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domingo, 27 de março de 2016

Manifesto contra o racismo religioso.

Em 20 de março as autoridades de comunidades de terreiro foram às ruas de Belém pelo respeito ao sagrado de matriz africana, em ato organizado pelo INTECAB-PA e organizações parceiras.

Consideramos muito grave a violência que se acentua por ódio religioso contra as tradições de matriz africana no Brasil, seus lugares de culto, seus símbolos e suas autoridades. Destruição de imagens do sagrado das tradições de matriz africana, se somam aos ataques de depredação a templos religiosos (ou aos territórios de preservação de tradições de matriz africana) em toas as regiões brasileiras e se somam também os assassinatos de autoridades e lideranças de casas, terreiros e roças tradicionais de matriz africana, e esses casos são relegados a planos inferiores nas estatísticas dos órgãos de segurança pública nos 26 estados e no DF.
É notório que o racismo manifesto no etnocentrismo da sociedade brasileira incide contra práticas tradicionais afro-brasileiras, e estas enfrentam a mais absoluta indiferença social. O problema sofre de notória invisibilidade.
Podemos afirmar que persiste na sociedade brasileira a associação nefasta entre a mídia e as instituições de justiça e segurança pública a perpetuar o espectro racista de associação da herança africana com o contexto do mal, e a legitimar o desrespeito às leis e à constituição da República Federativa do Brasil e promover a violência contra a população negra e aos terreiros e suas lideranças.
O que os Terreiros vivem hoje é o medo constante de se tornarem vítimas da violência sem limites promovida por cultos de seitas cristãs que, ao invés de levarem mensagens de paz e conforto aos seus fiéis, promovem o ódio religioso cultivado em alicerces racistas por causa da origem negra africana de nossa religião.
Os ataques racistas se perpetuam principalmente por parte de adeptos de religiões pentecostais e neopentecostais (Igreja Universal do Reino e Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Assembleia de Deus, entre outras. A repressão é percebida pelas lideranças dos povos tradicionais de matriz africana.
A luta pelo direito ao sagrado africano vem de muito tempo, o agravante atual é que esses grupos de seitas cristãs que atacam as tradições afro-brasileiras, possuem mandatos de cargos eletivos no executivo e legislativo e concessão pública de canais de comunicação televisiva e radiofônica, e que o ataque é massificado em redes de comunicação e em discursos nas casas legislativas. As causas do racismo em forma de intolerância religiosa estão intimamente ligadas ao aumento dos poderes midiáticos dos praticantes de cultos pentecostais e neopentecostais - poderes que constroem um império de comunicação utilizado para promover o poder político com caráter de fundamentalismo cristão.
E essa situação, somada à ambiguidade das políticas educacionais - cujo mesmo racismo institucional emperra a implantação de ações afirmativas como o disposto na Lei 10.639/03 -, são considerados os principais fatores da promoção da violência física, psicológica e social contra os povos tradicionais de matrizes africanas.
Mais uma vez, lançamos um alerta para a violência contra as tradições afro-brasileiras em nossos dias, principalmente como consequência do estereótipo do mal repassado em campanha midiática e política contra os povos tradicionais de matrizes africanas. Violência que incide sobre nossas casas, nossos símbolos e até mesmo sobre nossos corpos, e repudiamos essa violência ao mesmo tempo que exigimos que o Estado adote políticas de reparação. É preciso dar uma resposta urgente da gestão pública nas três esferas, e essa resposta só será sentida pelo nosso povo se for feita com ações e políticas públicas que tenham efeito imediato e possam reprimir os malfeitores que atacam nossas lideranças, nossos símbolos, nossos templos e nossa fé...
Belém, 21 de março de 2016 - Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial.
Mametu Nangetu
Presidente do Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e Desenvolvimento social


Alguns casos de violência, e acreditamos que se as vitimas fossem templos ou sacerdotes da fé cristã o Estado já teria dado respostas:

18/03/08 O terreiro Oyá Onipó Neto, localizado há mais de 29 anos na Avenida Jorge Amado, em Salvador, foi parcialmente demolido em 27 de fevereiro, o que provocou polêmica e uma série de manifestações contra a intolerância religiosa. A responsável por autorizar a demolição, Kátia Carmelo, foi exonerada do cargo de chefia da Superintendência de Controle do Uso do Solo do Município (Sucom) e o prédio está sendo reconstruído.  http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL353993-5598,00-DEMOLICAO+DE+TERREIRO+PROVOCA+POLEMICA+EM+SALVADOR.html

06/10/2010 - A mãe de santo, a "Ialorixá" Maria Ferreira de Jesus, 66 anos, também conhecida como "Mãe Dinha", foi assassinada com vários tiros de pistola calibre 380, nesta terça-feira (5), em Santa Bárbara. http://www.interiordabahia.com.br/p_policia/11243.html

08/11/2010 - Mãe de Santo manifestada é jogada no formigueiro por policiais   http://www.alagoas24horas.com.br/620460/mae-de-santo-manifestada-e-jogada-no-formigueiro-por-policiais/

07/10/2011 - A mãe de santo Analice de Freitas Sacramento, de 58 anos, foi assassinada com vários golpes de facão, na noite da última quarta-feira http://www.bahiapolitica.com.br/mae-de-santo-e-assassinada-a-golpes-de-facao/

13/7/2012 - Sete terreiros de umbanda e um centro doutrinário espiritualista foram invadidos e saqueados por populares em São Domingos, no Brejo da Madre de Deus e em Santa Cruz do Capibaribe nessa quinta-feira http://maranauta.blogspot.com.br/2012/07/populacao-do-agreste-destroi-terreiros.html

15-07-2012 em Olinda. Centenas de evangélicos com faixas e gritando palavras de ordem realizaram protesto em frente a um terreiro de matriz africana e afro-brasileira – candomblé, umbanda e jurema. As imagens poderiam ser de um filme sobre a Idade Média. No entanto, foram registradas no domingo, no Varadouro, em Olinda, Grande Recife. As cenas de intolerância religiosa circularam ontem nas redes sociais e provocaram a revolta de milhares de internautas. http://gravatahoje.blogspot.com.br/2012/07/versao-pernambucana-da-noite-de-sao.html

20/07/2012 - Polícia Civil localiza suspeitos da morte de Mãe de Santo Patrícia de Oyá em Rio Pardo http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2012/07/20/policia-civil-localizam-suspeitos-da-morte-de-pai-de-santo-em-rio-pardo/?topo=52,1,1,,171,e171

