23 de abril, sábado, a partir das 8h, tem o 3° Encontro Cria Preta.
É um encontro de mães e com seus filhos pra brincar e interagir com o meio ambiente valorizando as culturas e a memória afro-amazônica e as brincadeiras tradicionais de infância.
A ação é uma iniciativa de um grupo de mulheres negras e acontece neste sábado, 23, a partir das 8h no Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves. - Av. Alm. Barroso, 2305 - Marco, Belém - PA.
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quinta-feira, 21 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Museu Goeldi inaugura “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos”
Projeto educativo vai mostrar a estudantes do ensino médio as relações entre culturas afro religiosas e espécies de plantas do acervo do Parque Zoobotânico. Saiba como participar
Agência Museu Goeldi – As árvores contam histórias, partes do nosso próprio passado que por vezes desconhecemos. O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) inaugura em abril a “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos”, um roteiro ecológico pelo Parque Zoobotânico que contempla a cultura afro amazônica e suas relações com a natureza.
Todo o processo foi transformado em vídeos didáticos que serão disponibilizados para escolas da rede básica de ensino como ferramenta pedagógica. O material é recomendado para ser assistido por estudantes em sala de aula antes de uma visita ao Parque Zoobotânico.
A “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos” faz parte do projeto de pesquisa da bolsista de Educação Tainah Jorge. Ela explica que a meta desse projeto é estimular o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, de acordo com a Lei Federal 10.369.
A lei, promulgada em 2003, se refere à inclusão no currículo escolar do estudo da História da África e dos Africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra brasileira e do negro na formação da sociedade nacional. “A realização desse roteiro possibilita o acesso ao conteúdo afro brasileiro, criando um espaço de informação, educação e conscientização. Uma ferramenta de necessidade pública”, afirma.
Como participar – A primeira fase da “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos” é o minicurso de formação sobre o projeto para professores de nível médio (1º a 3º ano) do ensino básico. Nele serão explicados os fundamento e os saberes ancestrais, bem como as plantas que fazem parte da trilha. O minicurso acontece no próximo dia 13 de abril (quarta-feira) de 9h às 11h30 e 14 de abril (quinta-feira), de 9h às 11h30 e de 14h às 16h30.
Os docentes interessados em participar do projeto devem se inscrever até esta sexta-feira (9) no Núcleo de Visitas Orientadas (NUVOP), localizado no Parque Zoobotânico (Av. Magalhães Barata, 376, bairro São Braz). Serão 30 vagas para professores no total. Para mais informações, ligue para o telefone (91) 3182-3249.
Texto: João Cunha, originalmente publicado no site do Museu Goeldi.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Manifesto público e reivindicações de Povos e Comunidades Tradicionais de Belém face ao projeto de Reforma do Ver-O-Peso
Manifesto público e reivindicações de Povos e Comunidades
Tradicionais de Belém face ao projeto de Reforma do Ver-O-Peso
![]() |
| Autoridades e lideranças de povos tradicionais de matriz africana, defendem o direito ao Ver-o-Peso. |
No 12 de janeiro
de 2016, no ato comemorativo dos 400 anos da cidade
Belém, foi anunciada pelo Prefeito
Zenaldo Coutinho e o governador do Pará, Simão Jatene a reforma e revitalização
do complexo do Ver-o-Peso. Nesse Autoridades dos povos tradicionais de matriz
africana tentaram apresentar ao Prefeito uma série de propostas de políticas
públicas de combate ao racismo religioso elaboradas pelo movimento “Atitude
Afro”. Esse propósito foi impedido quando nossa manifestação foi recebida com
um corredor polonês de evangélicos e o lançamento de spray de pimenta sobre os
manifestantes os povos tradicionais de matriz africana. Posteriormente, a Associação dos Filhos de Amigos do Ilê Iya
Omi Ase o Fa Kare (AFAIA), o Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará
(CEDENPA), o Instituto Nangetu e a
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), protocolaram no
Ministério Público do Estado do Pará (MPE), uma representação contra a
Prefeitura de Belém, em função das atitudes De racismo religioso, amparado pelo
estado que configura o genocídio de um povo. Violência contra um grupo étnico
com aparato do estado ou mesmo racismo institucional, ocorridas naquele
data.
Da mesma
forma que naquele evento chamamos
atenção para a necessidade de Políticas Públicas contra o racismo
religioso, também temos o propósito de
nós manifestar sobre o projeto de reforma e revitalização do Ver-O-Peso,
que concerne diretamente aos povos e comunidades tradicionais de Belém, entre
eles povos de matriz africana, quilombolas, benzedeiras, comerciantes de ervas
e animais. No entanto, apontamos dificuldades de conversar com a
gestão municipal sobre esse projeto e procuramos por todos os meios de dialogar
com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artistico Nacional - IPHAN.
Nossos
argumentos neste Manifesto apoiam-se
nos marcos legais que nos garantem
escuta diferenciada quando em intervenções em espaços que se reproduzem as
nossas tradições. Somos Povos Tradicionais,
regidos pela Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho, o Decreto 6040
de 2007 e os artigos 215 e
216 da Constituição Federal de 1988.
O artigo 215 consagra o princípio da diversidade cultural,
ao garantir o pleno exercício de direitos culturais e o apoio e difusão das manifestações
culturais populares, indígenas e afro-brasileiras, impondo ao Estado brasileiro
a observância desses direitos, assim
deve promover a valorização da diversidade étnica e regional, a democratização de acesso aos bens culurais,
à defesa e valorização do patrimônio cultural,
que constituem ações fundamentais para o desenvolvimento cultural do
país. O artigo 216, seção II – Da Cultura, estabelece o
patrimônio cultural brasileiro composto por bens de natureza material e
imaterial, individuais e coletivos, protadores de referencia à identidade, à
ação e à memória dos distintos grupos que formam a sociedade brasileira,
estando representadas em 5 categorias, a saber: I – as formas de expressão; II
– os modos de criar, fazer e viver; III
– as criações científicas, artisticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos,
documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações
artistico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico,
paisagistico, artistico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
O Decreto
6040 de 7 de fevereiro de 2007 define no
artigo 3º I - Povos e Comunidades
Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais,
que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam
territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural,
social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e
práticas gerados e transmitidos pela tradição;
A
Convenção 169 da OIT estabelece no artigo 4º: 1. “Deverão ser adotadas as medidas especiais
necessárias para salvaguardar as pessoas, as instituições, os bens, o trabalho,
a cultura e o meio ambiente desses povos.
