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sábado, 15 de novembro de 2014

Estudantes da Escola de Aplicação da UFPA visitaram o Mansu Nangetu.

O mês da consciência negra trouxe os estudantes da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará ao Mansu Nangetu, para uma roda de conversa com os guardiões das tradições Bantu deste terreiro amazônico.

Abrindo a roda de conversa, Mametu Nangetu parabenizou o NPi pelo interesse nas tradições afro-amazônicas e sugeriu que essas visitas acontecessem o ano inteiro e que os estudantes pudessem transitar nos territórios da diversidade de matrizes afro-amazônicas identificadas na 'Grande Belém'. Falou das pesquisas e publicações de cartografia das quais ela participou, e orientou os estudantes a buscarem também essas fontes de referência sobre os terreiros da zona metropolitana de Belém.
Depois a roda de conversa caminhou para o combate ao racismo, cidadania de povos de terreiros de matrizes africanas, direitos humanos e cidadania.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Re-Lançamento do Livro nova cartografia social da Amazônia no Mansu Nangetu.

Nesta terça feira, dia 28 de novembro, aconteceu no Mansu Nangetu o re-lançamento do livro Nova Cartografia social da amazônia, para os povos de Nação Angola com a presença de membros da Academia, OAB, Mametus e Tateto da de Candomblé Angola.
O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) teve como objetivo o estímulo à auto-cartografia dos povos e comunidades tradicionais na Amazônia, com o intuito de fortificação da resistência cultural destes povos. Com isso o material produzido, apresenta não apenas esses processos históricos, mas, sobretudo o trabalho dos movimentos sociais que contribuem com estes espaços e trazem a discussão de processos de resistência política e cultural na Amazônia brasileira. 

Mametu Nangetu, que coordenou a pesquisa da Nação Angola, apresentouo livro ressaltando a força que esta cartografia possui em divulgar a história da afroreligião no Brasil, que é muitas vezes desrepeitada pela sociedade e acaba não sendo conhecida pela população. Ela enfatizou a necessidade de continuar se produzindo ações que fortaleçam as comunidades tradicionais, produtos como filmes, livros, materias didáticos, cartilhas, e outros meios que consigam contar essa história tão valiosa e esquecida. 
Dr. Jorge Farias, advogado e coordenador da comissão de igualdade étnico-racial da OAB-PA, reafirmou o discurso da resistência e da necessidade de conhecermos as comunidades tradicionais, e que por isso é importante que se propicie a criação de canais de comunicação para o proagonismo da comunicação destes povos.

Mametu Kaia Onileji disse que “ Este livro mostra a história e origem de cada espaço e suas características próprias, mesmo sendo da mesma nação, e por isso constrói o respeito que precisamos.”, e falou ainda da necessidade de uma continuação da Academia nestas produções sensíveis sobre os povos de terreiro, principalmente por estarmos na Amazônia - uma região  rica de conhecimentos na diversidade de práticas como o Tambor de Mina,  a Pajelança e a Umbamda.

A professora Marilu Campelo, que neste evento representou o Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM) e a UFPA, reconheceu a importância do protagonismo das comunidades tradicionais de matrizes africanas, e disse que assim como a universidade, as lideranças e os intelectuais das próprias comunidades tem completa condição de falar sobre a sua gente, e concluiu dizendo que o papel da academia neste momento é justamente sustentar o apoio e a troca de ferramentas para que o protagonismo aconteça.

A emoção tomou conta de todos os que estavam presentes no grande agradecimento para a equipe que produziu o Projeto da Cartografia dos Afro-religiosos pelo PNCSA. Foi quando Mametu Muagilê resumiu, em sua fala final, o quanto é importante essa produção: “Aqui está nossa identidade, a nossa história! Nunca mais o povo afroreligioso aqui no Pará vai ser o mesmo, nossa visão mudou.”.
Após as manifestaçõs das autoridades presentes, um coquetel com comidas tradicionais de matrizes africanas foi servido aos convidados.





Texto de Luah Sampaio/ Projeto Diálogo em Cabana de Caboco- FACS/ IFCH, Bolsa PIBEX/ UFPA
Fotos de Lucivaldo Sena, gentilmete cedidas ao Projeto Azuelar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

SEMINÁRIO: NEGRITUDE EM MOVIMENTO 10 ANOS DO GRUPO DE ESTUDOS AFROAMAZONICO/ UFPA






20 de Novembro – Mês da Consciência Negra


SEMINÁRIO:
NEGRITUDE EM MOVIMENTO
10 ANOS DO GRUPO DE ESTUDOS AFROAMAZONICO

De 10 a 12 de dezembro de 2012

1º Dia. 10 de dezembro de 2012.
Manhã
Palestra de Abertura: Prof.Dr. Marco Antonio Domingues UNIR.
1ª Mesa-Redonda: 10 anos do Negro em Movimento na Universidade. Trajetórias do GEAAM.
Palestrantes: Raimundo Jorge Nascimento de Jesus; Eleanor Gomes da Silva Palhano, Bruno Borda, Zélia Amador de Deus, Marilu Márcia Campelo.
Mediador: Apolinário Alves Filho.
Local: LAANF

Tarde
2ª Mesa-Redonda: Ações e Reações dos Afro-religiosos em Belém.
Palestrantes: Arthur Leandro (Instituto Nanjetu), Edson Catendê (AFAIA), Mãe Nalva(ACYOMI e Rede Saúde), Pai Walmir (INTECAB), Pai Luis Tayandô (ACAOÃ)
Debatedor: Zélia Amador de Deus
Mediador: Raimundo Jorge Nascimento de Jesus
Local: LAANF

Fim da Tarde
Lançamento do Workshop – Artistas de Terreiro (Gep Roda de Axé)
Abertura da Exposição Reis Africanos (Casa Brasil África) e Fotografias de Deise Loide.
Local: a ser divulgado


2º Dia – 11 de dezembro de 2012.
Manhã
Palestra: Prof.Dr. Jose Renato Baptista UERJ – “Sè tou melanje: uma etnografia sobre o universo social do vodu haitiano”

1ª Mesa-Redonda: “Quem é de axé diz que é”
Palestrantes: Mãe Nanjetu, Mãe Bete de Bamburucema, Mãe Jocolocy, Pai Gilmar, Mãe Kátia Haddad, Pai Alberto.
Debatedor: Assunção José Pureza Amaral
Mediador: João Simões Cardoso Filho
Local: LAANF

