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terça-feira, 1 de março de 2016

Dançando para Iemanjá, roda de conversa com João Simões Cardoso Filho e Mametu Nangetu.

Como parte da celebração do dia Estadual e Municipal da Umbanda e das religiões afro-brasileiras em Belém e no Pará, o Instituto Nangetu promove uma série de rodas de conversas para o mês de março, o convidado do sábado, 19 de março, é o professor João Simões Cardoso Filho.

Dançando para Iemanjá, dinâmicas sociais e políticas religiosas.
Conversa com João Simões Cardoso Filho e Mametu Nangetu.
Sábado, 19 de março, a partir das 9:30.
Mansu Nangetu - Tv. Pirajá, 1194 - Belém/PA.
Transmissão pela webTV Azuelar http://www.ustream.tv/channel/azuelar


João Simões é pesquisador e autor da Tese "Dançando para Iemanjá", um estudo que parte da análise do Festival de Iemanjá pra debater cultura, natureza e sociedade. Nesta conversa com Mametu Nangetu, eles se propõem a abordar as políticas religiosas e as dinâmicas sociais na perspectiva do enfrentamento ao racismo e da defesa das tradições de matriz africana na Amazônia.


O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, que era filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin.
É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.
Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-brasileiras.



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Rei Congo e a Cabanagem, roda de conversa com João Lúcio Mazzini da Costa e Mametu Nangetu.

Como parte da celebração do dia Estadual e Municipal da Umbanda e das religiões afro-brasileiras em Belém e no Pará, o Instituto Nangetu promove uma série de rodas de conversas para o mês de março, iniciando com o historiador João Lúcio Mazzini da Costa.

Rei Congo e a Cabanagem.
Conversa com João Lúcio Mazzini da Costa e Mametu Nangetu.
Quinta-feira, 17 de março, a partir das 9:30.
Mansu Nangetu - Tv. Pirajá, 1194 - Belém/PA.
Transmissão pela webTV Azuelar http://www.ustream.tv/channel/azuelar


"Rei Congo e a Cabanagem" é uma conversa sobre a desconhecida história da tomada da cidade de Belém pelos negros trazidos para a Amazônia na condição de escravos, uma insurreição que instalou o reinado do 'Rei Congo' no Grão-Pará em outubro de 1823. A violenta reação dos colonizadores portugueses ao reinado do Congo culmina na chacina das lideranças negras daquela época na ação que ficou na história regional como o episódio da "Tragédia do brigue Palhaço".
Esses fatos históricos são pouco difundidos na atualidade, e a conversa se propõe a destacar o protagonismo do povo negro nas lutas sociais no Grão-Pará, território que hoje se traduz como a Amazônia brasileira, em especial sobre os fatos que resultam na Cabanagem em janeiro 1835.

João Lúcio Mazzini da Costa é historiador e arquivista.




O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, que era filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin.
É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.
Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-brasileiras.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Mametu Nangetu participou da XIII Mesa Redonda do Caboclo Camarada Amigo Meu, em Salvador.

Mametu Nangetu esteve no Espaço Cultural da Barroquinha em Salvador/Bahia   no dia 22 de julho de 2015, para párticipar da XIII Mesa Redonda do Caboclo Camarada Amigo Meu, com o tema: Pátria Amada Brasil.
O evento anual é uma realização da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu - ACBANTU  para celebrar a memória dos ancestrais e das pessoas que na atualidade continuam a luta de resistência do nosso povo.

Na ocasião, Mametu recebeu a homenagem Prof. Ubiratan Castro, pelo reconhecimento de sua atuação, dedicação e compromisso com os Povos Indígenas e de Terreiro.
Além de Mametu Nangetu, foram homenageados: a quilombola Maria Bernadete Pacífico, a Makota Célinha Gonçalves Souza, o Ojé Balbino Daniel de Paula e o Taata kwa Nkisi Eurico Alcântara.

sábado, 15 de novembro de 2014

Estudantes da Escola de Aplicação da UFPA visitaram o Mansu Nangetu.

O mês da consciência negra trouxe os estudantes da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará ao Mansu Nangetu, para uma roda de conversa com os guardiões das tradições Bantu deste terreiro amazônico.

Abrindo a roda de conversa, Mametu Nangetu parabenizou o NPi pelo interesse nas tradições afro-amazônicas e sugeriu que essas visitas acontecessem o ano inteiro e que os estudantes pudessem transitar nos territórios da diversidade de matrizes afro-amazônicas identificadas na 'Grande Belém'. Falou das pesquisas e publicações de cartografia das quais ela participou, e orientou os estudantes a buscarem também essas fontes de referência sobre os terreiros da zona metropolitana de Belém.
Depois a roda de conversa caminhou para o combate ao racismo, cidadania de povos de terreiros de matrizes africanas, direitos humanos e cidadania.

domingo, 10 de março de 2013

Mãe Doca na RC Resistência FM.

Está confirmado para o próximo sábado, 16 de março, a partir das 10h. RC Resistência FM em transmissão especial pela celebração do dia municipal e estadual da Umbanda e das Religiões Afro-Brasileiras, e pela memória de luta de Mãe Doca.
Andre Oliveira Pereira e Edson Catendê vão abrir a programação trazendo a experiência da AFAIA na condução do afoxé Italemi Sinavuru - um marco da resistiencia dos povos de terreiros.
Mãe Nalva vai comandar o programa sobre saúde nos terreiros.
Marilu Marcia Campelo trará informações e promovera o debate sobre a segurança alimentar e as fprmas tradicionais de alimetação nos terreiros
As culturas de terreiros será a pauta dos conselheiros paraenses no Colegiano Nacional Setorial de Culturas Afro-brasileiras Mam'etu Nangetu Úa NZambi Mametu Muagile Janete Oliveira Alex Leovan Omioryan Emanuell e Arthur Leandro
A equipe do Projeto Azuelar do Instituto Nangetu, Prêmio de Mídia Livre pelo MinC, promove o debate sobre o direito à comunicação.
E, ainda, divulgação do calendário de celebrações do mês de março, informações sobre as lutas por cidadania e direitos humanos e muito mais.
sintonize 90,1 - RC Resistência FM.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A luta pela liberdade religiosa no estado do Pará tem nome, e o nome dessa luta por liberdade é “Mãe Doca”!

