Mostrando postagens com marcador Artes Visuais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artes Visuais. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de maio de 2016

Poéticas de matriz africana em conversas na XX Feira Pan-amazônica do Livro.

Foram 2h de conversas com artistas e pesquisadores de terreiros de povos tradicionais de matriz africana. Foto de Lucivaldo Sena/ Projeto Griot Amazônida.

Na tarde do sábado, 28 de maio, a COPIR da SEDUC promoveu uma série de conversas sobre as poéticas de matriz africana na Amazônia à partir da experiência do Projeto Nós de Aruanda, artistas de terreiro, desenvolvido pelo Grupo de Estudos Afro-Amazônico e pelo Grupo de Estudos e Pesquisa Roda de Axé, ligados à UFPA. As conversas aconteceram em parceria com o Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu - Ponto de Mídia Livre, e foram transmitidas ao vivo em parceria com o Projeto Aluno Repórter.
Com a participação de artistas, curadores e pesquisadores como Mametu Nangetu, Isabela do Lago, Glauce Santos, Marilu Campelo, Tainah Jorge, as conversas tiveram a mediação de Táta Kinamboji, e relataram os processos de construção poética desses artistas que constroem arte que afirmam os valores civilizatórios herdados da África negra, ao mesmo tempo em que se revelaram severas críticas ao racismo institucional que dificulta a aplicação da Lei 10.639/03, e nega a transmissão desse conhecimento nas escolas da rede de ensino.

A roda de conversa pode ser acessada clicando no link.






Estas ações contam com o APOIO de Projetos de extensão da UFPA: Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;  Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo; e Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi). (Coordenação Prof. Arthur Leandro) - UFPA-PROEX.

sábado, 30 de abril de 2016

Alguidás de papel e de folhas, para oferendas.

Estudantes de escolas públicas também ouviram a experiência da comunidade.
Na quinta-feira, dia 28 de abril, como parte das ações educativas do Projeto Nós de Aruanda, artistas de terreiro, a comunidade do Mansu Nangetu, realizou uma de Oficina Alguidás e outras vasilhas biodegradáveis, com troca de saberes de manejo ambiental tradicional de matriz Bantu.
A condução dos trabalhos foi de Táta Kinamboji, com o auxílio de Weverton Ruan e Samiliy Maria, e começou com uma explicação sobre as práticas tradicionais do Mansu Nangetu. KJinanboji falou que para os Bantu, cada um de nós é responsável por si, pela comunidade e pelo mundo em que vivemos, e que a responsabilidade pelos seus atos reflete na relação saudável dos humanos com o meio ambiente. Contou das ações da comunidade no manejo da mata da CEASA, dizendo que a comunidade te  a preocupação de periodicamente fazer a limpeza dos locais de culto, e que sistematicamente recolhe resíduos sólidos nessa área, como forma de promover o ambiente saudável.
Ele ressaltou que a urbanização de Belém despreza as áreas de mata e de beiras de igarapés, e esse entendimento equivocado faz com que pneus, plásticos e outros resíduos sejam despejados pela população nessas  áreas. Táta ainda ressaltou que a preocupação e o cuidado é também com a saúde e o controle de doenças endêmicas, e que um  ambiente saudável contribui pra um povo saudável.
O Mansu Nangetu também se preocupa com a extração indiscriminada em minas de argila, e por isso, também começou a experimentar a construção de vasilhas biodegradáveis, promovendo a construção de recipientes com reciclagem de papelão e jornais, desde barquinhas de oferendas nas águas, até alguidás de papel e de folhas, que são usados em oferendas, passando, então, para a construção dos objetos.








domingo, 24 de abril de 2016

Oficina: Alguidás e outras vasilhas biodegradáveis

No salão de exposições, Mametu Nangetu expõe ALGUIDÁS, objetos construídos com reciclagem para uso ritualísticos. Ela ressalta a preocupação com a natureza e o meio ambiente nas tradições de matriz africana, e constrói sua poética com discurso de manejo ambiental tradicional, e como parte da programação da exposição Nós de Aruanda, artistas de terreiro, a comunidade do Mansu Nangetu oferece uma oficina de troca de saberes com  a tecnologia de construção de alguidás e outras vasilhas de oferendas com material biodegradável.

