valmir foi militante da cultura paraense, organizador de redes culturais, incentivador das culturas de terreiro e, mais que tudo.... Um grande amigo.
Em sua homenagem publicamos imagens de momentos que passamos juntos na II Conferência Nacional de Cultura, em Brasília/ março de 2010.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

FORUM ESTADUAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DOS POVOS TRADICIONAIS DE TERREIIRO DO PARÁ

Reunião de lideranças de terreiros marca fundação do Fórum no Pará.
      Lideranças dos Povos Tradicionais de Terreiro, estiveram reunidos nesta ultima sexta-feira (13 de abril de 2012), no auditório do IPHAN, em Belém, sito Avenida Governador José Malcher, 563 – bairro de Nazaré, as 14:00 horas;  para organizarem a plenária de articulação para fundação Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Terreiro do Pará.
A coordenação provisória foi formada pela Iyalorixa Nalva da Oxum (Conselheira Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional); Mametu Nangetu e Baba Tayandô (Conselho Gestor do Projeto Federal “Fome Zero” ).. Mametu Nangetu e Iyalorixa Nalva da Oxum, participaram da IV Conferencia Nacional de Segurança Alimentar em novembro de 2011, na cidade de Salvador (Bahia)e assinaram a ata da plenária nacional com a responsabilidade de articular no Pará a constituição do Fórum; portanto legitimas autoridades para este fim, convidando o Babalorixa Baba Tayandô para compor com elas a coordenação provisória.
Babá Tayandô, Mametu Nangetu e Mãe Nalva de Oxum, coordenadores do Fórum.
A Iyalorixa Nalva da Oxum falou da importância do fórum e citou os seus  princípios norteadores:
  1. Sobrevivência da tradição alimentar de matriz africana ;
  2. Combate à fome e o direito a alimentação
  3. É um espaço plural e suprapartidário o qual aglutina o povo de terreiro
  4. Busca ampliar o conceito de segurança alimentar garantindo os valores civilizatórios preservados pelos povos de terreiro;
5.      Contrapor-se a qualquer tipo de discriminação, intolerância e as formas de                                                                                                                        sexismo e xenofobias e outras intolerâncias correla tas.
            Mametu Nangetu falou das dificuldades que temos encontrado para a implantação de políticas afirmativas para povos tradicionais de terreiro. A reunião deu-se em clima de cordialidade estando presente  lideranças de Belém, Ananindeua e São Sebastião da Boa Vista; ficando na responsabilidade dos presentes uma mobilização não só na região metropolitana mas principalmente nos demais municípios do estado.
Vida longa para o Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Terreiro – Coordenação Pará.
Baba Tayandô
Conselho Gestor do Projeto Federal “Fome Zero” 


Lideranças de terreiros de 5 cidades da zona metropolitana estiveram presentes.


Texto de Babá Tayandô/ ACAOÃ
Fotos de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre

domingo, 15 de abril de 2012

Quebradeiras, o discurso do silêncio.



Mametu Nangetu abriu a roda de conversa dizendo que conheceu lideranças de quebradeiras de babaçu no projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, e que é muito gratificante exibir filmes sobre as comunidades tradicionais de povos amazônidas.
Celi Abdoral, militante da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos - SDDH -, lembrou de expressões populares de sua infância, como "vai catar coquinhos" ou "tu estás fedendo à nego", para falar do contexto das babaçueiras e dizer que não dá pra separar as questões de racismo e outras questões afro-brasileiras da questão de gênero e questões de classe. Disse que na cadeia produtiva aquelas mulheres negras que catam o babaçu são as que ganham menos e estão na base da pirâmida social. Falou do Tempo no filme, um tempo completamente diferente da correria dos fast foods e twitter, e concluiu que o filme nos faz transceder ao tempo delas.
O tempo do filme também fez parte da fala de Milton Kanashiro, amante de cinema e pesquisador da EMBRAPA que relacionou o tempo da narrativa com o trabalho de outros artistas e chamou a atenção para a plasticidade das imagens.
Já Táta Kinamboji disse que o que mais chamou a sua atenção foi a sonoridade e o uso de ruidos do cotidiano que poéticamente são transformados em música, "o que à princípio era um ruído e aí vai se transformando em música e vai virando uma outra experiência estética". Ele também se reportou às metáforas e da associação das imagens do coco (e do leite) do babaçu ao seio das  mulheres, ao que os artistas Romário Alves e Luah Sampaio acrescentaram a 'metáfora do corpo' da mãe árvore- o corpo da árvore do babaçu como o corpo das quebradeiras, as folhas com os cabelos e que tudo alío tinha relação, relação da vida delas com a vida da árvore.
O artista Lucas Gouvea falou da multiplicidade do corpo, do "o que dá pra se fazer com o mesmo", e falou do filme "A revolução dos cocos", uma estória que se passa na Austrália, e disse que os dois filmes se assemelham muito nessa coisa de extrair o máximo de poesia de coisas simples.
Milton e Celi se referiram, então à questão da "solidão". Falaram da solidão expressa no filme como a solidão do feminino - uma solidão curtida e marcada, e que apesar da falta de diálogos no filme, a fala delas está sempre presente.
"Elas são muito faladeiras, e são muito aguerridas na defesa dos babaçuais livres, e esse documentário mostra uma outra forma de ver essa mulher quebradeira de coco", falou uma das pesquisadoras do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia que trabalhou na cartogtrafia das quebradeiras de babaçu, disse também que conhecia um outro documentário, o "Razão e afeto", e que neste de Evaldo Mocarzel o silêncio fala tudo - o silêncio relatando as lutas pelos babaçuais.
Celi tomou a palavra novamente para falar da apropriação que o mercado faz do discurso das lutas das comunidfades tradicionais, falou da realidade de outras mulheires catadeiras - as catadeiras de andiroba, e das dicotomias do discurso que a Natura faz através da série Natura Ekos,
Por fim, a equipe do Cineclube Nangetu convidou os presentes à voltarem na sessão do dia 20 de abril, que no mesmo horário fará a estréia do filme "À margem do Lixo", também do cineasta Evaldo Mocarzel.