O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra/PT) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos/ PSoL) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como “Mãe Doca”

A homenagem é uma celebração à memória da luta de Nochê Navanakoly, que era maranhense de Codó e filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo. Seu Vodun era Nanã e Toi Jotin. Foi Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense. 

Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades africanas e preservava as tradições de matriz afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter aberto o terreiro que dava lugar para a manutenção das tradições de sua origem negra africana.

A consciência negra foi o que motivou Mãe Doca a enfrentar os desmandos da polícia e o poder constituído em alicerces racistas e discriminatórios. E pelo reconhecimento do valor da luta de Mãe Doca por cidadania e o direto humano de consciência religiosa, é que as lideranças de povos tradicionais de matrizes africanas, lideranças que hoje continuam como herdeiros da mesma resistência que desde o final do século XIX se mantém na luta que enfrenta o racismo que demoniza as tradições afro-amazônicas, e por reconhecer a importância de manter viva  a memória de nossas lutas cotidianas, é que Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência das religiões de matriz africana no Pará, e é em sua homenagem que celebramos o dia 18 de março como o dia da Umabanda e das religiões Afro-brasileiras.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Terreiros realizaram o 41º Festival de Iemanjá na Praia do Cruzeiro.

Decoração do andor com a Imagem de N. Sra. da Conceição, no Terreiro de Mãe Marina, na Sacramenta

 Veja o vídeo da TV Liberal clicando aqui.

Pelo direito à liberdade religiosa, a quem pertence o Festival de Iemanjá?
Uma polêmica se instalou em Belém nestes primeiros dias de dezembro de 2012, desde os últimos dias de novembro que o jornalista Amaury Silveira (repórter da Rede Brasil Amazônia de Comunicação – TV RBA, Rádio Clube do Pará e Diário do Pará) anunciava o cancelamento da realização do 41º Festival de Iemanjá. Os motivos do cancelamento, dizia Amaury, era a alegação do Coronel Itacy Domingues – apresentado pelo jornalista como “o organizador” do festival -, que não teria conseguido recursos financeiros para a organização do evento. Amaury Silveira também especulou sobre a realização de um 'encontrão' com evangélicos que, segundo ele, estariam preparando uma concentração no estacionamento da Praia Grande do Outeiro, ao mesmo tempo em que afirmava o cancelamento do festival,
Enquanto isso nem Itacy Domingues, e nem tampouco os demais dirigentes da Associação dos Amigos de Iemanjá, se manifestavam sobre o assunto, e até então não se tinha sequer uma notícia dos preparativos da festividade que, desde 1986, acontecia na Praia Grande do Outeiro na Ilha de Caratateua.
Iracema Oliveira, relações públicas da Associação dos Amigos de Iemanjá, prestigiou a saída do cortejo no bairro da Sacranenta.
A ameaça de quebra de uma festividade considerada como uma tradição dos Terreiros de Umbanda de Belém e que se realiza há mais de 40 anos, provocou revolta entre os membros das comunidades de terreiros que desde 1971 participam do festival, e dessa manifestação de desagravo começou uma intensa mobilização para manter viva a tradição e realizar o Festival de Iemanjá independente da decisão da direção dessa Associação que foi criada com objetivo específico da realização dessa festividade.
As comunidades tradicionais de matrizes africanas mantiveram a tradição e saíram em cortejo pelas ruas de Belém.

Para entender a questão precisamos saber um pouco da história do festival e de suas personagens.
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A origem do festival.
Não vamos dizer que a nossa idéia de realização do “Primeiro Festival de iemanjá”, no próximo 7, em Icoaraci, tenha percorrido caminhos muito fáceis para sua concretização. Dependeu de tempo, tivemos que lançar mão do princípio de unidades que já existe entre os terreiros, contamos com a colaboração espontânea da maioria, tivemos de enfrentar uma série de obstáculos que graças a Deus, estão sendo transpostos, devagarinho. Tudo isso estava previsto, até o começo de um desânimo ao perceber que, alguns não entenderam plenamente o nosso objetivo e, por não entenderem tentaram - sem conseguir - fazer a derrubada geral dos planos que continuam sendo seguidos na maior lisura possível. Coluna IVO SILVA NO EMBALO (Jornal “A Província do Pará, 5/6 de dezembro de 1971, segundo caderno, pg 03).

Na dissertação de mestrado “Uma rosa à Iemanjá” (Antropologia/ UFPA, 1999), o pesquisador João Simões entrevistou as lideranças de terreiros que iniciaram o festival, o que podemos entender de sua análise antropológica é que são vários os fundadores e várias as motivações. Quase todas as personagens são falecidas, mas deixaram o registro da origem do festival nessa pesquisa universitária, personalidades como João Guapindaia, que afirmou ter sido procurado pelo radialista Ivo Silva e que foi designado a autoridade religiosa responsável pelo primeiro festival, função que assumiu com a ajuda de “Pai Manoel da Jóia”, e Pai Euclides, que veio de São Luís especialmente para o primeiro festival.
É nessa pesquisa que Mãe Celina revela que naquela época ainda não era “Mãe de Santo”, mas que por ser filha de santo e amiga de Ivo, participou de toda a sua origem. Ela contou que o Festival foi fruto de uma promessa do seu amigo e radialista Ivo Silva (Rádio Marajoara), em agradecimento à uma graça alcançada - essa graça foi a cura da cegueira de seu filho mais velho, e a cura é atribuída à Iemanjá. Ela disse que Ivo a procurou para organizar a festividade e que dela chegou aos demais Pais e Mães de Santo fundadores. Mãe Lucimar acrescenta que depois Ivo foi pro Maranhão em meados de 1974, e foi então que o também radialista Paulo Ronaldo (Rádio Marajoara) passou a participar da organização do festival.
Por outro lado, Mãe Marina contou que já vazia seu ritual na praia do Cruzeiro alguns anos antes do primeiro festival, que ela fazia o ritual na praia para “Mamãe Oxum” e que um ano antes do primeiro festival (1970) ela teve uma “revelação”. Ela disse que no momento da oferenda pra Oxum, a sua “Ondina” (encantaria das águas) revelou à um de seus filhos que, mesmo que ela quisesse fazer o ritual sozinha, a partir daquele momento 'a estrela de Iemanjá iria fazer o ritual brilhar' e que pra isso ela seria obrigada a fazer em conjunto com outros terreiros. Para Mãe Marina, Ivo Silva (um leigo que quase nada conhecia das religiões afro-amazônicas) foi apenas um instrumento para a realização da vontade de Mamãe Oxum e das Encantarias das águas.
Comunidades Tradicionais de Terreiro ocuparam a Praia do Cruzeiro e fizeram o 41º Festival de Iemanjá acontecer.

