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domingo, 24 de julho de 2016

Marche com as mulheres negras.

Em Belém a marcha é organizada pelo CEDENPA e pela Rede de Mulheres Negras, inicia as 16h da segunda-feira, 25 de julho, saindo da escadinha em direção à Praça da República.

A data é um marco internacional da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe.


Ilustração Isabela do Lago, Arte Sinara Assunção.

Para Mametu Nangetu, este é mais um dia de luta por cidadania de mulheres negras, mulheres de terreiros de matriz africana, mulheres quilombolas. Por isso convocamos toda a sociedade para marchar junto com as mulheres negras e reafirmar a necessidade de políticas públicas de igualdade racial, políticas públicas de igualdade de gênero e de direitos humanos no Brasil.






O Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, é mais do que uma data comemorativa; é um marco internacional da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe. Foi instituído, em 1992, no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, para dar visibilidade e reconhecimento a presença e a luta das mulheres negras nesse continente.
O objetivo da comemoração de 25 de julho é ampliar e fortalecer às organizações de mulheres negras, construir estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais. É um dia para ampliar parcerias, dar visibilidade à luta, às ações, promoção, valorização e debate sobre a identidade da mulher negra brasileira.
No Brasil, a Lei nº 12.987/2014, sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, institui o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma líder quilombola, viveu durante o século 18. Com a morte do companheiro, Tereza se tornou a rainha do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho e a população (79 negros e 30 índios), morta ou aprisionada. Assim como Tereza, outras mulheres foram e são importantes para a nossa história. Com trabalhos impecáveis e perseverança, elas deixaram um legado, que cabe a nós reverenciarmos e visibilizarmos a emancipação das mulheres negras, como forma de homenagear; Antonieta de Barros, Aqualtune, Theodosina Rosário Ribeiro, Benedita da Silva, Jurema Batista, Leci Brandão, Chiquinha Gonzaga, Ruth de Souza, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Maria Filipa, Maria Conceição Nazaré (Mãe Menininha de Gantois), Luiza Mahin, Lélia Gonzalez, Dandara, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Mãe Stella de Oxóssi, entre tantas outras

Fontes: Geledes CEERT Blogueiras Negras


a

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Nota de pesar, Ministra Luiza Helena Bairros.



O Instituto Nangetu lamenta profundamente a morte de Luiza Helena de Bairros, (ex)ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que faleceu em Porto Alegre nesta terça-feira (12 de julho de 2016) em virtude de um câncer de pulmão.









Ela foi ministra do governo de Dilma Rousseff entre os anos de 2011 e 2014, e durante sua passagem pelo governo federal, foi que a SEPPIR-PR construiu o I Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Povos Tradicionais de Matriz Africana, primeiro documento oficial com diretrizes de políticas públicas voltadas ao povo tradicional de matriz africana e suas comunidades.


Também foi a sua gestão a responsável pela criação do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), cujo objetivo é implementar políticas públicas voltadas a proporcionar à população negra igualdade de oportunidades e instâncias de combate à discriminação e à intolerância. A principal forma de atuação do Sinapir, conforme defendia Luiza Bairros, é a articulação das políticas públicas nacionais com municípios e governo estaduais, através da criação de órgãos regionais para a promoção da igualdade racial.

Luiza Helena Bairros é um exemplo de luta para todos nós, uma mulher a ser lembrada e reconhecida pela sua participação e liderança nas organizações e nas lutas sociais, e também a ser lembrada e reconhecida pela gestão de ministério em que demonstrou capacidade de articulação, até com setores mais conservadores do governo, para a implantação de politicas públicas de promoção de igualdade racial.

Que Nzambi lhe receba e lhe guarde, Luiza, e de nós, tenha certeza que faremos valer a memória da sua/nossa luta.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Movimento Negro avaliou a III CONEPPIR-PA.


Na manhã da sexta-feira, dia 6 de setembro, as organizações do Movimento Negro se reuniram no Mansu Nangetu, com a coordenação da CEPIR/ SEJUDH para avaliar a III Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Pará e criar estratégias para implantar as políticas de igualdade racial no estado.

Para as lideranças das organizações sociais, a conferencia foi excelente, pois consideraram as dificuldades que a comissão organizadora teve de enfrentar para a sua realização, como a morosidade da máquina administrativa estatal, e chegaram a conclusão de que tanto a organização, quanto os resultados da conferencia, foi um sucesso.
Estratégias para encaminhamentos de propostas também foram debatidos, e a coordenadora da CEPIR/ SEJUDH, Byany Sanches, aproveitou a ocasião para informar sobre os encaminhamentos para a covocação e escolha dos membros do Conselho Estadual de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, e disse que pela sua programação o conselho estará empssado ainda este ano.

domingo, 25 de agosto de 2013

III CONEPPIR-PA - estratégias para a luta por cidadania dos Povos Tradicionais de Matriz Africana.


Nos dias 28 e 29 de agosto, quarta e quinta-feiras próximas, no Parque dos Igarapés, em Belém, o estado do Pará realiza a III Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CONEPPIR), momento em que a sociedade e os governos tem a responsabilidade de avaliar tudo o que já foi feito e o que ainda é preciso fazer para um alcançarmos um “Brasil afirmativo”.
O que mais ouvimos nos últimos anos é a frase “Políticas tem, é preciso aplicá-las!”, e neste momento, a responsabilidade que se apresenta para um diálogo entre gestão e sociedade, é a construção de estratégias conjuntas para 'desembolar o meio de campo' para que, enfim, possamos virar o jogo das desigualdades étnicas e raciais.