Tarde
14hs00 as 18hs00
Palestra: Prof. Dr. Ivair dos Santos –“A contribuição do GEAM para o avanço das ações afirmativas no Brasil”

2ª Mesa-Redonda: A Lei 10.639 em ação. Socializando a produção do Curso de Especialização.
Palestrantes: Exposição dos trabalhos do curso de especialização com debates.
Debatedor: Luis Fernando Cardoso e Cardoso e Monica Conrado
Mediador: Eleanor Gomes da Silva Palhano
Local: LAANF

Noite
Exibição e debate de filmes africanos
Debatedor: Eleanor Palhano (Casa Brasil Africa)
Local: LAANF


3º Dia – 12 de dezembro de 2012.
Manhã – Mini curso:
08 hs as 10hs - Racismo uma Introdução – Prof. Ms Raimundo Jorge Nascimento de Jesus e Prof. Dr. Ivair Augusto dos Santos
10hs as 12hs - Comunidades e territorialidade – Prof. Dr. Marco Antonio Rodrigues
Local: LAANF

Tarde – Mini curso:
14hs as 16hs - Religiões de matriz africana no Pará – Profª. Dra. Marilu Márcia Campelo e Prof. Dr. José Renato Baptista.
16hs as 18hs - Poética e Literaturas Afro-brasileiras – Profª. Dra. Zélia Amador de Deus
Local: LAANF

Noite
Exibição e debate de filmes africanos
Debatedor: Elói Biquer (da Guiné Bissau)
Local: LAANF


INSCRIÇÕES COM ANTECEDÊNCIA:
Informações: afroamazonico@gmail.com ou tel: (91)3201-8365
Haverá certificado com carga horária.


COMISSÃO ORGANIZADORA:
Marilu Márcia Campelo
Raimundo Jorge Nascimento do Jesus
Eleanor Gomes da Silva Palhano
Zélia Amador de Deus
Shirley Muryel Albuquerque Ferreira
Claudio Pinheiro
Rosália Freitas









Ficha de inscrição
Negritude em Movimento” 10 anos do Grupo de Estudos Afro-Amazônico.
Nome completo:

Curso/Instituição:

E-mail:

Telefone:

  • Qual minicurso deseja participar? ______ (número do minicurso)
Obs. O participante poderá escolher um minicurso em cada turno.
Manhã:
08hs00 as 12hs00
Minicurso 1
Racismo uma Introdução – Prof. Ms Raimundo Jorge Nascimento de Jesus
Minicurso 2
Comunidades Quilombolas e territorialidade – Prof. Dr. Assunção Pureza Amaral
Local: LAANF
Tarde
14hs00 as 18hs00
Minicurso 3
Religiões de matriz africana no Pará – Profa. Dra. Marilu Márcia Campelo.
Minicurso 4
Poética e Literaturas Afro-brasileiras – Profa. Dra. Zélia Amador de Deus.
Local: LAANF


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As lideranças de Terreiros da “Nação Angola” convidam para o: (Re) Lançamento do Livro Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - Religiões Afro Brasileiras e Ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade.

As lideranças de Terreiros da “Nação Angola” convidam para o (Re) Lançamento do Livro Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - Religiões Afro Brasileiras e Ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade

Dia 28 de Novembro (quarta-feira) às 17h, no Terreiro Mansu Nangetu – Trav. Pirajá, 1194 (entre Duque e 25) Belém-PA - Telefone: (91) 3226-7599 

Será servido um coquetel com pratos tradicionais da culinária de terreiros afro-amazônicos, como uma forma de resgate da identidade do paladar dos povos de terreiros.




As multiplas falas dos angoleiros.
.
O evento vai reunir os terreiros de matriz Banto da zona metropolitana de Belém para a distribuição de um exemplar do livro para cada liderança ou membro de terreiro que participou da pesquisa que resultou na cartografia. Será também um momento de debate e reflexão sobre a preservação de tradições afro-amazônicas e resistência política e cultural na capital paraense.
Os organizadores convidaram as pessoas que participam do capítulo dos angoleiros para fazer um sarau de leitura, e então cada um vai escolher um trecho de seus depoimentos para uma leitura coletiva que tem a intenção de provocar o debate com os convidados que estiverem presentes. Isso tudo à partir da experiência relatada no livro pelos próprios povos tradicionais de terreiros.


Trechos de depoimentos das lideranças de terreiros de Angola.

Mametu Nangetu/ Oneide Monteiro Rodrigues “...e as pessoas que vem no terreiro estão acostumados com imagem como eles vêem na Umbanda e na Mina, e quando ele vem aqui e vê uma estátua mas que é de louvor a Oxum e não tem nada haver com o que ele conhece, ele estranha. Mas o povo ele é muito sincrético e ele gosta de ver um caboco, um santo Antônio, e acho que é por isso que as imagens estão nas casas dos terreiros,(...). Os terreiros não sobrevivem sem os clientes, e nem sem os filhos da casa, então tem que ter um chamamento, uma atração, e como atrair essas pessoas para dentro de um terreiro?! Uma casa de culto Angola é isso aqui: tem os tambores e tem os Ngunzos, né?! Tem os nossos Ngunzos-Ngunzos! O que é os nossos fundamentos? A nossa segurança é isso! E nas outras casas de nação isso não tem, não tem Ntoto e nem Cumeeira, que são o nosso Ngunzo. É isso, é a natureza e é por isso que nós não cultuamos nada de gesso, no nosso Ngunzo ou é pedra, ou é ferro, ou é do mar, ou é da terra. A nossa força está na natureza, entendeu?!”