Filme coletivo. Fotos e Textos de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu - Ponto de Mídia Livre.

Plenária do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Tereiros do Pará.

Reuinião ampliada da coordenação do Fórum no IPHAN em 13/4/2012
A coordenação do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Tereiros do Pará convoca todas as lideranças de terreiros para a Plenária que ocorrerá nesta terça-feira, dia 17 de abril, às 14h no Mansu Nangetu (Tv. Pirajá, 1194; Belém), para tratar da pauta:
1. Informes;
2. Organização dos eventos propostos;
3. O que ocorrer.

Mametu Nangetu, Mãe Nalva de Oxum e Babá Tayandô
Coordenadores.

Lançamento nacional do filme À margem do lixo, de Evaldo Mocarzel, nesta sexta 20 de abril.

O Cineclube Nangetu, o Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC), o Cine Mais Cultura (MinC), e a distribuidora RAIZ, convidam a população a participar do lançamento nacional no circuito cineclubista do documentário em longa-metragem À margem do lixo, dirigido pelo premiado diretor Evaldo Mocarzel. O documentário À Margem do Lixo recebeu os prêmios de Melhor Filme pelo Júri Popular, Melhor Fotografia e Prêmio Especial do Júri no Festival de Brasília 2008.
O Cineclube Nangetu é um dos primeiros a exibir o filme no circuito cineclubista em Belém, e a sessão faz parte de uma ação nacional que envolve aproximadamente 1,200 cineclubes em todos os estados e no distrito federal.

Data 20 de abril de 2012 (sexta-feira)
Hora: 19h
Local: Cineclube Nangetu
Tv. Pirajá, 1194
Marco da Légua.
Belém do Pará.
Fone: 91-32267599

À Margem do Lixo, Brasil: 2008
À Margem do Lixo é um filme que focaliza os catadores de materiais recicláveis na cidade de São Paulo. É um documentário que aposta num capitalismo mais humano, com mais justiça social. Tornar-se catador é uma forma de resistência, de sobrevivência de uma dignidade que insiste em preservar a sua cidadania. Há mais de 500 mil catadores no Brasil. À Margem do Lixo mostra a importância dessa economia informal que faz o nosso País ser referência no resto do mundo. O documentário resgata a dignidade dessa humanidade que sobrevive à margem de São Paulo, capital financeira do Brasil.
Trata-se da terceira parte de uma tetralogia iniciada com À Margem da Imagem, e À Margem do Concreto, e a obra ainda não realizada À Margem do Consumo.