26/8/2012 - O Vale do Amanhecer, centro de doutrina espiritualista Cristã, também foi alvo da ira da população. Um funcionário do templo, Emanuel Jonas da Silva, chegou a ser agredido pelos populares e prestou depoimento à polícia. O centro só não foi incendiado porque policiais militares conseguiram impedir a ação dos manifestantes. O grupo ainda conseguiu saquear o Templo e destruir objetos do local. Tronos, Mesa Evangélica e imagens. "As pessoas estão invadindo os espaços aleatoriamente. Muitos não conhecem a história das religiões e estão cometendo injustiças". Apontou o delegado Antônio Dutra. http://amanheceremnoticias.blogspot.com.br/2012/08/os-principais-alvos-da-revolta-da.html

04/08/2013 -  Além de Yá Mukumby foram mortas mais três pessoas, entre as quais, sua mãe, Alial de Oliveira Santos, 86 anos, e uma neta de 10 anos. O crime chocou Londrina, a segunda cidade mais populosa do Paraná e a quarta da região sul. Além do pano de fundo machista (o alvo do agressor era sua própria companheira, Patrícia Amorim Dias, de 19 anos) o crime pode ter sido gerado pela intolerância religiosa: de acordo com vizinhos, o assassino Diego Ramos Quirino, 30 anos, era evangélico e dizia estar "com o diabo no corpo”. http://www.afropress.com/post.asp?tipo=fotos&id=15261

16/12/2013 “Picharam minha casa, jogaram pedras várias vezes. Há cinco anos, cancelei sessões públicas e deixamos de tocar o atabaque para preservar nossa crença”, conta. Nos aglomerados da capital, o fenômeno se repete e os terreiros também se mantêm discretos. Apesar de presentes, já não é tão fácil encontrá-los.  http://www.otempo.com.br/preconceito-e-viol%C3%AAncia-fazem-terreiros-se-esconderem-em-bh-1.761460

07/03/2014 - Monumento em homenagem a 'Mãe Doca' é destruído em Belém. http://www.ormnews.com.br/multimidia/video/40215  

1/04/2014 - Polícia investiga incêndio e destruição de imagens em terreiro de candomblé em Goiana. A polícia investiga a depredação e incêndio ocorridos em um terreiro de candomblé na madrugada da segunda-feira, dia 1º de abril, em Goiana, na Zona da Mata Norte pernambucana. O local de culto à entidade Jurema teve suas dependências tomadas pelas chamas e várias imagens sagradas foram quebradas. O responsável pelo terreiro é o babalorixá conhecido como Pai Dedo.  http://www.ablogpe.com/2014/04/policia­investiga­incendio­e­destruicao.html

01/08/2014 Terreiro de candomblé é incendiado pela oitava vez em Duque de Caxias - http://boaforma.uol.com.br/videos/assistir.htm?video=terreiro-de-candomble-e-incendiado-pela-oitava-vez-04020D18326AD0895326

25/11/2014 - Mãe de Santo de 61 anos é morta dentro de casa em Eunápolis, na BA http://g1.globo.com/bahia/noticia/2014/11/mae-de-santo-de-61-anos-e-morta-dentro-de-casa-em-eunapolis-na-ba.html

23/04/15 às 15h38 - Comerciante que estrangulou e matou mãe de santo é presa em Euclides da Cunha (BA) http://varelanoticias.com.br/comerciante-que-estrangulou-e-matou-mae-de-santo-e-presa-em-euclides-da-cunha-ba/

20/05/2015 -Mãe de santo presta queixa por ofensa http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=266336

10/06/2015 - A morte de uma ialorixá nonagenária em Camaçari, município industrial localizado a 40 quilômetros de Salvador, é centro de comoção http://oglobo.globo.com/sociedade/religiao/parentes-de-ialorixa-morta-dizem-que-ela-teve-infarto-causado-por-perseguicao-religiosa-16396381#ixzz43bCShFhv

16/06/2015  A menina, iniciada no Candomblé há quatro meses, seguia com parentes e irmãos de santo para um centro espiritualista na Vila da Penha, quando foi atingida na cabeça por uma pedra, atirada, segundo testemunhas, por um grupo de evangélicos. Ainda segundo os relatos, momentos antes, eles xingaram os adeptos da religião de matriz africana. “Eles gritaram: ‘Sai Satanás, queima! Vocês vão para o inferno’. Mas nós não demos importância. Logo depois, o pedregulho atingiu minha neta e, enquanto fomos socorrê-la, eles fugiram em um ônibus”, contou a avó da menina, Kathia Coelho Maria Eduardo, de 53 anos, conhecida na religião como Vó Kathi - http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-06-16/intolerancia-religiosa-leva-menina-a-ser-apedrejada-na-cabeca.html

27/06/2015 "Macumbeiro desgraçado! Povo do diabo!" A relação com os vizinhos, que já não era boa, com o tempo só fez piorar –ponto de as ofensas começarem a ser ouvidas na rua, diz Caio Marcelo Affonso, 42, dirigente espiritual do terreiro de umbanda Pena Vermelha, na zona leste. "Todos nós que vivemos o Orixá já passamos por algo constrangedor", afirma o religioso, que demorou um ano e três meses para conseguir alugar um local para o terreiro. "Quando falava para o que era, não alugavam em lugar nenhum", conta.  Nem só com ofensas verbais, no entanto, a intolerância se manifesta por ali. Pedras e pedaços de paus já foram atirados contra uma das áreas do terreiro, afirma. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1648608-terreiro-de-umbanda-em-sao-paulo-e-alvo-de-pedradas-e-xingamentos.shtml

15/07/2015 - Um terreiro que existe há 39 anos na cidade de Juazeiro, norte da Bahia, sofre há cerca de três meses com ação de vândalos, segundo conta a líder religiosa Adelaide Santos. O templo Ilê Abasy de Oiá Guenã, no bairro Kidé, chegou a ser arrombado algumas vezes, e a casa onde  ela mora com netos e filhos também foi apedrejada. Por causa disso, a líder religiosa de 63 anos passou a dormir na casa de vizinhos.  http://www.portaldenoticias.net/terreiro-de-candomble-e-apedrejado-em-juazeiro/

12/08/2015 O babalorixá  Antônio Caldas contou que o terreiro, localizado no bairro Jardim Borborema, foi atingido por pedradas durante a realização de um Fórum de Diversidade Religiosa. De acordo com o líder religioso, este não foi o primeiro ataque ocorrido no local. Antônio revelou que, em outros momentos, já chegaram a jogar bombas, pedras e até coquetel molotov. http://www.maispb.com.br/117862/terreio-e-apedrejado-em-campina-grande.html