Brasil: 10 anos de promoção de igualdade em 5 séculos de exclusão.
Este ano de 2013 a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), completa 10 anos de existência, a criação da secretaria (com status de ministério) para a promoção de políticas públicas de igualdade racial só pode se tornar real no início do primeiro ano de governo Lula. Mas num país cuja sociedade pratica os mais pérfidos mecanismos de exclusão motivado por ódio (ou talvez mesmo por desprezo) racial, se é que naquele momento de euforia, em 2003, existiam crédulos que a criação de um ministério iria de uma hora para outra mudar as relações raciais no seio da sociedade e, como num passe de mágica, garantir de imediato a cidadania da população de origem africana na diáspora brasileira, hoje, dez anos depois, todos podem perceber que ainda há muitos decênios futuros de intervenção na sociedade (e na política do país) para que essas intenções se concretizem e tornem o Brasil, de fato, um país afirmativo onde se vivencie as diferenças em condições de respeito e igualdade de oportunidades e de direitos.
Ao contrário do que pode-se concluir numa leitura apressada, a criação da SEPPIR, que é fruto de pelo menos quatro décadas de luta do movimento social negro, é sim um grande avanço. E mesmo que as políticas públicas propostas pela secretaria enfrentem dificuldades de chegar até a outra ponta, ou seja, que afetem as condições de vida da população negra brasileira, por outro lado a própria existência do órgão é um enfrentamento explícito à ideologia difundida pela elite eurocentrica que até então governava o país, de que não existia racismo e que o Brasil seria um exemplo de democracia racial.
Essa mudança é importante! E é importante porque quando a estrutura de governo reconheceu a existência do racismo, também promoveu o debate sobre as desigualdades sociais por motivação baseadas em preconceito étnico e racial e fez com que essas questões fossem debatidas no Congresso Nacional, por exemplo, quando da aprovação da LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010, também conhecida como o Estatuto da Igualdade Racial; ou quando se instalou o debate sobre a LEI Nº 12.711, DE 29 DE AGOSTO DE 2012, que dispõe sobre cotas sociais que consideram o percentual da população negra de cada estado para o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. A verdade é que esses debates públicos contribuíram, e muito, para a população brasileira reconhecer a existência e construir opinião favorável à implantação de políticas de promoção da igualdade racial e combate ao racismo.
Apesar dos avanços que provocaram uma mudança na opinião pública brasileira, a reação vinda da força política dessa mesma elite que se contrapõe à implantação de políticas públicas específicas para a população negra, continua a embarreirar a aplicação dos marcos legais de igualdade racial no Brasil, e, com isso, a efetivação de políticas que provoquem mudanças capazes de ser percebidas pelo cidadão.
Um dos maiores entraves enfrentados no combate ao racismo encontramos no Poder Judiciário, e a justiça brasileira ainda se comporta de forma conservadora quando o caso é de racismo. Facil de comprovar essa afirmação é perceber que apesar de legalmente tratar-se de crime inafiançavel, as estatísticas de condenação por racismo revelam números inexpressivos, e isso acontece porque ao longo dos processos o sistema judiciário transforma as denuncias por crime de racismo em injuria, ou simplesmente absolve os réus por falta de provas.
Entretanto, o judiciário não é o único marco de resistência para a efetivação de ações de combate ao racismo, e na própria gestão do mesmo governo que criou a SEPPIR vemos uma silenciosa resistência em executar ações dessa natureza...
Na educação vamos encontrar um bom exemplo, de um lado temos a maioria dos professores a se esquivar da responsabilidade da abordagem de disciplinas valorizando a história e a cultura africana e afro-brasileira, e por outro, mesmo que o MEC tenha criado a SECAD em sua estrutura, esta secretaria não tem o controle sobre a presença do conteúdo no material didático produzido pelo ministério da educação e distribuído para as escolas públicas em todo o território nacional, e sem o empenho dos professores e nem a presença dos conteúdos nos livros didáticos, como vamos emplacar a Lei 10.639/03?
Esse “jogo de empurra” faz parte da face perversa do racismo à brasileira, é como um inimigo não identificado, mas que é poderoso e em silêncio institucionaliza o racismo e impede que as diretrizes da política afirmativa resulte em ações que possam vir a promover impactos de valorização positiva para a população negra.