Foto - ©LucivaldoSena / Projeto Gяiot Amazônida

A preservação do sagrado afro-brasileiro está intimamente ligado à preservação do patrimônio ambiental, e a comunidade do Mansu Nangetu tenta fazer a sua parte em pequenas ações, como a confecção de vasilhas biodegradáveis para utilização em oferendas, a limpeza de áreas de matas urbanas e a criação de ambiente de cultivo de ervas aromáticas e medicinais em hortas de quintais.
É essa experiência que a comunidade adquiriu através das ações do Projeto A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual que será compartilhada na oficina, com outras comunidades de terreiros tradicionais de matriz africana e com quem mais se interessar em trocar experiências poéticas e conhecimentos sobre o patrimônio ambiental afro-amazônico.


A exposição é uma realização do Grupo de Estudos Afro-Amazônico (NEAB-UFPA) e do Grupo de Pesquisa Roda de Axé CNPq, e fica em cartaz até 29 de abril na Galeria Theodor Braga, no sub-solo do CENTUR, Av. Gentil Bittencourt 650, Nazaré, Belém - Pará, com visitação de segunda a sexta das 9h as 19h

Oficina: Alguidás e outras vasilhas biodegradáveis
Instrutores – comunidade do Mansu Nangetu,
Quinta-feira, dia 28 de abril, a partir das 15h.
IV Exposição NÓS DE ARUANDA – ARTISTAS DE TERREIRO.
Galeria Theodoro Braga, a galeria fica no subsolo do CENTUR - Av. Gentil Bittencourt, nº 650, Nazaré - Belém – PA.

domingo, 10 de abril de 2016

Nkosi Bike - Performance de Carlos Vera Cruz.




Performance de Carlos Vera Cruz para o Projeto Nós de Aruanda, Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.




Luna kubanga kuta kueto Nkosi (Nkosi, aquele que briga por nós.)

Nkosi é um nkisi da nação de candomblé Angola. Divindade Bantu de origem Kongo, que no Brasil é comparado ao orixá Ogum dos Nagô Yorubá. Talvez por ser o senhor da guerra e do ferro; aquele que briga por nós, seguidores desta nação de candomblé. É o leão sagrado, o guerreiro da justiça, o comedor de alma dos ímpios e injustos.
Já que a Antropofagia tem suas bases no ritual antropofágico dos povos Tupinambás do Brasil colônia, o qual tinha o tema da vingança como principal força motriz. Foi nesta perspectiva, a da vingança, que propus a performance de intervenção urbana NKOSI’S BIKE, realizada na cidade de Belém do Pará. Uma cidade construída a partir da exploração de mão de obra escrava de origem Bantu . As mãos Bantus, como tecnologia, construíram a Amazônia colonial. E Nkosi, por ser o senhor do ferro, também é o nkisi da tecnologia.
NKOS’S BIKE é uma performance negra de intervenção urbana, que a partir da ideia Antropofágica de Oswald de Andrade e seus desdobramentos, propôs relações entre as populações de dois bairros de periferia de Belém (Cremação e Guamá), com a cultura Bantu presente na Amazônia. Foi a minha vingança Bantu; como a vingança dos Tupinambá, performada no ritual antropofágico. O Senhor da Guerra, montado em seu cavalo de aço, devorando qual leão da savana os inimigos, e se fortalecendo no cotidiano periférico da selva-urbe equatoriana.
O nosso guerreiro maior, comendo as referências assimiladas, e saindo em batalha por visibilidade e reconhecimento de uma Amazônia Negra, obscurecida pelo mito da predominância indígena na região. Buscando, na devoração do outro pelas abordagens, encontrar a si próprio, na esperança da aceitação identitária.

Carlos Vera Cruz
Artista, Performer e membro do Mansu Nangetu.

O Nkisi é que nos socorre. Ação poética de Weverton de Nkosi.





Ação poética de resistência negra de Weverton Ruan. Projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.