Mam'etu Muagilê/ Beth de Bamburucema “...uma senhora chegou comigo eu tava na rua de casa, e disse “mãe Beth eu queria que a senhora fizesse um banho pra mim”, ela é evangélica, “mãe Beth eu queria que a senhora fizesse um banho pra mim construir a minha casa que tão de olho gordo, tão fazendo macumba tão de olho gordo em cima de mim”, eu fiquei olhando pra ela e disse: tu vai fazer a tua casa não vai ser preciso banho nenhum, nem trabalho nenhum, eu disse: tu vai seguir o que eu vou te dizer? Ela disse: sim, eu disse então ainda bem que tu vieste me procurar no mês de fevereiro, porque tem o ano todo pra ti trabalhar e fazer a tua casa e passar ano na tua casa sem ser preciso eu te dar um banho, como tu disseste, um banho de macumba, que aqui em casa é banho de Axé, ai tu vai levar esse tempo pra se organizar, tu vai pagar tudo o que tu deve até o mês de agosto, quando for setembro tu não és católica mas tu vais comprar um sapato, uma roupa talvez os teus filhos queiram é possível ai tu guarda pra final do ano e a partir desse momento em diante tu vai passar a reservar o teu dinheiro para fazer a tua casa, te organiza. Ela organizou do jeito que eu disse, quando tu for receber o 13º tu não traz ai pra tua casa, tu já vai com o orçamento na estância pega um profissional faz um orçamento de tudo o que tu vai gastar, não te esquece da mão de obra, do material e tu compra o material pra fazer a tua casa, vou te mostrar que tu vai passar o ano na tua casa, ela seguiu tudo aquilo que eu falei pra ela. Quando chegou no final do ano, estava numa casa de madeira macheada, toda bonitinha, passou ano na casa dela não foi preciso banho, não foi preciso ela ir até a minha casa, não foi preciso ela sair da religião dela pra vim pra minha casa, nem mentir pra dizer que ela estava precisando de banho uma coisa assim, nos damos uma palavra amiga isso é um tipo de acolhimento, você aconselhar, escutar a pessoa e orientar essas pessoa a fazer coisas que vai dar certo, sem ser preciso você envolver, botar a você vai jogar búzio pra mim ou uma carta pra eu poder ver se tu vai fazer uma carta não, só pra mim te dar um banho e te cobrar tanto. Eu acho que a palavra amiga assim um conselho, uma orientação sabe que muitas vezes vale tanto se você for fazer um trabalho.”

Tatetu Kalengunzu/ José de Arimatéia “Eu era da casa do Edilson, (...) o Painho, que era de Lembá também, e eu era da Mina na casa dele -, entrei na casa dele em 89 e ai em 95 eu recolhi com pai Edson, que tinha recolhido e iniciado ele, e ai com 6 anos que eu estava lá eu recolhi também, ai foi que eu entrei no Angola - iniciei em 95 e há 5 anos atrás eu recebi o meu Kijingo, né!? já com 10 anos de iniciado eu recebi Kijingo , e eu estou hoje com 15 anos de feitura na Angola, e não troco também a minha nação por nada, adoro a Angola e agora mais ainda, e eu garanto a vocês que vou ter mais força ainda pra buscar mais conhecimentos, sabe!”

Táta Tauadirá/ Edson Santana “Tem todas essas histórias da gente começar a obrigação dia de sexta-feira de madrugada, e terminava de manhã: 6h da manhã, quando eu voltava para o trabalho E aí chegou um tempo que eu disse eu não quero mais e acabou, eu não quero mais essa vida de estar trabalhando e fazendo obrigação. (...) Aí eu decidi fazer por ele isso, no caso o seu Walter fazia tudo pelo santo.(...) e aí muitas das coisas começaram a se definir, uma das coisas foi a minha profissão, hoje em dia sou professor de música num conservatório (...). É na música, no conservatório e outras coisas mais, que eu estudei pela vida. Eu disse assim: caramba se eu tivesse visto isso há mais tempo, eu já tinha feito dessa maneira... mas, o que eu vou querer dizer é que é o próprio orixá que nos encaminha! “

Táta Kinamboji/ Arthur Leandro “Mas enfim, então eles nos dão esse poder maléfico e nos atacam nas emissoras de rádio e de televisão das quais eles são donos, e ai a pergunta: como visibilizar? A pergunta deveria ser como resistir! Nós sofremos intolerância como todo mundo que tá sentado nesta roda, nós sofremos intolerância, nós sofremos racismo institucional (…) Porque para a justiça brasileira nunca é preconceito contra nós! A Constituição nos dá o direito de culto, o direito de consciência religiosa mas o Estado nos reprime, reprime as nossas práticas religiosas e quando a gente reclama alegam ignorância e o motivo é que eles “não sabiam como acontece o culto afro-religioso”. Eles nunca assumem a responsabilidade sobre o ato deles.”

Uma cartografia para a visibilidade do nosso povo!

“A proposta do projeto é a visibilidade para as comunidades tradicionais, então a gente vem desde maio [de 2010] nesse projeto: mapeando, buscando visibilizar nossa cultura tradicional.” - Mametu Nangetu apresentando o capítulo da Nação Angola.
A "Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade" foi lançado durante a XVI Feira Panamazônica do Livro, a mesa de autógrafos contou com a presença dos pesquisadores.
Este projeto foi financiado pelo Programa Nacional de Patrimônio Imaterial do IPHAN, e contou com a participação de pesquisadores das mais variadas formações acadêmicas e vinculados a diferentes universidades, e a categoria “pesquisadores” contemplou tanto formações acadêmicas quanto afrorreligiosos com suas formações, saberes e conhecimentos tradicionais. O saber acadêmico e o saber tradicional coordenando a pesquisa juntos.
Como produto deste trabalho temos um mapa dos afro-religiosos em Belém e este livro, que foi construído a partir de entrevistas em encontros e oficinas ocorridas entre abril de 2010 e fins de 2011 com o objetivo de coletar informaçnoes para produzir o mapa e o livro, geo-referenciando informações que revelam a coletividade e o dinamismo das identidades das nações afrorreligiosas e da Pajelança em Belém do Pará.
A pesquisadora Camila do Valle salientou a participação de lideranças de cada uma das nações representadas na cartogarfia: Angola, Jeje Savalu, Ketu, Mina Jeje Nagô, Umbanda e Pajelança, atribuindo à essas lideranças o papel fundamental de decisão sobre as informações reunidas e os resultados da pesquisa. explicou que o livro contém “os afetos, conflitos, modos de convivência e formas de ocupação e reprodução, no território, dessas identidades coletivas centradas na religiosidade”, e que o mapa tem a localização de terreiros e informações importantes para a compreensão das prátcias das religiões afro-amazônicas presentes na zona metropolitana de Belém como o levantamento detalhado dos espaços sagrados - templos, casas, terreiros, tendas e searas, além da identificação dos locais de coleta de folhas nas matas e de compra de ervas, locais onde a realização de ritos religiosos são tensas e até as situações de conflitos e intolerância religiosa. Camila diz ainda que “podemos dizer que o mapa, entendido como um mapa narrativo, tem aqui, neste livro, espaço para expandir seus elementos de narratividade”. E que ambos, livro e mapa, “são documentos que escolhem, portanto, o critério da narratividade e, portanto, do dinamismo da ação para revelar a construção de sua identidade cultural.” Esta identidade cultural, entendida como patrimônio cultural imaterial, ultrapassa as fronteiras dos municípios diretamente envolvidos na pesquisa, já que as narrativas remetem a outros espaços geográficos e a outros tempos: formas não redutoras de pensar os pertencimentos e os processos de institucionalidade.
Mametu Nangetu disse que o trabalho com a Nação Angola foi gratificante porque lhe deu a oportunidade de visitar os terreiros e conhecer mais profundamente as condições de vida de seu povo. Lembrou a distinção com que foi recebida em cada casa de culto e reafirmou a importância de sabermos quem nós somos e onde estamos, e fez referência à necessidade de afirmação da identidade afro-religiosa para a visibilidade dos terreiros e para o combate à intolerância religiosa.