2. Essas medidas especiais não
deverão ser contrarias aos desejos livremente expressos por esses povos. 3. De maneira alguma deverá ser prejudicado
por essas medidas especiais o gozo, sem discriminação, dos direitos gerais da
cidadania”.
A
Convenção 169 da OIT destaca a consulta e a participação
dos povos interessados e o direito desses povos de definir suas próprias
prioridades de desenvolvimento na medida em que afetem suas vidas, crenças,
instituições, valores espirituais e a própria terra que ocupam ou utilizam. Conforme o artigo 6º os governos deverão: A)
consultar esses povos, mediante procedimentos apropriados, principalmente por
meio de suas instituições representativas,
toda vez que se considerem medidas legislativas ou administrativas
suscetíveis de afetá-los diretamente.
B) estabelecer os meios pelos
quais esses povos possam participar livremente, pelo menos na mesma proporção
que os demais segmentos da população
e em todos os níveis, na adoção
de decisões em instituições eletivas e órgãos administrativos e de outra
natureza, responsáveis por políticas e
programas que lhes digam respeito. C)
criar os meios para o pleno desenvolvimento das instituições e inciativas
desses povos e, nos devidos casos, proporcionar os necessários recursos para
este fim. D) as consultas realizadas na aplicação
desta Convenção deverão ser fietas de boa fé e de acordo com as circunstâncias,
com o objetivo de se chegar a um acordo ou obter o consentimento sobre as
medidas propostas”
Nós,
autoridades tradicionais de matriz africanas buscamos o dialogo que permita o
reconhecimento e respeito de direitos étnicos e culturais. Nesse interregno de
dois meses, provocamos duas
reuniões com os técnicos do IPHAN. Essas reuniões ocorreram: em 27 de fevereiro
quando fomos ao auditorio do IPHAN com objetivo de conhecer o projeto
arquitetonico. Em 1º de março, quando
participamos de uma conversa no próprio Ver-o-Peso com técnica do IPHAN e nós
povos Tradicionais de matriz africana mostrando in loco os lugares para a preservação
da nossa tradição e de comércio de ervas, animais e outros produtos necessários
para a manutenção das tradições de matriz africana no Pará. Nesse dialogo temos solicitado para que o
Iphan intermedeie o diálogo com a Prefeitura de Belém, sobre a revitalização da
feira, sem a eliminação da venda de animais vivos, ou bicho em pé, e de locais
necessários para a preservação das tradições de matriz africana na pedra do
Peixe do Ver-o-Peso, na orla da feira e na escadinha do Cais do Porto.
Na visita que
fizemos na feira, nos foi informado que o IPHAN e o Ministério Público
Estadual MPE iriam colocar o projeto em
consulta pública na internet e que nós poderíamos intervir na proposta pela
internet. Na oportunidades, nós fizemos
uma contra proposta de reunião presencial com povos tradicionais de territórios
tradicionais negros. Para isso argumentamos que a preservação desse comércio
influencia na economia de dois polos de territórios tradicionais negros, os
quilombos - que produzem os alimentos vegetais e animais; e os terreiros, que
consomem esses produtos e com eles reproduzem as tradições alimentares de
origem africana.
No dia 16 de
março ocorreu a reunião no prédio do Ministério de Educação e Cultura (MINc) em
Belém, convocado pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no qual participaram 26
representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater
a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do
Ver-o-Peso. Os comerciantes de animais
vivos inseridos no debate reclamaram de sua atividade não ter sido considerada
no plano de reforma da Prefeitura Municipal de Belém (PMB) enfatizando o caráter tradicional e o fato de
ter sido considerados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de
reforma. A compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e
reprodução das práticas tradicionais de matriz africana.
No dia 31 de
março próximo encerra o prazo do que está sendo apresentado como “consulta pública” sobre a proposta de intervenção (projeto
básico) para a Feira do Ver-o-Peso, integrante do Conjunto Arquitetônico,
Urbanístico e Paisagístico tombado pelo Iphan em 2012 (Portaria MinC nº (Lei nº
12.527/2011), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ante os fatos exposto e a iminencia dessa data, nós povos e
comunidades tradicionais de Belém reivindicamos:
1. Que o
Projeto Básico seja revisto inserindo o espaço para comercialização de animais
vivos, ervas e plantas. Essa revisão deve estar contemplada nos projetos
para a Feira do Açaí, Solar da Beira e Pedra do Peixe em atenção a se tratar de práticas de povos tradicionais.
2. Que
seja obedecido pelo IPHAN e Prefeitura de Belém o que estabelece a
Convenção 169 da OIT no seu artigo
6º acima transcrito no relativo à consulta aos povos
tradicionais. Esse procedimento deve corresponder a uma consulta livre, previa
e informada. O que difere da consulta
publica por intenet e ainda a anunciada
pelo IPHAN de realização de uma Audiência Pública para apresentação do projeto.
3. Que consoante a essas reivindicação anterior
seja revisto o prazo para esta etapa e a
imediata definida pelo IPHAN.
4. Que o
Ministério Público Federal – MPF focalize e insista junto ao IPHAN no tocante
aos dispositivos juridicos que dizem respeitos aos povos e comunidades
tradicionais do Pará. Até o presente nos parece não terem sido reconhecidos no
Projeto básico. Ainda que essa instancia
reitere o caráter das consultas públicas aos povos tradicionais.
segunda-feira, 21 de março de 2016
[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais .
[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais para incluir necessidades na consulta pública para o projeto de reforma da feira do Ver-o-Peso.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 22/03/2016, das 10h às 15h.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 22/03/2016, das 10h às 15h.
quarta-feira, 16 de março de 2016
Reunião debate a presença de tradições de matriz africana no Ver-o-Peso.
por Abílio Dantas para o blog OUTROS 400
O projeto da prefeitura pode apresentar elementos de racismo institucional. Ontem pela manhã, em reunião realizada pelo Iphan, lideranças de povos tradicionais e técnicos debateram a venda de animais vivos no Ver-o-Peso.
“O Plano Nacional da Igualdade Racial demarca, no primeiro ponto, que se deve combater o racismo institucional. Então eu pergunto a todos aqui: alguém sabe o que é racismo?”. O questionamento de Arthur Leandro, da Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, deu o tom de preocupação da reunião realizada ontem, pela manhã, no prédio do Ministério da Cultura (MinC), em Belém. O encontro, convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reuniu 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.