O Nkisi é que nos socorre! Ocupando territórios de saúde, memória, poética e resistência.
Guamá, 05 de abril de 2016.
Nos encaminhamos para o pronto socorro do Guamá as 16:30, com defumações, banhos, folhas, vaso e esteira.
Descemos paramentados em frente ao pronto socorro, brevemente observamos onde colocaremos o banho, ficamos bem à frente da unidade, debaixo de sua placa desgastada e caída, muitos olhares de vários os lados, uma encruzilhada movimentada na frente do pronto socorro, não demora muito saem dois guardas municipais de dentro da unidade, perguntam o que acontecia. Não me prendo muito no que falam e continuo descarregando o material do carro, sei que ligam para alguém, esse pra quem ligam já fala com a Isabela, ela em auto e bom som diz que é uma intervenção política e afroreligiosa.
Preparo o banho, ponho no oberó e jogo na placa debotada do pronto socorro, saio jogando banho pela rampa, as pessoas se afastam, uma mãe grita para o menino sair dali, as pessoas vão se afastando na medida que vou jogando o banho, jogo na entrada, ali já tem uma ambulância e socorristas que entraram com a maca pra dentro do prédio, jogo o banho na entrada, na ambulância, eram visíveis muitas pessoas debilitadas ali, negras, senhoras, senhores, crianças. Jogo o banho pela parede nas placas da prefeitura.
Volto para a frente, o incensador já está aceso e saio defumando, as pessoas já estão afastadas da frente da unidade, sigo incensando.
Pergunto para um casal se querem se incensar, a mulher diz rindo que ele estava precisando, ele responde dizendo que está pegando neles, parecem aceitar de certa forma.
Pego o oberó novamente e pergunto quem quer lavar as mãos, pergunto aos que esperavam na fila, uma mulher resmunga sentada próximo a porta, outros recusam, uma outra mulher pelo sangue de jesus, não aceita. Levo para o outro lado da rua, o moto taxistas recusam, um para faz uma graça e pede pra lavar, enxagua bem as mãos, pergunta se é pra dinheiro, digo que é para saúde e ele bate no meu ombro, saio e ele ao sair me saúda novamente. Ofereço aos guardas, a uns que passam no carro.
Pego as palhas, vou em direção a grade, as pessoas que sentavam em baixo vão se afastando subo na mureta e tranço elas na grade.
Volto junto as folhas coloco no pote e o levo para a entrada da unidade, ficou ótimo, nos organizamos para sair, algumas despedidas, conversas com um jovem evangélico e depois saímos.

Weverton Ruan Rodrigues, de Nkosi.
Artista, membro do Mansu Nangetu.
#NósDeAruanda2016
 

Jardim de tradições, caminhos de resistência... Ação poética de Táta Kinamboji.





Ação poética de resistência negra de Táta Kinamboji. Projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016


 

Jardim de tradições, caminhos de resistência.


Categoria - Poéticas visuais de resistência negra.

Artista propositor: Táta Kinamboji/ Arthur Leandro (Mansu Nangetu).
Realização comunitária: Mametu Nangetu, Tata Kafulumizô, Carlos Vera Cruz, Lucivaldo Sena, Tainah Joge, Isabela do Lago, Renata Beckmann, Luciane Bessa, Weverton Ruan Rodrigues, Sibely Nunes, Samantha Silva, Glauce Santos, Silvia Rodrigues, Rosângela Santos, Anna Lins, Diogo Monteiro, Sr. Fernando da Komby e trabalhadores do porto de Icoaraci. Data: 20 de fevereiro de 2016, ao meio dia. Local: trapiche e orla do porto de Icoaraci. Fotos/ vídeos: Lucivaldo Sena, Renata Beckmann, Isabela do Lago e equipe do Projeto Azuelar. 

Contexto: Trapiche e orla do porto de Icoaraci - Local onde houve recente ataque contra ritual do sagrado de matriz africana.
Motivação - fim do ano passado, fomos para a orla de Icoaraci levar oferendas referentes aos ritos de Tata Kafulumizô (Angelo Imbiriba), e quando alguns barqueiros perceberam que se tratava do sagrado afro-brasileiro, começaram a gritar "macumbaria", "sai daí satanás", essas coisas - a resposta é levar um mar de flores para esse lugar.

Descrição: um mar de pipoca como um jardim de flores para as águas e os barcos do porto de Icoaraci. Levamos também uma panela grande de feijão pra gente comer junto, e debaixo duma mangueira...
Potência artística: O racismo é um câncer social, mas as tradições de matriz africana tem tratamento para cura de doenças...

 

No trajeto das águas, sobre o sulco dos rios. Experimentação poética de Glauce Santos.





Experimentação poética de Glauce Santos. Projeto Nós de Aruanda. Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.

Morada dos encantados. Experimentação poética de Samantha Silva.





Experimentação poética de Samantha Silva, Projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016

Fluxo de benção. Ação poética de Tainah Jorge.





Ação poética de Tainah Jorge para o projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.