O Pará se tornou a terra da violação de direitos.
Já temos quase 5 anos do ensolarado novembro de 2009 quando aconteceu o lançamento do Plano Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, mas até agora este plano parece uma daquelas leis criadas para não terem efeito.
Instituído pelo Decreto Nº 1.404, dentro dos termos da Lei 6.941/ 07, o plano estabeleceu políticas específicas para a população negra, foi desenhado depois de um amplo processo de discussão envolvendo onze secretarias e órgãos da administração estadual e cinco entidades do movimento negro que se debruçaram na sua elaboração por dois anos seguidos.
O Pará aprovou o plano, mas a apatia pública para fazer valer as leis de combate ao racismo e promoção da igualdade racial parece ser mais forte ainda quando circunscrita nas fronteiras do estado do Pará. Aqui talvez ainda nos falte um governante com a sensibilidade de Lula para criar instituições realmente capazes de articular políticas e ações para a diversidade racial, para a diversidade social, ou mesmo para a diversidade cultural. E é assim que a criação da Secretaria Estadual de Igualdade Racial/ SEIR-PA até então não passou de uma promessa pública do atual governador. A crítica vale também para a governadora que antecedeu a atual gestão, ela também chegou cogitar a criação de uma secretaria para o sistema PIR, para depois, silenciosamente, trocar a secretaria por coordenadorias em algumas secretarias e fazer a proposta da secretaria própria cair no esquecimento.
Também não é à toa que a atual gestão da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos/ SEJUDH passou quase um ano sem um coordenador de igualdade racial, como também não parece causar estranheza à ninguém que a Secretaria de Estado da Cultura/ SECULT, não tenha uma diretoria que fortaleça e promova as culturas afro-amazônicas e nem tampouco de diversidade cultural.
A avaliação é de que os governantes paraenses não demonstram nenhum interesse em promover a igualdade racial neste estado, não aplicam, por exemplo, o Programa Pará-quilombola, incluso no Plano Estadual de Igualdade Racial, e o resultado dessa postura racista (racista sim, por que não dizer?) dos políticos e governantes paraenses é o agravamento da grilagem de terras que o agro-negócio promove em busca de expansão para terras quilombolas, e com a grilagem vem o aumento da violência nas áreas rurais, como é o recente caso do assassinato do sr. Teodoro Lalor de Lima (que dá nome para esta conferência estadual), liderança que denunciava e liderava a resistência contra o fazendeiro Liberato de Castro e as suas intenções do avanço da monocultura do arroz no quilombo de Gurupá, às margens do rio de mesmo nome em Cachoeira do Arari, arquipélago do Marajó.
Mais invisível que as comunidades tradicionais quilombolas, estão os povos tradicionais de matriz africana do Pará - também conhecidos como povos de terreiro. Mesmo que no início de 2013 a SEPIR-PR tenha lançado o Plano Nacional de Sustentabilidade de Povos Tradicionais de Matriz Africana, e que exista verba ministerial para desenvolver políticas para povos de matriz africana na saúde, na cidadania e direitos humanos, na cultura, na educação, na habitação e em outras áreas, o governo do estado e as prefeituras não se habilitam como parceiros do governo federal para atender essa população, e sem políticas públicas eficazes, as comunidades que reúnem esses povos vêem o racismo religioso promover diariamente o aumento da violência simbólica sobre suas tradições. 
Sem nenhuma ação estatal de proteção e preservação das tradições afro-amazônicas, os povos de terreiro do Pará estão 'entregues à própria sorte', e a resistência contra os avanços dessa violência dependem unicamente da sua organização social. 

Segundo tempo....
Mais do que nunca, a maior urgência para a III CONEPPIR-PA, é forçar um diálogo real com o governo do Pará, mesmo sabendo que não há interesse da gestão, e cobrar a presença dos secretários de estado e sos seus coordenadores de PIR para que esta conferência não se torne um diálogo apenas entre movimentos sociais, e para que possamos comprometer os gestores em ações concretass para que os movimentos sociais e tradicionais negros possam ocupar os conselhos e fóruns em cada secretaria, e intervir diretamente na elaboração e realização de ações afirmativas. O que precisamos é participar efetivamente da gestão. 
Também é preciso criar o ambiente propício para ocupar os espaços da imprensa, assim como é necessário que os movimentos invistam na formação de lideranças para a criação e funcionamento de canais de comunicação comunitária. É preciso sair do conforto doméstico de nossas casas e ganhar o espaço público de intervenção política. 
Enfim, é preciso forçar o governo estadual e os prefeitos municipais ao diálogo com a negritude paraense, pois o diálogo é a condição necessária para encontrar mecanismos de fazer a bola rolar para ganhar esse jogo cujo objetivo é também um Pará afirmativo.

São Paulo/SP, 25 de agosto de 2013.

Táta Kinamboji (Arthur Leandro).
Kisikar'Ngomba ria Nzumbarandá/ Mansu Nangetu.
Conselheiro Nacional de Política Cultural/ MinC (representando as culturas afro-brasileiras)
Coordenador Estadual (PA) da ARATRAMA - Articulação Amazônica do Povo Tradicional de Matriz Africana.
Coordenador Estadual (PA) da RAN - Rede Amazônia Negra.

III CONEPPIR-PA começa na quarta e homenageia o líder quilombola Teodoro Lalor de Lima.

Conferência Estadual de Igualdade Racial: Teodoro Lalor de Lima

28 e 29 de agosto de 2013 no Complexo Ecológico Parque dos Igarapés,  Travessa WE 12 n.º 1000, Satélite - Belém/ Pará.


Programação


Primeiro dia: 28 de agosto, quarta-feria.
 
Manhã:
Acolhida
08:00 a 12:00 horas - Recepção e Credenciamento.
08:00 hsCelebração para a ancestralidade africana
09:00 hsMesa de Abertura: Representantes do governo, Casa Preta, CEPPIR, COPPIR, Cedenpa, Conselho Municipal de Negros e Negras de Belém, Diamante Negro, Grupo de Estudos Afroamazônico, Instituto Nagentu, Mocambo, Unegro.