Os dois únicos vendedores do setor, Edivaldo Moreira e Lucivaldo Oliveira, iniciaram a reunião relatando o susto que sentiram ao constatarem que a atividade que garante o sustento de suas famílias não havia sido considerada ou, ao menos, citada no projeto de reforma apresentado pelo prefeito Zenaldo Coutinho na audiência pública realizada no dia 3 de março deste ano. Segundo os comerciantes, isso representa o esquecimento de uma atividade que possui tradição na capital. “Essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar”, defendeu Lucivaldo.
A antropóloga e técnica do Iphan, Larissa Guimarães, responsável pela condução do encontro e pela inscrição das falas, que avolumavam-se rapidamente, reconheceu que o projeto apresentado pela prefeitura não apresentava nenhuma proposta para o setor de animais. “O que queremos aqui é escutar todas as partes e pensar qual é a melhor maneira de garantirmos a permanência do setor. Ninguém está falando em retirar”, afirmou.
A superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, cumpria também o papel de mediadora da reunião e propôs ideias para que a polêmica entre as exigências legais de manejo de animais colocadas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importância da atividade para comerciantes e líderes religiosos fosse conciliada. “Não seria possível realizar um convênio com a UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) para que fosse dado um auxílio técnico sobre o trato de animais?”, questionou.

RITUAIS AFRO-RELIGIOSOS
“É racismo institucional não considerar os povos de matriz africana que construíram a história desse país”, declarou Edson Catendê, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC/MinC). De acordo com ele, Arthur Leandro e Emanuell Souza, também do CNPC, a compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas afro-religiosas. “É cultural, não só para as religiões de matriz africana, mas de todos nós, pois os animais são trazidos das ilhas, das estradas, vem de todo lugar. É triste perceber que, mais uma vez, estamos sendo invisibilizados nessa cidade”, denunciou Emanuell.

Pato, galinha, cabra e bode são alguns dos animais que Mãe Nangetu, líder religiosa e conselheira municipal de cultura de Patrimônio Imaterial, compra com frequência no Ver-o-Peso. Os animais devem ser adquiridos ainda inteiros, saudáveis e bonitos, segundo ela, pois são utilizados em oferendas em rituais sagrados oferecidos aos deuses.
“Ninguém faz nada sem dar oferenda ao grande comunicador, que é Exu, e que na minha tradição banto se chama Mavambo Izila. Antes de se fazer qualquer ritual, tem que se fazer uma oferenda pra ele, pra que chegue até nossos deuses”. Para ela, a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”, concluiu.
Ao fim da reunião, decidiu-se coletivamente pela criação de um Grupo de Trabalho que será composto pelos vendedores do setor de animais, os representantes da UFRA, Sindicato dos Feirantes, Seurb, Secretaria de Economia (Secom), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Quilombolas, Conselho Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Políticas Culturais e Iphan. O próximo encontro foi marcado para o dia 29 de março, às 10h, também no prédio do MinC.
Fotos: Kleyton Silva
“O Plano Nacional da Igualdade Racial demarca, no primeiro ponto, que se deve combater o racismo institucional. Então eu pergunto a todos aqui: alguém sabe o que é racismo?”. O questionamento de Arthur Leandro, da Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, deu o tom de preocupação da reunião realizada ontem, pela manhã, no prédio do Ministério da Cultura (MinC), em Belém. O encontro, convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reuniu 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.
Os dois únicos vendedores do setor, Edivaldo Moreira e Lucivaldo Oliveira, iniciaram a reunião relatando o susto que sentiram ao constatarem que a atividade que garante o sustento de suas famílias não havia sido considerada ou, ao menos, citada no projeto de reforma apresentado pelo prefeito Zenaldo Coutinho na audiência pública realizada no dia 3 de março deste ano. Segundo os comerciantes, isso representa o esquecimento de uma atividade que possui tradição na capital. “Essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar”, defendeu Lucivaldo.
essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar
A antropóloga e técnica do Iphan, Larissa Guimarães, responsável pela condução do encontro e pela inscrição das falas, que avolumavam-se rapidamente, reconheceu que o projeto apresentado pela prefeitura não apresentava nenhuma proposta para o setor de animais. “O que queremos aqui é escutar todas as partes e pensar qual é a melhor maneira de garantirmos a permanência do setor. Ninguém está falando em retirar”, afirmou.
A superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, cumpria também o papel de mediadora da reunião e propôs ideias para que a polêmica entre as exigências legais de manejo de animais colocadas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importância da atividade para comerciantes e líderes religiosos fosse conciliada. “Não seria possível realizar um convênio com a UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) para que fosse dado um auxílio técnico sobre o trato de animais?”, questionou.
Líderes religiosos acusaram a prefeitura de praticar racismo institucional ao não considerar os povos de matriz africana no projeto de reforma do Ver-o-Peso.
Enquanto ocorria o debate, várias dúvidas pairavam, mas um fato foi confirmado: a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) não ouviu os setores interessados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de reforma. A representante da Secretaria de Urbanismo (Seurb), Paula Andréa Rodrigues, admitiu que a escuta não foi realizada. “Seria muito importante que essa reunião tivesse sido realizada lá atrás, para que toda essa realidade fosse conhecida, mas isso não foi feito”, disse. A ausência de diálogo, de acordo com as lideranças religiosas, pode resultar em um ato de racismo institucional.RITUAIS AFRO-RELIGIOSOS
“É racismo institucional não considerar os povos de matriz africana que construíram a história desse país”, declarou Edson Catendê, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC/MinC). De acordo com ele, Arthur Leandro e Emanuell Souza, também do CNPC, a compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas afro-religiosas. “É cultural, não só para as religiões de matriz africana, mas de todos nós, pois os animais são trazidos das ilhas, das estradas, vem de todo lugar. É triste perceber que, mais uma vez, estamos sendo invisibilizados nessa cidade”, denunciou Emanuell.
ccc
"Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições", afirma Mãe Nangetu.