Evaldo Sérgio Vinagre Mocarzel nasceu em Niterói (RJ) e formou-se em Cinema e Jornalismo na Universidade Federal Fluminense. Seu primeiro curta-metragem Retratos no Parque foi realizado em 1999. Dois anos depois, dirigiu o curta À Margem da Imagem, que discute a estetização da miséria e o roubo da imagem de quem está na exclusão social mais absoluta e que virou longa-metragem em 2003. No ano seguinte, realizou o documentário Mensageiras da Luz.
Em 2005, Evaldo Mocarzel dirigiu dois documentários: Do Luto à Luta, sobre a Síndrome de Down e À Margem do Concreto, sobre os sem-teto de São Paulo.
No ano de 2006, finalizou o documentário Jardim Ângela. Em 2007, lança mais dois documentários: Brigada Pára-Quedista, sobre a tropa de elite do Exército e O Cinema dos Meus Olhos, sobre a relação de críticos e realizadores com o cinema.
Em 2008, finalizou o documentário A Margem do Lixo e Sentidos à Flor da Pele. Seus últimos projetos são Quebradeiras, BR-3 A Peça, BR-3 Documentário e São Paulo Cia de Dança que foram realizados em 2009, e em 2010 Cuba Libre e Encontro das Águas.

Amazonas-Douro: 9 anos entre o porto seguro e o além mar

Programação de aniversário do Cineclube Amazonas D'OuroQuarta-feira, 18 de abril 19h.
Local: Cineclube Nangetu
Tv. Pirajá, 1194 - Marco Belém/PA
Fone 32267599

 

Originalmente publicado no CINEMA DE RUA
Aprofundar questões filosóficas que resgatam e radicalizam a arte. Apossar-se da natureza mítica, simbólica e dionisíaca do cinema. Projetar esta magia no imaginário de todos que o realizam. Desabrochar nos corações e mentes o estado absoluto da comunhão da arte com a poesia. Em síntese, são estes os objetivos do Cineclube Amazonas Douro, que comemora este mês 9 anos der existência.
A programação acontecerá às 19H desta quarta 18 de abril), no Instituto Nangetu (Pirajá, 1194 - entre Duque e 25). “Uccellacci, uccellini”, do italiano Pier Paolo Pasolini (PPP) é o filme a ser exibido. O crítico Mateus Moura dinamizará a sessão, que terá comentários do pesquisador catalão Antônio Gimenez, autor do livro “Una fuerza del pasado. El pensamiento social de Pasolini” (Editora Trotta, 2003 / 168 pg).
O Cineclube – Ainda no ano de 2003, antes mesmo de marcar a data de sua fundação, o Cineclube Amazonas Douro organizou em Belém o Concílio Artístico Luso-Brasileiro, do qual participaram o realizador brasielrio José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e Sério Fernandes, Mestre de cinema da Escola do Porto. Os dois são presidentes de honra da entidade.
Da pauta do Concílio, constavam ações de intervenção artística e social, além de conferências, oficinas e projeções de filmes em vários suportes. Através deste Concílio, foi produzido e realizado, coletivamente, o filme “Pará Zero Zero”, que deu mote a um projeto literário de mesmo nome.
Sob a coordenação do poeta e realizador Francisco Weyl, o Cineclube Amazonas Dourorealiza ações de intervenção artística e social, estabelece a comunhão artística entre poetas e realizadores, em encontros em que se fazem projeções de filmes, exposições de fotografias, leituras de poemas e conferências artísticas e filosóficas, e também via projetos editoriais e outros articulados a Internet com os mesmos propósitos.
“Nosso objetivos são conquistados com o cinema poético, que ainda resiste de forma independente e se realiza fora do domínio da cultura técnico-comercial e ao leste de Hollywood, um cinema criado sem economia de esforços e com a coragem absoluta de afrontar o lugar comum das produções cinematográficas financiadas pela indústria cultural global”, afirma Weyl.
Princípios - Situado numa fértil região em que as relações de poder germinam as próprias contradições, o cinema, arte e indústria em simultâneo, fabrica e destrói sonhos, escreve com fotogramas a história do homem: conscientiza, ilude, diverte, reflete, propõe, aliena, dicotomiza, supera diferenças. Pensado e realizado neste campo paradoxal e inspirado fundamentalmente na poética de realizadores como Antônio Reis e Glauber Rocha, o projeto do Cineclube Amazonas Douro afirma uma concepção estética em que a sua natureza filosófica restitui ao cinema o próprio estado de magia dionisíaca.
O Filme - De origem italiana, “Uccellacci, uccellini” foi traduzido para o português ou como “Gaviões e passarinhos” ou “Passarinhos e passarões”. No Brasil, o filme estreou no dia 4 de maio de 1966, ano em que também integrou a seleçãoloficial do Festival de Cannes. Enquadrado no gênero comédia, o filme, à preto e branco, dura 89 minutos, e narra a saga da viagem de pai (Totó) e filho (Ninetto Davoli), ambos trabalhadores proletários. A meio caminho de uma estrada deserta, eles encontram um corvo que fala e tem ideais. O trio faz uma longa viagem e o homem e o filho regressam ao passado onde São Francisco os manda converter os pardais e os falcões, mas a fome aperta e o pai faminto faz da ave o seu jantar. É, pois, uma parábola ferina de PPP (*1922+1975) sobre o universo dos marginalizados, tão comum à obra do autor de “Accatone” “Mamma Roma”, “Salô”, entre outras.
Serviço – 9 anos do Cineclube Amazonas Douro. Projeção do filme “Uccellacci, uccellini”, de Pier Paolo Pasolini. Quarta, dia 18, às 19H. Instituto Nangetu (Pirajá, 1194 - entre Duque e 25). Dinamização: Mateus Moura. Cometários: Antônio Gimenez. Apoio: Instituto Nangetu. Antes da sessão será exibido o curta “O chapéu do metafísico”, de Francisco Weyl, ganhador do grande prêmio do Douro Film Festival (2006). Carpinteiro de Poesia e de Cinema
Coordenador do Cineclube Amazonas Douro