10:00 hs. – Conferência de Abertura
Democracia e Desenvolvimento sem Racismo: por um Pará sem racismo.
Professora: Dr. Jorge Farias
11:00 hs – Leitura e Aprovação do Regulamento da Conferência
12:00 à 14:00 hs – Almoço
Tarde:
Acolhida
14:00 à 17:30 - Painéis temáticos
01- Estratégias para o desenvolvimento e o enfrentamento ao racismo;
Coordenador: Maria Luiza Nunes

02 – Políticas de igualdade racial no Brasil: avanços e desafios;
Coordenador: Domingos Conceição e Kátia Hadad

03 – Arranjos Institucionais para assegurar a sustentabilidade das políticas de igualdade racial: Sinapir, órgãos de promoção da igualdade racial, fórum de gestores, conselhos e ouvidorias;
Coordenador: Jorge Farias e Silvanir

04 - Participação política e controle social: igualdade raciais nos espaços de decisão e mecanismos de participação da sociedade civil no monitoramento das políticas de igualdade racial.
Coordenador: Mãe Nalva e Nazaré
05- Juventude negra
Coordenador: Don Perna e Edgar ( Mameto)

17:30 hs – Programação Cultural ( Casa Preta)



Segundo Dia: 29 de agosto, quinta-feira. 

Manhã:
Acolhida:
Saudação para a ancestralidade africana
08:00 à 12:00 – Continuação dos Painéis e relatoria
Intervalo
12:00 à 14:00 hs – almoço

Tarde:
Acolhida
14:00 às 16:00
Mesa-redonda1: Plano de Sustentabilidade de povos tradicionais de Matrizes Africanas
Palestrante: Mãe Nalva, Nangetu, Edson Catendé, Mameto Muagile ( Mãe Beth)
Mesa-redonda 2: Extermínio da Juventude Negra
Palestrante: Lamartine, Emanuel (AFAIA), Nazaré Cruz
16:00 à 17:00 - Plenária Final:
Eleição de delegados

18:00Programação Cultural
Apresentação: Performance da Duda Souza
Gigi Furtado


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Texto orientador de povos tradicionais de matriz africana para a III CONAPIR.

Produzido coletivamente, o texto foi lido por Makota Valdina na abertura da Plenária Nacional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, ocorrida neste mês de julho como etapa da III Conferência de Igualdade Racial

'Povos Tradicionais de Matriz Africana'. Este é o título do texto apresentado por Makota Valdina na abertura da Plenária Nacional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, ocorrida nos dias 4 e 5 deste mês de julho, em Brasília-DF, como etapa da III Conferência Nacional de Igualdade Racial (III CONAPIR). Produzido coletivamente, o texto aborda conceitos construídos a partir do diálogo permanente promovido desde 2011 pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), e que envolveram lideranças do segmento de todo país e de todas as matrizes.

A III CONAPIR será realizada de 5 a 7 de novembro, em Brasília-DF, com o tema 'Democracia e Desenvolvimento sem racismo: por um Brasil afirmativo'.

Makota Valdina, cujo nome tradicional é Makota Zimewaanga, é a conselheira 'mor' da Cidade de Salvador, convidada a avaliar e avalizar plataformas de governo, campanhas eleitorais e mandatos parlamentares, ou ONG's e eventos em defesa das tradições de origem africana e do Meio Ambiente. É também chamada a orientar grupos do Movimento Negro e a sistematizar propostas educacionais que dêem conta da diversidade cultural da cidade.




Povos Tradicionais de Matriz Africana

Buscando uma estratégia para o diálogo sobre as políticas públicas para o segmento da população negra conhecido no Brasil como "afro-religiosos", remetemos ao decreto 6040/2007, que estabelece a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais, cujas definições e objetivos respondem às pautas colocadas pelas lideranças dos chamados "terreiros".

O artigo 3º, inciso I, do referido Decreto define como Povos e Comunidades Tradicionais os "grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição".

Em todo o território tradicional, incluindo os chamados "terreiros" ou "roças", são vivenciados valores civilizatórios e tradições, incluindo a relação com o sagrado, mas não somente. Esse reducionismo das práticas tradicionais de matriz africana apenas a "religião", nega a real dimensão histórica e cultural dos territórios negros constituídos no Brasil, e, ainda nos coloca diante de uma armadilha, a do Estado Laico, que na prática ainda está longe de ser real, mas o É quando está em "risco" a hegemonia cultural eurocêntrica no país.

Ademais, concordamos plenamente que o Estado deve SER LAICO, para toda e qualquer manifestação religiosa, garantindo sua liberdade de existir, mas não promovendo - a. Entretanto, é dever do Estado promover e valorizar as diversas tradições que formam o país.

Assim sendo, no processo de elaboração do I Plano de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, no diálogo que mantivemos com o governo e outras lideranças de matriz africana, desde dezembro de 2011, algumas expressões e conceitos foram se materializando e estão presentes no documento. Seguem algumas:

Povos Tradicionais de Matriz Africana
- referindo ao conjunto dos povos africanos para cá transladados, e às suas diversas variações e denominações originárias dos processos históricos diferenciados em cada parte do país, na relação com o meio ambiente e com os povos locais;

Comunidades Tradicionais de Matriz Africana - Territórios ou Casas Tradicionais - constituídos pelos africanos e sua descendência no Brasil, no processo de insurgência e resistência ao escravismo e ao racismo, a partir da cosmovisão e ancestralidade africanas, e da relação desta com as populações locais e com o meio ambiente. Representam o contínuo civilizatório africano no Brasil, constituindo territórios próprios caracterizados pela vivência comunitária, pelo acolhimento e pela prestação de serviços à comunidade;

Autoridades Tradicionais de Matriz Africana - são os mais velhos, investidos da autoridade que a ancestralidade lhes confere;

Lideranças Tradicionais de Matriz Africana - demais lideranças constituídas dentro da hierarquia própria das casas tradicionais;

Intolerância Religiosa
- expressão que não dá conta do grau de violência que incide sobre os territórios e tradições de matriz africana. Esta violência constitui a face mais perversa do racismo, por ser a negação de qualquer valoração positiva às tradições africanas, daí serem demonizadas e / ou reduzidas em sua dimensão real. Tolerância não é o que queremos, exigimos sim respeito, dignidade e liberdade para SER e EXISTIR;

Expressões Culturais de Matriz Africana
- Trata-se das muitas manifestações culturais originárias das matrizes africanas trazidas para o Brasil: reizado, congada, moçambique, capoeira, maracatu, afoxé, blocos afro, dança afro, etc.