Quando a celebração para Iemanjá, Oxum e às Encantarias das águas perdeu a importância para os diretores da AAI?
FESTIVAL IEMANJÁ ARRASTOU MILHARES DE PESSOAS À PRAIA.
* CONSTITUI-SE EM SUCESSO total o “Festival de Iemanjá”, na praia do Cruzeiro em Icoaraci reunindo 40 terreiros de umbanda de Belém no Pará (oficialmente inscritos). Os pais e mães de santos foram conduzidos em companhia dos filhos de cada terreiros, em 23 ônibus que foram colocados à disposição do colunista por MONTILA.
* TODOS SE DIRIGIRAM preparados com vestimenta própria da data. A caravana chegou em Icoaraci às 20 horas e 30 minutos aproximadamente. Tôda a orla da Baía estava já literalmente tomada por populares à maioria conduzindo a flôr(sic) (solicitada na campanha) para “deusa das águas”. A invasão do público à praia, o policiamento reduzido, diante do inexperado(sic) público que compareceo(sic) foram os motivos principais e tornaram impossível a execução do programa que estava preparado para a praia.
* CADA TERREIRO teve de fazer como pode sua parte de homenagem a “Iemanjá”. Alguns poderiam afastar-se da multidão que cercava e apertava os terreiros e escolherem lugares mais distantes para “firmar o ponto a deidade do mar”.
* TUDO, apesar dos imprevistos correu com normalidade na praia que recebeu iluminação especial oferida(sic) pelo fabricante de Coca-Cola em Belem, o grande patrocinador do encontro umbandista para festevar(sic) Iemanjá
* A SECRETARIA DE OBRAS sob a orientação de seu titular sr. Morais da AGÊNCIA de Icoaraci, ofereceu o melhor de seus esforços para que tudo estivesse preparado a contento. Uma equipe, sob seu comando trabalhou dia e noite para que a festa tivesse êxito assegurado”.
* A VILA DE ICOARACI foi pequena para conter o fluxo de carros particulares e taxis, além dos ônibus que levaram milhares de pessoas para assistir ao “PRIMEIRO FESTIVAL IEMANJA” do norte do Brasil”.
* AS BARCA(sic) com as oferendas começaram a largar a praia a exatamente à mei-noite(sic). Centenas de pessoas não resistiram e se alnçaram(sic) as águas pedindo graças a Iemanjá alguns com toda vestimenta do corpo”. 
* ONTEM a festa continuou em todos os terreiros de umbanda. era o inicio de Nossa Senhora da Conceição (Mamãe Oxum). Os terreiros participantes voltaram sem poder conter a alegria de ter participado da grande festa, o maior movimento umbandista.”Coluna IVO SILVA NO EMBALO (Jornal “A Província do Pará, 10 de dezembro de 1971, segundo caderno, pg 03)
Com o passar dos anos, e das décadas, e por ser, ano após ano, um fato amplamente noticiado pela imprensa paraense, o Festival de Iemanjá se tornou o ritual afro-amazônico de maior repercussão e visibilidade social em Belém do Pará.
Essa grandiosidade que a festividade alcançou está presente nos discursos desde a sua origem, parece que já nasceu com essa pré-destinação, e essa intenção nós podemos encontrar tanto no “mito fundador” através da 'revelação' da Encantaria de Mãe Marina, quanto no espaço alcançado na imprensa na divulgação (em agradecimento à graça alcançada) pelo jornalista Ivo Silva.
Em 1986 os organizadores do Festival criaram a A.A.I. - Associação dos Amigos de Iemanjá, uma organização social que tem como objetivo a organização do festival, e nessa organização tanto as lideranças de terreiros quanto jornalistas e autoridades constituídas sempre estiveram presentes, como se fosse um diálogo multicultural que tinha um interesse comum: a celebração religiosa na praia e em homenagem à Iemanjá, Oxum e às Encantarias das águas.
No início havia a crença e o interesse de criar a visibilidade e o impacto social ao culto `a Iemanjá – mesmo daqueles que não faziam parte das religiões afro-amazônicas -, e pra isso se juntaram nessa associação: 1. autoridades religiosas; 2. autoridades civis; e 3. jornalistas, e cada um desses grupos sociais atuavam em nome do interesse comum na afirmação das celebrações para Iemanjá. 
Cada comunidade levou suas oferendas para a entrega coletiva à nos primeiros minutos do dia 8 de dezembro.

Mas, e nos dias de hoje? Podemos ainda afirmar que há interesse comum?
Um dado importante para analisar a situação atual é a informação de que no núcleo administrativo da atual diretoria da AAI não há uma única autoridade religiosa, a associação é presidida pelo Coronel Itacy Domingues (policial da reserva) e o vice é Amaury Silveira (jornalista), e, segundo Mametu Kátia Hadad, há quase 10 anos que essa diretoria retirou a AAI da organização do festival para divulgar a organização criada pelo Cel. Itacy, a URCABEP, como promotora do festival.
A percepção da modificação da organização social promotora do evento pode tranqüilamente levar a outras especulações, dentre elas o possível descaso da atual diretoria com a memória do festival e de seus fundadores. A especulação que mais se ouvia na noite de 7 de dezembro na praia do Cruzeiro, em Icoaraci, era de que o coronel queria cancelar a festa apenas para se vingar porque não foi eleito vereador no pleito de 2012, e que ele achava que com o resultado da eleição ele havia sido traído pelos umabandistas.
Temos, numa das postagens do Amaury Silveira no Facebook, uma pista para a relação entre a derrota nas eleições e o cancelamento da realização do festival, Amaury afirmou na rede social que