12/09/2015 Pouco mais de um mês após um ataque a um terreiro de religião de matriz africana, pelo menos dois templos da mesma doutrina foram incendiados na madrugada deste sábado (12/9) no Entorno do Distrito Federal. Um caso ocorreu em Santo Antônio do Descoberto e o outro, em Águas Lindas, ambos municípios goianos a aproximadamente 50 Km do DF. A ocorrência mais grave é a de Santo Antônio do Descoberto. O terreiro ficou todo destruído pelo fogo. Uma vizinha disse que viu os primeiros estalos, no telhado, por volta das 6h. Outros vizinhos tentaram ajudar, mas não conseguiram apagar o fogo a tempo de evitar a destruição do espaço onde adeptos do candomblé se reúnem. O mesmo templo havia sofrido um ataque parecido em 5 de agosto. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/09/12/interna_cidadesdf,498369/dois-terreiros-de-religioes-afros-sao-incendiados-no-entorno-no-df.shtml

13/09/2015 - Pai de santo é morto a tiros dentro de casa na BA; mulher presenciou crime. Segundo família, vítima foi atingida por diversos disparos de arma de fogo. Homicídio ocorreu na noite de sábado (12), na cidade de Simões Filho  http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/09/pai-de-santo-e-morto-tiros-dentro-de-casa-na-ba-mulher-presenciou-crime.html?utm_source=twitter&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=share-bar

30/09/2015 - Segundo relatos, o pai de santo foi alvejado em várias partes do corpo http://portalitaberabareporter.com.br/itaberaba/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-em-itaberaba/

05/10/2015 – Executado dentro da igreja. Vítima tentou se esconder em templo evangélico, mas foi morto a tiros por bandidos encapuzados, em Benevides. De acordo com informações repassadas pela polícia, Roberto era pai de santo e ainda não se sabe o que motivou o homicídio, já que não há indícios de envolvimento dele com a criminalidade. http://www.ormnews.com.br/noticia/executado-dentro-da-igreja  e http://www.ormnews.com.br/noticia/umbandista-executado-a-tiros
16/10/2015 - Donizete Souza Braga, de 56 anos, foi executado dentro de um centro de umbanda em Cotia (SP)   http://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-em-centro-de-umbanda-em-cotia-sp-16102015

27/10/2015 Os organizadores do terreiro disseram à polícia que não é a primeira vez que o local é alvo de ataque. Segundo eles, durante os cultos, que são realizados duas vezes por semana, o prédio foi apedrejado em várias ocasiões.  http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2015/10/imagens-de-santos-sao-destruidas-em-terreiro-de-macumba-em-botucatu.html

28/10/2015 O Terreiro de Pai Ivon, localizado no bairro de Santa Teresa, em Olinda, está sendo alvo de uma ação de desocupação para posterior demolição na manhã desta quarta-feira. Na sexta-feira passada, o sacerdote Ivon Carlos recebeu a ordem, mas recorreu e conseguiu, no Fórum de Olinda, um prazo de oito dias para tentar reverter a ação. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para tentar evitar a demolição do templo.  De acordo com Tiago Nagô, ativista de direitos humanos para os povos tradicionais, o terreiro é o último existente na Ilha do Maruim, após as últimas desapropriações realizadas pela Prefeitura de Olinda. "Não é uma residência comum, é um terreiro africano, que está sendo posto abaixo com o pretexto das reformas urbanas, para dar caminho a uma pista. Os povos de matrizes africanas não terão lugar para cultuar, enquanto várias igrejas evangélicas estão sendo abertas na mesma comunidade. Eles estão desobedecendo a Lei Federal 12.288 de 2010, o Estatuto da Igualdade Racial", denuncia Tiago Nagô. http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/10/28/interna_vidaurbana,606748/terreiro-e-alvo-de-acao-de-desocupacao-em-olinda.shtml

01/11/2015 PF descobre despacho de macumba na casa de Collor contra Janot POR GUILHERME AMADO - "Numa mesa, os agentes encontraram uma foto do conselho do CNMP com os rostos de Janot e de George assinalados num círculo feito a caneta. Acima da foto, numa folha de papel com o timbre do Senado, os nomes de vários orixás: Iemanjá, Elegbara, Oxalá, Ogum, entre outros." http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/pf-descobre-despacho-de-macumba-na-casa-de-collor-contra-janot.html

02/12/2015 - O pai de santo Marco Antônio Albuquerque da Cruz, de 50 anos, babalorixá do candomblé, foi encontrado morto dentro da casa em que morava no bairro da Pratinha II, em Belém. http://mobi.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-352114-pai-de-santo-e-encontrado-morto-dentro-de-casa.html

17/12/2015 - o pai de santo José Flávio Ferreira de Andrade, de 36 anos, foi atingido com 3 tiros e caiu morto em frente à casa onde morava, localizada no bairro Estrela, mais precisamente na Alameda Liberdade. http://www.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-353643-tres-pessoas-sao-assassinadas-a-bala-em-castanhal.html

22/12/2015 = Na madrugada desta última terça-feira um pai de santo de 50 anos foi assassinado a tiros e facadas dentro de sua residência localizada no bairro Águas Negras no distrito de Icoaraci (21 km de Belém). http://noticiasplantaopolicial.com.br/noticias/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-e-facadas-apos-reagir-a-assalto-dentro-de-sua-residencia

08/01/2016 - Um pai de santo foi morto a tiros na esquina de casa no início desta quinta-feira (7) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/01/pai-de-santo-e-morto-tiros-na-esquina-de-casa-na-baixada-rj.html

11/02/2016 - A mãe de santo Salomé Moura Coelho, 57 anos, e o companheiro dela, que ainda não foi identificado, foram encontrados mortos na tarde do dia 10 dentro de um terreiro no bairro Engenho Velho de Brotas. http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/mae-de-santo-e-companheiro-sao-encontrados-mortos-em-terreiro-no-engenho-velho-de-brotas/?cHash=8cb875fab2a62df0d01143a81867bd28


20/03/2016 – Destruição de imagem de Iemanjá na Paraíba, “vândalos acabaram de cortar a cabeça da nossa estátua de Yemonja que se localizar na praia do cabo branco” - https://www.facebook.com/belatuca/posts/1031975523507417?comment_id=1032784566759846&notif_t=comment_mention 