Pato, galinha, cabra e bode são alguns dos animais que Mãe Nangetu, líder religiosa e conselheira municipal de cultura de Patrimônio Imaterial, compra com frequência no Ver-o-Peso. Os animais devem ser adquiridos ainda inteiros, saudáveis e bonitos, segundo ela, pois são utilizados em oferendas em rituais sagrados oferecidos aos deuses.
a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”
“Ninguém faz nada sem dar oferenda ao grande comunicador, que é Exu, e que na minha tradição banto se chama Mavambo Izila. Antes de se fazer qualquer ritual, tem que se fazer uma oferenda pra ele, pra que chegue até nossos deuses”. Para ela, a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”, concluiu.
Ao fim da reunião, decidiu-se coletivamente pela criação de um Grupo de Trabalho que será composto pelos vendedores do setor de animais, os representantes da UFRA, Sindicato dos Feirantes, Seurb, Secretaria de Economia (Secom), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Quilombolas, Conselho Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Políticas Culturais e Iphan. O próximo encontro foi marcado para o dia 29 de março, às 10h, também no prédio do MinC.
Fotos: Kleyton Silva
sábado, 12 de março de 2016
19 de março, 11h - Roda de Abertura do novo polo do Grupo de Capoeira Angola Negros de Aruanda
No próximo sábado, dia 19/03, a partir de 11h no Mansu Nangetu, Roda de Abertura do novo polo do Grupo de Capoeira Angola Negros de Aruanda, sob orientação de Mestre Carlinhos. Não percam!
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Lançamento do livro "Terecô de Codó - uma religião a ser descoberta".
Aconteceu no dia 17/10, mais um lançamento do livro "Terecô de Codó - uma religião a ser descoberta", de Pai Cícero Centriny. O lançamento foi na Casa Grande de Mina de Pai Huevy e Mãe Rosangela.
Centriny proferiu palestra sobre as religiões de matrizes africanas do Codó em especial o Terecô que, embora pouco divulgada, é uma tradição que se mantém viva, embora discreta, com essências bantu tradicional.
Na ocasião Mametu Nangetu falou sobre a importância do livro de Cícero para as comunidades de tradições de matriz africana no Brasil e na Amazônia e que sua leitura tenhamos conhecimento histórico de nossa ancestralidade assim nos fortalecendo contra o racismo que ataca as nossas tradições.
Informações e fotografia: Táta Dianvula (Alex Leovan)/ Projeto Azuelar.
Centriny proferiu palestra sobre as religiões de matrizes africanas do Codó em especial o Terecô que, embora pouco divulgada, é uma tradição que se mantém viva, embora discreta, com essências bantu tradicional.
Na ocasião Mametu Nangetu falou sobre a importância do livro de Cícero para as comunidades de tradições de matriz africana no Brasil e na Amazônia e que sua leitura tenhamos conhecimento histórico de nossa ancestralidade assim nos fortalecendo contra o racismo que ataca as nossas tradições.
Informações e fotografia: Táta Dianvula (Alex Leovan)/ Projeto Azuelar.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
CARTA ABERTA DOS POVOS DE TERREIRO SOBRE OFICINA NACIONAL DE REGULAMENTAÇÃO DA LEI 13.123/15 EM BRASÍLIA/DF
CARTA ABERTA DOS POVOS DE TERREIRO SOBRE OFICINA NACIONAL DE
REGULAMENTAÇÃO DA LEI 13.123/15 EM BRASÍLIA/DF
Encontro em Brasília para debatermos a regulamentação da LEI
13.123, a qual trata sobre o acesso aos conhecimentos tradicionais, patrimônio
genético e repartição de benefícios.
Nós, Povos de terreiro sujeitos de direito do conhecimento
ancestral africano e afro-brasileiro no Brasil presentes entre os dias 19 e 21
de outubro de 2015, na oficina nacional referente à Lei 13.123 de 20 de Maio de
2015 que trata sobre acesso aos conhecimentos tradicionais, patrimônio genético
e repartição de benefícios, vimos por meio desta repudiar a forma como o Estado
brasileiro tem conduzido a discussão.
Primaram por violar nossos direitos constitucionais, pela
legislação ordinária e por Tratados Internacionais dos quais o Brasil é
signatario, tais como: Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento; Pacto
Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais; Convenção da
Diversidade Biológica; Convenção sobre a Diversidade de Expressões Culturais;
Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura;
Declaração Universal de Direitos Humanos; Declaração e programa de ação
adotados na terceira conferência mundial de combate ao racismo, discriminação
racial, xenofobia e intolerancia correlata (Durbam, Africa do Sul), Declaração
das Nações Unidas sobre a Concessão da Independência dos Países e Povos
Colonizados. Em seu art. 225 a Constituição Federal incumbir ao Poder Público
preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e
fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material
genético. Vale ressaltar que este exige, na forma da lei, estudo prévio de
impacto ambiental, para instalação de qualquer obra ou atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente, exemplo a PEC 215; e a
construção da Usina de Belo Monte. De forma nefasta e em razão desse cenário
que ameaça a existência de absolutamente todas as populações indígenas, povos
de terreiro e comunidades tradicionais, os quais constituem a base da soberania
e democracia constitucional do País.
Seguindo por burlar a Convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho/OIT no que concerne ao direito de consulta livre,
prévia e informada, também endossado nos acordos acima citados.
Sentimos-nos sobrepujados diante do domínio da informação
por parte do Estado que no alijou do processo recusando explícitamente em nos
apresentar a minuta de Decreto da Lei 13.123 de 2015 ou qualquer outra proposta
que trata da regulamentação da referida Lei, o que implica diretamente na
obstrução e confronto direto com a própria Constituição Federal além dos
acordos internacionais já mencionados.
Portanto, nestes termos, que fique explicito que todas as
oficinas regionais sobre a referida Lei, não pode tampouco deve configurar sob
hipótese alguma caráter consultivo, visto que estas não preenchem os requisitos
exigidos de como deve ser para uma consulta pública. E ainda, o desdém com que
se referem a nós.
Estamos vivenciando um dos momentos de mais expressivos
genocídios da nossa história, declaradamente por meio de grandes projetos,
grilagem de terras, expropriação e invasão, assassinato de lideranças, e muito
mais, tudo isso ocasionado pela falta de vontade política quanto à
regularização, demarcação e titulação dos territórios tradicionais (Terras Indígenas,
Territórios Quilombolas, Território de Povos de Terreiros, Reservas
Extrativistas, Territórios de Fundos e Fechos de Pasto, Territórios das
Quebradeiras de Coco Babaçú, Catadoras de Mangaba, Retireiros do Araguaia,
Pomeranos, RESEX Marinhas, Vazanteiros, Geraizeros, Pescadores de água doce e
salgada, Caiçaras, Pantaneiros, Ilhéus, Raizeiras, Faxinalenses, Benzedeiras,)
inclusive a garantia de Territórios Ciganos a fim que sejam oportunizados de
manterem seus cultivos silvopastoris, expondo-nos a um processo devastador da
nossa cultura, perda de identidade e de práticas tradicionais que ameaçam como
nunca os PCTS do Brasil.
