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quinta-feira, 21 de abril de 2016

3° Encontro Cria Preta será no Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves.

23 de abril, sábado, a partir das 8h, tem o 3° Encontro Cria Preta.
É um encontro de mães e com seus filhos pra brincar e interagir com o meio ambiente valorizando as culturas e a memória afro-amazônica e as brincadeiras tradicionais de infância.
A ação é uma iniciativa de um grupo de mulheres negras e acontece neste sábado, 23, a partir das 8h no Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves. - Av. Alm. Barroso, 2305 - Marco, Belém - PA.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Museu Goeldi inaugura “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos”

Projeto educativo vai mostrar a estudantes do ensino médio as relações entre culturas afro religiosas e espécies de plantas do acervo do Parque Zoobotânico. Saiba como participar
Agência Museu Goeldi – As árvores contam histórias, partes do nosso próprio passado que por vezes desconhecemos. O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) inaugura em abril a “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos”, um roteiro ecológico pelo Parque Zoobotânico que contempla a cultura afro amazônica e suas relações com a natureza.
O projeto do Serviço de Educação (SEC) do Museu foi construído em parceria com comunidades de terreiro de matriz africana em Belém (Candomblé, Umbanda e Mina são algumas delas). Mametu Nangetu, Baba Tayando, Mãe Nalva, Mãe Jakolocy, Mãe Vanda e Pai Alfredo são alguns dos pais e mães de santo convidados. Eles identificaram plantas do acervo do Parque com significado e importância cultural para as suas respectivas religiões; são essas plantas que fazem parte da trilha.
Todo o processo foi transformado em vídeos didáticos que serão disponibilizados para escolas da rede básica de ensino como ferramenta pedagógica. O material é recomendado para ser assistido por estudantes em sala de aula antes de uma visita ao Parque Zoobotânico.
A “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos” faz parte do projeto de pesquisa da bolsista de Educação Tainah Jorge. Ela explica que a meta desse projeto é estimular o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, de acordo com a Lei Federal 10.369.
A lei, promulgada em 2003, se refere à inclusão no currículo escolar do estudo da História da África e dos Africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra brasileira e do negro na formação da sociedade nacional. “A realização desse roteiro possibilita o acesso ao conteúdo afro brasileiro, criando um espaço de informação, educação e conscientização. Uma ferramenta de necessidade pública”, afirma.
Como participar – A primeira fase da “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos” é o minicurso de formação sobre o projeto para professores de nível médio (1º a 3º ano) do ensino básico. Nele serão explicados os fundamento e os saberes ancestrais, bem como as plantas que fazem parte da trilha. O minicurso acontece no próximo dia 13 de abril (quarta-feira) de 9h às 11h30 e 14 de abril (quinta-feira), de 9h às 11h30 e de 14h às 16h30.
Os docentes interessados em participar do projeto devem se inscrever até esta sexta-feira (9) no Núcleo de Visitas Orientadas (NUVOP), localizado no Parque Zoobotânico (Av. Magalhães Barata, 376, bairro São Braz). Serão 30 vagas para professores no total. Para mais informações, ligue para o telefone (91) 3182-3249.
Texto: João Cunha, originalmente publicado no site do Museu Goeldi.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Manifesto público e reivindicações de Povos e Comunidades Tradicionais de Belém face ao projeto de Reforma do Ver-O-Peso

Manifesto público e reivindicações de Povos e Comunidades Tradicionais  de Belém  face ao projeto de Reforma do Ver-O-Peso


Autoridades e lideranças de povos tradicionais de matriz africana, defendem o direito ao Ver-o-Peso.




     No 12 de janeiro de 2016,  no  ato comemorativo dos 400 anos da cidade Belém,  foi anunciada pelo Prefeito Zenaldo Coutinho e o governador do Pará, Simão Jatene a reforma e revitalização do complexo do Ver-o-Peso. Nesse Autoridades dos povos tradicionais de matriz africana tentaram apresentar ao Prefeito uma série de propostas de políticas públicas de combate ao racismo religioso elaboradas pelo movimento “Atitude Afro”. Esse propósito foi impedido quando nossa manifestação foi recebida com um corredor polonês de evangélicos e o lançamento de spray de pimenta sobre os manifestantes os povos tradicionais de matriz africana.  Posteriormente,  a Associação dos Filhos de Amigos do Ilê Iya Omi Ase o Fa Kare (AFAIA), o Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará (CEDENPA), o Instituto Nangetu e  a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), protocolaram no Ministério Público do Estado do Pará (MPE), uma representação contra a Prefeitura de Belém, em função das atitudes De racismo religioso, amparado pelo estado que configura o genocídio de um povo. Violência contra um grupo étnico com aparato do estado ou mesmo racismo institucional, ocorridas naquele data. 

         Da mesma forma  que naquele evento  chamamos  atenção para a necessidade de Políticas Públicas contra o racismo religioso, também temos o propósito de  nós manifestar sobre o projeto de reforma e revitalização do Ver-O-Peso, que concerne diretamente aos povos e comunidades tradicionais de Belém, entre eles povos de matriz africana, quilombolas, benzedeiras, comerciantes de ervas e animais.  No entanto,  apontamos dificuldades de conversar com a gestão municipal sobre esse projeto e procuramos por todos os meios de dialogar com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artistico Nacional - IPHAN. 