 
Fluxo de Benção

De forma intuitiva, nasceu "Fluxo de Benção", uma proposta de intervenção urbana com o intuito de falar por stencils pixados em postes na região central de Belém, de amor e benção dentro de um padrão de línguas e linguagens dos povos tradicionais de matriz africana.

A partir de um grupo de mensagens instantâneas que foi criado para dividir informações sobre outro projeto ( trilha “Afro Amazônicos e seus símbolos” do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi), emanou-se então uma comunicação diária de informações sobre o movimento social de povos tradicionais de matriz africana. Em meio a este fluxo informacional, as Mães e Pais de Santo envolvidos nessa micro comunidade, com amor e respeito mútuo entre suas diversas nações, trocam bênçãos e mensagens de força e amor em suas línguas e linguagens específicas de cada nação, gerando um curso, como uma corrente diária de orações constantes, recorrente entre essas pessoas. Já que faz-se necessário no momento contemporâneo a deliberação da pauta social latente das questões de identidade e suas relações de interculturalidade para formação de respeito mútuo e para a construção de uma cultura democrática de paz, a proposição decide transpor o curso informacional restrito a comunidade virtual, para as ruas da cidade.

O pixo é uma arte invisibilizada que surge e está presente na urbanidade. Sua comunicação é restrita aos seus grupos. É subjulgada e polemizada, assim como muitas ações de outras culturas, como a própria matriz africana. Portanto, unem-se expressões marginalizadas para falar de amor. Um amor que deve ser compreendido para ser respeitado, aceito e valorizado, como parte da construção sociocultural do que é ser amazonido, do que é ser brasileiro.

Assim, foram espalhadas frases por ruas movimentadas de Belém e de Ananindeua, expressando desejos de saúde, justiça e caminhos de sucesso pra todos que passarem e se identificarem com a obra. Com a intenção de continuidade desse fluxo, pretende-se agora estender o convite aos pedestres que apoiam a construção de respeito, paz e amor entre diferentes povos para fotografar os pixos e compartilhar em suas redes sociais, usando as hashtags do projeto. Ao final,  será exposto na Galeria Theodoro Braga, dentro do coletivo "Nós de Aruanda", um painel com todas essas fotos, comprovando a vontade de quem participou dessa construção de reverência a essa cultura pacifista.

Tainah Jorge
Estudante de Ciências Socais, agente cultural e figurinista, filha de santo de Mãe Esther de Jarina, da Seara da Oxossi,  Tambor de Mina, há 7 anos.

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

kiuanangetu: Lançamento do livro/ catálogo “Kiuá Nangetu, poéticas visuais de resistência negra.

kiuanangetu: Lançamento do livro/ catálogo “Kiuá Nangetu, poéti...: Lançamento do livro/ catálogo “Kiuá Nangetu, poéticas visuais de resistência negra.” 18 de agosto (terça-feira), a partir das 18h. Lo...


Lançamento do livro/ catálogo “Kiuá Nangetu, poéticas visuais de resistência negra.”
18 de agosto (terça-feira), a partir das 18h. Local: Mansu Nangetu – Tv. Pirajá, 1194 – Marco (entre Duque de Caxias e 25 de setembro), fone 91-32267599

Programação
1.      17:30 - Acolhimento
2.      17:30 – Programação especial da rádio Azuelar com linha editorial de mobilização da marcha das mulheres negras – das 17:30 até 19h.
3.      19h Projeção dos filmes/ registros das ações no salão do Mansu.
4.      19:30 Roda de conversa com a apresentação do projeto e relato de experiência dos envolvidos nas ações e reflexões poéticas de resistência negra.
5.      20:30 – Mesa de autógrafos, apresentação musical de Mestre Nego Banjo e coquetel afro-amazônico

"Kiuá Nangetu, poéticas visuais de resistencia negra" é um projeto de vivências poéticas, intervenções midiáticas e outras intervenções urbanas com artistas do terreiro ”Mansu Nangetu" e artistas de outros terreiros convidados, com obras e poéticas oriundas do cotidiano das práticas tradicionais dessa comunidade de terreiro afro-amazônico e seus parceiros, que aconteceu durante o período de março a maio de 2015, mês de encerramento das comemorações dos 10 anos de criação do Instituto Nangetu.

O projeto Kiua Nanguetu! foi contemplado na 3ª edição do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras, tem a parceria entre a Fundaçãpo Cultural Palmares e o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos e Neves (Cadon), e patrocínio da Petrobrás que premiou 25 projetos de artistas, grupos e companhias que atendam à estética negra nos segmentos dança, artes visuais, teatro e música.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Arte afro-amazônica presente no projeto Feira Livre.