Plenária de Igualdade Racial da Região Metropolitana de Belém/PA.

Conferência Regional de Igualdade Racial
Belém-Pará
Local: auditório da IFPA, Av. Almirante Barroso, n° 1155. Marco – Belém – PA
Data: 26 de Agosto de 2013.
Programação
Manhã:
Acolhida
08:00 a 12:00 horas  - Recepção e Credenciamento.
08:00 hs – Celebração para a ancestralidade africana
09:00 hs – Mesa de Abertura: representantes do governo municipal, Acyomi, Casa Preta, Cedenpa, CEPPIR, Conselho Municipal de Negros e Negras de Belém, COPPIR (SEDUC),  NEAB/IFPA, Diamante Negro, Grupo de Estudos Afroamazônico, Instituto Nagentu, Mocambo, Malungo e  Unegro.

10:00 hs. – Conferência de Abertura
Democracia e Desenvolvimento: por uma Belém sem racismo.
Professor: Raimundo Jorge Nascimento de Jesus

11:00 hs – Leitura e Aprovação do Regulamento da Conferência
12:00 à 14:00 hs – Almoço

Tarde:
Acolhida
14:00 à 17:30 hs – Painéis Temáticos
Eixo1: Estratégias para o desenvolvimento e Enfrentamento ao Racismo em Belém
Coordenadora: Maria Luiza Nunes
Eixo 2:  Políticas de Igualdade Racial em Belém: Avanços, entraves e retrocessos.
Coordenador: Domingos Conceição
17:30 – Plenária Final
Eleição de Delegados para a Estadual
Encerramento com programação cultural:
18:00 hs – Programação Cultural ( Casa Preta)


quarta-feira, 22 de maio de 2013

SEJUDH-PA recebeu lideranças tradicionais e sociais do Movimento Negro.

A audiência aconteceu na manhã desta terça-feira, 21 de maio, e contou com lideranças de comunidades tradicionais de quilombos, de povos tradicionais de matrizes africanas e movimento social negro. A pauta continha três pontos: 1) Conselho Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial; 2) Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial; e 3) Implantação das ações dos Programas e Planos propostos pelo governo federal no Estado do Pará e seus Municípios.

O secretário José Acreano Brasil Junior se comprometeu em acolher um GT composto pelas organizações sociais e tradicionais do Movimento Negro que estavam presentes na reunião, com o objetivo de conduzir  a eleição do Conselho Estadual e também a organização da Conferência. Para que tudo aconteça de acordo com as diretrizes do movimento social e tenha a maior participação possível, a CEPIR vai compor uma equipe de trabalho qualificada para o trato com as comunidades tradicionais e com o movimento negro, e para isso pediu para as organizações que identificassem funcionários públicos estaduais capacitados para a função e que estejam dispostos a trabalhar na CEPIR da SEJUDH, para que se envie a lista de pessoal qualificado para o secretário mais rápido possível.
Sobre a aplicação de políticas públicas de promoção da igualdade racial, a SEJUDH pediu um prazo de 30 dias, período em que vai organizar encontros do GT com outras secretarias e institutos que tem coordenações de igualdade racial para promover uma ação conjunta das instituições estaduais, e nesse mesmo período vai apresentar um relatório mais detalhado das ações que o Estado do Pará vem desenvolvendo.
Também ficou acertado que o secretário retomará a negociação com a ASIPAG para a conclusão do projeto do GEAM/UFPA em parceria com a Comissão de Igualdade étnica e Racial da OAB-PA, de legalização de 100 terreiros como templos afro-religiosos, e disse que se ainda houvesse algum entrave com a ASIPAG, que a própria SEJUDH faria imediatamente a regularização de 10 desses terreiros.
O Instituto Nangetu esteve presente na reunião.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ministra Luiza Bairros e Secretário José Acreano Brasil Jr. receberam lideranças do Movimento Negro.

Ministra Luiza Bairros e o Secretário de Justiça e Direitos Humanos do Pará, José Acreano Brasil Jr, receberam em audiência as lideranças do Movimento Negro do Pará.
Além da Ministra Luiza Bairros e do Secretário de Estado de Direitos Humanos, José Acreano Brasil Junior, também esteve presente a presidente do  Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará – IDESP , Adelina Braglia.
A audiência aconteceu no encerramento do seminário de diálogo entre a SEPPIR, os gestores municipais e estaduais  do sistema PIR (Promoção da Igualdade Racial) para a região norte e lideranças das organizações sociais e tradicionais do Moviemnto Negro.

Domingos Conceição, do Movimento Mocambo, apresentou a pauta prioritária que foi elaborada a partir da Assembléia Geral das organizações do Movimento Negro paraense, assembléia que aconteceu no sábado dia 11 de maio no auditório da EEEFM Cordeiro de Farias. A pauta trazia a urgência da questão fundiária,  a necessidade de um escritório regional da SEPPIR na Amazônia, a aplicação dos planos de igualdade racial nos estados da região norte (o Brasil Quilombola, o de Sustentabilidade de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, Programa Juventude Viva, entre outros), o funcionamento do sistema PIR na Amazônia e a terceira conferência de igualdade racial.
A partir dessa pauta, a ministra, o secretário e a presidente do IDESP fizeram suas considerações e apresentaram as ações que cada um em sua instância vem desenvolvendo como aplicaçnao de políticas de igualdade racial. Luiza Bairros explicou que o Governo Federal, através da SEPPIR, elabora e apresenta as planos e programas de políticas públicas, mas que quem executa essas ações são estados e municípios, e que só com o pacto federativo é que se poderia ver efetivada cada uma das ações.
O Secretário Acreano Brasil Junior apresentou as ações da SEJUDH e aproveitou o momento para anunciar a nova coordenadora da Coordenadoria de Promoção de Igualdade Racial - CEPIR/SEJUDH, sra. Byany Sanches, enquando Adelina Baglia avaliou as ações do IDESP para a promoção dos diretos dos quilombolas.
 O primeiro bloco a falar pela sociedade foi composto por Táta Kinamboji, do Instituto Nangetu, pelo Negro Lamar, do Coletivo Casa Preta, e por Carlos Galiza, da Malungo. Também falaram Mãe Nalva de Oxum pela ACIYOMI, Maria Luisa Nunes pelo IMUNE/ CEDENPA, Professor Vanderley pela UNEGRO e outras lideranças que se fizeram presentes na reunião.
Foi cansenso parabenizar a ministra e sua equipe, em nome da coordenadora da SECOMT, professora Silvany Euclênio, pelo esforço na construção de políticas públicas com a participação e acompanhamento da sociedade civil, mas cada um dos representantes da sociedade acrescentou que era pessimista quando tentava prever a aplicação dessas ações nos 7 estados da região norte e nos 9 estados amazônicos.
Táta Kinamboji disse que em reunião com lideranças de outros estados pode perceber que em nenhum deles existe uma secretaria de estado que promova a igualdade racial e nem tampouco funciona um conselho estadual de igualdade raciail, e que para ele era dificil acreditar que em estados onde os governantes sequer se esforçavam para implantar as instâncias do sistema PIR, fosse possível a aplicação do pacto federativo para ações dessa natureza.

Kinamboji também perguntou se a SEJUDH esperar 5 meses para escolher uma nova coordenadora de sua CEPIR não poderia se configurar como racismo institucional, e a mesma configuração para o IDESP que também se concentrava apenas em estudos socio-econômicos para comunidades tradicionais quilombolas e mantinha as comunidades tradicionais de matrizes africanas na invisibilidade. Acrescentou que achava ótima a escolha da militante Byany Sanches para coordenar a CEPIR na SEJUDH, mas disse que para que a coordenação tivesse êxito era necessário que hovesse uma equipe que lhe desse apoio no trato com cada um dos segmentos sociais atendidos, e que precisaria de estrutura física e de pessoal para atender: 1) Povos Tradicionais de Matrizes Africanas; 2) Comunidades Tradicionais Quilombolas; 3) Movimento Social Negro Urbano, e terminou provocando o secretário ao perguntar se junto com a nova corrdenadora viria a estrutura para desenvolver o trabalho.
As lideranças sociais também lembraram que o estado do Pará e 5 de seus municípios, incluindo 3 da zona metropolitana, estavam no topo das estatístcas de violência e de genocídio da juventude negra, e com isso cobraram dos gestores que articulem com o gevernador e prefeitos de municipios do estado do Pará que assinassem o protocolo do Programa Juvetude Viva.
A audiência terminou com o agendamento de reunião das lideranças sociais com o secretaário José Acreano Brasil Junior para a terça-feira, 21 de maio, as 11h, no Gabinete do Secretário, para encaminhar ações que atendam as aputas sociais.






Fotos de Táta Kinamboji e Ode Oromi/ Projeto Azuelar - Ponto de Mídia Livre.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Assembléia Geral de Organizações Tradicionais e do Movimento Social Negros.



Local: Auditório da EEEFM Marechal Cordeiro de Farias - Av Almirante Barroso, 3109, Marco, Belém.
Data: 11 de maio de 2013 (sábado), 9h.

Pauta:
  1. Quadro conjuntural e histórico das Organizações do Movimento Social e de Povos e Comunidades Tradicionais Negros;
  2. Debate e encaminhamentos para a aplicação do Sistema Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial:
  • Plano Nacional de Sustentavilidade de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas;
  • Programa Nacional Juventude Viva;
  • Pará Quilomnola;
  • Plano Nacional de Saúde da população Negra'
  • Implantação da Lei 10.639/03;
  • Conselho Estadual de Políticas de Promoção de Igualdade Racial.
  1. Criação de um escritório regional da SEPPIR na Amazônia Negra
  2. Encaminhamentos: Manifesto de ações e compromissos; audiência com a Ministra Luisa Bairros; reunião com gestores e lideranças sociais da região norte

Lista de organizações – Instituto Nangetu; Movimento Afro Descendente do Pará MOCAMBO; FEUCABEP; KONSENZALA; INTECAB-PA; Rundembo Ngunzo ti Bamburucema; Quilombo de Sucurijuquara; Instituto Mirico Cota; GMB, CEDENPA, IMUNE, ACIYOMI, Rede Paraense de Quilombos, Associação de Remanescentes do Quilombo de São Benedito, Coordenação da Rede Amazônia Negra no Estado do Pará.

terça-feira, 19 de março de 2013

Parabéns Brasil, 10 anos de SEPPIR.