         Nossos argumentos neste Manifesto  apoiam-se nos  marcos legais que nos garantem escuta diferenciada quando em intervenções em espaços que se reproduzem as nossas tradições. Somos Povos Tradicionais,  regidos pela Convenção 169  da Organização Internacional do Trabalho, o Decreto  6040  de  2007 e os artigos 215 e 216  da Constituição Federal  de 1988. 
O artigo 215 consagra o princípio da diversidade cultural, ao garantir o pleno exercício de direitos culturais e o apoio e difusão das manifestações culturais populares, indígenas e afro-brasileiras, impondo ao Estado brasileiro a observância desses direitos,  assim deve promover a valorização da diversidade étnica e regional,  a democratização de acesso aos bens culurais, à defesa e valorização do patrimônio cultural,  que constituem ações fundamentais para o desenvolvimento cultural do país.   O artigo 216,  seção II – Da Cultura, estabelece o patrimônio cultural brasileiro composto por bens de natureza material e imaterial, individuais e coletivos, protadores de referencia à identidade, à ação e à memória dos distintos grupos que formam a sociedade brasileira, estando representadas em 5 categorias, a saber: I – as formas de expressão; II – os modos de criar,  fazer e viver; III – as criações científicas, artisticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artistico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagistico, artistico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
         O Decreto 6040 de 7 de fevereiro de 2007  define no artigo 3º   I - Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição;

         A Convenção  169  da OIT estabelece no artigo 4º:  1. “Deverão ser adotadas as medidas especiais necessárias para salvaguardar as pessoas, as instituições, os bens, o trabalho, a cultura e o meio ambiente desses povos.  2.  Essas medidas especiais não deverão ser contrarias aos desejos livremente expressos por esses povos.  3. De maneira alguma deverá ser prejudicado por essas medidas especiais o gozo, sem discriminação, dos direitos gerais da cidadania”.
         A Convenção  169  da OIT destaca a consulta e a participação dos povos interessados e o direito desses povos de definir suas próprias prioridades de desenvolvimento na medida em que afetem suas vidas, crenças, instituições, valores espirituais e a própria terra que ocupam ou utilizam.  Conforme o artigo 6º os governos deverão: A) consultar esses povos, mediante procedimentos apropriados, principalmente por meio de suas instituições representativas,  toda vez que se considerem medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente.  B)  estabelecer os meios pelos quais esses povos possam participar livremente, pelo menos na mesma proporção que os demais segmentos da população  e  em todos os níveis, na adoção de decisões em instituições eletivas e órgãos administrativos e de outra natureza, responsáveis  por políticas e programas que lhes digam respeito.  C) criar os meios para o pleno desenvolvimento das instituições e inciativas desses povos e, nos devidos casos, proporcionar os necessários recursos para este fim.  D) as consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser fietas de boa fé e de acordo com as circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo ou obter o consentimento sobre as medidas propostas”

         Nós, autoridades tradicionais de matriz africanas buscamos o dialogo que permita o reconhecimento e respeito de direitos étnicos e culturais. Nesse interregno de dois meses,  provocamos duas reuniões  com os técnicos do IPHAN.  Essas reuniões ocorreram: em 27 de fevereiro quando fomos ao auditorio do IPHAN com objetivo de conhecer o projeto arquitetonico. Em 1º  de março, quando participamos de uma conversa no próprio Ver-o-Peso com técnica do IPHAN e nós povos Tradicionais de matriz africana mostrando in loco os lugares para a preservação da nossa tradição e de comércio de ervas, animais e outros produtos necessários para a manutenção das tradições de matriz africana no Pará.  Nesse dialogo temos solicitado para que o Iphan intermedeie o diálogo com a Prefeitura de Belém, sobre a revitalização da feira, sem a eliminação da venda de animais vivos, ou bicho em pé, e de locais necessários para a preservação das tradições de matriz africana na pedra do Peixe do Ver-o-Peso, na orla da feira e na escadinha do Cais do Porto.  

         Na visita que fizemos na feira, nos foi informado que o IPHAN e o Ministério Público Estadual  MPE iriam colocar o projeto em consulta pública na internet e que nós poderíamos intervir na proposta pela internet.  Na oportunidades, nós fizemos uma contra proposta de reunião presencial com povos tradicionais de territórios tradicionais negros. Para isso argumentamos que a preservação desse comércio influencia na economia de dois polos de territórios tradicionais negros, os quilombos - que produzem os alimentos vegetais e animais; e os terreiros, que consomem esses produtos e com eles reproduzem as tradições alimentares de origem africana.
         No dia 16 de março ocorreu a reunião no prédio do Ministério de Educação e Cultura (MINc) em Belém,  convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no qual participaram 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.  Os comerciantes de animais vivos inseridos no debate reclamaram de sua atividade não ter sido considerada no plano de reforma da Prefeitura Municipal de Belém (PMB)  enfatizando o caráter tradicional e o fato de ter sido considerados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de reforma. A compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas tradicionais de matriz africana.
         No dia 31 de março próximo encerra o prazo do que está sendo apresentado como  “consulta pública”  sobre a proposta de intervenção (projeto básico) para a Feira do Ver-o-Peso, integrante do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico tombado pelo Iphan em 2012 (Portaria MinC nº (Lei nº 12.527/2011), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).   Ante os fatos  exposto e a iminencia dessa data, nós povos e comunidades tradicionais de Belém reivindicamos:

         1. Que o Projeto Básico seja revisto inserindo o espaço para comercialização de animais vivos, ervas e plantas.  Essa  revisão deve estar contemplada nos projetos para a Feira do Açaí, Solar da Beira e Pedra do Peixe  em atenção a se tratar de práticas  de povos tradicionais.
            2.  Que  seja obedecido pelo IPHAN e Prefeitura de Belém o que estabelece a Convenção 169 da OIT  no seu artigo 6º  acima transcrito  no relativo à consulta aos povos tradicionais. Esse procedimento deve corresponder a uma consulta livre, previa e informada. O que difere  da consulta publica por intenet  e ainda a anunciada pelo IPHAN de realização de uma Audiência Pública para apresentação do projeto.
            3.  Que consoante a essas reivindicação anterior seja  revisto o prazo para esta etapa e a imediata definida pelo IPHAN.
            4. Que o Ministério Público Federal – MPF focalize e insista junto ao IPHAN no tocante aos dispositivos juridicos que dizem respeitos aos povos e comunidades tradicionais do Pará. Até o presente nos parece não terem sido reconhecidos no Projeto básico.  Ainda que essa instancia reitere o caráter das consultas públicas aos povos tradicionais.