Pedro Olaia e Romário Alves em roda de conversa com Mametu Nangetu.

As paisagens de uma feira livre estão intimamente relacionadas aos frequentadores deste espaço/ tempo, elas tem a capacidade de agregar diferentes lógicas de organização e funcionamento que extrapolam as razões econômicas, colocando-as como fatores secundários, um lugar onde as práticas colaborativas são vivenciadas por necessidade e o intercâmbio cultural ocorre a cada encontro.
O Projeto "Feira livre; -performa-te cidade:  investigação performática, diálogos e outros sabores", coordenado pelo artista Pedro Olaia com a colaboração de Romário Alves, um projeto que se propõe a habitar o corpo-cidade, pensar e experienciar as feiras livres como extensão do corpo e produção de identidade.
São três feiras experimentadas como  espaços criativos abertos, lugares de produção de subjetividades, que serão experimentados criativamente pela interação dos propositores com outros três diferentes grupos artisticos, que são: Casa dos Bonecos, o Reator e o Instituto Nangetu. Para cada feira, o grupo envolvido abre o espaco cultural que representa para a construção de um laboratório multimidiático (open lab).
A vivencia criativa na feira da Ceasa com os artistas do Instituto Nangetu, é uma extensão das atividades que o grupo já desenvolve naquela área, os membros da comunidade já tem  um conjunto de trabalhos artísticos que coloca em questão o consumo irresponsável, os cuidados necessários para oferendas religiosas e o acumulo de lixo urbano na mata da CEASA.
Para além da área da mata, Mametu Nangetu quer experimentar, também, o espaço da feira que é a maior da cidade e o lugar de onde se distribui uma parte significativa dos alimentos da população. Para ela é importante relacionar esse espaço de convivência e trocas, cuja imagem também está relacionada á fartura do alimento, com o Nkise Mavambo, a divindade que, entre os povos bantu, transporta as oferendas que alimentam as tradições afro-amazônicas.

O Projeto Feira livre; -performa-te cidade:  investigação performática, diálogos e outros sabores, é premiado pelo Edital de Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação Artística da Fundação Cultural do Pará.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Reminiscências de Nzinga.

Dilelue dila di muka diangola
Dilelue ê ê a...
Aruê nganga kara kara Izan kolá
Aruê Samba Ngola di Mukongo Ngola.


Esta exposição comemora os 10 anos do Instituto Nangetu e traz obras coletiv’afetivas da comunidade do Mansu Nangetu trazendo cores, sons e texturas da resistência ancestral afrofeminina  em homenagem e celebração à memória da Rainha  Nzinga Mdambi (1582-1680) - A indomável e inteligente soberana de Matamba e Ngola, que altaneira e silenciosa conseguiu formar uma poderosa coligação com os estados da Matamba, Ndongo, Congo, Kassanje, Dembos e Kissama, juntando vários povos na sua luta contra os invasores portugueses, e comandou a resistência à ocupação colonial e ao tráfico de povos bantu por cerca de quarenta anos. 

Nossa rainha resistiu ao imperialismo colonizador e ao tráfico de negros para a escravidão na América sem nunca ter sido capturada. A palavra Nzînga vem do verbo zînga, que significa viver muito tempo, durar muito tempo, persistir durante muito tempo, com o sentido que é próprio da noção de autoridade no mundo bantu - o princípio do poder baseia-se no sangue de uma família derivado do ancestral principal - por esse motivo, nos Kôngo apenas os Nzînga podiam governar. A rainha quilombola de Matamba e Ngola tornou-se mítica e foi uma das mulheres e heroínas africanas cuja memória desafiou tempo, dando origem a uma ancestre [sic] cultural que invadiu o imaginário brasileiro com o nome de Ginga.

Em nossas tradições afro-amazônidas nós celebramos Kitembo, o Tempo, e o ditado “Tempo é rei de Ngola” é repetido pela comunidade como um mantra. Ginga permanece no nosso povo como um DNA cultural, uma coisa que está ali na memória dos saberes tradicionais, e que aflora em estampas de tecidos, paramentos de Nkisi, ações políticas, ambientalistas e, por que não, também poéticas.

Poéticas sim, pois através da manipulação do espaço-tempo em perspectiva sensível, nossas reminiscências se convertem em uma perpetuação de memórias da resistência negra que reconstroem nossa paisagem ancestral calcada em raízes que vêm de uma família real, que vêm dessa Nzinga.