Lembramos alguns momentos da história recente que mostra a nossa participação na construção de políticas públicas para a população negra e para os Povos Tradicionais de Matrizes Africanas na diáspora brasileira.

Mãe Márcia Dória de Oxum, Mametu Nangetu e a Ministra Luiza Bairros, durante o lançamento do Plano Nacional de Sustentabilidade de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, em janeiro de 2013,

Táta Kinamboji em roda de diálogo da SEPPIR com os Povos Tradicionais de Matrizes Africanas - construção do Plano Nacional de Sustentabilidade de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas em Ceilândia/DF, novembro de 2012.


Ministra Luiza Bairros e Silvani Euclênio em roda de conversas com lideranças de Povos Tradicionais e organizações do Movimento Negro do estado do Pará, em agosto de 2012.
Lideranças de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas da zona metropolitana de Belém com a Ministra Luiza Bairros e a Coordenadora de Povos e Comunidades Tradicionais Silvani Euclenio durante o lançamento do livro do Mapeamento dos Terreiros de Belém em agosto de 2012.









Em 21 de março de cada ano, a ONU relembra o triste episódio de 1960, quando dezenas de manifestantes pacíficos foram mortos a tiros pela polícia no município sul-africano de Sharpeville, quando eles protestavam contra o apartheid. Fonte: ONU.
Em memória aos militantes negros que morreram lutando, essa data foi instituída pela ONU. Essa data, como outras lembradas pelo Movimento Negro não é mais uma data festiva, muito pelo contrário: com a instituição dessa data, temos no calendário um dia garantido, com a atenção voltada às lutas dos povos negros contra a opressão e a discriminação racial.
No mesmo dia, em 2003, o Governo Lula inicava uma nova era na luta por igualdade racial no Brasil. A criação da SEPPIR é um marco na institucionalização das políticas de promoção da igualdade racial. O Brasil foi o primeiro país a criar um órgão com status de ministério para tratar especificamente do combate ao racismo e da superação das desigualdades raciais. Essa conquista é resultado de décadas de luta de organismos e entidades negras por ações efetivas do Estado

Postagem coletiva em comemoração aos dez anos de criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR e pelo Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação

ESSE POST FAZ PARTE DA BLOGAGEM COLETIVA PELO DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL, UMA INICIATIVA BLOGUEIRAS NEGRAS.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A luta pela liberdade religiosa no estado do Pará tem nome, e o nome dessa luta por liberdade é “Mãe Doca”!

O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra/PT) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos/ PSoL) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como “Mãe Doca”

A homenagem é uma celebração à memória da luta de Nochê Navanakoly, que era maranhense de Codó e filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo. Seu Vodun era Nanã e Toi Jotin. Foi Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense. 

Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades africanas e preservava as tradições de matriz afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter aberto o terreiro que dava lugar para a manutenção das tradições de sua origem negra africana.

A consciência negra foi o que motivou Mãe Doca a enfrentar os desmandos da polícia e o poder constituído em alicerces racistas e discriminatórios. E pelo reconhecimento do valor da luta de Mãe Doca por cidadania e o direto humano de consciência religiosa, é que as lideranças de povos tradicionais de matrizes africanas, lideranças que hoje continuam como herdeiros da mesma resistência que desde o final do século XIX se mantém na luta que enfrenta o racismo que demoniza as tradições afro-amazônicas, e por reconhecer a importância de manter viva  a memória de nossas lutas cotidianas, é que Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência das religiões de matriz africana no Pará, e é em sua homenagem que celebramos o dia 18 de março como o dia da Umabanda e das religiões Afro-brasileiras.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

SEPPIR promoveu Oficina de Formação Sobre o Sistema de Convênios.

Dias 28 e 29 de janeiro de 2013 aconteceu a oficina de formação sobre o sistema de convêios do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o SINCOV.   A  oficina foi promovida pela SEPPIR  nas dependências do Centro de Eventos e Treinamento da Confederação Nacional de Trabalhadores do Comércio/ CET-CNTC.
A SOLAR ministrou a formação e o fez em duas etapas, a primeira foi de elaboração, gestão e acompanhamento de projetos, e nessa fase o instrutor da apresentou a estrutura para elaboração de projetos, explicando o significado de cada um dos ítens e explicando como funciona a avaliação das propostas. Em seguida os participantes se dividiram em grupo e apresentaram um esboço de proposta a partir de um contexto social pré-definido.

A segunda etapa da formação foi um tutorial para cadastramento de projetos no SINCOV, e a instrutora apresentou slides com fac-simile das telas com as etapas de cadastramento on-line, explicando passo-a-passo como devemos proceder em cada um desses passos de cadastramento.

Táta Kinamboji e Mãe Nalva d'Oxum, que participaram da oficina, consideraram o processo de cadastramento no SINCOV muito complicado. Kinamboji comentou que o sistema poderia ser pensado para ser acessível, disse que a complexidade do sistema é o primeiro passo para a exclusão. A solução proposta por eles foi um acordo de reunir as organizações dos Povos Tradicionais de Matrizes Africanas da zona metropolitana de Belém em uma "força tarefa" para unir todos os membros de comunidades de terreiros capacitados para enfrentar o sistema, e tentar vencer a burocracia de cadastramento em projetos conjuntos que envolvam várias comunidades nas atividades propostas.