           

segunda-feira, 21 de março de 2016

[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais .

[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais para incluir necessidades na consulta pública para o projeto de reforma da feira do Ver-o-Peso.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 22/03/2016, das 10h às 15h.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Reunião debate a presença de tradições de matriz africana no Ver-o-Peso.

por Abílio Dantas para o blog OUTROS 400
O projeto da prefeitura pode apresentar elementos de racismo institucional. Ontem pela manhã, em reunião realizada pelo Iphan, lideranças de povos tradicionais e técnicos debateram a venda de animais vivos no Ver-o-Peso.


“O Plano Nacional da Igualdade Racial demarca, no primeiro ponto, que se deve combater o racismo institucional. Então eu pergunto a todos aqui: alguém sabe o que é racismo?”. O questionamento de Arthur Leandro, da Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, deu o tom de preocupação da reunião realizada ontem, pela manhã, no prédio do Ministério da Cultura (MinC), em Belém. O encontro, convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reuniu 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.


Os dois únicos vendedores do setor, Edivaldo Moreira e Lucivaldo Oliveira, iniciaram a reunião relatando o susto que sentiram ao constatarem que a atividade que garante o sustento de suas famílias não havia sido considerada ou, ao menos, citada no projeto de reforma apresentado pelo prefeito Zenaldo Coutinho na audiência pública realizada no dia 3 de março deste ano. Segundo os comerciantes, isso representa o esquecimento de uma atividade que possui tradição na capital. “Essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar”, defendeu Lucivaldo.



essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar

A antropóloga e técnica do Iphan, Larissa Guimarães, responsável pela condução do encontro e pela inscrição das falas, que avolumavam-se rapidamente, reconheceu que o projeto apresentado pela prefeitura não apresentava nenhuma proposta para o setor de animais. “O que queremos aqui é escutar todas as partes e pensar qual é a melhor maneira de garantirmos a permanência do setor. Ninguém está falando em retirar”, afirmou.


A superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, cumpria também o papel de mediadora da reunião e propôs ideias para que a polêmica entre as exigências legais de manejo de animais colocadas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importância da atividade para comerciantes e líderes religiosos fosse conciliada. “Não seria possível realizar um convênio com a UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) para que fosse dado um auxílio técnico sobre o trato de animais?”, questionou.





Líderes religiosos acusaram a prefeitura de praticar racismo institucional ao não considerar os povos de matriz africana no projeto de reforma do Ver-o-Peso.
Enquanto ocorria o debate, várias dúvidas pairavam, mas um fato foi confirmado: a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) não ouviu os setores interessados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de reforma. A representante da Secretaria de Urbanismo (Seurb), Paula Andréa Rodrigues, admitiu que a escuta não foi realizada. “Seria muito importante que essa reunião tivesse sido realizada lá atrás, para que toda essa realidade fosse conhecida, mas isso não foi feito”, disse. A ausência de diálogo, de acordo com as lideranças religiosas, pode resultar em um ato de racismo institucional.

RITUAIS AFRO-RELIGIOSOS

“É racismo institucional não considerar os povos de matriz africana que construíram a história desse país”, declarou Edson Catendê, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC/MinC). De acordo com ele, Arthur Leandro e Emanuell Souza, também do CNPC, a compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas afro-religiosas. “É cultural, não só para as religiões de matriz africana, mas de todos nós, pois os animais são trazidos das ilhas, das estradas, vem de todo lugar. É triste perceber que, mais uma vez, estamos sendo invisibilizados nessa cidade”, denunciou Emanuell.








ccc "Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições", afirma Mãe Nangetu.

Pato, galinha, cabra e bode são alguns dos animais que Mãe Nangetu, líder religiosa e conselheira municipal de cultura de Patrimônio Imaterial, compra com frequência no Ver-o-Peso. Os animais devem ser adquiridos ainda inteiros, saudáveis e bonitos, segundo ela, pois são utilizados em oferendas em rituais sagrados oferecidos aos deuses.



a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”

“Ninguém faz nada sem dar oferenda ao grande comunicador, que é Exu, e que na minha tradição banto se chama Mavambo Izila. Antes de se fazer qualquer ritual, tem que se fazer uma oferenda pra ele, pra que chegue até nossos deuses”. Para ela, a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”, concluiu.


Ao fim da reunião, decidiu-se coletivamente pela criação de um Grupo de Trabalho que será composto pelos vendedores do setor de animais, os representantes da UFRA, Sindicato dos Feirantes, Seurb, Secretaria de Economia (Secom), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Quilombolas, Conselho Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Políticas Culturais e Iphan. O próximo encontro foi marcado para o dia 29 de março, às 10h, também no prédio do MinC.

Fotos: Kleyton Silva

sábado, 12 de março de 2016

19 de março, 11h - Roda de Abertura do novo polo do Grupo de Capoeira Angola Negros de Aruanda

No próximo sábado, dia 19/03, a partir de 11h no Mansu Nangetu, Roda de Abertura do novo polo do Grupo de Capoeira Angola Negros de Aruanda, sob orientação de Mestre Carlinhos. Não percam!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Lançamento do livro "Terecô de Codó - uma religião a ser descoberta".