Táta Kinamboji (Arthur Leandro) e Isabela do Lago

AUTORIA COLETIVA, bem comum 

As obras aqui expostas são fruto de ações comunitárias do terreiro Mansu Nangetu e seus parceiros, em especial ações ligadas aos projetos institucionais, como:  projeto Azuelar – laboratório experimental de comunicação social comunitária; projeto A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual, com objetivo de criar ambiente para manter o cultivo de plantas medicinais e de uso litúrgico, e incentivar seu cultivo, além da reciclagem de material e produção de vasilhas biodegradáveis, contribuindo com a preservação de matas e de igarapés urbanos; e o projeto Ancestralidade e Resistência, com o objetivo de valorizar a ancestralidade feminina nas Comunidades Tradicionais de Terreiros; projeto Kiua Nangetu – poéticas visuais de resistência negra, de vivências poéticas, intervenções midiáticas e outras intervenções urbanas com poéticas de artistas de terreiro. 

Coordenação geral do projeto: Mametu Nangetu (Oneide Monteiro Rodrigues)
Coordenação Técnica: Táta Kafunlumizo (ÂngeloImbiriba)
Curadoria:Táta Kinamboji (Arthur Leandro) e Isabela do Lago.
Onde: Galeria Theodoro Braga
Av. Gentil Bittencourt, 650(subsolo) – Nazaré -  66035-340 Belém-PA

sábado, 18 de abril de 2015

Nós de Aruanda na webTV Azuelar Roda de conversa com JOANA CARMEM MACHADO



Nós de Aruanda na webTV Azuelar

Roda de conversa com a artista
JOANA CARMEM MACHADO
contação de estórias afro-brasileiras
 Ilé Asé Iya Omi Ofá Karé

Apresentação
Luiza Soares Cabral

Produção
Luiza Soares Cabral
Táta Kinamboji (Arthur Leandro)

Realização
Projeto Azuelar - Instituto Nangetu
Ponto de mídia livre

Apoio
Programa de extensão universitária
Mídias educativas de apoio à implantação da Lei
10.639/2003 - Projeto: Produção do Programa
‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’,
poéticas visuais em combate ao racismo.
e Projeto:  Ngomba d’Aruanda: apoio às ações
de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de
Mídia Livre do Instituto Nangetu.
 FAV/ PROEX/ UFPA



Belém/PA
18 de abril de 2015

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Nós de Aruanda na webTV Azuelar.

Nesta sexta-feira, 10 de maio, iniciamos uma série de programas relacionados ao projeto "Nós de Aruanda, artistas de terreiro", na webTV Azuelar.
Este primeiro programa reuniu professores e bolsistas do Grupo de Estudos Afro-Amazônico/ GEAM (NEAB) - UFPA, que comentaram as expectativas e percepções sobre o projeto.
Sábado que vem, dia 18 de abril, será a vez de uma roda de conversa com Joana Carmem Machado, educadora que traz para a exposição uma performance de contação de estórias africanas e afro-brasileiras.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Nós de Aruanda na webTV Azuelar.



Roda de conversa com os organizadores da exposição Nós de Aruanda, artistas de terreiro - sexta-feira, a partir das 16h. http://www.ustream.tv/channel/azuelar

quinta-feira, 19 de março de 2015

Kiuá Nangetu: Magudiá -vivência gastronômica de Carlos Vera Cruz.

Publicado originalmente em Magudiá -vivência gastronômica de Carlos Vera Cruz.

Vivência poética e gastronômica de Carlos Vera Cruz na feira do Ver-o-peso, sábado, 21 de março, 11 da manhã.



O projeto KIUA NANGETU! POÉTICAS VISUAIS DE RESISTÊNCIA NEGRA é uma realização do Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social, constituído como associação de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, visando estreitar laços de confraternização e promover o desenvolvimento sócio-econômico da comunidade Afro-religiosa, e está intimamente ligado ao Mansu Nangetu – Mansubando Kekê Neta, que é um espaço sagrado de manutenção e preservação das manifestações de matriz africana de origem Bantu na cidade de Belém, e ambos funcionam na Tv. Pirajá, 1194 – bairro do Marco da Légua. O Instituto Nangetu participa desde a primeira edição da exposição “Nós de Aruanda, artistas de terreiro”, organizada pelo Grupo de Estudos Afro-Amazônico (NEAB) da UFPA. E desenvolve o Projeto Azuelar, um laboratório experimental de comunicação social comunitária cujo objetivo é Informar as ações culturais e sociais do Mansu Nangetu ou das Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas que tem sua parceria; Exibir filmes que tratam da temática afro-brasileira. Contribuir com a formação cultural de membros da comunidade tradicional de matrizes africanas da zona metropolitana de Belém; Combater o preconceito e a discriminação às culturas afro-brasileiras, em especial `as culturas tradicionais oriundas da África negra, de forma lúdica.

segunda-feira, 16 de março de 2015

CULTNE - Prêmio Afro - Projeto Kiua Nanguetu!