No próximo dia 7, deveria ocorrer organizadamente, como ocorria desde 1971, o FESTIVAL DE IEMANJÁ, na Praia Grande do Outeiro.
Este ano, como venho postando aqui no Face, desde o final de Outubro, não teremos o evento. O organizador, Cel Itaci, alega a falta de recursos, pois gastou todo o seu dinheiro, na campanha política passada, quando foi candidato a vereador (e não ganhou).
Como ele bancava a maioria das despesas do seu bolso, e a Prefeitura em fim de Governo, fechou os cofres. assim como o Governo não viabilizou verbas, ele anunciou que não iria organizar a festa este ano.”
Se no início o festival era fruto do esforço coletivo, agora o Itacy é apresentado como “o organizador”, como se ele sozinho fosse o único responsável por todo o festival.
Assim como com a tentativa de cancelamento do festival, a desinformação que o vice-presidente da AAI, Amaury Silveira, promoveu nas redes sociais e em seu programa de rádio, podemos até especular que na atual diretoria não há mais o mesmo compromisso com a valoração positiva que demonstrava Ivo Silva, quando este afirmava que “tivemos de enfrentar uma série de obstáculos que graças a Deus, estão sendo transpostos, devagarinho.”. Importante salientar que nos primeiros anos da década de 1970 a imprensa que fazia parte da organização falava na primeira pessoa do plural e atribuia a outros atores a mesma importância para a sua organização, essa pluralidade expressa nos textos de Ivo se perdeu em algum lugar do passado. 
Terreiros das mais diversas nações ocuparam a praia com oferendas e homenagens.
Ao contrário da persistência coletiva do grupo que iniciou a tradição, nos dias de hoje a postura da diretoria foi personalista e de absoluto descaso com a organização do festival, e Amaury ainda divulgou nas redes sociais que “IEMANJÁ: Nos últimos anos, diversos evangélicos foram para a Praia Grande, no dia da festa de Iemanjá, mas foram rechaçados. Tentavam ridicularizar o evento, distribuindo folhetos etc. Dessa vez, sem organização, espero que nada ocorrte de errado.” (dia 4 de dezembro de 2012 – http://www.facebook.com/amaury.silveira.52), investiu no terrorismo midiático e continuou com postagens ameaçadoras ao dizer que “Evangélicos estariam programando para o mesmo dia 7, na mesma hora e no estacionamento da Praia Grande, um encontrão.” (via Twitter @amauryreporter às 2:15 PM - 1 Dez 12), e, disse mais, que “O estacionamento da Praia Grande é de frente p/ onde o Festival ocorre. Pode ocorrer algum desentendimento entre macumbeiros e evangélicos” (2:18 PM - 1 Dez 12), sugerindo que haveira conflitos físicos entre adeptos das duas religiões. Concluímos que o vice-presidente da organização que deveria promover o festival e o culto à Iemanjá, ao invés de usar seu poder de comunicador em razão do respeito à devoção à Iemanjá, tentou confundir os leigos, incitar a violência e criar o temor nas comunidades de terreiros que, caso insistissem em desobedecer a direção da AAI e insistir na realização do festival, deveriam se prevenir para possíveis conflitos por intolerância religiosa nas praias do Outeiro.

Os religiosos entoaram antos e danças em celebração às divindades das águas.
Os organizadores da festa quiseram ser, também, os donos das divindades!
É bem verdade que a população da zona metropolitana de Belém confunde os rituais que cada terreiro promove à Iemanjá com a realização do festival, afinal são 40 anos que essa festividade é divulgada na imprensa enquanto as manifestações isoladas de cada terreiro permanecem invisíveis para a imprensa local, e para o senso comum a divulgação do cancelamento do festival, por conseguinte, causou o entendimento do cancelamento de todos os rituais que os terreiros tivessem programado para a celebração às divindades que residem nas águas afro-amazônicas.
Se autoridades religiosas não fazem mais parte da diretoria da AAI, os interesses de seus diretores parecem ter se tornado apenas a promoção pessoal. E se o coronel Itacy não foi eleito vereador, pra ele parece que não faz diferença em realizar ou não realizar o festival, afinal ele não faz parte das comunidades de matrizes africanas e não recebeu a contra-partida que o mesmo esperava para continuar a promover o festival.
Amaury também parece ir no mesmo caminho, pois ao saber que haveria o festival mesmo sem a organização da diretoria da AAI, ele disse “Iemanjá: Soube que um grupo de umbandistas estariam se unindo para irem até o Outeiro, mesmo com recursos precários.” ( via Twitter às 2:19 PM - 1 Dez 12), e no dia 4 de dezembro acrescentou pelo Facebook que
IEMANJÁ: Preocupa-me o fato de que alguns umbandistas queiram individualmente irem para a praia, mesmo assim.
É que se trata de um evento de água e como tal, tem que ter segurança, principalmente os salva-vidas do Corpo de Bombeiros. Todos os anos, eles são acionados pela direção da festa.
Este ano, espero que o comandante entenda que de modo preventivo, encaminhe homens para essa missão. Com certeza vai gente da umbanda, lá, prestar sua oferenda.
Entendo também que seja necessário a presença da PM, para garantir a segurança, pois estão sendo anunciadas festas dançantes e grande movimentação em bares.
Soube também, que evangélicos estariam planejando um Encontrão para o estacionamento da praia. Isso pode causar entrevero com umbandistas.
Ontem a noite foi até a praia e, no espaço onde o Festival é apresentado, tem boa iluminação. Refletores que a Celpa deixou lá, instalados e que dá perfeita iluminação para o local. Menos mal.
Se tiver som. Uma imagem, mesmo pequena, um altar, Bombeiros e PM, dá pra realizar o evento. Também o transporte para os terreiros.”
Amaury quis demonstrar preocupação com a segurança dos umbandistas e do público que frequentava o festival, público que já chegou a 60 mil pessoas, mas parece mesmo é que os diretores do festival se acharam também com poder de 'donos' da religiosidade afro-amazônica, e que bastaria o presidente se utilizar dos programas de rádio de seu vice para anunciar a decisão de cancelamento e a partir daí todo o litoral da zona metropolitana de Belém estaria livre do culto à Iemanjá e à Oxum.
O recado dado pelo coronel e pelo jornalista parece bastante evidente, é como se eles dissessem “sem nós vocês não vão conseguir manter a tradição e a devoção aos deuses de vocês”.