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Projeto Cabana de Caboco faz a seleção de bolsista.


O Mansu Nangetu recebeu o prof. João Simões para a entrevista que fez parte do processo de escolha de bolsista para atuar no projeto de extensão universitária “Diálogos em Cabana de Caboco – Intercâmbio acadêmico e cultural com o Projeto Azuelar do Instituto Nangetu em Belém-PA”. João Simões apresentou Mametu Nangetu aos estudantes e depois mostrou o espaço do terreiro, disse que aquele é o lugar de desenvolvimento de atividades e disse também que a entrevista foi propositalmente deslocada da UFPA para o terreiro, pois era preciso também perceber se haveria alguma reação negativa por parte dos interessados quando adentrassem ao espaço do do culto ao sagrado para os afro-religiosos.

Em seguida Mametu Nangetu assumiu a condução da conversa e depois de dar as boas vindas à todos explanou sobre os processos de racismo e discriminação que provocam a repressão social e até policial às práticas religiosos afro-amazônicas, e concluiu com a afirmação de que a discriminação acontece por causa do desconhecimento da população sobre as práticas dos povos tradicionais de terreiros.
Em seguida o Prof. João Simões lembrou aos estudantes presentes que o discurso de Mãe Nangetu estava em plena sintonia com o pensamento de Gadamer, Heidegger, Paul Ricouer, e Martin Bobber, entre outros, pois eles tratam da dialogia e da questão da hermenêutica não apenas enquanto método, mas enquanto ser, isto é: enquanto uma ontologia. Afinal você só se pode encontrar, aceitar, respeitar e compreender a alteridade - o `outro` -, se você estiver disposto a conhece-lo.
Portanto João compreende que quando Mametu agradece a presença dos estudantes e da "universidade federal" através deles e de nós, professores, que ela explica à sua maneira as mesmas conclusões que grandes filósofos também chegaram, isto é: que é imprescindível o conhecer diferente para nos tornarmos solidários, humanos, éticos, e democráticos.
E podemos chegar a conclusão de que ela acredita, portanto, que o fim do racismo e da intolerância religiosa pode acontecer apenas à partir do encontro com o outro, do diálogo com o outro, do reconhecimento do outro, e não da exclusão do outro.  Desta maneira ela não exclui ninguém, aceita a entrada das pessoas no seu terreiro, independentemente se são ou não intolerantes com as religiões afro. O prof. João Simões acrescentou que acredita, em sua particularidade, que é preciso salvar nossa humanidade salvando a humanidade do outro, mesmo quando e se esse outro for, por alguns momentos, o nosso algoz. E isto só pode acontecer na Verdade e na transparência.
A entrevista foi coletiva, pois para a equipe do projeto o importante é, ao contrário de estar repetindo uma entrevista pessoal e fechada, fazer uma entrevista coletiva. Foi feita uma roda onde todos os candidatos à bolsa podiam se expressar, e eram estimulados pelos professores a falar. Afinal com esta metodologia, tenta-se superar, pelo menos em parte, a busca de todo e qualquer ser humano, de "maquiar-se", na tentativa de agradar o "outro" para encontrar reconhecimento. 
É esse sentimento de escamoteamento que faz com que ao nos sentirmos diante de uma "banca examinadora", imediatamente nos venha o desejo à dissimulação, à esconder o que acreditamos para parecer dentro do padrão esperado. Por isso a entrevista em grupo, como recebe inúmeros estímulos de várias pessoas, que vão falando e nos provocando, evoca em nós mais sinceridade, ou "atos falhos".  Pode-se, assim, ter uma visão melhor dos candidatos e tentar entender qual aquele que apresenta o melhor perfil, para assumir o trabalho. 
Muito embora, o ideal seria, a sociedade brasileira, deixar de gastar com questões pouco importantes, para dar ênfase à educação. Assim quem sabe teremos no futuro bolsas para todos os alunos que desejarem desenvolver alguma pesquisa com grupos sociais vulneráveis..

terça-feira, 10 de abril de 2012

Reunião da coordenação do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Terreiros do PA.