É inadmissível não ter assegurado nossos direitos
constitucionais de praticas ancestrais de saúde coletiva, a partir dos nossos conhecimentos
tradicionais.
Nós, Povos de Terreiro em conjunto com todos os povos
indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares também repudiamos
a PEC 215/2000, na medida em que essa proposta aniquila os direitos
territoriais conquistados; e interfere diretamente na regulamentação da Lei
13.123/15 e exigimos seu imediato arquivamento.
Repudiamos terminantemente a Lei 13.123/2015 e exigimos de
imediato que seja feita consulta livre, prévia e informada, conforme rege a
Convenção 169 da OIT, bem como demais acordos internacionais ratificados pelo
Brasil, de modo que seja revogada a referida lei por ferir princípios
constitucionais.
Repudiamos terminantemente a Lei 13.123/2015 e exigimos de
imediato que seja feita consulta livre, prévia e informada, conforme rege a
Convenção 169 da OIT, de modo que seja revogada a referida lei por ferir
princípios constitucionais; e tratados internacionais ao qual o Brasil é
signatário.
Brasília/DF, 22 de outubro de 2015.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Territórialidades, feminismo e combate ao racismo religioso em intervenção midiática durante o ENGA.
A sétima edição do ENGA – Encontro Nacional de Grupos de
Agroecologia aconteceu entre os dias 28 de setembro a 01 de outubro de 2015. O
evento se realizou em conjunto com o IX Congresso Brasileiro de Agroecologia,
no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém – PA.
| Santana, expondo a resistência no quilombo do Abacatal. |
Povos e comunidades tradicionais foram convidados para as
rodas de conversas, e para levar as questões dos povos tradicionais de matriz
africana ao debate promovido pelos grupos de agroecologia, o Mansu Nangetu, em parceria
com a Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana – REATA, e com a Associação
Afro religiosa e Cultural Ilê Iyaba Omi – ACIYOMI; promoveu uma intervenção
midiática unindo dois projetos de comunicação social comunitária e étnica: a
rádio-janela Azuelar, do Instituto Nangetu, e a Rádio Portão da ACIYOMI.
| Feminismo negro e as lutas dos povos tradicionais na Amazônia. |
A intervenção foi a veiculação de um programa de rádio com
uma hora de informação produzida pelos projetos dos terreiros, levando aos
participantes do encontro depoimentos e entrevistas de autoridades de terreiros
de matriz africana de várias regiões brasileiras com conteúdos relacionados aos
temos das rodas de conversas que completavam a programação.
Na segunda-feira, dia 28 de setembro, o tema foi “Territórios
e Territorialidade, não esbandalhe meu tapiri!”, e a necessidade de políticas
públicas de preservação de igarapés e matas urbanas como garantia da
continuidade das práticas tradicionais nas grandes cidades, além da crítica à
propriedade privada no sistema capitalista, que impede o acesso ao patrimônio
ambiental. Já na terça-feira, dia 29, o tema foi “Gênero e Feminismo: te
orienta ‘macho’!”, debatendo o protagonismo afro-feminino nas lutas dos povos
tradicionais na Amazônia. E finalmente, na quarta-feira, dia 30 de setembro, o
avanço da política fundamentalista da bancada “BBB” (Boi, Bala e Bíblia)
norteou a conversa sobre o tema “Intolerância Religiosa: tu é doido é?!”.
| Combater o racismo religioso para a sobrevivência do pensamento afro-centrado. |
Nos três dias de debates, os participantes das rodas de
conversa evidenciaram o racismo institucional, aquele que é praticado por
agentes do estado e que nega direitos de cidadãos aos povos e comunidades
tradicionais, em especial na análise do comportamento da bancada BBB no congresso
eleito em 2014, com o “b” de ‘boi’ que representa o agronegócio a avançar sobre
terras quilombolas e indígenas para a criação de pastos e monoculturas agrícolas,
a bancada do “b” da ‘bala’ a promover a indústria do medo que promove o genocídio
da juventude negra nas cidades, e a bancada do “b” da ‘Bíblia’ a promover a demonização
do sagrado de origem na África negra e, com esse procedimento, a promover o
etnocidio pela negação e tentativa de apagamento da compreensão de mundo que
gera o pensamento afro-centrado.
Apesar da análise de conjuntura resultar num quadro
desolador, os debatedores afirmaram que os mais de quinhentos anos de resistência
à violência colonizadora já demonstraram a capacidade de sobrevivência do povo
negro na adversidade em que vivem no Brasil, e que apesar do ambiente hostil,
nossas tradições não serão extintas.
Participaram das conversas: Mametu Nangetu e Táta Kinamboji (Mansu Nangetu), Maria Malcher
(CEDENPA e Comitê da Marcha de Mulheres Negras), Raimundo e Santana (Quilombo
do Abacatal em Ananindeua), Isabel (Erveira do Ver-o-Peso), e representantes de comunidades ribeirinhas de
Maracanã/PA. Edição do programa de Rádio: Vitor Gonçalves, Samily Maria
Moreira da Silva e Silva e Sibely Nunes Nascimento.
| Bolsistas de projetos de extensão da UFPA formaram a equipe técnica da intervenção midática. |
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Filhos de Maiandeua em conversas cantadas no Mansu Nangetu
Conversas cantadas no Mansu Nangetu
Quarta-feira 30 de setembro de 2015
(roda de conversa musicada com o Grupo de carimbó Filhos de
Maiandeua, da localidade de Fortalezinha, Ilha de Maiandeua,
Maracanã/PA)
Projeto Azuelar - Ponto de Mídia Livre
webTV Azuelar
Filmado e editado com tecnologia do possível
Cantoriais
Grupo de Carimbó Filhos de Maiandeua
Táta Kafunlumizo (Angelo Imbiriba)
Ogã José Carlos Silva (Lossum)
Apoio:
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
FONSANPOTEMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana
rede[aparelho]-:
Grupo de Estudos Afro-Amazônico – GEAM (NEAB)/ UFPA
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do
Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV
Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi).