A luta contra o racismo e formas correlatas de preconceito e discriminação.
“A intolerância religiosa é o novo racismo e muitas comunidades que enfrentaram discriminações raciais durante décadas são agora perseguidas por causa de sua religião”. (Mark Lattimer, diretor da MRG - Minority Right Groups International )

A proclamção da república, no século XIX, separou o estado da religião católica e já na primeira constituição brasileira constava o artigo que garantia a liberdade de culto, mas ao contrário do que se pensa, o que aconteceu com as religiões afro-brasileiras foi o acirramento da repressão e a tentativa de eliminar essas práticas do território brasileiro.
É nesse contexto que os povos e comunidades tradicionais de terreiros das sete nações de origem afro-brasileira que atuam na Região Metropolitana de Belém travam uma luta histórica contra o preconceito e a discriminação, inúmeros são os casos de racismo pela intolerância religiosa que ocorrem cotidianamente na capital paraense. Atitudes preconceituosas são histórias sem fim para quem segue religiões afrodescendente. Luiz Augusto Loureiro Cunha (Pai Tayandô/ Acaoã-Unimaz) recorda dos períodos difíceis das comunidades tradicionais de terreiro no Pará: 1908, quando mães e pais de santo eram proibidos de bater tambor; na década de 30 (1930), lembrada como a maior repressão contra os praticantes das religiões remanescentes da África; e o período da ditadura militar (1964 a 1985), quando foram registradas inúmeras prisões sob alegações diversas. "No dia 18 de março de 1908, a mãe de santo “Doca” foi presa porque batia tambor para Dom José. Ela chegou a ser levada para a delegacia, ficou na cela e depois foi liberada. Mesmo assim, ela voltou para o terreiro e continuou a bater tambor para os seus deuses", conta. Por causa desse gesto de coragem, o dia 18 de Março é lembrado pelos povos e comunidades tradicionais como o Dia Municipal e Estadual da Umbanda e dos Cultos Afros-brasileiros. Noche Navakoly (Mãe Doca) é o símbolo da resistência dos Povos de Tereiros de Belém. Mãe Doca era natural de Codó/MA, filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo, seu Vodum é Nana e Toy Jotin, mas também recebia Seu Inambé. Ela foi presa várias vezes e ainda assim não desititu da luta pelo direito à consciencia relgiosa.
Para Mametu Nangetu a mídia fortalece o preconceito existente contra as religiões afro-brasileiras. "Não querem nos respeitar como povos e comunidades tradicionais de terreiro e a mídia reforça esta intolerância" e ao contrário do que se pensa, enfatiza a sacerdotisa, "nós não adoramos o satanás, mas os orixás, que são a natureza". Ela conta que o preconceito é tão grande, ao ponto de quando ela vai trabahar na coleta de ervas na estrada da Ceasa sofre discriminação. Os maiores autores são os vigilantes de prédios públicos, pessoas humildes carregadas de uma carga cultural preconceituosa. "Nunca me expulsaram do local, mas já disseram que eu estaria sendo convidada a me retirar das proximidades do prédio, onde coletava as ervas", relata.

Conhecimento é arma para defesa contra perseguição e promoção do respeito à diversidade religiosa.
A publicação dos resultados desse trabalho revela as características próprias de cada nação, seus locais, formas de cultos e deuses. O mapa aponta, por exemplo, que a nação Umbanda chegou ao Pará por volta da década de 30, trazida pela "Mãe" Maria Aguiar. A nação foi resultado do cruzamento de linhas (sincretismo interno) que acabaram formando uma religião com suas próprias características, agregando-se Pajés e Caruanas, Encantados e Deuses para resultar em uma Umbanda amazônida. Durante uma oficina de Cartografia, realizada em junho de 2010, Mãe Vanda desabafou lembrando que "a Umbanda resiste ao preconceito e reafirma a sua tradição através desse sincretismo"
"A Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém é o que o governo negou aos afrorreligiosos, que representam uma parcela da população em cerca de 10% e, no entanto, não se estima no censo anual feito pelos centros de pesquisa populacional", afirma Táta Kinamboji, um dos executores do mapa que é sacerdote e professor universiteario, Ele conta, por exemplo, que por não haver educadores afro-religiosos nas instituições de ensino, seja público ou privado, o estigma de que os praticantes das religiões de origem africana continua sendo visto como adoradores de deuses satânicos. Na opinião dele, como educador, somente a partir do momento em que a religião for discutida sem preconceito nas escolas, o fato poderá mudar culturalmente, garantindo assim, o direito das pessoas se manifestarem sem medo de serem identificadas.
Táta Kinamboji ressalta que as comunidades tradicionais de terreiros tem produzido material que pode sim ser utilizado pelos professore para a difiusão de sconhecimentos sobre a cosmologia religiosa afro-amazônica, destaca os filmes de Luiz Arnaldo Campos, especialmene o "Chama Verequete" (dirigido em parceria com Rogeerio Parreira) e o "A descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados", que ganhou o DOCTV-PA de 2005, e a fascículo 3 da cartilha do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, Movimentos Sociais e Conflitos nas cidades da Amazônia, e argumenta que se as escolas ainda não utilizam esses documentos como material didático é porque a Lei não consegue vencer o preconceito das pessoas que deveriam aplica-la.
Mas para Mametu Nangetu, o que importa saber é se os professores das escolas vão mesmo utilizar os documentos da religiosidade afro-amazônicas para difundir o conhecimento sobre os povos de terreiros, ou se o preconceito e a intolerância religiosa ainda vai tentar confinar estas publicações em prateleiras e arquivos escondidos nos fundos das bibliotecas...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

XVI Feira Panamazônica do livro lança "Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará".



Lançamento de de livros
- 25/09/2012 - LOCAL: ESTANDE UNAMAZ/NAEA

. Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará,

livro organizado pela profa. Camila do Valle e Afrorreligiosos de Belém do Pará; e

. Cartilha da Liberdade, de Mãe Nalva.


Programação de conversas e conferências:

24/09/2012

10H30 - CONFERÊNCIA-HOMENAGEM: Trajetória e Poesia de Léon Gontran Damas

CONFERENCISTA: ROSA ACEVEDO MARIN

. Recitação de poemas do Autor por Kátia Cardela, com fundo musical de percussão.



14H00 - MESA 1: Narrativas de encantados nas teias de territorialidade
DEBATEDORES:

. Cynthia Carvalho Martins (Antropóloga - UEMA);

. José Luís Pinto Jr. (QUILOMBO DE SACOP);

. Pai Luis Tayandô (Associação Cultural Afrobrasileira
de Oxaguiã Acaoã).

MEDIAÇÃO: Marinilce Oliveira Coelho



25/09/2012
10H30/12H00 - MESA 2: Concepções sobre a natureza: o patrimônio imaterial

DEBATEDORES:

. Sérgio Cohn;

. Ernani Chaves (UFPA);

. Camila do Valle (UFRRJ).

MEDIAÇÃO: Rosa Acevedo Marin


14:00H S 16:00H - MESA 3: Amazônia: Literatura, fronteira e memória

DEBATEDORES:

. Willi Bolle (Usp);

. Josebel Fares (Unama);

. Ewerton Francisco dos Santos (UFPA).

MEDIAÇÃO: Rosa Acevedo Marin


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Convite para o lançamento do livro Cartografia dos afrorreligiosos em Belém do Pará



 
 
Programa de Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura da Universidade da Amazônia (UNAMA) convida para o lançamento do livro Cartografia dos afrorreligiosos em Belém do Pará
 
Quinta-feira, dia 20 de setembro

Horário: 19h30.
Local:UNAMA - Campus Alcindo Cacela
End. Av. Alcindo Cacela, 287 – Belém / Pa
Sala de Vídeo conferência 4º. andar Bloco E
Apresentação
Este livro foi construído a partir de entrevistas e oficinas ocorridas entre abril de 2010 e fins de 2011 com o objetivo de produzir um mapa e um livro geo-referenciando - informações que revelam a coletividade e o dinamismo das identidades das nações afrorreligiosas e da Pajelança em Belém do Pará.
Os afetos, conflitos, modos de convivência e formas de ocupação e reprodução, no território, dessas identidades coletivas centradas na religiosidade também fizeram parte do mapa realizado ao longo do tempo de realização deste projeto. Aliás, podemos dizer que o mapa, entendido como um mapa narrativo, tem aqui, neste livro, espaço para expandir seus elementos de narratividade. Tanto este livro como o mapa, que foram resultados do projeto Cartografia Social dos Afrorreligiosos de Belém do Pará, são documentos que escolhem, portanto, o critério da narratividade e, portanto, do dinamismo da ação para revelar a construção de sua identidade cultural.
Esta identidade cultural, entendida como patrimônio cultural imaterial, ultrapassa as fronteiras dos municípios diretamente envolvidos na pesquisa, já que as narrativas remetem a outros espaços geográficos e a outros tempos: formas não redutoras de pensar os pertencimentos e os processos de institucionalidade. É necessário sublinhar que este projeto, ao ter sido executado no âmbito do Programa Nacional de Patrimônio Imaterial do IPHAN, com a participação de pesquisadores das mais variadas formações acadêmicas e vinculados a diferentes universidades, demonstra a importância e a complexidade da identidade cultural dos grupos aqui participantes. É mister acrescentar que a categoria “pesquisadores” neste projeto contemplou tanto formações acadêmicas quanto afrorreligiosos com suas formações, saberes e conhecimentos tradicionais.
Camila do Valle Profªadjunta da UFRRJ (Departamento de Letras, Leafro/PNCSA)
 
PS: Haverá lançamento do livro na Feira Pan-Amazônica no dia 25, entre 10h30 e 13h.

domingo, 12 de agosto de 2012

Lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros lotou o auditório da SAGRI.

Mãe Nalva (na tribuna) e Mametu Nangetu, representaram os Povos e Comunidades de Terreiros do Pará.

Mãe Nalva d'Oxum, que é uma das coordenadoras da pesquisa, e Mametu Nangetu, coordenadora do Fórum de Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Terreiros do Pará, representaram os Povos e Comunidades de Terreiros na cerimônia, e ressaltaram a importância desta e de outras pesquisas como forma de dar visibilidade para os povos e comunidades tradicionais de terreiros, e para ambas as sacerdotizas, a expectativa é ver esse trabalho traduzido em aplicação de políticas públicas afirmativas para povos de terreiros do Pará.
A ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, veio pessoalmente para o evento e teve a oportunidade de apresentar uma síntese da pesquisa  para as comunidades de terreiros da zona metropolitana de Belém, assim como apresentar indicativos do como o governo federal, e a SEPPIR, pretendem se basear nessa pesquisa para poder propor ações que resultem em impactos positivos para os povos de terreiros.
A ministra Luiza Bairros falou sobre as políticas de igualdade racial.

O acesso aos benefícios das políticas de promoção da igualdade racial já existentes foi uma preocupação no discurso de Luiza Bairros, que usou como exemplo as políticas de cotas raciais nas universidades e convocou os presentes a acessarem as cotas para o ingresso no ensino superior.
As comunidades de terreiros de Belém lotaram o auditório da Secretaria Estadual de Agricultura do Pará/ SAGRI, para o lançamento do livro "Alimento: direito sagrado", resultado da pesquisa socioeconomica e cultural dos povos e comunidades tradicionais de terreiros sob organização de Luana Lazzari Arantes e Monica Rodrigues.
Lideranças de terreiros lotaram o auditório para o lançamento do livro.