08/ 08/ 2016 - Pai de santo é executado. Religioso foi esfaqueado doze vezes num bar; o crime provocou comoção entre a comunidade afrorreligiosa “Já roubaram a casa do meu filho várias vezes. Quase toda semana eles entravam e levavam tudo. Só deixaram um armário que tem lá.” http://www.ormnews.com.br/noticia/pai-de-santo-e-executado


08/ 08/ 2016 - Pai de santo é morto com doze facadas. Em Ananindeua - Religioso é atacado por dois homens num bar situado no bairro Icuí-Guajará “Os que aceitaram falar, sem se identificar, afirmaram que Mário era muito conhecido na área e que existiam pessoas querendo expulsá-lo do local devido às suas manifestações religiosas.” http://www.ormnews.com.br/noticia/pai-de-santo-e-morto-com-doze-facadas

08/08/2016 - Pai de santo é morto com golpes faca. “Moradores que preferiram não revelar o nome comentaram que José era pai de santo e a religião incomodava a vizinhança devido aos cultos que realizava em casa. Esta, portanto, seria uma das supostas motivações. Além disso, populares disseram que a casa da vítima era constantemente assaltada e, por isso, ela teria jurado de morte os criminosos que podem ter revidado à ameaça.” http://mobi.diarioonline.com.br/noticias-interna.php?nIdNoticia=376587

No mesmo fim de semana em que José Cavalcante foi assassinado, 3 homens armados de revólveres invadiram um terreiro de umbanda em Icoaraci e atacaram pais e mães de santo, que se preparavam para uma festa no espaço religioso. Uma mãe de santo levou um tiro de raspão e precisou de atendimento médico.   http://www.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-377191-mortes-de-pais-de-santo-no-para-ficam-impunes.html

terça-feira, 1 de março de 2016

Dançando para Iemanjá, roda de conversa com João Simões Cardoso Filho e Mametu Nangetu.

Como parte da celebração do dia Estadual e Municipal da Umbanda e das religiões afro-brasileiras em Belém e no Pará, o Instituto Nangetu promove uma série de rodas de conversas para o mês de março, o convidado do sábado, 19 de março, é o professor João Simões Cardoso Filho.

Dançando para Iemanjá, dinâmicas sociais e políticas religiosas.
Conversa com João Simões Cardoso Filho e Mametu Nangetu.
Sábado, 19 de março, a partir das 9:30.
Mansu Nangetu - Tv. Pirajá, 1194 - Belém/PA.
Transmissão pela webTV Azuelar http://www.ustream.tv/channel/azuelar


João Simões é pesquisador e autor da Tese "Dançando para Iemanjá", um estudo que parte da análise do Festival de Iemanjá pra debater cultura, natureza e sociedade. Nesta conversa com Mametu Nangetu, eles se propõem a abordar as políticas religiosas e as dinâmicas sociais na perspectiva do enfrentamento ao racismo e da defesa das tradições de matriz africana na Amazônia.


O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, que era filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin.
É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.
Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-brasileiras.



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Mametu Nangetu participou da audiência pública para o diálogo inter-religioso, na liberdade e convivência respeitosa entre os diversos cultos e na laicidade do Estado.

Atualizado em 20/08/2015 - 00h16

Líder de candomblé contesta classificação de religiões afro como minorias

A líder do candomblé no Pará, Oneide Rodrigues, mais conhecida como Mam'etu Nangetu, contestou as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que definem os seguidores de cultos afros como "minoria" religiosa. Segundo ela, até por temor à intolerância, muitos adeptos do candomblé, umbanda e outros cultos se dizem católicos para os recenseadores.
Antonio Araújo/Câmara dos Deputados
Audiência pública para debater sobre a contribuição na promoção do diálogo inter-religioso, na liberdade e convivência respeitosa entre os diversos cultos e na laicidade do Estado. Sacerdotisa de Matriz Africana, Oneide Monteiro Rodrigues (Mãe Nangetu)
Mam'etu Nangetu: por temor à intolerância, muitos adeptos de cultos afros se dizem católicos

Os deputados Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) e Pastor Eurico (PSB-PE) anunciaram que vão cobrar do IBGE a revisão da metodologia de pesquisa para aferir, com mais precisão, o tamanho das diversas religiões no País. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (19), em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.
Mam'etu Nangetu se queixou, ainda, da baixa representatividade dos seguidores de cultos afros no Parlamento e da dificuldade de a religião conseguir acesso aos meios de comunicação, inclusive às rádios comunitárias, "para mostrar que o nosso Deus não é satanás".
Violência
Também na audiência, o presidente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) e professor da Universidade Federal de Sergipe, Uziel Santana, causou polêmica ao trazer para o contexto brasileiro a distinção entre violência religiosa real e simbólica.
A primeira envolveria, por exemplo, guerra civil ou ação de terroristas com foco religioso e não ocorreria no Brasil. "A violência aqui é simbólica e também atinge os evangélicos, vítimas de pedradas e Bíblias queimadas, sobretudo no século 19", afirmou.
Uziel foi contestado principalmente pelo monge católico Marcelo Barros e pelo deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), para quem as agressões, sobretudo a terreiros e seguidores de cultos afros, são exemplos de "violência real".
O presidente da Anajure citou ainda o relatório internacional sobre intolerância religiosa para afirmar que o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo, como mostram alguns genocídios de minorias cristãs no Oriente Médio e no norte da África. Ele defendeu a aprovação do projeto de Estatuto da Liberdade Religiosa (PL 1219/15), em tramitação na Câmara.
Ações do governo
O coordenador-geral do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Alexandre da Fonseca, citou algumas ações da secretaria para garantir o respeito às diferenças de crença, à liberdade de culto e à laicidade do Estado: fortalecimento dos comitês e fóruns estaduais de diversidade religiosa, campanhas contra a intolerância religiosa, inclusive por meio de cartilhas e livros; e popularização do Disque 100 como instrumento de denúncia.
O Disque 100 registrou 543 denúncias de violações de direitos por discriminação religiosa entre 2011 e 2014. Desse total, 216 casos tiveram informação sobre a religião da vítima: 35% candomblé e umbanda, 27% evangélicos, 12% espíritas, 10% católicos, 4% ateus, 3% judaicos, 2% islâmicos e 7% outras.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Roda de conversa com candidatos de terreiros pelo Estado do Pará.