Mametu Katia Hadad, filha de Mãe Nazaré Andrade (fundadora do festival) esteve na liderança da resistência do festival.
Da adversidade vivemos!
Com os recados vindos da imprensa, imediatamente os terreiros criaram uma rede solidária para garantir a realização do culto à Iemanjá nas praias da orla de Belém, e a manutenção do festival que lhe dá visibilidade social através do espaço na imprensa.
 Cada comunidade contribuiu com o que pode, inclusive com abertura de canais de acesso a outras emissoras de rádio e televisão. Foi assim que na terça-feira, dia 4 de dezembro, o Jornal “O Liberal” e o Jornal “Amazônia” publicaram a manifestação de desagrvo de Mametu Kátia Hadad aos diretores da AAI, e no mesmo dia o “Jornal da Noite”, da TV Cultura do Pará, exibiu matéria com diversas autoridades afro-religiosas afirmando que os rituais para Iemanjá não tem donos, e que o festival se realizaria mesmo sem a participação do Coronel Itacy.

A praia do Cruzeiro, em Icoaraci, ficou pequena com a quantidade de representações de terreiros e devotos de Iemanjá que compareceream para as homenagens.

Quando o conflitos entre os interesses pessoais do coronel Itacy e do jornalista Amaury Silveira ameaçaram a manutenção dos ritos à Iemanjá nas praias da orla de Belém, a informação foi recebida como uma ameaça a toda a liturgia afro-amazônica, e, por analogia, à liberdade de consciência religiosa, e o que testemunhamos na semana que antecedeu a realização do festival foi o 'levante' de insubordinação e insurreição dos terreiros. Um levante que teve a liderança das herdeiras das fundadoras do festival, mas que também teve a adesão de terreiros que nunca participaram desse festival e que se integraram nessa resistência em nome da luta política de afirmação de identidade religiosa de matrizes africanas na Amazônia, e em nome do direito à liberdade de culto.
O recado devolvido foi “se vocês acham que podem cancelar o culto (e a devoção) às divindades afro-amazônicas, lhe mostramos que vocês não nos fazem falta.”
  
Belém, 9 de dezembro de 2012

Táta Kinamboji (Arthur Leandro)
Sacerdote de Candomblé de Angola, Militante de Direitos Humanos e do Movimento Negro, Artista e Pesquisador.


A diretoria da AAI-Associação dos Amigos de Iemanjá é vitalícia e é composta por: 
Presidente: Itacy Domingues
Vice-Presidente: Amaury Silveira
1º Secretário: Bento Pires
2ª Secretária: Mãe Nazaré Andrade (falecida)
Diretora Social: Iracema Oliveira
Relações Públicas: Pai Reginaldo
1º Tesoureira: Mãe Marinete (falecida)


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Radioweb da UFPA debate intolerância religiosa.

A rádio web da UFPA gravou nesta quarta-feria, 04 de abril, um debate abordando aspectos do racismo no Brasil e como as práticas racistas se transformam em intolerância contra as religiões afro-amazônicas.
A luta pela garantia do direito constitucional de liberdade de consciência religiosa também foi pauta do debate, que abordou os mecanismos de resistência dos terreiros na preservação da memória, na preservação das concepções das africanidades afro-amazônicas, e a atuação política das lideranças de terreiros.
O debate ainda proporcionou uma rodada de avaliação da atuação da universidade e as possibilidades de intervenção da comunidade acadêmica para a promoção do respeito à diversidade religiosa brasileira.
O programa UFPA Debate foi apresentado pela jornalista Cássia Nascimento e vai ao ar na semana que vem, e para debater esse tema teve a participação da Profa. Marilu Campelo da Faculdade de Ciências Sociais e do Grupo de Estudos Afro-Amazônico/ GEAAM, pelo Prof. da Faculdade de Artes Visuais Arthur Leandro (Táta Kinamboji) que também é sacerdote do Mansu Nangetu, e de Babá Tayando (Luiz Augusto Loureiro Cunha), sacerdote do Tambor de Mina.

Fotos do Pai Junior de Xangô, da ACAOÃ, gentilmente cedidas para o Projeto Azuelar.

Deputada Bernadete Ten Caten reuniu lideranças de terreiros em seu gabinete na ALEPA, para organizar a sessão solene de entrega da "Comenda Mãe Doca de Mérito Afro-religioso".

Lideranças de terreiros estiveram nesta terça-feira no gabinete da deputada Bernadete Ten Caten (PT) no Palácio Cabanagem - sede da Assembléia Legislativa do Estado do Pará - ALEPA, para orientar a equipe de assessores da deputada na condução da sessão solene para entregue do diploma e da medalha da "Comenda Mãe Doca de Mérito Afro-religioso" de 2012.

A reunião foi conduzida pela assessora parlamentar Jakelyne Costa. Ela explicou que Sessão Solene já está marcada e que vai acontecer na segunda-feira dia 23 de abril de 2012, e que o cerimonial da ALEPA sentiu a necessidade de buscar maiores informações sobre o trabalho social e cultural desenvolvido nos terreiros.


A função da reunião foi apresentar uma lista de nomes com o curriculo resumidos de cada um para servir de orientação aos parlamentares, e para isso ela pediu aos presentes a indicação de nomes de lideranças de terreiros que tenham o respaldo das comunidades e o reconhecimento de seus pares para encaminhar essas informações para os partidos que tem assento no Poder Legislativo.
O primeiro conselho apresentado pels lideranças presentes é de que os parlamentares tenham o cuidado de escolher seus homenageados entre a diversidade das práticas religiosas afro-amazônicas, para que todas as religiões de origem na África negra presentes no Pará se sintam representadas nessa homenagem.