Todos os presentes no lançamento receberam um exemplar do livro, que também será distribuído para bibliotecas e instituições de ensino e pesquisa.
Todos os presentes receberam um exemplar.

A pesquisa foi desenvolvida pela Associação Filmes de Quintal com a participação das comunidades de terreiros, e é uma realização do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome/ MDS, com a Secretaria O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em parceria com a Fundação Cultural Palmares (FCP) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que realizaram o Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiro em Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Belém.
A diversidade das matrizes religiosas Afro-amazônicas se fez representar no evento.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Alimento: direito sagrado - lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros.



O Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Comunidades Tradicionais de Terreiro vem convidar a todos os Afro-religiosos, simpatizantes e amigos, para realização do evento de lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros que teve como objetivo principal dados para promoção de políticas publicas de segurança alimentar e nutricional e melhoria de qualidade de vida nas comunidades tradicionais de terreiro.
LOCAL: Auditório da SAGRI, Tv. do Chaco, 2232 - Belém/ PA.
DATA: 10-08-2012
HORA: 16H


OBS:REPASSEM ESTE CONVITE A TODOS QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA REALIZAÇÃO DESTE PROJ EETO E JUNTOS MOSTRAREMOS QUE SOMOS MUITOS E LUTAREMOS PARA QUE NOSSOS DIREITOS SEJAM SEMPRE GARANTIDOS

domingo, 29 de abril de 2012

Lideranças de terreiros falam sobre a cartografia no Balaio do Patrimônio do IPHAN-PA.

Alfredo Wagner, Julia Morim, Camila do Valle e Rosa Acevedo participaram da mesa Identificação, reconhecimento e valorização do patrimônio afro-brasileiro".
Na sexta-feira, 27 de abril, o Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional promoveu uma mesa sobre "Identificação, reconhecimento e valorização do patrimônio afro-brasileiro", com os pesquisadores Alfredo Wagnar (PNCSA/ UFRJ - UFAM); Rosa Acevedo (NAEA/UFPA); e Camila do Valle (UFRRJ) e mediação da superintendente do IPHAN no Pará, Julia Morim.
A mesa fez parte do evento "Balaio do Patrimônio" , realizado pela superintendência do IPHAN no Pará em conjunto com Secult/Pa, Fumbel e parceiros. O evento, que está em sua 4ª edição no Pará, tem o objetivo fomentar o diálogo acerca de políticas públicas, projetos e ações voltadas à preservação e salvaguarda do patrimônio cultural. 
Para discurtir o patrimônio afro-brasileiro, os pesquisadores colocaram em debate a questão quilombola no Brasil, a identidade afro-brasileira também foi tema do debate, que tratou de ações inter-institucionais e das pesquisas nas comunidades quilkombolas, como a APROAGA e do recente projeto de Cartografia dos Afro-religiosos de Belém.
Mametu Nangetu, coordenadora da pesquisa da cartografia para a Nação Angola, falou da preservação de espaços e dos conhecimetnos tradicionais dos terreiros.
Táta Kinamboji (com microfone) abordou o racismo e a intolerância religiosa pela criminalização dos rituais religiosos afro-amazônicos, e Mãe Vanda de Ogum Rompe Mata (a direita) falou da pesquisa entre os terreiros de Umbanda de Belém. (foto de Giseli Vasconcelos/ rede[aparelho]-:, especialmente para o Projeto Azuelar)
Durante a conferência de Camila do Valle, a pesquisadora chamou para a mesa as lideranças de terreiros presentes e pediu que falassem da cartografia, ela disse ao público presente que o melhor debate sobre esse trabalho de pesquisa aconteceria se as lideranças de terreiros, que também foram pesquisadores, pudessem falar sobre a cartografia.
As três lideranças presentes, então dividiram o espaço da mesa para falar das suas percepções sobre o processo da pesquisa cartográfica. Disseram da importância do processo da construção de um mapa para o auto-conhecimento dos Povos Tradicionais de Terreiros na zona metropolitana de Belém, para a organização social e para a luta por direitos de cidadania para os povos de terreiros.
O debate ainda transiotou por temas como construção de identidades e  resistência das minorias nos países pós-coloniais.

Dissertação de mestrado analisa trajetória de Mametu Nangetu, Babá Edson Catendê e Táta Tauadirá.

A antropóloga Selma Brito defendeu sua dissertação de mestrado com a pesquisa das trajetórias religiosas de Mametu Nangetu, Babá Edson Catendê e Tata Tauadirá (Edson Santana).




Táta Kinamboji e Babá Edson Catendê estiveram na defesa de dissertação de Selma Brito no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais do IFCS/UFPA.

Selma passou os últimos dois anos pesquisando a vida e a atuação política e cultural de três sacerdotes de candomblé em Belém do Pará: Mametu Nangetu, Babá Edson Catendê e Táta Tauadirá, e essa pesquisa resultou na dissertação de mestrado "TRAJETÓRIAS RELIGIOSAS E PROJETOS DE VIDA: ENGAJAMENTO POLÍTICO, SOCIAL E CULTURAL ENTRE SACERDOTES DE CANDOMBLÉ NA CIDADE DE BELÉM-PA", que foi defendida na última quarta-feira dia 25 de abril, no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais (linha de pesquisa em antropologia) da Universidade Federal do Pará.

O trabalho propõe uma reflexão antropológica acerca da dinâmica de ação e atuação de alguns sacerdotes de Candomblé inseridos num campo religioso afro-paraense. A análise é construída a partir da narrativa da trajetória religiosa e história de vida de três sacerdotes: Mam’etu Nangetu, Bàbá Edson Catendê e Pai Edson Santana. 
Selma explica a importância da análise porque as trajetórias desses sacerdotes comprovam suas percepções e trânsitos dentro do campo religioso, seus engajamentos e ações que envolvem a garantia e o direito à prática de suas religiões, no campo político, cultural, social ou na mídia digital. 
Babá Edson Catendê esteve poresente na defesa da dissertação de Selma.
O Candomblé nos ritos Ketu e Angola de importação baiana, ritos praticados pelos sacerdotes da pesquisa, são importantes na análise por conta da mudança que impôs ao campo afro-religioso paraense, que se constituía, até um determinado momento, somente de mineiros e umabandistas. Ela explica que a entrada do Candomblé em Belém também reflete nas reorientações deste 'campo', principalmente no que diz respeito à noção de legitimidade religiosa, agenciamento social e político a que os afro-religiosos passaram a ter na busca de uma identidade afro-religiosa para as suas Comunidades Tradicionais de Terreiros.
Prof. Heraldo Maués, Profa. Denise Cardoso e Profa. Daniela Cordovil formaram a banca avaliadora.

 A dissertação de Selma Brito foi aprovada com nota máxima pela banca examinadora composta por sua orientadora Profa. Denise Cardoso, o avaliador interno Prof. Heraldo Maués e pela avaliadora externa Profa. Daniela Cordovil (UEPA). Selma ainda agradeceu a colaboração de diversas pessoas, dentre elas a Profa. Anaisa Vergolino e também destacou a participação da Profa. Marilu Campelo na construção de sua pesquisa.

Selma, acomapanhada da pesquisadora Anaisa Vergolino e da banca avaliadora.

sábado, 17 de março de 2012

Ultimos ajustes para o livro do projeto “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade".



A pesquisadora e professora da UFRRJ, Camila do Vale se reuniu com as lideranças de terreiros que coordenaram os trabalhos em cada uma das nações presentes na pesquisa de mapeamento de terreiros da zona metropolitana de Belém, e junto com outras lideranças que atenderam ao chamado para participar da verificação das informações que vão constar no livro resultante do projeto “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade".
Todos os presentes puderam contribuir para as correções que se fizeram necessáris, e em breve estaremos divulgando a data do lançamento da publicação que tem o financiamento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

domingo, 18 de dezembro de 2011

Em nome do ensino sem preconceitos, Povos Tradicionais de Terreiros produzem cartografia para ser utilizado nas escolas.

Domingo passado, dia 11/12/2011, na sede do IPHAN em Belém, aconteceu o pré-lançamento do mapa da “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade", um mapa com a localização de terreiros e informações importantes para a compreensão das prátcias das religiões afro-amazônicas presentes na zona metropolitana de Belém.
A equipe de pesquisadores foi composta pelas lideranças de terreiros de Belém e Ananindeua.

Com a pesquisa pronta, o pré-lançamento do mapa, e a notícia de que o livro está à caminho da gráfica, o desafio agora é romper o preconceito dos professores e do corpo técnico e administrativo da rede de ensino para convence-los a utilizar os produtos resultantes dessa pesquisa na aplicação da Lei 10.639/03 nas escolas do estado do Pará.
Táta Kinamboji ressalta que as comunidades tradicionais de terreiros tem produzido material que pode sim ser utilizado pelos professore para a difiusão de sconhecimentos sobre a cosmologia religiosa afro-amazônica, destaca os filmes de Luiz Arnaldo Campos, especialmene o "Chama Verequete" (dirigido em parceria com Rogeerio Parreira) e o "A descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados", que ganhou o DOCTV-PA de 2005, e a fascículo 3 da cartlha do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, Movimentos Sociais e Conflitos nas cidades da Amazônia (clique aqui para baixar a cartilha), e argumenta que se as escolas ainda não utilizam esses documentos como material didático é porque a Lei não consegue vencer o preconceito das pessoas que deveriam aplica-la.
Povos de terreiros se reunem para construir conhecimento sobre a religiosidade afro-amazônica.
O livro e o mapa da pesquisa “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade" serão lançados em 18 de março de 2012, e com isso os Povos Tradicionais de Terreiros demonstram sua união na produção de conhecimentos e de material para ser utilizado pelas escolas na aplicação da Lei,

E mais uma vez fica a pergunta, os professores vão mesmo utilizar esse material  nas escolas?


Segue abaixo o texto de matéria sobre o preconceito contra as práticas religiosas afro-amazônicas nas escolas de Belém que foi publicado no Amazônia Jornal de domingo, dia 18/12/2011 - ver publicação original aqui.


MAPA QUER FIM DE PRECONCEITO
Cartografia elaborada por pesquisadores identifica locais de realização dos cultos afrobrasileiros




(EDNA NUNES )


O mapa vai dar visibilidade às religiões afrobrasileiras cultuadas em Belém e Ananindeua e denominadas com várias nações: Angola, Jeje Savalu, Ketu, Mina Jeje Nagô, Umbanda e Pajelança. O trabalho foi coordenado pela professora de gradualção da Universidade Rural do Rio de Janeiro, Camila do Valle, especialista em diversidade étnica. A publicação revela as características próprias de cada nação, seus locais, formas de cultos e deuses.
O mapa aponta, por exemplo, que a nação Umbanda chegou ao Pará por volta da década de 30, trazida pela "Mãe" Maria Aguiar. A nação foi resultado do cruzamento de linhas (sincretismo interno) que acabaram formando uma religião com suas próprias características, agregando-se Pajés e Caruanas, Encantados e Deuses para resultar em uma Umbanda amazônida. Durante uma oficina de Cartografia, realizada em junho de 2010, Mãe Vanda desabafou lembrando que "a Umbanda resiste ao preconceito e reafirma a sua tradição através desse sincretismo".
Mãe Vanda e Mãe Kátia organizam as informações da Umbanda (reunião no palacete Bolonha em 29/04/2010 - foto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre)..

Os povos e comunidades tradicionais de terreiros de várias nações de origem afro-brasileira que atuam na Região Metropolitana de Belém (RMB) travam uma luta histórica contra o preconceito. Este ano, eles ganharam um aliado especial: a "Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade", que vai ajudar no entendimento e importância dos cultos. O documento foi construído com o financiamento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pré-lançada no dia 11 deste mês. A expectativa é que o mapa contribua para redução da intolerância religiosa.


A pesquisa promoveu a auto-cartografia dos povos e comunidades tradicionais, o conhecimento foi produzido pelos próprios povos e comunidades tradicionais - Na foto o Pai Armando de Bessen acrescenta inflrmações da Nação Ketu, com a supervisão de Mãe Nerê e Pai Walmir (reunião no palacete Bolonha em 29/04/2010 - foto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre).