Convidamos os candidatos de povos tradicionais de terreiro pelo estado do Pará, e os que se apresentam como defensores dos afro-religiosos, para uma roda de conversa na webTV azuelar com transmissão ao vivo pela http://www.ustream.tv/channel/azuelar e posterior publicação no youtube.
A conversa acontece na tarde da quinta-feria (2 de outubro) as 15h.
Realização do Projeto Azuelar do Instituto Nangetu - Pirajá, 1194, Belém/PA. 91-32267599 solicitamos confirmação de participação.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Comunidade do Mansu Kalasambe participa da Caminhada em Marabá.




As comunidades de terreiros do sul e sudeste do Pará realizaram uma caminhada pelo centro da cidade para combater o racismo peça intolerância religiosa. A caminhada antecedeu a Festa em Homenagem à Yemanjá e Oxum que aconteceu na Praia do Tucunaré em Marabá /Pará no dia 16 de agosto de 2014.
A comunidade de Tatetu Kalasambe esteve presente nesse ato e na celebração, marcando a presença de nossa raiz na luta pelos direitos do nosso povo no sudeste do Pará.





quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mametu Nangetu repassa informes sobre o Comitê da Diversidade Religiosa.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), abriu a primeira reunião do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa, que ocorreu nos últimos dias 18 e 19 de março, em Brasília (DF). 
O comitê não é composto por representantes de religiões, e sim por estudiosos da religiosidade. “Não cabe ao Estado dizer qual religiosidade é oficial e qual não é”, explicou a ministra. Segundo ela, embora cada membro tenha sua religião, os critérios de participação no grupo não foi baseado na fé de cada um. O objetivo era agregar pessoas que tivessem capacidade de diálogo com diferentes crenças para estimular uma integração.

“Não há separação entre o conceito de Estado laico e o respeito à diversidade religiosa. Também peço do comitê uma palavra permanente contra a violência no sentido mais amplo”, disse a ministra ao abrir os trabalhos do colegiado. O secretário Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Biel Rocha, ressaltou o processo de construção coletiva do comitê e que a “busca permanente e incansável pela paz” une todas as denominações religiosas.
O colegiado é composto por 20 representantes, sendo 10 suplentes e 10 titulares do governo e da sociedade civil, para um mandato de dois anos. Entre os titulares selecionados, está o professor Gilbraz Aragão, do Observatório das Religiões da UNICAP.

Instituído pela Portaria nº 92, de 24 de janeiro de 2013, o órgão tem como finalidade auxiliar a elaboração de políticas de afirmação do direito à liberdade religiosa, do respeito à diversidade religiosa e da opção de não ter religião, de forma a viabilizar a implementação das ações programáticas previstas no Plano Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3.

Assista ao relato de Mametu Nangetu neste vídeo:

domingo, 16 de março de 2014

Estivemos em todas as cinco caminhadas.

Neste domingo, 16 de março, aconteceu a V Caminhada Fé e Resistência e combate ao racismo por Intolerância Religiosa, em memória de Mãe Doca e em celebração ao 18 de março. A caminhada é promovida pelo INTECAB-PA com apoio das comunidades dos Povos Tradicionais de Terreiros da zona metropolitana de Belém.
Para nós, do Mansu Nangetu, é muito importante fazer parte dessas construções políticas de cidadania para povos de terreiros.









domingo, 2 de fevereiro de 2014

Prefeitura de Belém afronta o povo tradicional de terreiro e exclui o Afoxé Italemi Sinavuru da programação do carnaval 2014.

Com a censura à apresentação do afoxé no carnaval de Belém de 2014, o prefeito Zenaldo Coutinho e a presidente da FUMBEL, Eliana Jatene, expõem diretrizes racistas na gestão pública e colocam a capital paraense na contramão da política de igualdade racial do Brasil e do mundo.

A Prefeitura Municipal de Belém, através da FUMBEL, ignorou a presença negra na Amazônia e neste ano de 2014 descartou a participação do Afoxé Ita Lemi Sinavuru da abertura dos desfiles do concurso oficial de blocos e escolas de samba de Belém.
Babá Edson Catendê, fundador, compositor e principal articulador do Afoxé Ita Lemi Sinavuru, comandando o cortejo de 2013.

Contrariando a política pública da promoção da invisibilidade negra no Pará por parte da prefeitura de Belém, lembramos que foi no Pará, no município de Oriximiná, que pela primeira vez uma comunidade quilombola recebeu o título coletivo de suas terras, no ano de 1995. E é nesse Estado que se concentra o maior número de terras quilombolas tituladas - já se sabe da existência  de 240 comunidades quilombolas paraenses - e acredita-se que muitas outras ainda serão identificadas
Também é pública a informação de recente pesquisa do governo federal coordenada pelo MDS (disponível no link http://www.mds.gov.br/gestaodainformacao/disseminacao/alimento-direito-sagrado/Alimento_Direito%20Sagrado_web.pdf/view ) em que foram identificados mais de mil terreiros na zona metropolitana de Belém.
Elza Rodrigues, no artigo "Bloco Afro Axé Dudu: polêmica negritude" (disponível no link http://www.cpvsp.org.br/upload/periodicos/pdf/PCUIRPA001990005.pdf ) nos conta que desde 1987 o carnaval de Belém é aberto por cortejos que afirmam a identidade negra na Amazônia. Foi nesse ano que o  Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará/ CEDENPA fundou o "Bloco Afro Axé Dudu", organização carnavalesca que antecedeu o Afoxé Ita Lemi Sinavuru, e, somando os desfiles das duas agremiações, hoje essa tradição já dura 27 anos, ou um quarto de século.



Os afoxés e blocos afro já estão na memória do povo tradicional de terreiro de matriz africana do Pará, como podemos ver no relato de Nego Banjo, relato em que ele conta que "das rodas de samba informais foram formados dois afoxés (Italemi e Bandagira) que são liderados por sacerdotes e desfilam na avenida dos festejos oficiais no período do carnaval, somando a outro que já existia: o Bloco Afro Axé Dudu, dirigido pelo CEDENPA. Com os Afoxés difundimos a nossa crença e visão de mundo para além dos muros dos terreiros, e eu componho pros dois e tem ano que ambos cantam música minha..." (Nego Banjo em entrevista à Tata Iya Tundele e Tata Kinamboji, disponível em  http://www.overmundo.com.br/overblog/entrevista-com-nego-banjo)
Como podemos perceber nos relatos e na memória do povo tradicional de terreiro de matriz africana, o Afoxé Ita Lemi Sinavuru atua como um instrumento de visibilidade do povo e das culturas e das tradições afro-amazônicas, e seu desfile valoriza a luta e resistência contra o racismo e todas as formas correlatas de preconceito, principalmente no combate à intolerância religiosa, aglutinando todos os adeptos das religiões de matriz africana, ameríndias e simpatizantes.