UFPA-PROEX
Belém/PA
2015
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Conversas cantadas no Mansu Nangetu, 30 de setembro, das 19 as 22h;
Roda de Cantorias entre a comunidade do mansu Nangetu e o Grupo de Carimbó "Filhos de Maiandeua", da localidade de Fortalezinha, município de Maracanã/ PA, Grupos de Capoeira e artistas afro-amazônicos.
Quarta-feira, 30 de setembro, das 19 as 22h no Mansu Nangetu, Tv. Pirajá, 1194 - Belém/PA. Fone 91-32267599.
Parceria:
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
FONSANPOTEMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana
Programa COROATÁ de Formação para Empreendimentos Culturais
Apoio:
rede[aparelho]-:
Grupo de Estudos Afro-Amazônico – GEAM (NEAB)/ UFPA
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do
Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi).
UFPA-PROEX
sábado, 26 de setembro de 2015
A voz do povo tradicional de matriz africana no ENGA - Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia.
O Projeto Azuelar, do Instituto Nangetu, e o Projeto Rádio Portão da
ACIYOMI, em parceria com a REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz
Africana, RENAFRO – Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde,
FONSANPOTEMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais
de Matriz Africana, ACAOÃ, UNIMAZ, TERREIRO ESTRELA GUIA e FESCAB-PA, realizam
uma programação de rádio com os programas de cidadania com reportagens,
depoimentos, entrevistas e cantigas gravadas com lideranças e autoridades de
povos tradicionais de matriz africana.
Serão três programas de uma hora de duração, iniciando sempre as 13h,
antecedendo a roda de conversa da programação do encontro.
- Dia 28 de setembro de 2015, Território e territorialidades, Roda de conversa com Mãe Nalva de Oxum. Edição do programa de Rádio: Vitor Gonçalves.
- 29 de Setembro de 2015, Feminismo negro. Roda de conversa com Maria Malcher. Edição do programa de Rádio: Samily Maria Moreira da Silva e Silva.
- 30 de setembro de 2015, Racismo religioso. Roda de conversa com Mametu Nangetu. Edição do programa de Rádio: Sibely Nunes Nascimento.
Apoio:
rede[aparelho]-:
Grupo de Estudos
Afro-Amazônico – GEAM (NEAB)/ UFPA
Projeto Ngomba
d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia
Livre do Instituto Nangetu;
Projeto Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a
‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar
na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi).
UFPA-PROEX
Marcadores:
Culturas tradicionais,
Projeto Azuelar,
rádio janela,
redes culturais,
redes sociais,
saúde nos terreiros,
segurança alimentar e nutricional
domingo, 9 de agosto de 2015
Nengua de Angola conversa com Cicero Centriny sobre o Terecô do Maranhão.
Mametu Nangetu recebeu Cicero Centriny, para uma conversa no
programa Nengua de Angola, Cícero prepara o lançamento do livro Terecõ, uma
religião a ser descoberta, e conta, nessa conversa, das coisas de seu livro. Mametu destacou a importância de registrar e transmitir
as informações sobre as tradições de matriz africana na diáspora brasileira e pediu
que ele contasse um pouco mais da importância dos povos bantu na formação do
Terecô.
![]() |
| Mametu nangetu entrevistou Cicero Centriny para o programa Nengua de Angola. |
No Maranhão, mais especificamente nos povoados de Santo
Antônio dos Pretos e de São Joaquim de Alolô, era praticado o “vodu”, tradição
muito parecida com aquelas do Haiti e de Cuba, um culto que permanece submerso,
pois ainda se percebe a presença de suas práticas secretas na atualidade, de
forma velada, em Codó.
Essas e outras informações sobre a história do Terecô de
Codó no Maranhão, é o que nos conta Cicero Centriny, ou Cícero Lejidokan,
pesquisador, educador, estilista e liderança de terreiro de matriz africana
iniciado em Tambor de Mina por Pai Euclides Talabyan Lissanon.
Cícero explica que o Terecô é uma tradição originada e
praticada em Codó desde o período em que Codó nem sequer existia como “cidade”. O lugar de
nascimento dessa prática é um reduto de negros que fugiram da escravidão e das
fazendas de arroz e algodão, e se instalaram num lugar seguro bem distante da opressão dos donos das fazendas. Atualmente esse lugar é o povoado de Santo Antônio dos Pretos, localidade rural remanescente de quilombo que fica a 60 km da zona urbana de Codó, nas margens da rodovia que liga Codó a Don Pedro.
Os africanos escravizados que foram para a região de Codó eram de etnias
Cabindas, Bantus, Cacheus, Fons... E entre as religiões afro-brasileiras
nascidas aqui, surgiu o TEREKÔ, que mantém características dessas diversas
origens e preserva o culto ao grande vodum Legba, trazido pelo povo ewe-fon do
Togo e do Benin e que é invocado em
Codó, como Légua-BojiBuá suas variantes
locais
Cícero trás a memória de celebridades do Terecô, como Dona Melânia,
Tobias, Maria Piauí, Euzébio Jansen e tantas outras autoridades que fizeram, e
fazem , a resistência das tradições de matriz africana no Maranhão.
Programa Nengua de Angola
Apresentação Mametu Nangetu
Conversa com Cicero Centriny sobre sua pesquisa sobre o
Terekô, ancestralidade e resistência
negra em Codó no Maranhão.
Realização
webTV Azuelar
Instituto Nangetu
Ponto de Mídia Livre
Apoio
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
FESCAB - Fórum Estadual Setorial de Culturas
Afro-brasileiras
FONSANPOTEMA-PA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional de Povos Tradicionais de Matriz Africana
rede[aparelho]-:
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural
do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto Produção do
Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate
ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá
Omi).
UFPA-PROEX
Belém/PA
Agosto de 2015
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Arte afro-amazônica presente no projeto Feira Livre.
![]() |
| Pedro Olaia e Romário Alves em roda de conversa com Mametu Nangetu. |
As paisagens de uma feira livre estão intimamente relacionadas aos frequentadores deste espaço/ tempo, elas tem a capacidade de agregar diferentes lógicas de organização e funcionamento que extrapolam as razões econômicas, colocando-as como fatores secundários, um lugar onde as práticas colaborativas são vivenciadas por necessidade e o intercâmbio cultural ocorre a cada encontro.