A questão da representação das micro-regiões do estado também foi pauta apresentada pelas lidaranças de terreiros, e foi consenso que é preciso valorizar e atribuir a comenda do mérito para aqueles que mantém viva a religiosidade afro-amazônica nas regiões distantes da zona metropolitana de Belém, e que para isso será preciso que os próprios deputados se aproximem das comunidades e se disponham a conhecer o contexto de vida e de resitência dos povos de terreiros nas diversas regiões paraenses.
Quando as lideranças perguntaram se a lista que for apresentada será a mesma lista de homenageados, Jakelyne explicou que as bancadas tem autonomia para escolherem os nomes de seus homenageados e que entre esses deputados há aqueles que tem proximidade com comunidades de terreiros e que possivelmente já tenham escolhidos a quem entregar a comenda dentre os nomes que fazem parte de suas redes de relações, mas que considera importante  que as lideranças de terreiros visitem os gabinetes e apresentem a cada deputado os nomes e os critérios de escolha daqueles que são reconhecidamente importantes para o universo dos povos tradicionais de terreiros afro-amazônicos.
Foi escolhida uma comissão de terreiros para visitar os gabinetes e apresentar aos deputados a lista com 23 nomes importantes para as comunidades alí representadas e os critérios utilizados para a escolha dos que receberão a comenda.


Mãe Doca, um símbolo de resistência para as religiões afro-amazônicas.





Mãe Doca, em foto de 1917.

A comenda é uma celebração à memória da luta de de dona Rosa Viveiros, também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, ela era maranhense de Codó e filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin. É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense. Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Seu terreiro se manteve aberto até meados da década de 1960, e Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência das religiões de matriz africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umabanda e das religiões Afro-brasileiras.



Comenda Mâe Doca de Mérito Afro-religioso celebra a resistência dos terreiros e o direito à liberdade de consciência religiosa.


A comenda foi institutída em 2009 pelo Poder Legislativo do Estado do Pará por iniciativa a e projeto da deputada Bernadete Ten Caten, e é concedido como reconhecimento da ALEPA às pessoas que trabalham na divulgação, manutenção e preservação das manifestações das religiões de matrizes africanas, mas somente em 2011 foi realizada a primeira sessão solene e entrega da comenda. 
A deputada Berndate Ten Caten e os Deputados Edmilson Rodrigues e Edilson Moura com as liderança de terreiros homenagedos pela ALEPA em 2011.


Em seu discurso na abertura da sessão em 2011, o presidente da ALEPA, Manoel Pioneiro (PSDB) disse que “Esta Casa de leis se sente honrada em tê-los em nossas dependências, até porque representamos todos os povos e religiões e esperamos também que vocês se sintam representados por esse poder".
A deputada Bernadete reconhece que a realização da sessão e a sua manutenção no calendário do Poder Legislativo é uma conquista para as lutas pelo respeito à diversidade religiosa, diversidade que é uma das características mais fortes do povo brasileiro, e afirma que "a liberdade de crença é um direito assegurado na Constituição Federal, que necessita urgentemente de validade prática, de modo que toda e qualquer crença ou religião possa ser exercida num contexto de respeito, paz e compreensão”.
Os homenageados são indicados pelas bancadas dos partidos políticos com assento na Assembléia Legislativa do Pará. São ao todo 16 partidos representados, porém em 2011 apenas 14 desses partidos participaram dessa homenagem e indicaram lideranças de terreiros para receber a comenda, os Homenageados em 2011 foram: 1) Charley Ernesto Ínto da Silva (Castanhal), indicado pela bancada do DEM; 2) Elder Fábio Alves Câmara de Andrade, indicado pelo PSB; 3) Itacy Dias Domingues, indicado pela bancada do PSC; 4) Luiza Ninfa de Oliveira, mãe Lulu, indicada pelo PT; 5) Luiz Augusto Loureiro Cunha, Babá Tayando, indicado pelo PR, 6) Luiz Carlos dos Santos Portilho, indicado pelo PSDB; 7) Marcelo Ricardo Soares Machado, indicado pelo PP; 8) Oneide Monteiro Rodrigues, Mametu Nangetu, indicada pelo PMDB; 9) Orlando Machado da Silva, Pai Orlando Bassu, indicado pelo PPS; 10)  Virgínia Lunalva Almeida, Mão Nalva de Oxum, indicada pelo PTB; 11) Iya Nare; 12) Walmir da Luz Fernandez, indicado pelo PSOL; 13)   Pai Esmael Tavares, indicado pelo PDT; 14)  Babalorixá Edson Catendé.





sábado, 17 de março de 2012

Roda de conversa antecedeu a realização da Caminhada "Fé e resistência".




Nesta sexta-feira, dia 16 de março, aconteceu a Roda de Conversa que antecede a III CAMINHADA ESTADUAL PELA LIBERDADE RELIGIOSA FÉ E RESISTÊNCIA "CAMINHANDO A GENTE SE ENTENDE".
A reunião foi no "Templo de Religião de Matriz Africana Agaronile" e os organizadores da manifestação puderam compartilhar todos os detalhes que envolvem a organização,  explicando qual é a infra-estrutura disponível para este ato político de combate a intolerância religiosa e promoção da cultura da paz.

Ultimos ajustes para o livro do projeto “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade".



A pesquisadora e professora da UFRRJ, Camila do Vale se reuniu com as lideranças de terreiros que coordenaram os trabalhos em cada uma das nações presentes na pesquisa de mapeamento de terreiros da zona metropolitana de Belém, e junto com outras lideranças que atenderam ao chamado para participar da verificação das informações que vão constar no livro resultante do projeto “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade".
Todos os presentes puderam contribuir para as correções que se fizeram necessáris, e em breve estaremos divulgando a data do lançamento da publicação que tem o financiamento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

segunda-feira, 12 de março de 2012

III Caminhada estadual pela liberdade religiosa 'Fé e resistência'.

Mametu Nangetu com lideranças de terreiros do Pará na abertura da caminhada de 2011.

O Instituto Nangetu se junta à mobilização pela  III CAMINHADA ESTADUAL PELA LIBERDADE RELIGIOSA FÉ E RESISTÊNCIA " CAMINHANDO A GENTE SE ENTENDE". e chama toda a população para participar e a lutar pela garantia do direito constitucional de consciência religiosa.

DATA 18/03/2012
CONCENTRAÇÃO: 9 HS NO VER-O-RIO
TRAJETO: VER-O-RIO RUMO A PÇA DA REPÚBLICA

Ekedy Rita com seu filho de colo, Mãe Nalva de Oxum e Iyá Nere, lideranças femininas presentes na manifestação de 2011.




 

Nego Banjo e Afoxé Araxé fizeram a animação do cortejo em 2011, na foto aparece com o Dep. Edmilson Rodrigues.