Vídeos do desfile do Afoxe Italemi Sinavuru na abertura do Carnaval de Belem 2010

O Ita Lemi tem como principal articulador o cantor e compositor Edson Catendê. Foi fundado em 10 de janeiro de 2003 no Mansu Nangetu, a partir de uma articulação coordenada pela Associação de Filhos e Amigos do Ilê Axé Iyá Omi Ofá Kare/ AFAIA, Instituto das Tradições e da Cultura Afro-brasileira/ INTECAB, e pelo Instituto Nangetu, e durante uma década desfilou na abertura do carnaval na Aldeia Cabana de Cultura Popular David Miguel e nos desfiles de Icoaraci e Outeiro, marcando a presença do cortejo alegórico afro-amazônico nas diversas passarelas do samba espalhadas pelos distritos da capital paraense, e com ele já são dez anos divulgando o patrimônio cultural afro-amazônico.
Desfile do Ita Lemi Sinavuru em 2013.

Em 2013 a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas/ ONU aprovou década intitulada "Pessoas Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento", que será celebrada de 1º de janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2024 com o objetivo de aumentar a conscientização das sociedades no combate ao preconceito, à intolerância e ao racismo. "A resolução aprovada pede que se inicie um processo de interlocução com os países-membros, visando discutir a implantação da década. Ela também é importante porque dá mais visibilidade ao tema nos fóruns internacionais, o que faz com que os países-membros da ONU comecem a dar importância à temática", explica o assessor internacional da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), diplomata Albino Proli. Proli destaca que a resolução também recomenda aos 192 países-membros diretrizes políticas para atender às demandas da população negra no mundo. “A resolução reafirma os propósitos de combate ao racismo e promoção da igualdade racial em nível mundial, já firmados na 3ª Conferencia Mundial contra o Racismo, a Xenofobia, a Discriminação Racial e Intolerância Correlata, que aconteceu em Durban no ano de 2001”.
O Governo brasileiro empenhou-se diretamente no processo de negociações que levou à proclamação da Década afro-descendente da ONU, e também em 2013 a SEPPIR-PR lançou o Plano Nacional de Sustentabilidade de povos Tradicionais de matriz Africana, e este plano em seu primeiro objetivo. Diz: “Promover a valorização da ancestralidade africana e divulgar informações sobre os povos e comunidades tradicionais de matriz africana” em iniciativas como “Realizar Campanha Nacional de informação e valorização da ancestralidade africana no Brasil”.
Iniciativas como a do Afoxé Ita Lemi Sinavuru se antecipam em uma década ao plano governamental e às diretrizes da ONU, e com a censura à apresentação do afoxé no carnaval de Belém de 2014, o prefeito Zenaldo Coutinho e a presidente da FUMBEL, Eliana Jatene, expõem diretrizes racistas na gestão pública e colocam a capital paraense na contramão da política de igualdade racial do Brasil e do mundo.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Comitê Inter-religioso do Pará realiza caminhada de combate à intolerância religiosa.

Terreiro Mansu Nangetu participou da quinta edição do Ato Público de Combate à Intolerância Religiosa.


A manifestação acontece desde 2010 na praça da República, em Belém/PA, e é promovida pelo Comitê Inter-religioso do Estado do Pará. Neste ano de 2014 o ato aconteceu na manhã do domingo dia 19 de janeiro, que antecedeu o dia 21 - Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.


Mametu Nangetu, que integra o Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, pediu paz e respeito para todas as crenças religiosas, e em especial pediu que redobrem a atenção para o combate ao racismo que vitimiza as tradições de terreiros afro-amazônicos.
A  manifestação começou com uma celebração inter-religiosa no anfiteatro da praça, envolvendo adeptos de várias religiões presentes, sacerdotes er sacerdotizas que se reuniram trazendo elementos sagrados da diversidade de crenças existentes na Amazônia oriental, e num ato comum celebraram juntos a existência de todas as divindades, e das humanidades que lhes dão sentido.





Pejigãn Gankonan (Alan Fonseca, do Funderê Ni Oyá Jokolosy), Coordenador do Comitê Inter-religioso do Estado do Pará, iniciou a caminhada pelo passeio da Praça da República. 

O coordenador do Comitê Inter-Religioso, Pejigãn Gankonan (Alan Fonseca, do Funderê Ni Oyá Jokolosy), iniciou a caminhada pelo "Largo da Pólvora" dizendo que “a maior importância deste ato é a promoção do diálogo inter-religioso, e com o diálogo as pessoas conseguem se comunicar e se entender". E ainda acrescentou que "O outro parece muito exótico e estranho, e a função do comitê é fazer com que as pessoas reconheçam o humano que existe por trás do exótico. A diversidade em nosso grupo é bem-vinda,a importância principal do comitê é promover a diversidade religiosa”. E com esse discurso ele conduziu os participantes até a calçada do Theatro da Paz, onde novamente os sacerdotes presentearam a população de Belém com discursos que clamaram por essa mesma paz que dá nome ao teatro, e, ao menos por esta tarde, essa paz se fez presente...
Serviço - Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa: Em 27 de dezembro de 2007, a Lei nº 11.635 instituiu o dia 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data foi pensada em homenagem à Mãe Gilda de Ogum, sacerdotisa afro religiosa que sofreu tolerância religiosa. Mãe Gilda veio a falecer vítima de um infarto fulminante após ter visto sua foto associada à charlatanismo em um jornal impresso por organizações de outra religião.





terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Uma tarde de conversas de combate ao racismo religioso.

Um laboratório de transmissão de conhecimento foi montado na praça Barão do Rio Branco, no bairro da Campina, laboratório de mídias de valorização dos Direitos Humanos e de combate ao racismo, em especial ao racismo religioso que provoca casos de intolerância contra as tradições de terreiros de matriz africana no Brasil.