A reunião vai acontecer às 14h desta sexta-feira 13 de abril 
na sede do IPHAN em Belém, 
Av. Governador José Malcher, 563 - bairro de Nazaré.

Mão Nalva d'Oxum, Babá Tayando e Mametu Nangetu, coordenadores provisõrios.do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Terreiros do PA, convocam as lideranças de terreiros para reunir nesta sexta-feira, dia 13 de abril de 2012, com pauta única de traçar estratégias para a primeira  plenária do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Terreiros do PA.
A coordenação provisória fará uma reunião ampliada para planejar as ações e estruturar a primeira plenária estadual do Fórum, será com a participação de todas as lideranças de terreiros interessadas na construção do Fórum no estado do Pará.
Os Fóruns Estaduais são uma necessidade para a inserção dos povos de terreiros de cada estado no Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicioans de Terreiros que foi criado em Salvador em 2011.


FORUM NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DOS POVOS DE TERREIRO
Em meio ao tumultuado cenário da luta contra a intolerância religiosa, a luta por respeito e reconhecimento dos povos de terreiro como os mantenedores da visão de mundo africano na diáspora forçada dos africanos e de uma tradição comprometida com a luta contra a discriminação e preconceitos e anti-racismo e principalmente com uma prática de alimentação sagrada de troca e manutenção do meio como preservação da vida faz surgir o Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Terreiro. (FONSANPOTE)
Entendemos o processo de construção de estratégias estadual e nacional para adequar-se a política nacional de segurança alimentar como primordial nas discussões quanto às reparações segunda as definições oriundas da IIIª Conferência Internacional de Durban – ONU, as nações organizadas da diáspora forçada. Este contingente populacional tido como negros e seus descendentes, conquistam cotidianamente políticas públicas e ações afirmativas ante contextos adversos da sociedade, o que sem dúvida tem como empenho efetivo do governo federal um marco político relevante nestas conquistas.
Com os avanços e retrocessos, lutas e conquistas dentro da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional detectados no processo de construção da IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar no ano de 2011, mais precisamente em Salvador é que nasce este Fórum que tem em seu cerne a defesa incondicional dos valores civilizatórios africanos que constituem-se como Povo de Terreiro, e a defesa das suas formas de resistência em solo brasileiro todas as nações africanas e que mantiveram e mantém um povo na busca por seus direitos e acima de tudo sua plena liberdade.
OS PRÍNCÍPIOS NORTEADORES:
  1. Sobrevivência da tradição alimentar de matriz africana ;
  2. Combate a fome e o direito a alimentação
  3. É um espaço plural e suprapartidário o qual aglutina o povo de terreiro
  4. Busca ampliar o conceito de segurança alimentar garantindo os valores civilizatórios preservados pelos povo de terreiro;
  5. Contrapor-se a qualquer tipo de discriminação, intolerância e as formas de sexismo e xenofobias e outras intolerâncias correlatas.
RESOLUÇÕES TIRADAS NO DIA OITO DE NOVEMBRO 2011 EM SALVADOR – BA
Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Terreiro. (FONSANPOTE) é constituídos por terreiros da tradição ancestral de matriz africana e os mesmo matem sua autonomia dentro de uma organização estadual definida no momento como núcleo articulador do FONSANPOTE.
O espaço deliberativo é constituído por assembléia nacional representativa ordinária e ou extraordinária realizadas em locais itinerantes, compreendendo estar em todas os estados em que o Fórum tiver núcleo articulador.
O FONSANPOTE deve ser regido por uma carta de princípios (a ser constituída coletivamente entre os fundadores e articuladores do mesmo).
Fica definido que em seis meses a partir desta data o núcleo articulador entendidos como os representantes de cada estado presente nesta plenária constitua uma plenária estadual e apresente os terreiros da tradição ancestral de matriz africana que aderem a referida carta de princípios.
Fica definido que a secretaria executiva temporária pelo período de um ano, ficara constituída pelos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul com a função de implementar este debate da carta de princípios, a compilação das plenárias estaduais e o processo de organização da assembléia nacional do FONSANPOTE .
Anexo a esta a lista de presença e a ata da plenária com a responsabilização destes pela articulação estadual pelo FONSANPOTE.
Estados presentes que assinam esta carta:
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Goiás, Bahia, Ceará, Alagoas, Distrito Federal, Paraíba, Amazonas, Tocantins, Amapá, Sergipe, Paraná, Pará, Maranhão, Rondônia.



sábado, 7 de abril de 2012

Lançamento nacional do filme Quebradeiras, de Evaldo Mocarzel, será no dia 13 de abril.