Aconteceu no dia 17/10, mais um lançamento do livro "Terecô de Codó - uma religião a ser descoberta", de Pai Cícero Centriny​. O lançamento foi na Casa Grande de Mina de Pai Huevy e Mãe Rosangela. 
Centriny proferiu palestra sobre as religiões de matrizes africanas do Codó em especial o Terecô que, embora pouco divulgada, é uma tradição que se mantém viva, embora discreta, com essências bantu tradicional.
Na ocasião Mametu Nangetu falou sobre a importância do livro de Cícero para as comunidades de tradições de matriz africana no Brasil e na Amazônia e que sua leitura tenhamos conhecimento histórico de nossa ancestralidade assim nos fortalecendo contra o racismo que ataca as nossas tradições.

Informações e fotografia: Táta Dianvula (Alex Leovan)/ Projeto Azuelar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

CARTA ABERTA DOS POVOS DE TERREIRO SOBRE OFICINA NACIONAL DE REGULAMENTAÇÃO DA LEI 13.123/15 EM BRASÍLIA/DF



CARTA ABERTA DOS POVOS DE TERREIRO SOBRE OFICINA NACIONAL DE REGULAMENTAÇÃO DA LEI 13.123/15 EM BRASÍLIA/DF
Encontro em Brasília para debatermos a regulamentação da LEI 13.123, a qual trata sobre o acesso aos conhecimentos tradicionais, patrimônio genético e repartição de benefícios.

Nós, Povos de terreiro sujeitos de direito do conhecimento ancestral africano e afro-brasileiro no Brasil presentes entre os dias 19 e 21 de outubro de 2015, na oficina nacional referente à Lei 13.123 de 20 de Maio de 2015 que trata sobre acesso aos conhecimentos tradicionais, patrimônio genético e repartição de benefícios, vimos por meio desta repudiar a forma como o Estado brasileiro tem conduzido a discussão.
Primaram por violar nossos direitos constitucionais, pela legislação ordinária e por Tratados Internacionais dos quais o Brasil é signatario, tais como: Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento; Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais; Convenção da Diversidade Biológica; Convenção sobre a Diversidade de Expressões Culturais; Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura; Declaração Universal de Direitos Humanos; Declaração e programa de ação adotados na terceira conferência mundial de combate ao racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerancia correlata (Durbam, Africa do Sul), Declaração das Nações Unidas sobre a Concessão da Independência dos Países e Povos Colonizados. Em seu art. 225 a Constituição Federal incumbir ao Poder Público preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético. Vale ressaltar que este exige, na forma da lei, estudo prévio de impacto ambiental, para instalação de qualquer obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, exemplo a PEC 215; e a construção da Usina de Belo Monte. De forma nefasta e em razão desse cenário que ameaça a existência de absolutamente todas as populações indígenas, povos de terreiro e comunidades tradicionais, os quais constituem a base da soberania e democracia constitucional do País.
Seguindo por burlar a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho/OIT no que concerne ao direito de consulta livre, prévia e informada, também endossado nos acordos acima citados.
Sentimos-nos sobrepujados diante do domínio da informação por parte do Estado que no alijou do processo recusando explícitamente em nos apresentar a minuta de Decreto da Lei 13.123 de 2015 ou qualquer outra proposta que trata da regulamentação da referida Lei, o que implica diretamente na obstrução e confronto direto com a própria Constituição Federal além dos acordos internacionais já mencionados.
Portanto, nestes termos, que fique explicito que todas as oficinas regionais sobre a referida Lei, não pode tampouco deve configurar sob hipótese alguma caráter consultivo, visto que estas não preenchem os requisitos exigidos de como deve ser para uma consulta pública. E ainda, o desdém com que se referem a nós.
Estamos vivenciando um dos momentos de mais expressivos genocídios da nossa história, declaradamente por meio de grandes projetos, grilagem de terras, expropriação e invasão, assassinato de lideranças, e muito mais, tudo isso ocasionado pela falta de vontade política quanto à regularização, demarcação e titulação dos territórios tradicionais (Terras Indígenas, Territórios Quilombolas, Território de Povos de Terreiros, Reservas Extrativistas, Territórios de Fundos e Fechos de Pasto, Territórios das Quebradeiras de Coco Babaçú, Catadoras de Mangaba, Retireiros do Araguaia, Pomeranos, RESEX Marinhas, Vazanteiros, Geraizeros, Pescadores de água doce e salgada, Caiçaras, Pantaneiros, Ilhéus, Raizeiras, Faxinalenses, Benzedeiras,) inclusive a garantia de Territórios Ciganos a fim que sejam oportunizados de manterem seus cultivos silvopastoris, expondo-nos a um processo devastador da nossa cultura, perda de identidade e de práticas tradicionais que ameaçam como nunca os PCTS do Brasil.
É inadmissível não ter assegurado nossos direitos constitucionais de praticas ancestrais de saúde coletiva, a partir dos nossos conhecimentos tradicionais.
Nós, Povos de Terreiro em conjunto com todos os povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares também repudiamos a PEC 215/2000, na medida em que essa proposta aniquila os direitos territoriais conquistados; e interfere diretamente na regulamentação da Lei 13.123/15 e exigimos seu imediato arquivamento.
Repudiamos terminantemente a Lei 13.123/2015 e exigimos de imediato que seja feita consulta livre, prévia e informada, conforme rege a Convenção 169 da OIT, bem como demais acordos internacionais ratificados pelo Brasil, de modo que seja revogada a referida lei por ferir princípios constitucionais.
Repudiamos terminantemente a Lei 13.123/2015 e exigimos de imediato que seja feita consulta livre, prévia e informada, conforme rege a Convenção 169 da OIT, de modo que seja revogada a referida lei por ferir princípios constitucionais; e tratados internacionais ao qual o Brasil é signatário.

Brasília/DF, 22 de outubro de 2015.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Territórialidades, feminismo e combate ao racismo religioso em intervenção midiática durante o ENGA.

A sétima edição do ENGA – Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia aconteceu entre os dias 28 de setembro a 01 de outubro de 2015. O evento se realizou em conjunto com o IX Congresso Brasileiro de Agroecologia, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém – PA.
Santana, expondo a resistência no quilombo do Abacatal. 


Povos e comunidades tradicionais foram convidados para as rodas de conversas, e para levar as questões dos povos tradicionais de matriz africana ao debate promovido pelos grupos de agroecologia, o Mansu Nangetu, em parceria com a Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana – REATA, e com a Associação Afro religiosa e Cultural Ilê Iyaba Omi – ACIYOMI; promoveu uma intervenção midiática unindo dois projetos de comunicação social comunitária e étnica: a rádio-janela Azuelar, do Instituto Nangetu, e a Rádio Portão da ACIYOMI.
Feminismo negro e as lutas dos povos tradicionais na Amazônia.

A intervenção foi a veiculação de um programa de rádio com uma hora de informação produzida pelos projetos dos terreiros, levando aos participantes do encontro depoimentos e entrevistas de autoridades de terreiros de matriz africana de várias regiões brasileiras com conteúdos relacionados aos temos das rodas de conversas que completavam a programação.
Na segunda-feira, dia 28 de setembro, o tema foi “Territórios e Territorialidade, não esbandalhe meu tapiri!”, e a necessidade de políticas públicas de preservação de igarapés e matas urbanas como garantia da continuidade das práticas tradicionais nas grandes cidades, além da crítica à propriedade privada no sistema capitalista, que impede o acesso ao patrimônio ambiental. Já na terça-feira, dia 29, o tema foi “Gênero e Feminismo: te orienta ‘macho’!”, debatendo o protagonismo afro-feminino nas lutas dos povos tradicionais na Amazônia. E finalmente, na quarta-feira, dia 30 de setembro, o avanço da política fundamentalista da bancada “BBB” (Boi, Bala e Bíblia) norteou a conversa sobre o tema “Intolerância Religiosa: tu é doido é?!”.
Combater o racismo religioso para a sobrevivência do pensamento afro-centrado.

Nos três dias de debates, os participantes das rodas de conversa evidenciaram o racismo institucional, aquele que é praticado por agentes do estado e que nega direitos de cidadãos aos povos e comunidades tradicionais, em especial na análise do comportamento da bancada BBB no congresso eleito em 2014, com o “b” de ‘boi’ que representa o agronegócio a avançar sobre terras quilombolas e indígenas para a criação de pastos e monoculturas agrícolas, a bancada do “b” da ‘bala’ a promover a indústria do medo que promove o genocídio da juventude negra nas cidades, e a bancada do “b” da ‘Bíblia’ a promover a demonização do sagrado de origem na África negra e, com esse procedimento, a promover o etnocidio pela negação e tentativa de apagamento da compreensão de mundo que gera o pensamento afro-centrado.
Apesar da análise de conjuntura resultar num quadro desolador, os debatedores afirmaram que os mais de quinhentos anos de resistência à violência colonizadora já demonstraram a capacidade de sobrevivência do povo negro na adversidade em que vivem no Brasil, e que apesar do ambiente hostil, nossas tradições não serão extintas.

Participaram das conversas: Mametu Nangetu e  Táta Kinamboji (Mansu Nangetu), Maria Malcher (CEDENPA e Comitê da Marcha de Mulheres Negras), Raimundo e Santana (Quilombo do Abacatal em Ananindeua), Isabel (Erveira do Ver-o-Peso), e representantes de comunidades ribeirinhas de Maracanã/PA. Edição do programa de Rádio: Vitor Gonçalves, Samily Maria Moreira da Silva e Silva e Sibely Nunes Nascimento.
Bolsistas de projetos de extensão da UFPA formaram a equipe técnica da intervenção midática. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Filhos de Maiandeua em conversas cantadas no Mansu Nangetu


 Conversas cantadas no Mansu Nangetu

Quarta-feira  30 de setembro de 2015
(roda de conversa musicada com o Grupo de carimbó Filhos de
Maiandeua, da localidade de Fortalezinha, Ilha de Maiandeua,
Maracanã/PA)

Projeto Azuelar - Ponto de Mídia Livre

webTV Azuelar
Filmado e editado com tecnologia do possível

Cantoriais
Grupo de Carimbó Filhos de Maiandeua
Táta Kafunlumizo (Angelo Imbiriba)
Ogã José Carlos Silva (Lossum)

Apoio:
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
 FONSANPOTEMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana
 rede[aparelho]-:
Grupo de Estudos Afro-Amazônico – GEAM (NEAB)/ UFPA
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do
Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto  Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’  para a ‘WebTV
Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das  Águas (Ilê Iyabá Omi).
UFPA-PROEX



Belém/PA

2015

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Conversas cantadas no Mansu Nangetu, 30 de setembro, das 19 as 22h;


Roda de Cantorias entre a comunidade do mansu Nangetu e o Grupo de Carimbó "Filhos de Maiandeua", da localidade de Fortalezinha, município de Maracanã/ PA, Grupos de Capoeira e artistas afro-amazônicos.
Quarta-feira, 30 de setembro, das 19 as 22h no Mansu Nangetu, Tv. Pirajá, 1194 - Belém/PA. Fone 91-32267599.

Parceria:
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
FONSANPOTEMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana
Programa COROATÁ de Formação para Empreendimentos Culturais

Apoio:
rede[aparelho]-:
Grupo de Estudos Afro-Amazônico – GEAM (NEAB)/ UFPA
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do
Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi). 
UFPA-PROEX

sábado, 26 de setembro de 2015

A voz do povo tradicional de matriz africana no ENGA - Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia.

O Projeto Azuelar, do Instituto Nangetu, e o Projeto Rádio Portão da ACIYOMI, em parceria com a REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, RENAFRO – Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, FONSANPOTEMA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, ACAOÃ, UNIMAZ, TERREIRO ESTRELA GUIA e FESCAB-PA, realizam uma programação de rádio com os programas de cidadania com reportagens, depoimentos, entrevistas e cantigas gravadas com lideranças e autoridades de povos tradicionais de matriz africana.
Serão três programas de uma hora de duração, iniciando sempre as 13h, antecedendo a roda de conversa da programação do encontro.

  1. Dia 28 de setembro de 2015, Território e territorialidades, Roda de conversa com Mãe Nalva de Oxum. Edição do programa de Rádio: Vitor Gonçalves.
  2. 29 de Setembro de 2015, Feminismo negro. Roda de conversa com Maria Malcher. Edição do programa de Rádio: Samily Maria Moreira da Silva e Silva.
  3. 30 de setembro de 2015, Racismo religioso. Roda de conversa com Mametu Nangetu. Edição do programa de Rádio: Sibely Nunes Nascimento.



Apoio:
rede[aparelho]-:
Grupo de Estudos Afro-Amazônico – GEAM (NEAB)/ UFPA
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto  Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi).

UFPA-PROEX 

domingo, 9 de agosto de 2015

Nengua de Angola conversa com Cicero Centriny sobre o Terecô do Maranhão.


Mametu Nangetu recebeu Cicero Centriny, para uma conversa no programa Nengua de Angola, Cícero prepara o lançamento do livro Terecõ, uma religião a ser descoberta, e conta, nessa conversa, das coisas de seu livro. Mametu  destacou a importância de registrar e transmitir as informações sobre as tradições de matriz africana na diáspora brasileira e pediu que ele contasse um pouco mais da importância dos povos bantu na formação do Terecô.
Mametu nangetu entrevistou Cicero Centriny para o programa Nengua de Angola.

No Maranhão, mais especificamente nos povoados de Santo Antônio dos Pretos e de São Joaquim de Alolô, era praticado o “vodu”, tradição muito parecida com aquelas do Haiti e de Cuba, um culto que permanece submerso, pois ainda se percebe a presença de suas práticas secretas na atualidade, de forma velada, em Codó.
Essas e outras informações sobre a história do Terecô de Codó no Maranhão, é o que nos conta Cicero Centriny, ou Cícero Lejidokan, pesquisador, educador, estilista e liderança de terreiro de matriz africana iniciado em Tambor de Mina por Pai Euclides Talabyan Lissanon.
Cícero explica que o Terecô é uma tradição originada e praticada em Codó desde o período em que Codó  nem sequer existia como “cidade”. O lugar de nascimento dessa prática é um reduto de negros que fugiram da escravidão e das fazendas de arroz e algodão, e se instalaram num lugar seguro bem distante da opressão dos donos das fazendas. Atualmente esse lugar é o povoado de Santo Antônio dos Pretos, localidade rural remanescente de quilombo que fica a 60 km da zona urbana de Codó, nas margens da rodovia que liga Codó a Don Pedro. 
Os africanos escravizados  que foram para a região de Codó eram de etnias Cabindas, Bantus, Cacheus, Fons... E entre as religiões afro-brasileiras nascidas aqui, surgiu o TEREKÔ, que mantém características dessas diversas origens e preserva o culto ao grande vodum Legba, trazido pelo povo ewe-fon do Togo e do Benin e que é  invocado em Codó, como Légua-BojiBuá  suas variantes locais
Cícero trás a memória de  celebridades do Terecô, como Dona Melânia, Tobias, Maria Piauí, Euzébio Jansen e tantas outras autoridades que fizeram, e fazem , a resistência das tradições de matriz africana no Maranhão.


Programa Nengua de Angola
Apresentação Mametu Nangetu
Conversa com Cicero Centriny sobre sua pesquisa sobre o Terekô, ancestralidade e resistência  negra em Codó no Maranhão.

Realização
webTV Azuelar
Instituto Nangetu
Ponto de Mídia Livre


Apoio
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
FESCAB - Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-brasileiras
FONSANPOTEMA-PA - Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional de Povos Tradicionais de Matriz Africana
rede[aparelho]-:
Projeto Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu;
Projeto  Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo
Projeto Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi).
 UFPA-PROEX



Belém/PA

Agosto de 2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Arte afro-amazônica presente no projeto Feira Livre.

Pedro Olaia e Romário Alves em roda de conversa com Mametu Nangetu.

As paisagens de uma feira livre estão intimamente relacionadas aos frequentadores deste espaço/ tempo, elas tem a capacidade de agregar diferentes lógicas de organização e funcionamento que extrapolam as razões econômicas, colocando-as como fatores secundários, um lugar onde as práticas colaborativas são vivenciadas por necessidade e o intercâmbio cultural ocorre a cada encontro.
O Projeto "Feira livre; -performa-te cidade:  investigação performática, diálogos e outros sabores", coordenado pelo artista Pedro Olaia com a colaboração de Romário Alves, um projeto que se propõe a habitar o corpo-cidade, pensar e experienciar as feiras livres como extensão do corpo e produção de identidade.
São três feiras experimentadas como  espaços criativos abertos, lugares de produção de subjetividades, que serão experimentados criativamente pela interação dos propositores com outros três diferentes grupos artisticos, que são: Casa dos Bonecos, o Reator e o Instituto Nangetu. Para cada feira, o grupo envolvido abre o espaco cultural que representa para a construção de um laboratório multimidiático (open lab).
A vivencia criativa na feira da Ceasa com os artistas do Instituto Nangetu, é uma extensão das atividades que o grupo já desenvolve naquela área, os membros da comunidade já tem  um conjunto de trabalhos artísticos que coloca em questão o consumo irresponsável, os cuidados necessários para oferendas religiosas e o acumulo de lixo urbano na mata da CEASA.
Para além da área da mata, Mametu Nangetu quer experimentar, também, o espaço da feira que é a maior da cidade e o lugar de onde se distribui uma parte significativa dos alimentos da população. Para ela é importante relacionar esse espaço de convivência e trocas, cuja imagem também está relacionada á fartura do alimento, com o Nkise Mavambo, a divindade que, entre os povos bantu, transporta as oferendas que alimentam as tradições afro-amazônicas.

O Projeto Feira livre; -performa-te cidade:  investigação performática, diálogos e outros sabores, é premiado pelo Edital de Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação Artística da Fundação Cultural do Pará.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Mametu Nangetu participou da XIII Mesa Redonda do Caboclo Camarada Amigo Meu, em Salvador.

Mametu Nangetu esteve no Espaço Cultural da Barroquinha em Salvador/Bahia   no dia 22 de julho de 2015, para párticipar da XIII Mesa Redonda do Caboclo Camarada Amigo Meu, com o tema: Pátria Amada Brasil.
O evento anual é uma realização da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu - ACBANTU  para celebrar a memória dos ancestrais e das pessoas que na atualidade continuam a luta de resistência do nosso povo.

Na ocasião, Mametu recebeu a homenagem Prof. Ubiratan Castro, pelo reconhecimento de sua atuação, dedicação e compromisso com os Povos Indígenas e de Terreiro.
Além de Mametu Nangetu, foram homenageados: a quilombola Maria Bernadete Pacífico, a Makota Célinha Gonçalves Souza, o Ojé Balbino Daniel de Paula e o Taata kwa Nkisi Eurico Alcântara.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Conversas de mestre, com Nego Banjo.


No domingo 5 e julho vai ter um relato de memória e da hitória das tradições de matriz africana em Belém do Pará pela ótica e experiência de Nego Banjo.
Colaboração de R$10,00 com dirreito á feijoada.
Local: ILÊ ASÉ OMOLU SADÈ - Rodovia Augusto Montenegro, km 23, Pass. Vidal, 15, Icoaraci, Belém/Pa.
Mais informações 91- 999817859 ou 982818442 - Nego Banjo.

A memória da experiência negra em terreiros de matriz africana e a sua relação com a produção artística é a motivação das “Conversas de mestre, histórias cantadas de Nego Banjo”, que, mais do que um relato de vida, podemos dizer que é um ritual de ensinamentos e troca de experiências de vida de um Alagbê nascido em Santo Amaro da Purificação que migrou para Belém nos anos de 1980, e aqui construiu uma rede de músicos que dão continuidade aos rituais de terreiros em Belém, Macapá, Ananindeua, Santarém e em várias outras cidades amazônidas.

Cada história é contada para nos colocar no contexto de criação de suas músicas, músicas que relatam Ivonilo dos Santos, o Nego Banjo, e recontam sua história de vida como uma mitologia ancestral. Cantos de contos de um universo que nos transportam para um passado épico de heroísmo em cruéis lutas por sobrevivência na extrema pobreza, passando por estórias de viagens fantásticas em mundos aparentemente estranhos, até aqueles que nos remetem ao aconchego familiar do aprendizado com mestres e mestras de tradições de matriz africana em sua infância.

Apoio: - Instituto Nangetu - Projeto Azuelar do Instituto Nangetu - REATA - Rede Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana - rede [aparelho]-:  - Projetos de extensão da UFPA: Ngomba d’Aruanda: apoio às ações de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia Livre do Instituto Nangetu; e Produção do Programa ‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas visuais em combate ao racismo - Eu vou navegar na Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi). (Coordenação Prof. Arthur Leandro) - UFPA-PROEX

domingo, 21 de junho de 2015

Magia de Jinsaba, distribuição de mudas.

Foi em maio que Mametu Nangetu entregou uma muda de ginja (pitanga) para o Ilê Iyaba Omi, de Mãe Nalva de Oxum e Mãe Simone de Oyá. A proposta do projeto ambiental também prevê a troca de mudas de plantas de uso ritual, medicinal e aromáticas entre terreiros e comunidades de matriz africana.

Projeto A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual (início em 2008) . Objetivos: Criar ambiente para manter o cultivo de plantas medicinais e de uso liturgico no quintal do Mansu Nangetu; Incentivar cultivo de plantas medicinais e de uso litúrgico afro-religioso em pequenas áreas de quintais e em hortas comunitárias da zona metropolitana de Belém; Contribuir com a preservação de matas e de igarapés urbanos.



segunda-feira, 9 de março de 2015

REATA - Pará - Circuito Cultura Viva em debate.

REATA - Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana: Pará - Circuito Cultura Viva em debate.:

O Circuito Cultura Viva esteve em Belém do Pará no domingo 8 de março para uma Roda de Conversas da Secretária da Cidadania e da Diversidade do Ministério da Cultura (SCDC/MinC), Ivana Bentes, com os movimentos culturais da Amazônia. A Política Nacional de Cultura Viva (PNCV) e os novos instrumentos de sua regulamentação foram o foco do debate de mais de 2 horas na sede do Ministério da Cultura da Região Norte.
  