O mês de janeiro é marcado pela passagem do dia de combate à intolerância religiosa. Em 21 de janeiro de 2000 a violência por racismo religioso levou a Iyalorixá baiana, Mãe Gilda de Ogum, ao infarto fulminante e ao óbito, e por esse motivo esse dia ficou na história da resistência dos Povos Tradicionais de Terreiros de Matriz Africana e do combate à violação dos Direitos Humanos no Brasil através da Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva.
A manifestação também celebrou a revolução bolivariana da Venezuela e a memória da luta de Simón Bolivar, e uma sessão de cineclube apresentou o filme “Bolívar, o homem das dificuldades” - um longa-metragem dirigido pelo cineasta Luís Alberto Lamata que é o último dos 6 filmes da “Coleção Libertadores”, uma produção de Wanda Films de Espanha, da TVE, da Villa do Cine, Alter Producciones e do Centro Nacional de cinema cubano, que se juntaram para retratar o ano do desterro caribenho de Simón Bolívar. Uma história pouco conhecida que conta um dos anos mais dramáticos da vida do Libertador, desde maio de 1815 até maio de 1816.

O Consul venezuelano em Belém, Alonso Pacheco, agradeceu a solidariedade e declarou de suma importância combater todas as formas de racismo e valorizar as lutas sociais na América Latina, e destacou que a luta de Bolívar, que deu origem ao projeto bolivariano, enfrentou a questão da escravidão e criou uma aliança entre povos indígenas e povos negros contra a violência da colonização européia em terras americanas. E para celebrar a diversidade étnica e racial, ap´resentou o filme "Tambores de água: um encontro ancestral", de Clarissa Duque.

O documentário mostra a força das raízes africanas nas manifestações musicais venezuelanas, é a história dos afrodescendentes desde sua chegada à Venezuela se desenrola quando seu protagonista consegue os tambores de água, uma prática musical muito peculiar e de grande beleza, que permite o encontro de dois continentes (África e América) no soar aquático de seus repiques, mostrando que não importa a distância quando as raízes são fortes o bastante para sobreviver através do tempo.
E a resistência para sobrevivência em um contexto adverso foi a tônica do debate nas rodas de conversa com Mãe Nalva de Oxum, Pai Armando de Bessén e Mametu Nangetu, conversas que duraram a tarde inteira, e que tiveram a promessa da coordenação da ARATRAMA de fazer eventos assim se repetirem em outras praças e em outros domingos.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Manifestação política e cultural de combate ao racismo pelo viés da intolerância contra as tradições de terreiros de matriz africana.

Manifestação política e cultural de combate ao racismo pelo viés da intolerância contra as tradições de terreiros de matriz africana. 

O Instituto Nangetu faz parte do Coletivo Cabano Bolivariano de Solidariedade ao Povo venezuelano, que celebra as lutas sociais na América Latina nos dias cinco (05) de cada mês, e como é no mês de janeiro o dia nacional de combate à intolerância religiosa, a primeira celebração bolivariana de 2014 trará esse tema ao debate público, debate que será promovido com a parceria da Articulação Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana/ ARATRAMA.
Por esse motivo neste primeiro domingo do ano, dia 5 de janeiro de 2014, acontece na Praça Barão do Rio Branco no bairro da Campina (em frente ao Consulado Geral da Venezuela e em frente à OAB-PA), uma manifestação cultural de combate à ao racismo religioso e em defesa das tradições de terreiros de matriz africana na Amazônia. Será montado um sistema de transmissão sonora e visual com base numa programação pautada em experimentações poéticas, troca de conteúdo, conhecimento livre e vivência, que inclui rodas de conversa e apresentação ao vivo de música tradicional de terreiros de matriz africana.




É racismo religioso! 

"O Brasil tem um histórico de negação das tradições não cristãs. Essa negação não é exatamente da religião, mas do valor de todas as tradições de matriz africana. Na verdade, para nós, é racismo", afirma Silvany Euclenio, secretária de Políticas das Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
O mês de janeiro é mais um mês que, dentre outras lutas importantes, ficou marcado no Brasil pela luta contra o racismo religioso. 21 de janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa por meio da Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, o que foi um reconhecimento do próprio Estado da existência do problema.
A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas ou a quem não segue uma religião. É um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana. O agressor costuma usar palavras agressivas ao se referir ao grupo religioso atacado e aos elementos, deuses e hábitos da religião. Há casos em que o agressor desmoraliza símbolos religiosos, destruindo imagens, roupas e objetos ritualísticos. Em situações extremas, a intolerância religiosa pode incluir violência física e se tornar uma perseguição.
A data presta homenagem à Iyalorixá baiana Gildásia dos Santos, que faleceu nesse dia em 2000, vítima de infarto. Ela era hipertensa e teve um ataque cardíaco após ver sua imagem utilizada sem autorização, em uma matéria do jornal evangélico “Folha Universal”, edição 39, sob o título “Macumbeiros Charlatães lesam o bolso e a vida dos clientes”. O texto não era menos ofensivo e agredia as tradições de matriz africana, das quais Gildásia era representante.
A igreja foi condenada pela justiça brasileira a indenizar os herdeiros da sacerdotisa. A morte de Gildásia dos Santos e Santos não foi uma fatalidade nem tampouco é uma tragédia isolada; é um exemplo das brutalidades cometidas por racismo contra adeptos de religiões como umbanda e do candomblé.

Em defesa do Estado laico e da Cultura da Paz! 

Do dicionário, "laico" quer dizer: do Latim laicu/// adj., leigo; secular; não religioso./// Ou seja, um estado laico seria um estado totalmente desprovido de influência religiosa. Um Estado laico defende a liberdade religiosa a todos os seus cidadãos e não permite a interferência de correntes religiosas em matérias sociopolíticas e culturais.

O Brasil é um estado laico? Podemos afirmar que as decisões do estado brasileiro não sofrem influências religiosas e que os brasileiros defendem a liberdade de crença? 

Em agosto de 2013 a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR iniciou o processo de seleção de representantes da sociedade civil para compor o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa. Mametu Nangetu foi escolhida entre os dez (10) titulares da sociedade civil organizada para um mandato de dois anos junto à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ela é a única representante de organizações sociais de toda a região norte do Brasil escolhida para essa função.
A Portaria nº 92/2013-SDH/PR, de 25 de janeiro de 2013, instituiu o Comitê Nacional da Diversidade Religiosa, que tem como finalidade auxiliar a elaboração de políticas de afirmação do direito à liberdade religiosa, do respeito à diversidade religiosa e da opção de não ter religião, promover o direito ao livre exercício das diversas práticas religiosas, disseminando uma cultura da paz, da justiça e do respeito às diferentes crenças e convicções, além de promover o debate entre grupos de pessoas de diversas crenças, buscando aproximá-los por intermédio do princípio do respeito mútuo.
É com essa perspectiva de promover a cultura da paz que promovemos esse manifesto.