O Projeto "Feira livre; -performa-te cidade: investigação performática, diálogos e outros sabores", coordenado pelo artista Pedro Olaia com a colaboração de Romário Alves, um projeto que se propõe a habitar o corpo-cidade, pensar e experienciar as feiras livres como extensão do corpo e produção de identidade.
São três feiras experimentadas como espaços criativos abertos, lugares de produção de subjetividades, que serão experimentados criativamente pela interação dos propositores com outros três diferentes grupos artisticos, que são: Casa dos Bonecos, o Reator e o Instituto Nangetu. Para cada feira, o grupo envolvido abre o espaco cultural que representa para a construção de um laboratório multimidiático (open lab).
A vivencia criativa na feira da Ceasa com os artistas do Instituto Nangetu, é uma extensão das atividades que o grupo já desenvolve naquela área, os membros da comunidade já tem um conjunto de trabalhos artísticos que coloca em questão o consumo irresponsável, os cuidados necessários para oferendas religiosas e o acumulo de lixo urbano na mata da CEASA.
Para além da área da mata, Mametu Nangetu quer experimentar, também, o espaço da feira que é a maior da cidade e o lugar de onde se distribui uma parte significativa dos alimentos da população. Para ela é importante relacionar esse espaço de convivência e trocas, cuja imagem também está relacionada á fartura do alimento, com o Nkise Mavambo, a divindade que, entre os povos bantu, transporta as oferendas que alimentam as tradições afro-amazônicas.
O Projeto Feira livre; -performa-te cidade: investigação performática, diálogos e outros sabores, é premiado pelo Edital de Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação Artística da Fundação Cultural do Pará.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Mametu Nangetu participou da XIII Mesa Redonda do Caboclo Camarada Amigo Meu, em Salvador.
Mametu Nangetu esteve no Espaço Cultural da Barroquinha em Salvador/Bahia no dia 22 de julho de 2015, para párticipar da XIII Mesa Redonda do Caboclo Camarada Amigo Meu, com o tema: Pátria Amada Brasil.
O evento anual é uma realização da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu - ACBANTU para celebrar a memória dos ancestrais e das pessoas que na atualidade continuam a luta de resistência do nosso povo.
Na ocasião, Mametu recebeu a homenagem Prof. Ubiratan Castro, pelo reconhecimento de sua atuação, dedicação e compromisso com os Povos Indígenas e de Terreiro.
Além de Mametu Nangetu, foram homenageados: a quilombola Maria Bernadete Pacífico, a Makota Célinha Gonçalves Souza, o Ojé Balbino Daniel de Paula e o Taata kwa Nkisi Eurico Alcântara.
O evento anual é uma realização da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu - ACBANTU para celebrar a memória dos ancestrais e das pessoas que na atualidade continuam a luta de resistência do nosso povo.
Na ocasião, Mametu recebeu a homenagem Prof. Ubiratan Castro, pelo reconhecimento de sua atuação, dedicação e compromisso com os Povos Indígenas e de Terreiro.
Além de Mametu Nangetu, foram homenageados: a quilombola Maria Bernadete Pacífico, a Makota Célinha Gonçalves Souza, o Ojé Balbino Daniel de Paula e o Taata kwa Nkisi Eurico Alcântara.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Conversas de mestre, com Nego Banjo.
No domingo 5 e julho vai ter um relato de memória e da hitória das tradições de matriz africana em Belém do Pará pela ótica e experiência de Nego Banjo.
Colaboração de R$10,00 com dirreito á feijoada.
Local: ILÊ ASÉ OMOLU SADÈ - Rodovia Augusto Montenegro, km 23, Pass. Vidal, 15, Icoaraci, Belém/Pa.
Mais informações 91- 999817859 ou 982818442 - Nego Banjo.
A memória da experiência negra em terreiros de matriz africana e a sua relação com a produção artística é a motivação das “Conversas de mestre, histórias cantadas de Nego Banjo”, que, mais do que um relato de vida, podemos dizer que é um ritual de ensinamentos e troca de experiências de vida de um Alagbê nascido em Santo Amaro da Purificação que migrou para Belém nos anos de 1980, e aqui construiu uma rede de músicos que dão continuidade aos rituais de terreiros em Belém, Macapá, Ananindeua, Santarém e em várias outras cidades amazônidas.
Cada história é contada para nos colocar no contexto de criação de suas músicas, músicas que relatam Ivonilo dos Santos, o Nego Banjo, e recontam sua história de vida como uma mitologia ancestral. Cantos de contos de um universo que nos transportam para um passado épico de heroísmo em cruéis lutas por sobrevivência na extrema pobreza, passando por estórias de viagens fantásticas em mundos aparentemente estranhos, até aqueles que nos remetem ao aconchego familiar do aprendizado com mestres e mestras de tradições de matriz africana em sua infância.
Apoio: - Instituto Nangetu - Projeto Azuelar do Instituto Nangetu - REATA - Rede Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana - rede [aparelho]-: - Projetos de extensão da UFPA: Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu; e Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo - Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi). (Coordenação Prof. Arthur Leandro) - UFPA-PROEX
domingo, 21 de junho de 2015
Magia de Jinsaba, distribuição de mudas.
Foi em maio que Mametu Nangetu entregou uma muda de ginja (pitanga) para o Ilê Iyaba Omi, de Mãe Nalva de Oxum e Mãe Simone de Oyá. A proposta do projeto ambiental também prevê a troca de mudas de plantas de uso ritual, medicinal e aromáticas entre terreiros e comunidades de matriz africana.
Projeto A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual (início em 2008) . Objetivos: Criar ambiente para manter o cultivo de plantas medicinais e de uso liturgico no quintal do Mansu Nangetu; Incentivar cultivo de plantas medicinais e de uso litúrgico afro-religioso em pequenas áreas de quintais e em hortas comunitárias da zona metropolitana de Belém; Contribuir com a preservação de matas e de igarapés urbanos.
Projeto A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual (início em 2008) . Objetivos: Criar ambiente para manter o cultivo de plantas medicinais e de uso liturgico no quintal do Mansu Nangetu; Incentivar cultivo de plantas medicinais e de uso litúrgico afro-religioso em pequenas áreas de quintais e em hortas comunitárias da zona metropolitana de Belém; Contribuir com a preservação de matas e de igarapés urbanos.
segunda-feira, 9 de março de 2015
REATA - Pará - Circuito Cultura Viva em debate.