ATRAÇÕES CULTURAIS:
GRUPO BATUQUE
ESCOLA DE SAMBA XODÓ DA NEGA
ESCOLA DE TEATRO DA UFPA
AFOXÉ ITA LEMI SINAVURU
GRUPO CULTURAL BAMBARÊ E CONVIDADOS.

REALIZAÇÃO:
INTECAB/PA E COMUNIDADES TRADICIONAIS DE TERREIROS DO ESTADO.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

COMITÊ INTERRELIGIOSO DO ESTADO DO PARÁ

APOIO:
GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ
CEPPIR
GABINETE DO DEPUTADO ESTADUAL EDMILSON RODRIGUES
GABINETE DA DEPUTADA CILENE COUTO
LABORATÓRIO BIOMÉDICO

"PRECISAMOS ACREDITAR QUE É POSSÍVEL CONVIVER NA SOCIEDADE,RESPEITANDO NOSSAS DIFERENTES CONDIÇÕES NA VIDA,SEJA RACIAL,SEXUAL, RELIGIOSA,CULTURAL,FINANCEIRA." Káta Hadad


CONTAMOS COM SUA PARTICIPAÇÃO

MAMETU KÁTIA HADAD-DIRETORIA SOCIAL INTECAB/PA. FONE:(91)32579036/ 88223937/82206238


Fotos de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu. Ponto de Mídia Livre

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Intolerância Religiosa - Tentativa de impedimento à ritual afro-religioso.

Táta Kasuleka (Mansu Nangetu) mandou para o blog esta foto da viatura da empresa particular de segurança tentando impedir a coleta de folhas na mata da CEASA.
A foto é antiga (entre dezembro de 2007 e janeiro de 2008), mas a prática de constranger os religiosos permanece até os dias de hoje.

Táta Kasuleka coleta folhas sob a vigilância de viatura de empresa particular de segurança na Mata da CEASA. Foto: Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - feito de celular, tecnologia do possível.



domingo, 18 de dezembro de 2011

Em nome do ensino sem preconceitos, Povos Tradicionais de Terreiros produzem cartografia para ser utilizado nas escolas.

Domingo passado, dia 11/12/2011, na sede do IPHAN em Belém, aconteceu o pré-lançamento do mapa da “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade", um mapa com a localização de terreiros e informações importantes para a compreensão das prátcias das religiões afro-amazônicas presentes na zona metropolitana de Belém.
A equipe de pesquisadores foi composta pelas lideranças de terreiros de Belém e Ananindeua.

Com a pesquisa pronta, o pré-lançamento do mapa, e a notícia de que o livro está à caminho da gráfica, o desafio agora é romper o preconceito dos professores e do corpo técnico e administrativo da rede de ensino para convence-los a utilizar os produtos resultantes dessa pesquisa na aplicação da Lei 10.639/03 nas escolas do estado do Pará.
Táta Kinamboji ressalta que as comunidades tradicionais de terreiros tem produzido material que pode sim ser utilizado pelos professore para a difiusão de sconhecimentos sobre a cosmologia religiosa afro-amazônica, destaca os filmes de Luiz Arnaldo Campos, especialmene o "Chama Verequete" (dirigido em parceria com Rogeerio Parreira) e o "A descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados", que ganhou o DOCTV-PA de 2005, e a fascículo 3 da cartlha do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, Movimentos Sociais e Conflitos nas cidades da Amazônia (clique aqui para baixar a cartilha), e argumenta que se as escolas ainda não utilizam esses documentos como material didático é porque a Lei não consegue vencer o preconceito das pessoas que deveriam aplica-la.
Povos de terreiros se reunem para construir conhecimento sobre a religiosidade afro-amazônica.
O livro e o mapa da pesquisa “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade" serão lançados em 18 de março de 2012, e com isso os Povos Tradicionais de Terreiros demonstram sua união na produção de conhecimentos e de material para ser utilizado pelas escolas na aplicação da Lei,

E mais uma vez fica a pergunta, os professores vão mesmo utilizar esse material  nas escolas?


Segue abaixo o texto de matéria sobre o preconceito contra as práticas religiosas afro-amazônicas nas escolas de Belém que foi publicado no Amazônia Jornal de domingo, dia 18/12/2011 - ver publicação original aqui.


MAPA QUER FIM DE PRECONCEITO
Cartografia elaborada por pesquisadores identifica locais de realização dos cultos afrobrasileiros




(EDNA NUNES )


O mapa vai dar visibilidade às religiões afrobrasileiras cultuadas em Belém e Ananindeua e denominadas com várias nações: Angola, Jeje Savalu, Ketu, Mina Jeje Nagô, Umbanda e Pajelança. O trabalho foi coordenado pela professora de gradualção da Universidade Rural do Rio de Janeiro, Camila do Valle, especialista em diversidade étnica. A publicação revela as características próprias de cada nação, seus locais, formas de cultos e deuses.
O mapa aponta, por exemplo, que a nação Umbanda chegou ao Pará por volta da década de 30, trazida pela "Mãe" Maria Aguiar. A nação foi resultado do cruzamento de linhas (sincretismo interno) que acabaram formando uma religião com suas próprias características, agregando-se Pajés e Caruanas, Encantados e Deuses para resultar em uma Umbanda amazônida. Durante uma oficina de Cartografia, realizada em junho de 2010, Mãe Vanda desabafou lembrando que "a Umbanda resiste ao preconceito e reafirma a sua tradição através desse sincretismo".
Mãe Vanda e Mãe Kátia organizam as informações da Umbanda (reunião no palacete Bolonha em 29/04/2010 - foto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre)..

Os povos e comunidades tradicionais de terreiros de várias nações de origem afro-brasileira que atuam na Região Metropolitana de Belém (RMB) travam uma luta histórica contra o preconceito. Este ano, eles ganharam um aliado especial: a "Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade", que vai ajudar no entendimento e importância dos cultos. O documento foi construído com o financiamento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pré-lançada no dia 11 deste mês. A expectativa é que o mapa contribua para redução da intolerância religiosa.


A pesquisa promoveu a auto-cartografia dos povos e comunidades tradicionais, o conhecimento foi produzido pelos próprios povos e comunidades tradicionais - Na foto o Pai Armando de Bessen acrescenta inflrmações da Nação Ketu, com a supervisão de Mãe Nerê e Pai Walmir (reunião no palacete Bolonha em 29/04/2010 - foto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre).




