domingo, 31 de agosto de 2008

A festa dos caminhos abertos....


Nego Banjo comandou o samba.


E no sábado 23 de agosto não foi diferente, a Kizomba ria Pambu Njila Negrita do Mansu Nangetu foi projeto premiado pelo Edital Adelermo Matos da Secretaria de Estado da Cultura do Pará, na categoria grupos tradicionais da cultura popular e/ou festividades já inseridas no calendário cultural do Pará, tendo o reconhecimento e patrocínio da gestão da cultura estadual para a realização dos dez dias de festividade deste ano.

Mam'etu Nangetu presidiu o ritual.

A festividade culminou com uma grande cerimônia pública presidida por Mam’etu Nangetu. Ela explica que os Jinkisi Nganga Njila e Pambu Njila são os deuses que reinam sobre os caminhos e que promovem a união de mundos diferentes, e por isso são tão importantes para a religiosidade de matriz africana, e que também é por isso que as comunidades dos terreiros preparam festas com grande fartura de comida e bebida para eles, ela diz que é uma festa para “celebrar os caminhos abertos”.

Mam'etus Deumbanda e Mazadeuara animaram a roda.

Mam’etus Deumbanda e Mazadeuara foram as comandantes ‘da roda’ de danças que precedeu e preparou o ambiente para a chegada das divindades, sempre acompanhada das Kotas Kiriobá, Mazakalanje e Dandauandê. Na roda fez-se a festa até o momento mais aguardado: a chegada da Negrita, que aconteceu em torno das 23h. Negrita, então, recebeu seus convidados com a alegria que transformou a Kizomba ria Pambu Njila do Mansu Nangetu num dos eventos afro-religiosos mais importantes e concorridos na cidade de Belém.

Sacerdotes das mais diversas matrizes religiosas, e artistas e produtores culturais prestigiaram a kizomba, que incendiou de alegria quando as divindades pediram o ‘samba de roda’ no salão, chamando todos a dançar com elas os cânticos e ‘sotaques’ entoados por Nego Banjo e ritmados pelo Kambono Kamugeji e alabês de outros terreiros da ‘equipe do Banjo’, que mais uma vez atenderam ao convite e em parceria com a dona da festa seguraram a animação, e o samba, por aproximadamente quatro horas.








Animação geral com a chegada da Negrita.

Se aproximava da meia noite quando os Tátas Iya Tundelê e Kitauanje serviram as comidas sagradas: filé, xinxim, carnes de cabrito e outras iguarias temperadas com camarão, cebola e pimemta esquentaram ainda mais a temperatura do úmido clima amazônico.



E foi assim, em clima de festa e confraternização, que a kizomba seguiu madrugada adentro, sem um fim determinado, infinito como os caminhos de Negrita....









Serviço:

“Kizomba ria Pambu Njila Negrita 2008” (“Festa para Senhora dos Caminhos Negrita”), dia 23 de agosto, inicio às 21h30, no Mansu Nangetu, Travessa. Pirajá, 1194, entre Av. Duque de Caxias e Av. 25 de Setembro, Bairro do Marco, Belém-Pará. Telefone: (91) 3226-7599. Projeto premiado no Edital Adelermo Matos SECULT – Governo do Pará.

Nenhum comentário: