O mês da consciência negra trouxe os estudantes da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará ao Mansu Nangetu, para uma roda de conversa com os guardiões das tradições Bantu deste terreiro amazônico.
Abrindo a roda de conversa, Mametu Nangetu parabenizou o NPi pelo interesse nas tradições afro-amazônicas e sugeriu que essas visitas acontecessem o ano inteiro e que os estudantes pudessem transitar nos territórios da diversidade de matrizes afro-amazônicas identificadas na 'Grande Belém'. Falou das pesquisas e publicações de cartografia das quais ela participou, e orientou os estudantes a buscarem também essas fontes de referência sobre os terreiros da zona metropolitana de Belém.
Depois a roda de conversa caminhou para o combate ao racismo, cidadania de povos de terreiros de matrizes africanas, direitos humanos e cidadania.
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sábado, 15 de novembro de 2014
sábado, 1 de dezembro de 2012
Re-Lançamento do Livro nova cartografia social da Amazônia no Mansu Nangetu.
Nesta terça feira, dia 28 de novembro, aconteceu no Mansu Nangetu o
re-lançamento do livro Nova Cartografia social da amazônia, para os povos de
Nação Angola com a presença de membros da Academia, OAB, Mametus e
Tateto da de Candomblé Angola.
O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA)
teve como objetivo o estímulo à auto-cartografia dos povos e comunidades
tradicionais na Amazônia, com o intuito de fortificação da resistência cultural
destes povos. Com isso o material produzido, apresenta não apenas esses
processos históricos, mas, sobretudo o trabalho dos movimentos sociais que
contribuem com estes espaços e trazem a discussão de processos de resistência política e cultural na Amazônia brasileira.
Mametu Nangetu, que coordenou a pesquisa da Nação Angola, apresentouo livro ressaltando a força que esta cartografia possui em divulgar a história da
afroreligião no Brasil, que é muitas vezes desrepeitada pela sociedade e acaba
não sendo conhecida pela população. Ela enfatizou a necessidade de continuar se
produzindo ações que fortaleçam as comunidades tradicionais, produtos como filmes, livros, materias didáticos, cartilhas, e outros meios
que consigam contar essa história tão valiosa e esquecida.
Dr. Jorge Farias,
advogado e coordenador da comissão de igualdade étnico-racial da OAB-PA, reafirmou o discurso da resistência e da necessidade de conhecermos as comunidades tradicionais, e que por isso
é importante que se propicie a criação de canais de comunicação para o proagonismo da comunicação destes povos.
Mametu Kaia Onileji disse que “ Este livro mostra a história e origem de cada espaço
e suas características próprias, mesmo sendo da mesma nação, e por isso
constrói o respeito que precisamos.”, e falou ainda da necessidade
de uma continuação da Academia nestas produções sensíveis sobre os povos de
terreiro, principalmente por estarmos na Amazônia - uma região rica de conhecimentos
na diversidade de práticas como o Tambor de Mina, a Pajelança e a Umbamda.
A professora Marilu Campelo, que neste evento representou o Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM) e a UFPA, reconheceu a importância do protagonismo das comunidades tradicionais de matrizes africanas, e disse que assim como a universidade, as lideranças e os intelectuais das próprias comunidades tem completa condição de falar sobre a sua gente, e concluiu dizendo que o papel da academia
neste momento é justamente sustentar o apoio e a troca de ferramentas para que o protagonismo
aconteça.
A emoção tomou conta de todos os que estavam presentes no grande agradecimento para a equipe que produziu o Projeto da Cartografia dos Afro-religiosos pelo PNCSA. Foi quando Mametu Muagilê resumiu, em sua fala final, o quanto é importante essa produção: “Aqui está nossa identidade, a nossa história! Nunca mais o povo afroreligioso aqui no Pará vai ser o mesmo, nossa visão mudou.”.
Após as manifestaçõs das autoridades presentes, um coquetel com comidas tradicionais de matrizes africanas foi servido aos convidados.
Texto de Luah Sampaio/ Projeto Diálogo em Cabana de Caboco- FACS/ IFCH, Bolsa PIBEX/ UFPA
Fotos de Lucivaldo Sena, gentilmete cedidas ao Projeto Azuelar.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
SEMINÁRIO: NEGRITUDE EM MOVIMENTO 10 ANOS DO GRUPO DE ESTUDOS AFROAMAZONICO/ UFPA
20
de Novembro – Mês da Consciência Negra
SEMINÁRIO:
NEGRITUDE
EM MOVIMENTO
10
ANOS DO GRUPO DE ESTUDOS AFROAMAZONICO
De
10 a 12 de dezembro de 2012
1º
Dia. 10 de dezembro de 2012.
Manhã
Palestra
de Abertura: Prof.Dr. Marco Antonio Domingues UNIR.
1ª
Mesa-Redonda: 10 anos do Negro em Movimento na Universidade.
Trajetórias do GEAAM.
Palestrantes:
Raimundo Jorge Nascimento de Jesus; Eleanor Gomes da Silva Palhano,
Bruno Borda, Zélia Amador de Deus, Marilu Márcia Campelo.
Mediador:
Apolinário Alves Filho.
Local:
LAANF
Tarde
2ª
Mesa-Redonda: Ações e Reações dos Afro-religiosos em Belém.
Palestrantes:
Arthur Leandro (Instituto Nanjetu), Edson Catendê (AFAIA), Mãe
Nalva(ACYOMI e Rede Saúde), Pai Walmir (INTECAB), Pai Luis Tayandô
(ACAOÃ)
Debatedor:
Zélia Amador de Deus
Mediador:
Raimundo Jorge Nascimento de Jesus
Local:
LAANF
Fim
da Tarde
Lançamento
do Workshop – Artistas de Terreiro (Gep Roda de Axé)
Abertura
da Exposição Reis Africanos (Casa Brasil África) e Fotografias de
Deise Loide.
Local:
a ser divulgado
2º
Dia – 11 de dezembro de 2012.
Manhã
Palestra:
Prof.Dr. Jose Renato Baptista UERJ – “Sè tou melanje: uma
etnografia sobre o universo social do vodu haitiano”
1ª
Mesa-Redonda: “Quem é de axé diz que é”
Palestrantes:
Mãe Nanjetu, Mãe Bete de Bamburucema, Mãe Jocolocy, Pai Gilmar,
Mãe Kátia Haddad, Pai Alberto.
Debatedor:
Assunção José Pureza Amaral
Mediador:
João Simões Cardoso Filho
Local:
LAANF
Tarde
14hs00
as 18hs00
Palestra:
Prof. Dr. Ivair dos Santos –“A contribuição do GEAM para o
avanço das ações afirmativas no Brasil”
2ª
Mesa-Redonda: A Lei 10.639 em ação. Socializando a produção do
Curso de Especialização.
Palestrantes:
Exposição dos trabalhos do curso de especialização com debates.
Debatedor:
Luis Fernando Cardoso e Cardoso e Monica Conrado
Mediador:
Eleanor Gomes da Silva Palhano
Local:
LAANF
Noite
Exibição
e debate de filmes africanos
Debatedor:
Eleanor Palhano (Casa Brasil Africa)
Local:
LAANF
3º
Dia – 12 de dezembro de 2012.
Manhã
– Mini curso:
08
hs as 10hs - Racismo uma Introdução – Prof. Ms Raimundo Jorge
Nascimento de Jesus e Prof. Dr. Ivair Augusto dos Santos
10hs
as 12hs - Comunidades e territorialidade – Prof. Dr. Marco Antonio
Rodrigues
Local:
LAANF
Tarde
– Mini curso:
14hs
as 16hs - Religiões de matriz africana no Pará – Profª. Dra.
Marilu Márcia Campelo e Prof. Dr. José Renato Baptista.
16hs
as 18hs - Poética e Literaturas Afro-brasileiras – Profª. Dra.
Zélia Amador de Deus
Local:
LAANF
Noite
Exibição
e debate de filmes africanos
Debatedor:
Elói Biquer (da Guiné Bissau)
Local:
LAANF
INSCRIÇÕES
COM ANTECEDÊNCIA:
Informações:
afroamazonico@gmail.com
ou tel: (91)3201-8365
Haverá
certificado com carga horária.
COMISSÃO
ORGANIZADORA:
Marilu
Márcia Campelo
Raimundo
Jorge Nascimento do Jesus
Eleanor
Gomes da Silva Palhano
Zélia
Amador de Deus
Shirley
Muryel Albuquerque Ferreira
Claudio
Pinheiro
Rosália
Freitas
Ficha
de inscrição
“Negritude
em Movimento” 10 anos do Grupo de Estudos Afro-Amazônico.
Nome
completo:
Curso/Instituição:
E-mail:
Telefone:
- Qual minicurso deseja participar? ______ (número do minicurso)
Obs.
O participante poderá escolher um minicurso em cada turno.
Manhã:
08hs00
as 12hs00
Minicurso
1
Racismo
uma Introdução – Prof. Ms Raimundo Jorge Nascimento de Jesus
Minicurso
2
Comunidades
Quilombolas e territorialidade – Prof. Dr. Assunção Pureza Amaral
Local:
LAANF
Tarde
14hs00
as 18hs00
Minicurso
3
Religiões
de matriz africana no Pará – Profa. Dra. Marilu Márcia Campelo.
Minicurso
4
Poética
e Literaturas Afro-brasileiras – Profa. Dra. Zélia Amador de Deus.
Local:
LAANF
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
As lideranças de Terreiros da “Nação Angola” convidam para o: (Re) Lançamento do Livro Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - Religiões Afro Brasileiras e Ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade.
As lideranças de Terreiros da “Nação Angola” convidam para o (Re) Lançamento do Livro Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará - Religiões Afro Brasileiras e Ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade
Dia 28 de Novembro (quarta-feira) às 17h, no Terreiro Mansu Nangetu – Trav. Pirajá, 1194 (entre Duque e 25) Belém-PA - Telefone: (91) 3226-7599
Será servido um coquetel com pratos tradicionais da culinária de terreiros afro-amazônicos, como uma forma de resgate da identidade do paladar dos povos de terreiros.
Dia 28 de Novembro (quarta-feira) às 17h, no Terreiro Mansu Nangetu – Trav. Pirajá, 1194 (entre Duque e 25) Belém-PA - Telefone: (91) 3226-7599
Será servido um coquetel com pratos tradicionais da culinária de terreiros afro-amazônicos, como uma forma de resgate da identidade do paladar dos povos de terreiros.
As multiplas falas dos angoleiros.
.
O evento vai reunir os terreiros de
matriz Banto da zona metropolitana de Belém para a distribuição de
um exemplar do livro para cada liderança ou membro de terreiro que
participou da pesquisa que resultou na cartografia. Será também um
momento de debate e reflexão sobre a preservação de tradições
afro-amazônicas e resistência política e cultural na capital
paraense.
Os organizadores convidaram as pessoas que participam
do capítulo dos angoleiros para fazer um sarau de leitura, e então
cada um vai escolher um trecho de seus depoimentos para uma leitura
coletiva que tem a intenção de provocar o debate com os convidados
que estiverem presentes. Isso tudo à partir da experiência relatada
no livro pelos próprios povos tradicionais de terreiros.
Trechos de depoimentos das
lideranças de terreiros de Angola.
Mametu Nangetu/ Oneide Monteiro
Rodrigues “...e as pessoas que vem no terreiro estão
acostumados com imagem como eles vêem na Umbanda e na Mina, e quando
ele vem aqui e vê uma estátua mas que é de louvor a Oxum e não
tem nada haver com o que ele conhece, ele estranha. Mas o povo ele é
muito sincrético e ele gosta de ver um caboco, um santo Antônio, e
acho que é por isso que as imagens estão nas casas dos
terreiros,(...). Os terreiros não sobrevivem sem os clientes, e nem
sem os filhos da casa, então tem que ter um chamamento, uma atração,
e como atrair essas pessoas para dentro de um terreiro?! Uma casa de
culto Angola é isso aqui: tem os tambores e tem os Ngunzos, né?!
Tem os nossos Ngunzos-Ngunzos! O que é os nossos fundamentos? A
nossa segurança é isso! E nas outras casas de nação isso não
tem, não tem Ntoto e nem Cumeeira, que são o nosso Ngunzo. É isso,
é a natureza e é por isso que nós não cultuamos nada de gesso, no
nosso Ngunzo ou é pedra, ou é ferro, ou é do mar, ou é da terra.
A nossa força está na natureza, entendeu?!”
Mam'etu Muagilê/ Beth de
Bamburucema “...uma senhora chegou comigo eu tava na rua de
casa, e disse “mãe Beth eu queria que a senhora fizesse um banho
pra mim”, ela é evangélica, “mãe Beth eu queria que a senhora
fizesse um banho pra mim construir a minha casa que tão de olho
gordo, tão fazendo macumba tão de olho gordo em cima de mim”, eu
fiquei olhando pra ela e disse: tu vai fazer a tua casa não vai ser
preciso banho nenhum, nem trabalho nenhum, eu disse: tu vai seguir o
que eu vou te dizer? Ela disse: sim, eu disse então ainda bem que tu
vieste me procurar no mês de fevereiro, porque tem o ano todo pra ti
trabalhar e fazer a tua casa e passar ano na tua casa sem ser preciso
eu te dar um banho, como tu disseste, um banho de macumba, que aqui
em casa é banho de Axé, ai tu vai levar esse tempo pra se
organizar, tu vai pagar tudo o que tu deve até o mês de agosto,
quando for setembro tu não és católica mas tu vais comprar um
sapato, uma roupa talvez os teus filhos queiram é possível ai tu
guarda pra final do ano e a partir desse momento em diante tu vai
passar a reservar o teu dinheiro para fazer a tua casa, te organiza.
Ela organizou do jeito que eu disse, quando tu for receber o 13º tu
não traz ai pra tua casa, tu já vai com o orçamento na estância
pega um profissional faz um orçamento de tudo o que tu vai gastar,
não te esquece da mão de obra, do material e tu compra o material
pra fazer a tua casa, vou te mostrar que tu vai passar o ano na tua
casa, ela seguiu tudo aquilo que eu falei pra ela. Quando chegou no
final do ano, estava numa casa de madeira macheada, toda bonitinha,
passou ano na casa dela não foi preciso banho, não foi preciso ela
ir até a minha casa, não foi preciso ela sair da religião dela pra
vim pra minha casa, nem mentir pra dizer que ela estava precisando de
banho uma coisa assim, nos damos uma palavra amiga isso é um tipo de
acolhimento, você aconselhar, escutar a pessoa e orientar essas
pessoa a fazer coisas que vai dar certo, sem ser preciso você
envolver, botar a você vai jogar búzio pra mim ou uma carta pra eu
poder ver se tu vai fazer uma carta não, só pra mim te dar um banho
e te cobrar tanto. Eu acho que a palavra amiga assim um conselho, uma
orientação sabe que muitas vezes vale tanto se você for fazer um
trabalho.”
Tatetu Kalengunzu/ José de
Arimatéia “Eu era da casa do Edilson, (...) o Painho, que era
de Lembá também, e eu era da Mina na casa dele -, entrei na casa
dele em 89 e ai em 95 eu recolhi com pai Edson, que tinha recolhido e
iniciado ele, e ai com 6 anos que eu estava lá eu recolhi também,
ai foi que eu entrei no Angola - iniciei em 95 e há 5 anos atrás eu
recebi o meu Kijingo, né!? já com 10 anos de iniciado eu recebi
Kijingo , e eu estou hoje com 15 anos de feitura na Angola, e não
troco também a minha nação por nada, adoro a Angola e agora mais
ainda, e eu garanto a vocês que vou ter mais força ainda pra buscar
mais conhecimentos, sabe!”
Táta Tauadirá/ Edson Santana
“Tem todas essas histórias da gente começar a obrigação dia de
sexta-feira de madrugada, e terminava de manhã: 6h da manhã, quando
eu voltava para o trabalho E aí chegou um tempo que eu disse eu não
quero mais e acabou, eu não quero mais essa vida de estar
trabalhando e fazendo obrigação. (...) Aí eu decidi fazer por ele
isso, no caso o seu Walter fazia tudo pelo santo.(...) e aí muitas
das coisas começaram a se definir, uma das coisas foi a minha
profissão, hoje em dia sou professor de música num conservatório
(...). É na música, no conservatório e outras coisas mais, que eu
estudei pela vida. Eu disse assim: caramba se eu tivesse visto isso
há mais tempo, eu já tinha feito dessa maneira... mas, o que eu vou
querer dizer é que é o próprio orixá que nos encaminha! “
Táta Kinamboji/ Arthur Leandro
“Mas enfim, então eles nos dão esse poder maléfico e nos atacam
nas emissoras de rádio e de televisão das quais eles são donos, e
ai a pergunta: como visibilizar? A pergunta deveria ser como
resistir! Nós sofremos intolerância como todo mundo que tá sentado
nesta roda, nós sofremos intolerância, nós sofremos racismo
institucional (…) Porque para a justiça brasileira nunca é
preconceito contra nós! A Constituição nos dá o direito de culto,
o direito de consciência religiosa mas o Estado nos reprime, reprime
as nossas práticas religiosas e quando a gente reclama alegam
ignorância e o motivo é que eles “não sabiam como acontece o
culto afro-religioso”. Eles nunca assumem a responsabilidade sobre
o ato deles.”
Uma cartografia para a
visibilidade do nosso povo!
“A proposta do projeto é a
visibilidade para as comunidades tradicionais, então a gente vem
desde maio [de 2010] nesse projeto: mapeando, buscando visibilizar
nossa cultura tradicional.” - Mametu Nangetu apresentando o
capítulo da Nação Angola.
A "Cartografia Social dos
Afrorreligiosos em Belém do Pará - religiões afro-brasileiras e
ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade"
foi lançado durante a XVI Feira Panamazônica do Livro, a mesa de
autógrafos contou com a presença dos pesquisadores.
Este projeto foi financiado pelo
Programa Nacional de Patrimônio Imaterial do IPHAN, e contou com a
participação de pesquisadores das mais variadas formações
acadêmicas e vinculados a diferentes universidades, e a categoria
“pesquisadores” contemplou tanto formações acadêmicas quanto
afrorreligiosos com suas formações, saberes e conhecimentos
tradicionais. O saber acadêmico e o saber tradicional coordenando a
pesquisa juntos.
Como produto deste trabalho temos um
mapa dos afro-religiosos em Belém e este livro, que foi construído
a partir de entrevistas em encontros e oficinas ocorridas entre abril
de 2010 e fins de 2011 com o objetivo de coletar informaçnoes para
produzir o mapa e o livro, geo-referenciando informações que
revelam a coletividade e o dinamismo das identidades das nações
afrorreligiosas e da Pajelança em Belém do Pará.
A pesquisadora Camila do Valle
salientou a participação de lideranças de cada uma das nações
representadas na cartogarfia: Angola, Jeje Savalu, Ketu, Mina Jeje
Nagô, Umbanda e Pajelança, atribuindo à essas lideranças o papel
fundamental de decisão sobre as informações reunidas e os
resultados da pesquisa. explicou que o livro contém “os afetos,
conflitos, modos de convivência e formas de ocupação e reprodução,
no território, dessas identidades coletivas centradas na
religiosidade”, e que o mapa tem a localização de terreiros e
informações importantes para a compreensão das prátcias das
religiões afro-amazônicas presentes na zona metropolitana de Belém
como o levantamento detalhado dos espaços sagrados - templos, casas,
terreiros, tendas e searas, além da identificação dos locais de
coleta de folhas nas matas e de compra de ervas, locais onde a
realização de ritos religiosos são tensas e até as situações de
conflitos e intolerância religiosa. Camila diz ainda que “podemos
dizer que o mapa, entendido como um mapa narrativo, tem aqui, neste
livro, espaço para expandir seus elementos de narratividade”. E
que ambos, livro e mapa, “são documentos que escolhem, portanto, o
critério da narratividade e, portanto, do dinamismo da ação para
revelar a construção de sua identidade cultural.” Esta identidade
cultural, entendida como patrimônio cultural imaterial, ultrapassa
as fronteiras dos municípios diretamente envolvidos na pesquisa, já
que as narrativas remetem a outros espaços geográficos e a outros
tempos: formas não redutoras de pensar os pertencimentos e os
processos de institucionalidade.
Mametu Nangetu disse que o trabalho com
a Nação Angola foi gratificante porque lhe deu a oportunidade de
visitar os terreiros e conhecer mais profundamente as condições de
vida de seu povo. Lembrou a distinção com que foi recebida em cada
casa de culto e reafirmou a importância de sabermos quem nós somos
e onde estamos, e fez referência à necessidade de afirmação da
identidade afro-religiosa para a visibilidade dos terreiros e para o
combate à intolerância religiosa.
A
luta contra o racismo e formas correlatas de preconceito e
discriminação.
“A intolerância religiosa é o novo
racismo e muitas comunidades que enfrentaram discriminações raciais
durante décadas são agora perseguidas por causa de sua religião”.
(Mark Lattimer, diretor da MRG - Minority Right Groups International
)
A proclamção da república, no século
XIX, separou o estado da religião católica e já na primeira
constituição brasileira constava o artigo que garantia a liberdade
de culto, mas ao contrário do que se pensa, o que aconteceu com as
religiões afro-brasileiras foi o acirramento da repressão e a
tentativa de eliminar essas práticas do território brasileiro.
É nesse contexto que os povos e
comunidades tradicionais de terreiros das sete nações de origem
afro-brasileira que atuam na Região Metropolitana de Belém travam
uma luta histórica contra o preconceito e a discriminação,
inúmeros são os casos de racismo pela intolerância religiosa que
ocorrem cotidianamente na capital paraense. Atitudes preconceituosas
são histórias sem fim para quem segue religiões afrodescendente.
Luiz Augusto Loureiro Cunha (Pai Tayandô/ Acaoã-Unimaz) recorda dos
períodos difíceis das comunidades tradicionais de terreiro no Pará:
1908, quando mães e pais de santo eram proibidos de bater tambor; na
década de 30 (1930), lembrada como a maior repressão contra os
praticantes das religiões remanescentes da África; e o período da
ditadura militar (1964 a 1985), quando foram registradas inúmeras
prisões sob alegações diversas. "No dia 18 de março de 1908,
a mãe de santo “Doca” foi presa porque batia tambor para Dom
José. Ela chegou a ser levada para a delegacia, ficou na cela e
depois foi liberada. Mesmo assim, ela voltou para o terreiro e
continuou a bater tambor para os seus deuses", conta. Por causa
desse gesto de coragem, o dia 18 de Março é lembrado pelos povos e
comunidades tradicionais como o Dia Municipal e Estadual da Umbanda e
dos Cultos Afros-brasileiros. Noche Navakoly (Mãe Doca) é o símbolo
da resistência dos Povos de Tereiros de Belém. Mãe Doca era
natural de Codó/MA, filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo, seu
Vodum é Nana e Toy Jotin, mas também recebia Seu Inambé. Ela foi
presa várias vezes e ainda assim não desititu da luta pelo direito
à consciencia relgiosa.
Para Mametu Nangetu a mídia fortalece
o preconceito existente contra as religiões afro-brasileiras. "Não
querem nos respeitar como povos e comunidades tradicionais de
terreiro e a mídia reforça esta intolerância" e ao contrário
do que se pensa, enfatiza a sacerdotisa, "nós não adoramos o
satanás, mas os orixás, que são a natureza". Ela conta que o
preconceito é tão grande, ao ponto de quando ela vai trabahar na
coleta de ervas na estrada da Ceasa sofre discriminação. Os maiores
autores são os vigilantes de prédios públicos, pessoas humildes
carregadas de uma carga cultural preconceituosa. "Nunca me
expulsaram do local, mas já disseram que eu estaria sendo convidada
a me retirar das proximidades do prédio, onde coletava as ervas",
relata.
Conhecimento
é arma para defesa contra perseguição e promoção do respeito à
diversidade religiosa.
A publicação dos resultados desse
trabalho revela as características próprias de cada nação, seus
locais, formas de cultos e deuses. O mapa aponta, por exemplo, que a
nação Umbanda chegou ao Pará por volta da década de 30, trazida
pela "Mãe" Maria Aguiar. A nação foi resultado do
cruzamento de linhas (sincretismo interno) que acabaram formando uma
religião com suas próprias características, agregando-se Pajés e
Caruanas, Encantados e Deuses para resultar em uma Umbanda amazônida.
Durante uma oficina de Cartografia, realizada em junho de 2010, Mãe
Vanda desabafou lembrando que "a Umbanda resiste ao preconceito
e reafirma a sua tradição através desse sincretismo"
"A Cartografia Social dos
Afrorreligiosos em Belém é o que o governo negou aos
afrorreligiosos, que representam uma parcela da população em cerca
de 10% e, no entanto, não se estima no censo anual feito pelos
centros de pesquisa populacional", afirma Táta Kinamboji, um
dos executores do mapa que é sacerdote e professor universiteario,
Ele conta, por exemplo, que por não haver educadores afro-religiosos
nas instituições de ensino, seja público ou privado, o estigma de
que os praticantes das religiões de origem africana continua sendo
visto como adoradores de deuses satânicos. Na opinião dele, como
educador, somente a partir do momento em que a religião for
discutida sem preconceito nas escolas, o fato poderá mudar
culturalmente, garantindo assim, o direito das pessoas se
manifestarem sem medo de serem identificadas.
Táta Kinamboji ressalta que as
comunidades tradicionais de terreiros tem produzido material que pode
sim ser utilizado pelos professore para a difiusão de sconhecimentos
sobre a cosmologia religiosa afro-amazônica, destaca os filmes de
Luiz Arnaldo Campos, especialmene o "Chama Verequete"
(dirigido em parceria com Rogeerio Parreira) e o "A descoberta
da Amazônia pelos Turcos Encantados", que ganhou o DOCTV-PA de
2005, e a fascículo 3 da cartilha do Projeto Nova Cartografia Social
da Amazônia, Movimentos Sociais e Conflitos nas cidades da Amazônia,
e argumenta que se as escolas ainda não utilizam esses documentos
como material didático é porque a Lei não consegue vencer o
preconceito das pessoas que deveriam aplica-la.
Mas para Mametu Nangetu, o que importa
saber é se os professores das escolas vão mesmo utilizar os
documentos da religiosidade afro-amazônicas para difundir o
conhecimento sobre os povos de terreiros, ou se o preconceito e a
intolerância religiosa ainda vai tentar confinar estas publicações
em prateleiras e arquivos escondidos nos fundos das bibliotecas...
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
XVI Feira Panamazônica do livro lança "Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará".
Lançamento de de livros - 25/09/2012 - LOCAL: ESTANDE UNAMAZ/NAEA
. Cartografia Social dos Afrorreligiosos em Belém do Pará,
livro organizado pela profa. Camila do Valle e Afrorreligiosos de Belém do Pará; e
. Cartilha da Liberdade, de Mãe Nalva.
Programação de conversas e conferências:
24/09/2012
10H30 - CONFERÊNCIA-HOMENAGEM: Trajetória e Poesia de Léon Gontran Damas
CONFERENCISTA: ROSA ACEVEDO MARIN
. Recitação de poemas do Autor por Kátia Cardela, com fundo musical de percussão.
14H00 - MESA 1: Narrativas de encantados nas teias de territorialidade
DEBATEDORES:
. Cynthia Carvalho Martins (Antropóloga - UEMA);
. José Luís Pinto Jr. (QUILOMBO DE SACOP);
. Pai Luis Tayandô (Associação Cultural Afrobrasileira
de Oxaguiã Acaoã).
MEDIAÇÃO: Marinilce Oliveira Coelho
25/09/2012
10H30/12H00 - MESA 2: Concepções sobre a natureza: o patrimônio imaterial
DEBATEDORES:
. Sérgio Cohn;
. Ernani Chaves (UFPA);
. Camila do Valle (UFRRJ).
MEDIAÇÃO: Rosa Acevedo Marin
14:00H S 16:00H - MESA 3: Amazônia: Literatura, fronteira e memória
DEBATEDORES:
. Willi Bolle (Usp);
. Josebel Fares (Unama);
. Ewerton Francisco dos Santos (UFPA).
MEDIAÇÃO: Rosa Acevedo Marin
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Convite para o lançamento do livro Cartografia dos afrorreligiosos em Belém do Pará
Programa de Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura da Universidade da Amazônia (UNAMA) convida para o lançamento do livro Cartografia dos afrorreligiosos em Belém do Pará
Quinta-feira, dia 20 de setembro
Horário: 19h30.
Local:UNAMA - Campus Alcindo Cacela
End. Av. Alcindo Cacela, 287 – Belém / Pa
Sala de Vídeo conferência 4º. andar Bloco E
Apresentação
Este livro foi construído a partir de entrevistas e oficinas ocorridas entre abril de 2010 e fins de 2011 com o objetivo de produzir um mapa e um livro geo-referenciando - informações que revelam a coletividade e o dinamismo das identidades das nações afrorreligiosas e da Pajelança em Belém do Pará.
Os afetos, conflitos, modos de convivência e formas de ocupação e reprodução, no território, dessas identidades coletivas centradas na religiosidade também fizeram parte do mapa realizado ao longo do tempo de realização deste projeto. Aliás, podemos dizer que o mapa, entendido como um mapa narrativo, tem aqui, neste livro, espaço para expandir seus elementos de narratividade. Tanto este livro como o mapa, que foram resultados do projeto Cartografia Social dos Afrorreligiosos de Belém do Pará, são documentos que escolhem, portanto, o critério da narratividade e, portanto, do dinamismo da ação para revelar a construção de sua identidade cultural.
Esta identidade cultural, entendida como patrimônio cultural imaterial, ultrapassa as fronteiras dos municípios diretamente envolvidos na pesquisa, já que as narrativas remetem a outros espaços geográficos e a outros tempos: formas não redutoras de pensar os pertencimentos e os processos de institucionalidade. É necessário sublinhar que este projeto, ao ter sido executado no âmbito do Programa Nacional de Patrimônio Imaterial do IPHAN, com a participação de pesquisadores das mais variadas formações acadêmicas e vinculados a diferentes universidades, demonstra a importância e a complexidade da identidade cultural dos grupos aqui participantes. É mister acrescentar que a categoria “pesquisadores” neste projeto contemplou tanto formações acadêmicas quanto afrorreligiosos com suas formações, saberes e conhecimentos tradicionais.
Os afetos, conflitos, modos de convivência e formas de ocupação e reprodução, no território, dessas identidades coletivas centradas na religiosidade também fizeram parte do mapa realizado ao longo do tempo de realização deste projeto. Aliás, podemos dizer que o mapa, entendido como um mapa narrativo, tem aqui, neste livro, espaço para expandir seus elementos de narratividade. Tanto este livro como o mapa, que foram resultados do projeto Cartografia Social dos Afrorreligiosos de Belém do Pará, são documentos que escolhem, portanto, o critério da narratividade e, portanto, do dinamismo da ação para revelar a construção de sua identidade cultural.
Esta identidade cultural, entendida como patrimônio cultural imaterial, ultrapassa as fronteiras dos municípios diretamente envolvidos na pesquisa, já que as narrativas remetem a outros espaços geográficos e a outros tempos: formas não redutoras de pensar os pertencimentos e os processos de institucionalidade. É necessário sublinhar que este projeto, ao ter sido executado no âmbito do Programa Nacional de Patrimônio Imaterial do IPHAN, com a participação de pesquisadores das mais variadas formações acadêmicas e vinculados a diferentes universidades, demonstra a importância e a complexidade da identidade cultural dos grupos aqui participantes. É mister acrescentar que a categoria “pesquisadores” neste projeto contemplou tanto formações acadêmicas quanto afrorreligiosos com suas formações, saberes e conhecimentos tradicionais.
Camila do Valle Profªadjunta da UFRRJ (Departamento de Letras, Leafro/PNCSA)
PS: Haverá lançamento do livro na Feira Pan-Amazônica no dia 25, entre 10h30 e 13h.
domingo, 12 de agosto de 2012
Lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros lotou o auditório da SAGRI.
| Mãe Nalva (na tribuna) e Mametu Nangetu, representaram os Povos e Comunidades de Terreiros do Pará. |
Mãe Nalva d'Oxum, que é uma das coordenadoras da pesquisa, e Mametu Nangetu, coordenadora do Fórum de Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Terreiros do Pará, representaram os Povos e Comunidades de Terreiros na cerimônia, e ressaltaram a importância desta e de outras pesquisas como forma de dar visibilidade para os povos e comunidades tradicionais de terreiros, e para ambas as sacerdotizas, a expectativa é ver esse trabalho traduzido em aplicação de políticas públicas afirmativas para povos de terreiros do Pará.
A ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, veio pessoalmente para o evento e teve a oportunidade de apresentar uma síntese da pesquisa para as comunidades de terreiros da zona metropolitana de Belém, assim como apresentar indicativos do como o governo federal, e a SEPPIR, pretendem se basear nessa pesquisa para poder propor ações que resultem em impactos positivos para os povos de terreiros.
| A ministra Luiza Bairros falou sobre as políticas de igualdade racial. |
O acesso aos benefícios das políticas de promoção da igualdade racial já existentes foi uma preocupação no discurso de Luiza Bairros, que usou como exemplo as políticas de cotas raciais nas universidades e convocou os presentes a acessarem as cotas para o ingresso no ensino superior.
As comunidades de terreiros de Belém lotaram o auditório da Secretaria Estadual de Agricultura do Pará/ SAGRI, para o lançamento do livro "Alimento: direito sagrado", resultado da pesquisa socioeconomica e cultural dos povos e comunidades tradicionais de terreiros sob organização de Luana Lazzari Arantes e Monica Rodrigues.
| Lideranças de terreiros lotaram o auditório para o lançamento do livro. |
Todos os presentes no lançamento receberam um exemplar do livro, que também será distribuído para bibliotecas e instituições de ensino e pesquisa.
| Todos os presentes receberam um exemplar. |
A pesquisa foi desenvolvida pela Associação Filmes de Quintal com a participação das comunidades de terreiros, e é uma realização do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome/ MDS, com a Secretaria O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em parceria com a Fundação Cultural Palmares (FCP) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que realizaram o Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiro em Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Belém.
| A diversidade das matrizes religiosas Afro-amazônicas se fez representar no evento. |
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Alimento: direito sagrado - lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros.
O Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Comunidades Tradicionais de Terreiro vem convidar a todos os Afro-religiosos, simpatizantes e amigos, para realização do evento de lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros que teve como objetivo principal dados para promoção de políticas publicas de segurança alimentar e nutricional e melhoria de qualidade de vida nas comunidades tradicionais de terreiro.
LOCAL: Auditório da SAGRI, Tv. do Chaco, 2232 - Belém/ PA.
DATA: 10-08-2012
HORA: 16H
OBS:REPASSEM ESTE CONVITE A TODOS QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA REALIZAÇÃO DESTE PROJ EETO E JUNTOS MOSTRAREMOS QUE SOMOS MUITOS E LUTAREMOS PARA QUE NOSSOS DIREITOS SEJAM SEMPRE GARANTIDOS
domingo, 29 de abril de 2012
Lideranças de terreiros falam sobre a cartografia no Balaio do Patrimônio do IPHAN-PA.
| Alfredo Wagner, Julia Morim, Camila do Valle e Rosa Acevedo participaram da mesa Identificação, reconhecimento e valorização do patrimônio afro-brasileiro". |
A mesa fez parte do evento "Balaio do Patrimônio" , realizado pela superintendência do IPHAN no Pará em conjunto com Secult/Pa, Fumbel e parceiros. O evento, que está em sua 4ª edição no Pará, tem o objetivo fomentar o diálogo acerca de políticas públicas, projetos e ações voltadas à preservação e salvaguarda do patrimônio cultural.
Para discurtir o patrimônio afro-brasileiro, os pesquisadores colocaram em debate a questão quilombola no Brasil, a identidade afro-brasileira também foi tema do debate, que tratou de ações inter-institucionais e das pesquisas nas comunidades quilkombolas, como a APROAGA e do recente projeto de Cartografia dos Afro-religiosos de Belém.
| Mametu Nangetu, coordenadora da pesquisa da cartografia para a Nação Angola, falou da preservação de espaços e dos conhecimetnos tradicionais dos terreiros. |
As três lideranças presentes, então dividiram o espaço da mesa para falar das suas percepções sobre o processo da pesquisa cartográfica. Disseram da importância do processo da construção de um mapa para o auto-conhecimento dos Povos Tradicionais de Terreiros na zona metropolitana de Belém, para a organização social e para a luta por direitos de cidadania para os povos de terreiros.
O debate ainda transiotou por temas como construção de identidades e resistência das minorias nos países pós-coloniais.
Dissertação de mestrado analisa trajetória de Mametu Nangetu, Babá Edson Catendê e Táta Tauadirá.
| A antropóloga Selma Brito defendeu sua dissertação de mestrado com a pesquisa das trajetórias religiosas de Mametu Nangetu, Babá Edson Catendê e Tata Tauadirá (Edson Santana). |
Táta Kinamboji e Babá Edson Catendê estiveram na defesa de dissertação de Selma Brito no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais do IFCS/UFPA.
Selma passou os últimos dois anos pesquisando a vida e a atuação política e cultural de três sacerdotes de candomblé em Belém do Pará: Mametu Nangetu, Babá Edson Catendê e Táta Tauadirá, e essa pesquisa resultou na dissertação de mestrado "TRAJETÓRIAS RELIGIOSAS E PROJETOS DE VIDA: ENGAJAMENTO POLÍTICO, SOCIAL E CULTURAL ENTRE SACERDOTES DE CANDOMBLÉ NA CIDADE DE BELÉM-PA", que foi defendida na última quarta-feira dia 25 de abril, no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais (linha de pesquisa em antropologia) da Universidade Federal do Pará.
O trabalho propõe
uma reflexão antropológica acerca da dinâmica de ação e atuação de alguns
sacerdotes de Candomblé inseridos
num campo religioso afro-paraense. A análise é construída a partir da
narrativa da trajetória religiosa e história de vida de três sacerdotes:
Mam’etu Nangetu, Bàbá Edson Catendê e Pai Edson Santana.
Selma explica a importância da análise porque as trajetórias desses sacerdotes comprovam
suas percepções e trânsitos dentro do campo religioso, seus engajamentos e
ações que envolvem a garantia e o direito à prática de suas religiões, no campo
político, cultural, social ou na mídia digital.
| Babá Edson Catendê esteve poresente na defesa da dissertação de Selma. |
O Candomblé nos ritos Ketu e Angola de importação baiana, ritos praticados pelos sacerdotes da pesquisa, são
importantes na análise por conta da mudança que impôs ao campo afro-religioso paraense, que
se constituía, até um determinado momento, somente de mineiros e umabandistas. Ela explica que a entrada
do Candomblé em Belém também reflete nas reorientações deste 'campo', principalmente no que diz
respeito à noção de legitimidade religiosa, agenciamento social e político a
que os afro-religiosos passaram a ter na busca de uma identidade afro-religiosa
para as suas Comunidades Tradicionais de Terreiros.
| Prof. Heraldo Maués, Profa. Denise Cardoso e Profa. Daniela Cordovil formaram a banca avaliadora. |
A dissertação de Selma Brito foi aprovada com nota máxima pela banca examinadora composta por sua orientadora Profa. Denise Cardoso, o avaliador interno Prof. Heraldo Maués e pela avaliadora externa Profa. Daniela Cordovil (UEPA). Selma ainda agradeceu a colaboração de diversas pessoas, dentre elas a Profa. Anaisa Vergolino e também destacou a participação da Profa. Marilu Campelo na construção de sua pesquisa.
| Selma, acomapanhada da pesquisadora Anaisa Vergolino e da banca avaliadora. |
sábado, 17 de março de 2012
Ultimos ajustes para o livro do projeto “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade".
A pesquisadora e professora da UFRRJ, Camila do Vale se reuniu com as lideranças de terreiros que coordenaram os trabalhos em cada uma das nações presentes na pesquisa de mapeamento de terreiros da zona metropolitana de Belém, e junto com outras lideranças que atenderam ao chamado para participar da verificação das informações que vão constar no livro resultante do projeto “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na diversidade".
Todos os presentes puderam contribuir para as correções que se fizeram necessáris, e em breve estaremos divulgando a data do lançamento da publicação que tem o financiamento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Todos os presentes puderam contribuir para as correções que se fizeram necessáris, e em breve estaremos divulgando a data do lançamento da publicação que tem o financiamento do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
domingo, 18 de dezembro de 2011
Em nome do ensino sem preconceitos, Povos Tradicionais de Terreiros produzem cartografia para ser utilizado nas escolas.
Domingo passado, dia 11/12/2011, na sede do IPHAN em Belém, aconteceu o pré-lançamento
do mapa da “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará,
religiões
afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na
diversidade", um mapa com a localização de terreiros e informações
importantes para a compreensão das prátcias das religiões
afro-amazônicas presentes na zona metropolitana de Belém.
| A equipe de pesquisadores foi composta pelas lideranças de terreiros de Belém e Ananindeua. |
Com a pesquisa pronta, o
pré-lançamento do mapa, e a notícia de que o livro está à caminho da
gráfica, o desafio agora é romper o preconceito dos professores e do
corpo técnico e administrativo da rede de ensino para convence-los a
utilizar os produtos resultantes dessa pesquisa na aplicação da Lei
10.639/03 nas escolas do estado do Pará.
Táta
Kinamboji ressalta que as comunidades tradicionais de terreiros tem
produzido material que pode sim ser utilizado pelos professore para a
difiusão de sconhecimentos sobre a cosmologia religiosa afro-amazônica,
destaca os filmes de Luiz Arnaldo Campos, especialmene o "Chama
Verequete" (dirigido em parceria com Rogeerio Parreira) e o "A
descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados", que ganhou o DOCTV-PA
de 2005, e a fascículo 3 da cartlha do Projeto Nova Cartografia Social
da Amazônia, Movimentos Sociais e Conflitos nas cidades da Amazônia
(clique aqui para baixar a cartilha),
e argumenta que se as escolas ainda não utilizam esses documentos como
material didático é porque a Lei não consegue vencer o preconceito das
pessoas que deveriam aplica-la.
| Povos de terreiros se reunem para construir conhecimento sobre a religiosidade afro-amazônica. |
O livro e o mapa da pesquisa “Cartografia Social dos Afro-religiosos em Belém do Pará, religiões
afro-brasileiras e ameríndias da Amazônia: afirmando identidades na
diversidade" serão lançados em 18 de março de 2012, e com isso os Povos Tradicionais de Terreiros demonstram sua união na produção de conhecimentos e de material para ser utilizado pelas escolas na aplicação da Lei,
E mais uma vez fica a pergunta, os professores vão mesmo utilizar esse material nas escolas?
Segue
abaixo o texto de matéria sobre o preconceito contra as práticas
religiosas afro-amazônicas nas escolas de Belém que foi publicado no
Amazônia Jornal de domingo, dia 18/12/2011 - ver publicação original aqui.
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