"A Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém é o que o governo negou aos afrorreligiosos, que representam uma parcela da população em cerca de 10% e, no entanto, não se estima no censo anual feito pelos centros de pesquisa populacional", afirma um dos executores do mapa, o professor universitário e fotógrafo Arthur Leandro ou "Tatá Kinamboji", como é conhecido socialmente entre os religiosos afrobrasileiros. 
Além da localização dos terreiros no mapa da cidade, depoimentos de histórias pessoais e memória de lutas fazem parte da cartografia (roda de conversa com os angoleiros em 29/12/2010 - foto de Táta Kinamboji/Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/Ponto de Mídia Livre).
Ele conta, por exemplo, que por não haver educadores nas instituições de ensino, seja público ou privado, o estigma de que os praticantes das religiões de origem africana continua sendo visto como adoradores de deuses satânicos. Na opinião dele, como educador, somente a partir do momento em que a religião for discutida sem preconceito nas escolas, o fato poderá mudar culturalmente, garantindo assim, o direito das pessoas se manifestarem sem medo de ser identificada.
Comunidade do Terreiro de Noche Navakoly (Rosa Viveiros, conhecida como Mãe Doca) - Terreiro de Nagô Cacheu fundado em 18 de março de 1891 na Tv. Humaitá próximo à Duque de Caxias, o terreiro enfrentou a polícia e todos os tipos de preconceito em nome do direito ao culto religioso (reprodução de foto de 1917).
História mostra evolução das práticas

 Atitudes preconceituosas são histórias sem fim para quem segue religiões afrodescendente. Luiz Augusto Loureiro Cunha (Pai Tayandô Acaoã-Unimaz) recorda dos períodos difíceis das comunidades tradicionais de terreiro no Pará: 1908, quando mães e pais de santo eram proibidos de bater tambor; na década de 30 (1930), lembrada como a maior repressão contra os praticantes das religiões remanescentes da África; e o período da ditadura militar (1964 a 1985), quando foram registradas inúmeras prisões sob alegações diversas. 

"No dia 18 de março de 1908, a mãe de santo Doca foi presa porque batia tambor para Dom José. Ela chegou a ser levada para a delegacia, ficou na cela e depois foi liberada. Mesmo assim, ela voltou para o terreiro e continuou a bater tambor para os seus deuses", conta. Por causa desse gesto de coragem, o dia 18 de Março é lembrado pelos povos e comunidades tradicionais como o Dia Municipal e Estadual da Umbanda e dos Cultos Afros-brasileiros. 
Noche Navakoly (Mãe Doca) é o símbolo da resistência dos Povos de Tereiros de Belém. Mãe Doca era natural de Codó/MA, filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo, seu Vodum é Nana e Toy Jotin, mas também recebia Seu Inambé. Ela foi presa várias vezes e ainda assim não desititu da luta pelo direito à consciencia relgiosa (reprodução de foto de 1917).

Apesar de toda a intolerância, Pai Luiz deixa claro que é uma ação que não leva os povos e comunidades tradicionais de terreiro a cultivar a violência contra os que seguem religiões diferentes das deles, porém, isso não quer dizer que não buscarão "armas" para se defenderem e, por este motivo, a cartografia é um instrumento para fazer com que todos - adolescentes, adultos e idosos de religiões afrobrasileiras - se baseiam de informações capazes de fazer valer o seu papel como cidadão brasileiro. O conselho que ele dá, além da aquisição de conhecimento, é estar em constante diálogo com outras religiões, tanto as cristãs como as não cristãs.
Mãe de santo é discriminada quando vai catar ervas na Ceasa
Dona Oneide Monteiro Rodrigues, que atende pelo nome social Memetu Nangetu (que significa mãe da raiz molhada), informa que o preconceito pode estar associado à desinformação. Além disso, segundo ela, a mídia fortalece o preconceito existente contra as religiões afro-brasileiras. "Não querem nos respeitar como povos e comunidades tradicionais de terreiro e a mídia reforça esta intolerância", lamenta. Ao contrário do que se pensa, enfatiza a sacerdotisa, como assim é identificada por seus seguidores, "nós não adoramos o satanás, mas os orixás, que são a natureza".
Táta Kasuleka (Mansu Nangetu)  em coleta de folhas na mata urbana de um ramal da estrada da CEASA.
 Mametu Nagetu conta que o preconceito é tão grande, ao ponto de quando ela vai trabaçhar na coleta de ervas na estrada da Ceasa sofre discriminação. Os maiores autores são os vigilantes de prédios públicos, pessoas humildes e carregada de uma carga cultural preconceituosa. "Nunca me expulsaram do local, mas já disseram que eu estaria sendo convidada a me retirar das proximidades do prédio, onde coletava as ervas", relata. 
  Conhecimento é arma para defesa contra perseguição na escola


A luta para combater o preconceito começa desde cedo e a partir do conhecimento. Um adolescente, 13 anos, que preferiu o anonimato, é iniciante (Ogan) da nação Angola, e estudante de uma escola evangélica em Belém. Ele conta que não chegou, até o momento, a sofrer discriminação por sua identidade religiosa, porém, lembra que chegou a presenciar uma amiga sendo discriminada porque trajava roupas e adereços brancos. "No começo escondia minha religião porque entrei novinho e na escola dizia que era católico. Mas, agora, aprendi a me defender também. Para isso, me preparo conhecendo as leis para eu saber como fazer esta defesa", diz o menino, já demonstrando confiança nas palavras.
Ele conta que durante uma das aulas, a professora de Ensino Religioso fez uma explanação sobre todas as religiões, entretanto, quando chegou às religiões afrobrasileiras, citou superficialmente e ele reagiu com questionamento. Na opinião dele, o desconhecimento do professor e a carga preconceituosa levou ele a um comportamento que não corresponde a de um educador. "Mas, a minha insatisfação me levou a uma outra professora de Educação Religiosa da minha escola, que contou a sua origem nas religiões afro-religiosas. Apesar de ser evangélica, ela é esclarecida, mas porque a mãe dela era mãe de santo. Então, a forma de ensinar dela não é de uma pessoa leiga, mas de que conhece e respeita as diferentes religiões", ressalta.