O Cineclube Nangetu, o Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC), o Cine Mais Cultura (MinC),  e a distribuidora RAIZ, convidam a população a participar do lançamento nacional no circuito cineclubista do documentário em longa-metragem Quebradeiras, dirigido pelo premiado diretor Evaldo Mocarzel. Quebradeiras recebeu o  Prêmio de Melhor Documentário no Festival de Toulouse, na França e prêmios de Direção, Fotografia e Som no Festival de Brasília 2009.

O Cineclube Nangetu será o primeiro a exibir o filme no circuito cineclubista em Belém, e a sessão faz parte de uma ação nacional que envolve aproximadamente 1,200 cineclubes em todos os estados e no distrito federal.

Data 13 de abril de 2012 (sexta-feira)
Hora: 19h
Local: Cineclube Nangetu
Tv. Pirajá, 1194
Marco da Légua.
Belém do Pará.
Fone: 91-32267599


Quebradeiras”, documentário de 71 minutos dirigo por Evaldo Mocarzel, focaliza as tradições seculares, as estratégias de sobrevivência e a rica cultura das quebradeiras de coco de babaçu da região do Bico do Papagaio, onde os Estados do Maranhão, Tocantins e Pará se encontram. O Brasil possui atualmente cerca de 18 milhões de hectares de babaçuais, mas a crescente expansão da pecuária e a conseqüente devastação das palmeiras estão ameaçando essa cultura secular das quebradeiras de coco de babaçu, que engloba manifestações artísticas genuinamente brasileiras, um patrimônio telúrico do nosso País, da diversidade das nossas raízes, que mistura remanescentes de quilombos com influências de ritos indígenas milenares. “Quebradeiras" tem como meta resgatar e preservar na linguagem audiovisual as técnicas extrativistas e as manifestações artísticas dessas mulheres, que, além da diversidade de artesanatos, ainda englobam uma infinidade de cantos, com forte influência africana e também indígena, que é entoada durante o trabalho e ainda não foi devidamente registrada pela cultura oficial do nosso País.

O filme estreou no Festival de Brasília, onde foi contemplado com os prêmio de Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Som. Sua estréia internacional se deu no 22° Rencontres de Cinémas d’Amérique Latine de Toulouse, na França, onde foi eleito o Melhor Documentário do festival.

Saúde no terreiro - Rodas de conversa, cineclube e atendimento em serviços marcam o Dia Internacional da Saúde no Mansu Nangetu.


Para celebrar a passagem do Dia Mundial da Saúde, comemorado no dia 7 de abril, o Mansu Nangetu recebeu nesta quinta-feira, dia 5 de abril, uma equipe da Secretaria de Estado da Saúde- SESPA - formada pela enfermeira Ruth Cardoso, pelo técnico de enfermagem Bernardino Silva e pela agente administrativa Tânia Nunes. Eles chegaram ao terreiro às 16h e montaram um sistema de atendimento à população dentro do terreiro.


O filme "Chama Verequete", de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parrera, foi exibido na sessão do cineclube, promovendo através do enredo do filme um debate sobre a relação da cultura com a saúde. Os participantes falaram de como a alegria de participar das manifestações artísticas e culturais influenciam no quadro de saúde de cada um.
E como não poderia deixar de ser, a proibição do Batuque (como as religiões afro-brasileiras eram chamadas no séc. XIX) pelo código de posturas do município de 1848 e o combate policial ao carimbó como cultura de terreiro - que é mostrado no filme -, foi relacionado com a com a atual repressão às culturas dos povos tradicionais de terreiros, seja pela visão negativa repassada pelo fundamentalismo cristão das igrejas eletrônicas em canais de televisão, seja pela interpretação equivocada das Leis ambientais que resulta em representação policial à religisidade afro-amazônica, e também foi consenso reconhecer esta forma de racismo afeta também a saúde dos povos de terreiros.