Ao apresentar a nova gestão da SCDC e o planejamento de 2015, a secretária falou do novo sistema de cadastro de pontos que potencializará a articulação em rede dos Pontos de Cultura e ainda anunciou a autodeclaração.

"A partir do início de abril qualquer produtor cultural poderá se cadastrar como Ponto de Cultura. Será um reconhecimento simbólico do Ministério da Cultura que facilitará a busca pelas diversas formas de sustentabilidade para as ações dos Pontos. O novo sistema de cadastro também será um amplo mapeamento que possibilitará novos olhares para dar vida aos novos arranjos culturais", afirmou Ivana.

"Nossa gestão dará muita visibilidade para as articulações em rede e a proposta é que esse seja o embrião de um novo movimento social das culturas que fará com que a cultura esteja no centro do debate político no Brasil", disse.

A grande dificuldade com as prestações de contas faz com que muitos dos Pontos ainda estejam em situação irregular e impossibilitados de continuar a receber recursos do Estado. A SCDC abordou o tema e anunciou os novos mecanismos de simplificação da prestação de contas previstos na Instrução Normativa que regulamentará a PNCV.

Ao finalizar sua passagem pelo estado, a secretária reforçou a importância da participação social na construção, avaliação e gestão das políticas públicas do Estado e a disposição da SCDC em agregar a sociedade civil em seus processos. "É fundamental que os Pontos, as redes, e demais trabalhadores culturais sejam cogestores das nossas políticas. O Estado precisa se qualificar com a inteligência do movimento cultural", afirma Ivana.
Custo Amazônico

Uma das maiores urgências apontadas pelos Pontos de Cultura do norte do país também foi apresentada durante a roda de conversa. A revindicação dos movimentos da região é para que sejam levados em conta os diferentes valores para uma produção nos estados do norte, tendo em vista a sua posição geográfica e as dificuldades de acesso.


Lideranças de diversos segmentos culturais reivindicam o repasse diferenciado do que é oferecido hoje em editais e prêmios para os projetos localizados no Eixo Rio - São Paulo. Ivana Bentes reforçou a pauta e a importância de sua discussão, bem como a criação de políticas públicas que trabalhem a territorialização e a descentralização de recursos.

Mametu Nangetu participou do debate e falou em nome das culturas tradicionais de matrizes africanas e das culturas afro-brasileiras, disse da necessidade de editais específicos para as culturas de matriz africana e ressaltou a necessidade de políticas públicas que financiem reforma e conservação de terreiros e outros espaços mantidos por comunidades tradicionais. Criticou a política cultural do estado do Pará e do Município de Belém, ressaltando a inexistências de investimentos para as culturas populares e tradicionais, relembrou a atuação de Valmir Bispo na extinta Fundação Curro Velho e lamentou que a gestão atual não demonstre interesse pelas culturas afro-amazônicas.

domingo, 23 de novembro de 2014

Nós queremos o Grupo de Trabalho “Comunicações para o Desenvolvimento, a Inclusão e a Democracia” no Ministério das Comunicações..

Apesar de marcos legais, como o Decreto 6040/07, o Estatuto da Igualdade Racial, as metas aprovadas nas Conferências de Igualdade Racial, Cultura e Comunicação e tratados internacionais, como o de Durban, tratarem do tema da participação negra e indígenas na mídia, as organizações desse segmento da comunicação ainda são invisíveis para órgãos como o Ministério das Comunicações.

A luta pela participação negra na comunicação é histórica, e desde a imprensa negra no século 19 até os dias de hoje, dezenas de veículos se dedicam diariamente a cobrirem a cultura e história dos povo afro-brasileiro, porém nunca tiveram uma política pública de investimento e fomento.
O Brasil precisa de um novo marco regulatório para as comunicações, que respeite os Direitos Humanos ecombata o racismo na mídia e na sociedade o cumprimento do capítulo VI do Estatuto da Igualdade Racial – Dos Meios de Comunicação – e conforme preconizado em acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Cultural, Conferência de Durban, Agenda 21 da Cultura, possibilitando ações afirmativas para que mulheres, negras(os) e indígenas possam produzir e gerenciar veículos de comunicação, sejam eles comunitários ou de grande porte.
O que precisamos é de editais regulares para produção e distribuição de conteúdos produzidos por povos e comunidades tradicionais de terreiros, indígenas e quilombolas e de fomento à comunicação livre, comunitária e popular em parceria com a sociedade civil.

Para a III Conferência Nacional de Cultura, aprovamos metas nas nossas conferências livres com redação que direcionam para o estímulo ao “...protagonismo dos de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, Povos Indígenas, de comunidades quilombolas, de comunidades ribeirinhas e de comunidades extrativistas para a criação de conteúdos audiovisuais (filmes e programas de televisão e rádio), assim como criar política de incentivo à criação e fortalecimento de rádios e TVs comunitárias para povos tradicionais promoverem a divulgação e valorização das culturas tradicionais de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, Povos Indígenas, de comunidades quilombolas, de comunidades ribeirinhas e de comunidades extrativistas”.

É urgente a promoção da diversidade étnico-racial e das garantias de direitos à comunicação de povos tradicionais negros. e essa diretriz deve ser, portanto, essencial na elaboração de qualquer política pública de comunicação no Brasil.

Por esse motivo a comunidade do Mansu Nangetu, que desenvolve ações de mídia livre através do Projeto Azuelar, declara seu total apoio à solicitação da SEPPIR-PR ao Ministério das Comunicações, de criação implantação e funcionamento de Grupo de Trabalho “Comunicações para o Desenvolvimento, a Inclusão e a Democracia”, cujo objetivo é aperfeiçoar as políticas, ações e projetos comunicação voltados à comunidades tradicionais de matriz africana.