O projeto Kiua Nanguetu! foi contemplado com o Prêmio Afro aconteceu em 26 de Janeiro de 2015, no Rio de Janeiro. A 3ª edição do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras, tem a parceria entre a FCP e o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos e Neves (Cadon), e patrocínio da Petrobrás que premiou 25 projetos de artistas, grupos e companhias que atendam à estética negra nos segmentos dança, artes visuais, teatro e música. O investimento total foi de R$ 1,4 milhão. O projeto KIUA NANGETU! POÉTICAS VISUAIS DE RESISTÊNCIA NEGRA é uma realização do Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social, constituído como associação de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, visando estreitar laços de confraternização e promover o desenvolvimento sócio-econômico da comunidade Afro-religiosa, e está intimamente ligado ao Mansu Nangetu – Mansubando Kekê Neta, que é um espaço sagrado de manutenção e preservação das manifestações de matriz africana de origem Bantu na cidade de Belém, e ambos funcionam na Tv. Pirajá, 1194 – bairro do Marco da Légua. O Instituto Nangetu participa desde a primeira edição da exposição “Nós de Aruanda, artistas de terreiro”, organizada pelo Grupo de Estudos Afro-Amazônico (NEAB) da UFPA. E desenvolve o Projeto Azuelar, um laboratório experimental de comunicação social comunitária cujo objetivo é Informar as ações culturais e sociais do Mansu Nangetu ou das Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas que tem sua parceria; Exibir filmes que tratam da temática afro-brasileira. Contribuir com a formação cultural de membros da comunidade tradicional de matrizes africanas da zona metropolitana de Belém; Combater o preconceito e a discriminação às culturas afro-brasileiras, em especial `as culturas tradicionais oriundas da África negra, de forma lúdica.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

"Kiuá Nangetu" é contemplado em prêmio nacional de cultura afro-brasileira.

Em 2014, o Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras lançou sua terceira edição e o ano começa com boas notícias para o Estado do Pará. Entre os contemplados pela iniciativa conjunta do Centro de Desenvolvimento Oswaldo dos Santos Neves e Fundação Cultural Palmares (Minc), estão três projetos que serão executado em Belém.  Em artes visuais teremos o “Kiuá Nangetu – poéticas visuais da resistência negra”, idealizado pelo Instituto Nangetu, sediado no terreiro Mansu Nangetu, no bairro do Marco. 
Premiados em artes visuais nas cinco regiões brasileiras.


“Kuiá Nangetu” promete agitar a cena artística da cidade com intervenções no espaço urbano, estabelecendo inovadoras e sensíveis possibilidades de contato entre a sociedade e a produção de artistas de terreiro.  O projeto tem como pontapé as proposições poéticas do coletivo Nós de Aruanda, que inclui artistas do terreiro Mansu Nangetu e de outras casas afro-amazônicas. As intervenções ocorrerão durante o mês de maio, culminando com as atividades de encerramento da comemoração de dez anos do Instituto Nangetu.

Para a escolha do prêmio em artes visuais, reuniu-se a comissão de seleção que foi composta pelo ator Antônio Pompêo, Januário Garcia e Galvão Pretto, que avaliaram os projetos inscritos na edição de 2014. A reunião da equipe avaliadora foi realizada no Rio de Janeiro, nos dias 18 e 19 de dezembro de 2014. Os trabalhos foram coordenados por Ruth Pinheiro, presidente do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves – CADON, com o acompanhamento do representante da Fundação Cultural Palmares, Sr. José Newton Guimarães – Chefe de Divisão -  e Luis Carlos do Nascimento – Gestor de Projetos Culturais da Petrobras.