"A Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém é o que o governo negou aos afrorreligiosos, que representam uma parcela da população em cerca de 10% e, no entanto, não se estima no censo anual feito pelos centros de pesquisa populacional", afirma um dos executores do mapa, o professor universitário e fotógrafo Arthur Leandro ou "Tatá Kinamboji", como é conhecido socialmente entre os religiosos afrobrasileiros. 
Além da localização dos terreiros no mapa da cidade, depoimentos de histórias pessoais e memória de lutas fazem parte da cartografia (roda de conversa com os angoleiros em 29/12/2010 - foto de Táta Kinamboji/Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/Ponto de Mídia Livre).
Ele conta, por exemplo, que por não haver educadores nas instituições de ensino, seja público ou privado, o estigma de que os praticantes das religiões de origem africana continua sendo visto como adoradores de deuses satânicos. Na opinião dele, como educador, somente a partir do momento em que a religião for discutida sem preconceito nas escolas, o fato poderá mudar culturalmente, garantindo assim, o direito das pessoas se manifestarem sem medo de ser identificada.
Comunidade do Terreiro de Noche Navakoly (Rosa Viveiros, conhecida como Mãe Doca) - Terreiro de Nagô Cacheu fundado em 18 de março de 1891 na Tv. Humaitá próximo à Duque de Caxias, o terreiro enfrentou a polícia e todos os tipos de preconceito em nome do direito ao culto religioso (reprodução de foto de 1917).
História mostra evolução das práticas

 Atitudes preconceituosas são histórias sem fim para quem segue religiões afrodescendente. Luiz Augusto Loureiro Cunha (Pai Tayandô Acaoã-Unimaz) recorda dos períodos difíceis das comunidades tradicionais de terreiro no Pará: 1908, quando mães e pais de santo eram proibidos de bater tambor; na década de 30 (1930), lembrada como a maior repressão contra os praticantes das religiões remanescentes da África; e o período da ditadura militar (1964 a 1985), quando foram registradas inúmeras prisões sob alegações diversas. 

"No dia 18 de março de 1908, a mãe de santo Doca foi presa porque batia tambor para Dom José. Ela chegou a ser levada para a delegacia, ficou na cela e depois foi liberada. Mesmo assim, ela voltou para o terreiro e continuou a bater tambor para os seus deuses", conta. Por causa desse gesto de coragem, o dia 18 de Março é lembrado pelos povos e comunidades tradicionais como o Dia Municipal e Estadual da Umbanda e dos Cultos Afros-brasileiros. 
Noche Navakoly (Mãe Doca) é o símbolo da resistência dos Povos de Tereiros de Belém. Mãe Doca era natural de Codó/MA, filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo, seu Vodum é Nana e Toy Jotin, mas também recebia Seu Inambé. Ela foi presa várias vezes e ainda assim não desititu da luta pelo direito à consciencia relgiosa (reprodução de foto de 1917).

Apesar de toda a intolerância, Pai Luiz deixa claro que é uma ação que não leva os povos e comunidades tradicionais de terreiro a cultivar a violência contra os que seguem religiões diferentes das deles, porém, isso não quer dizer que não buscarão "armas" para se defenderem e, por este motivo, a cartografia é um instrumento para fazer com que todos - adolescentes, adultos e idosos de religiões afrobrasileiras - se baseiam de informações capazes de fazer valer o seu papel como cidadão brasileiro. O conselho que ele dá, além da aquisição de conhecimento, é estar em constante diálogo com outras religiões, tanto as cristãs como as não cristãs.
Mãe de santo é discriminada quando vai catar ervas na Ceasa
Dona Oneide Monteiro Rodrigues, que atende pelo nome social Memetu Nangetu (que significa mãe da raiz molhada), informa que o preconceito pode estar associado à desinformação. Além disso, segundo ela, a mídia fortalece o preconceito existente contra as religiões afro-brasileiras. "Não querem nos respeitar como povos e comunidades tradicionais de terreiro e a mídia reforça esta intolerância", lamenta. Ao contrário do que se pensa, enfatiza a sacerdotisa, como assim é identificada por seus seguidores, "nós não adoramos o satanás, mas os orixás, que são a natureza".
Táta Kasuleka (Mansu Nangetu)  em coleta de folhas na mata urbana de um ramal da estrada da CEASA.
 Mametu Nagetu conta que o preconceito é tão grande, ao ponto de quando ela vai trabaçhar na coleta de ervas na estrada da Ceasa sofre discriminação. Os maiores autores são os vigilantes de prédios públicos, pessoas humildes e carregada de uma carga cultural preconceituosa. "Nunca me expulsaram do local, mas já disseram que eu estaria sendo convidada a me retirar das proximidades do prédio, onde coletava as ervas", relata. 
  Conhecimento é arma para defesa contra perseguição na escola


A luta para combater o preconceito começa desde cedo e a partir do conhecimento. Um adolescente, 13 anos, que preferiu o anonimato, é iniciante (Ogan) da nação Angola, e estudante de uma escola evangélica em Belém. Ele conta que não chegou, até o momento, a sofrer discriminação por sua identidade religiosa, porém, lembra que chegou a presenciar uma amiga sendo discriminada porque trajava roupas e adereços brancos. "No começo escondia minha religião porque entrei novinho e na escola dizia que era católico. Mas, agora, aprendi a me defender também. Para isso, me preparo conhecendo as leis para eu saber como fazer esta defesa", diz o menino, já demonstrando confiança nas palavras.
Ele conta que durante uma das aulas, a professora de Ensino Religioso fez uma explanação sobre todas as religiões, entretanto, quando chegou às religiões afrobrasileiras, citou superficialmente e ele reagiu com questionamento. Na opinião dele, o desconhecimento do professor e a carga preconceituosa levou ele a um comportamento que não corresponde a de um educador. "Mas, a minha insatisfação me levou a uma outra professora de Educação Religiosa da minha escola, que contou a sua origem nas religiões afro-religiosas. Apesar de ser evangélica, ela é esclarecida, mas porque a mãe dela era mãe de santo. Então, a forma de ensinar dela não é de uma pessoa leiga, mas de que conhece e respeita as diferentes religiões", ressalta.