A oferta de serviços gratuitos de verificação de pressão arterial e de verificação de nivel de glicose no sangue foi a grande atração do dia. Foram 37 atendimentos para membros da comunidade e para a vizinhança do Mansu, sendo que desses 9 apresentaram alteração na pressão arterial (1 de pressão baixa e 8 quadros de hipertensão) e 2 resultados apresentaram quadros de diabetes. Em todos os casos, a equipe da SESPA conversou com os atendidos sobre os cuidados básicos para a prevenção de doenças, e para aqueles que apresentaram alteração arterial ou de glicose foi orientado que procurassem serviços de urgência em hospitais ou que agendassem consulta com médicos em postos de saúde.


O uso de ervas medicinais, principalmente através de chás de infusão, e cuidados com a alimentação para a promoção de uma vida saudável - conhecimentos tradicionais preservados pela tradição da oralidade dos terreiros -,  também esteve presente nas conversas através das intervenções das lideranças de terreiros, que demonstraram o quanto esses conhecimentos influenciam na prevenção da saúde da população.


O evento terminou com um coquetel de café com pupunha e canjica e uma descontraída roda de conversa com as lideranças de terreiros Mametu Nangetu, Mametu Kaia Onilegi (Kátia Hadad), Mãe Nadir de Ogum,  Pai Valdiney de Badé e com Silvia Macedo do Movimento Popular de Saúde/ MOPS-PA, a roda foi na porta do terreiro e foi o momento em que as lideranças das comunidades de terreiros articularam com o MOPS-PA a extensão da agenda de saúde e acertaram a parceria com o MOPS-PA para uma agenda itinerante de serviços de saúde pelos terreiros de Belém e Ananindeua.





Fotos e texto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Radioweb da UFPA debate intolerância religiosa.

A rádio web da UFPA gravou nesta quarta-feria, 04 de abril, um debate abordando aspectos do racismo no Brasil e como as práticas racistas se transformam em intolerância contra as religiões afro-amazônicas.
A luta pela garantia do direito constitucional de liberdade de consciência religiosa também foi pauta do debate, que abordou os mecanismos de resistência dos terreiros na preservação da memória, na preservação das concepções das africanidades afro-amazônicas, e a atuação política das lideranças de terreiros.
O debate ainda proporcionou uma rodada de avaliação da atuação da universidade e as possibilidades de intervenção da comunidade acadêmica para a promoção do respeito à diversidade religiosa brasileira.
O programa UFPA Debate foi apresentado pela jornalista Cássia Nascimento e vai ao ar na semana que vem, e para debater esse tema teve a participação da Profa. Marilu Campelo da Faculdade de Ciências Sociais e do Grupo de Estudos Afro-Amazônico/ GEAAM, pelo Prof. da Faculdade de Artes Visuais Arthur Leandro (Táta Kinamboji) que também é sacerdote do Mansu Nangetu, e de Babá Tayando (Luiz Augusto Loureiro Cunha), sacerdote do Tambor de Mina.

Fotos do Pai Junior de Xangô, da ACAOÃ, gentilmente cedidas para o Projeto Azuelar.

Deputada Bernadete Ten Caten reuniu lideranças de terreiros em seu gabinete na ALEPA, para organizar a sessão solene de entrega da "Comenda Mãe Doca de Mérito Afro-religioso".

Lideranças de terreiros estiveram nesta terça-feira no gabinete da deputada Bernadete Ten Caten (PT) no Palácio Cabanagem - sede da Assembléia Legislativa do Estado do Pará - ALEPA, para orientar a equipe de assessores da deputada na condução da sessão solene para entregue do diploma e da medalha da "Comenda Mãe Doca de Mérito Afro-religioso" de 2012.

A reunião foi conduzida pela assessora parlamentar Jakelyne Costa. Ela explicou que Sessão Solene já está marcada e que vai acontecer na segunda-feira dia 23 de abril de 2012, e que o cerimonial da ALEPA sentiu a necessidade de buscar maiores informações sobre o trabalho social e cultural desenvolvido nos terreiros.


A função da reunião foi apresentar uma lista de nomes com o curriculo resumidos de cada um para servir de orientação aos parlamentares, e para isso ela pediu aos presentes a indicação de nomes de lideranças de terreiros que tenham o respaldo das comunidades e o reconhecimento de seus pares para encaminhar essas informações para os partidos que tem assento no Poder Legislativo.
O primeiro conselho apresentado pels lideranças presentes é de que os parlamentares tenham o cuidado de escolher seus homenageados entre a diversidade das práticas religiosas afro-amazônicas, para que todas as religiões de origem na África negra presentes no Pará se sintam representadas nessa homenagem.