Apoio: Coordenação estadual da ARATRAMA; rede [aparelho]-: ; Terreiro de Mina Estrela Guia Aldeya di Tupynambá; Projeto: Diálogo em Cabana de Caboco. FACS/ UFPA (Coordenação: Prof. Ms. João Simões e Bolsista Luah Sampaio); Projeto: Muzueri uonene kalunguê (O falador grande não tem razão). FAV e GEAM/ UFPA (Coordenação Prof. Arthur Leandro)

domingo, 8 de dezembro de 2013

Mametu Nangetu toma posse no Comitê Nacional da Diversidade Religiosa

Tomam posse esta semana em Brasília - durante o Fórum Mundial de Direitos Humanos, os componentes do Comitê Nacional da Diversidade Religiosa, e entre os selecionados para fazer parte como titular do Comitê está Mametu Nangetu (Oneide Monteiro Rodrigues), a única representante de organizações sociais de toda a região norte do Brasil escolhida para essa função. Ela é a sacerdotisa do Mansu Nangetu e preside o Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e Desenvolvimento Social, coordena no estado do Pará a Articulação Amazônica de Povos Tradicionais de Terreiros de Matriz Africana - ARATRAMA, é fundadora e coordenou o Comitê Inter-religioso do Estado do Pará, e foi selecionada para compor o comitê nacional pelo seu histórico de luta pelo direito à liberdade religiosa.
Mametu Nangetu (à esquerda) em manifestação do Comitê Estadual Inter-Religioso do Pará pela liberdade religiosa.
Em agosto de 2013 a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR divulgou no Diário Oficial da União, edital para processo de seleção de representantes da sociedade civil para compor o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa. Mametu Nangetu participou desse processo e foi escolhida entre os derz (10) titulares da sociedade civil organizada para um mandato de dois anos no Comitê Nacional da Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Mametu Nangtetu (à direita da foto) com representantes de diversas religiões na Caminhada Estadual da Liberdade Religiosa "Fé e Resistência", caminhando a gente se entende, março de 2012.

Portaria nº 92/2013-SDH/PR, de 25 de janeiro de 2013, instituiu o Comitê Nacional da Diversidade Religiosa. que tem como finalidade auxiliar a elaboração de políticas de afirmação do direito à liberdade religiosa, do respeito à diversidade religiosa e da opção de não ter religião de forma a viabilizar a implementação das ações programáticas previstas no Plano Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3.

Mametu Nangetu com sacerdotes e lideranças de  diversas religiões na Celebração pelo dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, em 20/01/13 - Pça. da República, em Belém (organização do Comitê Inter-religioso do Pará).





Também compete ao colegiado, promover o direito ao livre exercício das diversas práticas religiosas, disseminando uma cultura da paz, da justiça e do respeito às diferentes crenças e convicções, além de promover o debate entre grupos de pessoas de diversas crenças, buscando aproximá-los por intermédio do princípio do respeito mútuo.

TITULARES:
1. CHRISTINA VITAL DA CUNHA
2. CLEMILDO ANACLETO DA SILVA
3. ELCIO CECCHETTI
4. ELIANILDO DA SILVA NASCIMENTO
5. FÁBIO FERREIRA NASCIMENTO
6. FLORIDALVA PAIVA DIAS DE SÁ CAVALCANTI
7. GILBRAZ DE SOUZA ARAGÃO
8. ONEIDE MONTEIRO RODRIGUES
9. RAD ASSIS BRASIL UGARTE
10. ROMI MÁRCIA BENCKE
SUPLENTES:
1. ALEXANDRE ALBERTO SANTOS DE OLIVEIRA
2. FLAMARION VIDAL ARAUJO
3. ANDRÉ SIDNEI MUSSKOPF
4. EDOARDA SOPELSA SCHERER
5. FRANCIELLE MORÊZ
6. GUSTAVO ADRIÁN GOTTFRIED
7. ÉMERSON DAMÁSIO DE ARAÚJO
8. DANIELLA GIGLIOLLA NOVO HICHE
9. JACIARA RIBEIRO DOS SANTOS
10. TÂNIA MARIA RIBEIRO CAVALCANTE

terça-feira, 19 de março de 2013

Parabéns Brasil, 10 anos de SEPPIR.

Lembramos alguns momentos da história recente que mostra a nossa participação na construção de políticas públicas para a população negra e para os Povos Tradicionais de Matrizes Africanas na diáspora brasileira.

Mãe Márcia Dória de Oxum, Mametu Nangetu e a Ministra Luiza Bairros, durante o lançamento do Plano Nacional de Sustentabilidade de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, em janeiro de 2013,

Táta Kinamboji em roda de diálogo da SEPPIR com os Povos Tradicionais de Matrizes Africanas - construção do Plano Nacional de Sustentabilidade de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas em Ceilândia/DF, novembro de 2012.


Ministra Luiza Bairros e Silvani Euclênio em roda de conversas com lideranças de Povos Tradicionais e organizações do Movimento Negro do estado do Pará, em agosto de 2012.
Lideranças de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas da zona metropolitana de Belém com a Ministra Luiza Bairros e a Coordenadora de Povos e Comunidades Tradicionais Silvani Euclenio durante o lançamento do livro do Mapeamento dos Terreiros de Belém em agosto de 2012.









Em 21 de março de cada ano, a ONU relembra o triste episódio de 1960, quando dezenas de manifestantes pacíficos foram mortos a tiros pela polícia no município sul-africano de Sharpeville, quando eles protestavam contra o apartheid. Fonte: ONU.
Em memória aos militantes negros que morreram lutando, essa data foi instituída pela ONU. Essa data, como outras lembradas pelo Movimento Negro não é mais uma data festiva, muito pelo contrário: com a instituição dessa data, temos no calendário um dia garantido, com a atenção voltada às lutas dos povos negros contra a opressão e a discriminação racial.
No mesmo dia, em 2003, o Governo Lula inicava uma nova era na luta por igualdade racial no Brasil. A criação da SEPPIR é um marco na institucionalização das políticas de promoção da igualdade racial. O Brasil foi o primeiro país a criar um órgão com status de ministério para tratar especificamente do combate ao racismo e da superação das desigualdades raciais. Essa conquista é resultado de décadas de luta de organismos e entidades negras por ações efetivas do Estado

Postagem coletiva em comemoração aos dez anos de criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR e pelo Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação

ESSE POST FAZ PARTE DA BLOGAGEM COLETIVA PELO DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL, UMA INICIATIVA BLOGUEIRAS NEGRAS.