"Esta é apenas a terceira edição deste prêmio, e a segunda da bolsa fomento de artistas negros.  Em três anos de financiamento específico para artistas e produtores culturais negros temos muito pouco tempo e ainda não podemos dizer que revertemos o sistema de exclusão etnico-racial na cultura brasileira. Com propostas como esta, nós, artistas de terreiros, começamos, timidamente, a sair da invisibilidade”, considera Arthur Leandro, que também é carnavalesco da Embaixada de Samba do Império Pedreirense, que neste ano entra na avenida para lembrar o processo de opressão e resistência no qual o negro é protagonista na história do país.

No Pará também foram premiados dois projetos da AFAIA, em música o "AFAIA APRESENTA " EDSON CATENDÊ", e em teatro o "FACE NEGRA FACE - A HISTORIA QUE NÃO FOI CONTADA".

O Instituto Nangetu parabeniza todos os premiados, reconhece o esforço dos organizadores do prêmio e se sente muito honrado com a premiação.


Texto de Luiza Cabral, foto de divulgação do prêmio Afro e da EBC.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Magia de Jinsaba - limpeza de áreas de matas e igarapés do Curió-Utinga.

Nossas tradições primam pela preservação da natureza, e o Projeto Magia de Jinsaba também se preocupa com o abandono de garrafas e alguidás e outras vasilhas usadas nas oferendas em matas e igarapés.
A comunidade do Mansu Nangetu, em parceria com a Irmandade dos Rosário, faz constantes mutirões de limpeza das florestas urbanas e beiras de igarapés, e reaproveita o material coletado como vasos de plantas e em trabalhos de arte e artesanato, ou fornecendo garrafas para as cooperativas de reciclagem.




  


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Poéticas de terreiro na programação cultural do COPENE na UFPA.

Laço Afro, com Carlos Vera Cruz, Rodrigo Ethnos e Tom Salazar.



Como parte da programação do palco principal do Centro de Convenções Benedito Nunes, na sexta-feira, 1° de agosto, foi apresentado o espetáculo "Laço Afro", um espetáculo musical que apresenta canções que traduzem a alma do povo negro, da gente preta, em suas experiências, prazeres, memórias e tradições. Misturando-as a textos sobre cultura afro-brasileira de grandes autores, como Jorge Amado, Cruz e Souza, e o paraense Vicente Salles. Além de performances para ilustrar toda a beleza de cores e corpos da cultura negra e nos revelar que laço é esse que une a todos nós. Elenco: Carlos Vera Cruz (Mansu Nangetu) – textos, vocais e performances; Tom Salazar – violão e arranjos musicais; Rodrigo Ethnos (Táta Kafungeji do Rundembo Ngunzo ti Bamburucema) – percussões e efeitos sonoros.
Pretinhos, minha família, esculturas de Mametu Nangetu.

Enquanto isso Mametu Nangetu e Isabela do Lago também apresentaram seus trabalhos de artes visuais durante os dias do congresso, foi na exposição "Áfricas e diásporas", uma coletiva com artistas negros organizada pelas Profas. Marilu Campelo e Zélia Amador, do Grupo de Estudos Afro-Amazônico/ GEAM (NEAB) - UFPA, nas dependências do IFCH da UFPA, Mametu Nangetu apresentou a série de esculturas "Pretinhos, a minha família", construídas com massa de papel sobre barro, cabaças e cuias, e Isabela apresentou a série "A dona da porteira", sequencia de pinturas sobre portas com imagens auto-referenciadas e caracterizadas entidades femininas do culto a Exu.
A dona da porteira, pinturas de Isabela do Lago.


O VIII COPENE - Congresso Nacional de Pesquisadores Negros, é um evento bienal criado em 2000 após a constatação de que o racismo na Universidade se manifesta de forma insidiosa, muitas vezes fugidia, mas com resultados bem concretos: a perda de possibilidade de crescimento e desenvolvimento pessoal e coletivo. O Congresso tem a intenção de apresentar e discutir os processos de produção e difusão de conhecimentos intrinsecamente ligados às lutas históricas empreendidas pelas populações negras nas Diásporas Africanas, emanadas nos espaços de religiosidades, nos quilombos, nos movimentos negros organizados, na imprensa, nas artes e na literatura, nas escolas e universidades, nas organizações não-governamentais, nas empresas e nas diversas esferas estatais, que resistem, reivindicam e propõem alternativas políticas e sociais que atendam às necessidades das populações negras, visando a constituição material dos direitos e aconteceu de 29 de julho a 2 de agosto de 2014 na UFPA, Campus do Guamá em Belém/PA.