A questão da representação das micro-regiões do estado também foi pauta apresentada pelas lidaranças de terreiros, e foi consenso que é preciso valorizar e atribuir a comenda do mérito para aqueles que mantém viva a religiosidade afro-amazônica nas regiões distantes da zona metropolitana de Belém, e que para isso será preciso que os próprios deputados se aproximem das comunidades e se disponham a conhecer o contexto de vida e de resitência dos povos de terreiros nas diversas regiões paraenses.
Quando as lideranças perguntaram se a lista que for apresentada será a mesma lista de homenageados, Jakelyne explicou que as bancadas tem autonomia para escolherem os nomes de seus homenageados e que entre esses deputados há aqueles que tem proximidade com comunidades de terreiros e que possivelmente já tenham escolhidos a quem entregar a comenda dentre os nomes que fazem parte de suas redes de relações, mas que considera importante  que as lideranças de terreiros visitem os gabinetes e apresentem a cada deputado os nomes e os critérios de escolha daqueles que são reconhecidamente importantes para o universo dos povos tradicionais de terreiros afro-amazônicos.
Foi escolhida uma comissão de terreiros para visitar os gabinetes e apresentar aos deputados a lista com 23 nomes importantes para as comunidades alí representadas e os critérios utilizados para a escolha dos que receberão a comenda.


Mãe Doca, um símbolo de resistência para as religiões afro-amazônicas.





Mãe Doca, em foto de 1917.

A comenda é uma celebração à memória da luta de de dona Rosa Viveiros, também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, ela era maranhense de Codó e filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin. É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense. Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Seu terreiro se manteve aberto até meados da década de 1960, e Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência das religiões de matriz africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umabanda e das religiões Afro-brasileiras.



Comenda Mâe Doca de Mérito Afro-religioso celebra a resistência dos terreiros e o direito à liberdade de consciência religiosa.


A comenda foi institutída em 2009 pelo Poder Legislativo do Estado do Pará por iniciativa a e projeto da deputada Bernadete Ten Caten, e é concedido como reconhecimento da ALEPA às pessoas que trabalham na divulgação, manutenção e preservação das manifestações das religiões de matrizes africanas, mas somente em 2011 foi realizada a primeira sessão solene e entrega da comenda. 
A deputada Berndate Ten Caten e os Deputados Edmilson Rodrigues e Edilson Moura com as liderança de terreiros homenagedos pela ALEPA em 2011.


Em seu discurso na abertura da sessão em 2011, o presidente da ALEPA, Manoel Pioneiro (PSDB) disse que “Esta Casa de leis se sente honrada em tê-los em nossas dependências, até porque representamos todos os povos e religiões e esperamos também que vocês se sintam representados por esse poder".
A deputada Bernadete reconhece que a realização da sessão e a sua manutenção no calendário do Poder Legislativo é uma conquista para as lutas pelo respeito à diversidade religiosa, diversidade que é uma das características mais fortes do povo brasileiro, e afirma que "a liberdade de crença é um direito assegurado na Constituição Federal, que necessita urgentemente de validade prática, de modo que toda e qualquer crença ou religião possa ser exercida num contexto de respeito, paz e compreensão”.
Os homenageados são indicados pelas bancadas dos partidos políticos com assento na Assembléia Legislativa do Pará. São ao todo 16 partidos representados, porém em 2011 apenas 14 desses partidos participaram dessa homenagem e indicaram lideranças de terreiros para receber a comenda, os Homenageados em 2011 foram: 1) Charley Ernesto Ínto da Silva (Castanhal), indicado pela bancada do DEM; 2) Elder Fábio Alves Câmara de Andrade, indicado pelo PSB; 3) Itacy Dias Domingues, indicado pela bancada do PSC; 4) Luiza Ninfa de Oliveira, mãe Lulu, indicada pelo PT; 5) Luiz Augusto Loureiro Cunha, Babá Tayando, indicado pelo PR, 6) Luiz Carlos dos Santos Portilho, indicado pelo PSDB; 7) Marcelo Ricardo Soares Machado, indicado pelo PP; 8) Oneide Monteiro Rodrigues, Mametu Nangetu, indicada pelo PMDB; 9) Orlando Machado da Silva, Pai Orlando Bassu, indicado pelo PPS; 10)  Virgínia Lunalva Almeida, Mão Nalva de Oxum, indicada pelo PTB; 11) Iya Nare; 12) Walmir da Luz Fernandez, indicado pelo PSOL; 13)   Pai Esmael Tavares, indicado pelo PDT; 14)  Babalorixá Edson Catendé.