REATA - Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana: Pará - Circuito Cultura Viva em debate.:
O Circuito Cultura Viva esteve em Belém do Pará no domingo 8 de março para uma Roda de Conversas da Secretária da Cidadania e da Diversidade do Ministério da Cultura (SCDC/MinC), Ivana Bentes, com os movimentos culturais da Amazônia. A Política Nacional de Cultura Viva (PNCV) e os novos instrumentos de sua regulamentação foram o foco do debate de mais de 2 horas na sede do Ministério da Cultura da Região Norte.
Ao apresentar a nova gestão da SCDC e o planejamento de 2015, a secretária falou do novo sistema de cadastro de pontos que potencializará a articulação em rede dos Pontos de Cultura e ainda anunciou a autodeclaração.
"A partir do início de abril qualquer produtor cultural poderá se cadastrar como Ponto de Cultura. Será um reconhecimento simbólico do Ministério da Cultura que facilitará a busca pelas diversas formas de sustentabilidade para as ações dos Pontos. O novo sistema de cadastro também será um amplo mapeamento que possibilitará novos olhares para dar vida aos novos arranjos culturais", afirmou Ivana.
"Nossa gestão dará muita visibilidade para as articulações em rede e a proposta é que esse seja o embrião de um novo movimento social das culturas que fará com que a cultura esteja no centro do debate político no Brasil", disse.
A grande dificuldade com as prestações de contas faz com que muitos dos Pontos ainda estejam em situação irregular e impossibilitados de continuar a receber recursos do Estado. A SCDC abordou o tema e anunciou os novos mecanismos de simplificação da prestação de contas previstos na Instrução Normativa que regulamentará a PNCV.
Ao finalizar sua passagem pelo estado, a secretária reforçou a importância da participação social na construção, avaliação e gestão das políticas públicas do Estado e a disposição da SCDC em agregar a sociedade civil em seus processos. "É fundamental que os Pontos, as redes, e demais trabalhadores culturais sejam cogestores das nossas políticas. O Estado precisa se qualificar com a inteligência do movimento cultural", afirma Ivana.
Custo Amazônico
Uma das maiores urgências apontadas pelos Pontos de Cultura do norte do país também foi apresentada durante a roda de conversa. A revindicação dos movimentos da região é para que sejam levados em conta os diferentes valores para uma produção nos estados do norte, tendo em vista a sua posição geográfica e as dificuldades de acesso.
Lideranças de diversos segmentos culturais reivindicam o repasse diferenciado do que é oferecido hoje em editais e prêmios para os projetos localizados no Eixo Rio - São Paulo. Ivana Bentes reforçou a pauta e a importância de sua discussão, bem como a criação de políticas públicas que trabalhem a territorialização e a descentralização de recursos.
Mametu Nangetu participou do debate e falou em nome das culturas tradicionais de matrizes africanas e das culturas afro-brasileiras, disse da necessidade de editais específicos para as culturas de matriz africana e ressaltou a necessidade de políticas públicas que financiem reforma e conservação de terreiros e outros espaços mantidos por comunidades tradicionais. Criticou a política cultural do estado do Pará e do Município de Belém, ressaltando a inexistências de investimentos para as culturas populares e tradicionais, relembrou a atuação de Valmir Bispo na extinta Fundação Curro Velho e lamentou que a gestão atual não demonstre interesse pelas culturas afro-amazônicas.
domingo, 23 de novembro de 2014
Nós queremos o Grupo de Trabalho “Comunicações para o Desenvolvimento, a Inclusão e a Democracia” no Ministério das Comunicações..
Apesar de marcos legais, como o Decreto 6040/07, o Estatuto da Igualdade
Racial, as metas aprovadas nas Conferências de Igualdade Racial, Cultura e Comunicação e tratados internacionais,
como o de Durban, tratarem do tema da participação negra e indígenas na mídia,
as organizações desse segmento da comunicação ainda são invisíveis para órgãos
como o Ministério das Comunicações.
A luta pela participação negra na comunicação é histórica, e desde a imprensa negra no século 19 até os dias de hoje, dezenas de veículos se
dedicam diariamente a cobrirem a cultura e história dos povo afro-brasileiro,
porém nunca tiveram uma política pública de investimento e fomento.
O Brasil precisa de um novo marco regulatório para as
comunicações, que respeite os Direitos Humanos ecombata o racismo na mídia e na sociedade o cumprimento do capítulo VI
do Estatuto da Igualdade Racial – Dos Meios de Comunicação – e conforme
preconizado em acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Cultural,
Conferência de Durban, Agenda 21 da Cultura, possibilitando ações afirmativas
para que mulheres, negras(os) e indígenas possam produzir e gerenciar veículos
de comunicação, sejam eles comunitários ou de grande porte.
O que precisamos é de editais regulares para produção e distribuição
de conteúdos produzidos por povos e comunidades tradicionais de terreiros,
indígenas e quilombolas e de fomento à comunicação livre, comunitária e popular
em parceria com a sociedade civil.
Para a III Conferência Nacional de Cultura, aprovamos metas nas
nossas conferências livres com redação que direcionam para o estímulo ao “...protagonismo dos
de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, Povos Indígenas, de comunidades
quilombolas, de comunidades ribeirinhas e de comunidades extrativistas para a
criação de conteúdos audiovisuais (filmes e programas de televisão e rádio),
assim como criar política de incentivo à criação e fortalecimento de rádios e
TVs comunitárias para povos tradicionais promoverem a divulgação e valorização
das culturas tradicionais de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, Povos Indígenas,
de comunidades quilombolas, de comunidades ribeirinhas e de comunidades
extrativistas”.
É urgente a promoção da diversidade étnico-racial e das garantias de direitos à
comunicação de povos tradicionais negros. e essa diretriz deve ser, portanto, essencial na
elaboração de qualquer política pública de comunicação no Brasil.
Por esse motivo a comunidade do Mansu Nangetu, que desenvolve ações de mídia livre através do Projeto Azuelar, declara seu total apoio à solicitação da SEPPIR-PR ao Ministério das Comunicações, de criação implantação e funcionamento de Grupo de Trabalho “Comunicações para o Desenvolvimento, a Inclusão e a Democracia”, cujo objetivo é aperfeiçoar as políticas, ações e projetos comunicação voltados à comunidades tradicionais de matriz africana.
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