Serviço:
O SINCOV oferece um tutorial online, para conhecer clique aqui
A oficina foi ministrada por profissionais da SOLAR Consultoria.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Rádio-janela Azuelar na abertura do "Puta novembro"

Notícia extraída do Diário do Pará

Pelo dia de combate à violência contra a mulher


Pelo dia de combate à violência contra a mulher (Foto: Divulgação)
Programação aberta e plural prevê atelier de stencil e colagens, além de lançamento nacional de filme (Foto: Divulgação)


A luta por direitos e igualdade de raça e de gênero precisa, sim, ser diária. Mas algumas datas reforçam o apelo de grupos historicamente excluídos. Sob essa perspectiva, a Associação de Prostitutas do Estado (Gempac), junto com outros organismos parceiros, preparou uma programação plural, crítica e sensível para lembrar o Dia da Consciência Negra, celebrado ontem, e o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher, comemorado no próximo dia 25.

A proximidade das datas uniu grupos em Belém em uma iniciativa que junta reflexão política com expressões artísticas. É o ‘Puta Novembro - Consciência, sem Violência’, que começou a agitar o bairro da Campina ontem e que vai se estender até dia 30 deste mês, com uma festa de encerramento para lembrar os tempos áureos da boemia de Belém. Todas as atividades são abertas ao público e têm como principal objetivo a construção colaborativa de novas formas de expressão e debate.

A programação do ‘Puta Novembro’ iniciou ontem com uma apresentação do duo de rap Cronistas da Rua e a abertura da oficina de capoeira de angola, com o mestre Bira Marajó. No dia alusivo à Consciência Negra também rolou a participação especial do projeto de ‘rádio janela’ do Instituo Nangetu, que tem como foco o debate sobre afro-religião. “Mas quem perdeu o começo da programação, pode ficar tranquilo. Tem muito mais coisa vindo por aí até o fim do mês”, garante Leila Barreto, coordenadora do projeto.

Hoje também, logo no início do dia, o dançarino e ator Ícaro Gaya dá continuidade aos encontros corporais que já são marca das programações propostas no espaço do Gempac. As “Manhãs do Corpo”, vão acontecer nestas duas semanas, sempre às 10h, nas segundas e quartas. A ideia é trabalhar de forma lúdica o corpo, pensando na estrutura humana como ferramenta de comunicação. “Vamos trazer para a corporalidade a discussão sobre espaço e tempo, de forma bem natural. É só botar uma roupa mais leve e chegar”, diz Ícaro.
Reflexão sobre o corpo

O Cine Gempac está prestes a comemorar um ano de atuação. O cineclube surgiu de um projeto de extensão da pró-reitoria da UFPA e realiza sessões periódicas no espaço da entidade. Dentro da programação do Puta Novembro, haverá o lançamento nacional do filme “O céu sobre os ombros”, de Sérgio Borges.

Em seguida, uma reunião aberta para produtores culturais e entusiastas do assunto pretende aguçar discussões sobre uma campanha de revitalização do bairro da Campina como reduto boêmio e intelectual. “A proposta é reunir ideias e soluções criativas para recriar o espaço, respeitando os atores principais desta cena, que são as pessoas que vivem deste lugar”, adverte Leila Barreto. Deste bate papo deve sair o fio condutor da programação especial de encerramento do Puta Novembro.


Espaço do debate e da crítica

Já no dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher (25), ativistas parceiras farão uma atividade aberta, na praça da República, a partir das 10h. Para estimular o debate sobre violência contra mulher, mulheres e homens se unem em uma atividade de colagens, debates e rodas de conversa sobre a violação da condição feminina. “A ideia é promover nesse dia, espaços para discutir sobre nossa construção social e sobre as violências contra mulheres, negras, brancas, índias, de qualquer preferência sexual, putas, loucas, transexuais. Aqui desse espaço, fora dele, mulheres do rio ou do asfalto e homens - os que quiserem chegar junto e se se proponham a trocar”, é assim que se compreende a atividade, segundo o texto produzido em conjunto pelas mulheres do movimento Ocupa Belém, que propuseram a ação.

FESTA

O projeto ‘Campina Boêmia’ propõe o retorno cultural a um dos bairros mais tradicionais da cidade, berço de artistas e grandes intelectuais. O objetivo principal do encontro é reunir produção de pensadores, moradores, agitadores, para um mergulho produtivo na discussão sobre o ostracismo a que o espaço foi relegado, levando em consideração os atores que compõe o cenário cultural local. “Música, dança, intervenções, mostras artísticas e sociais, microfone aberto, performances que contam e recontam a Campina Boêmia”, diz Leila. A programação será na sexta, a partir das 14h, com atividades relacionadas, como a montagem de um mural de imagens de moradores da Campina. Às 18h, começa a festa.

domingo, 2 de setembro de 2012

Lideranças de terreiros participam da construção do programa de governo da "Frente Belém nas mãos do povo".

lideranças de terreiros de Belém apresentaram pautas e pediram políticas públicas visando a liberdade de culto e a cidadania para povos de terreiro.
Mametu Nangetu, Mãe Vanda de Ogum Rompe Mata, Mãe Nazaré Inez de Oxum, e muitas outras lideranças de terreiros de Belém, estiveram presente no Colóquio “Belém e os desafios da metrópole rumo aos seus 400 anos: A construção do futuro no presente com protagonismo popular”, que aconteceu no sábado dia 1 de sentembro no Hotel Regente, bairro de Nazaré.
As pautas das comunidades de terreiro foram apresentadas aos candidatos da frente e discutidas com a comissão que coordena a formulação do plano de governo, foram falas com ênfase para a necessidade do Município de Belém promover campanhas publicitárias de combate à intolerância religiosa, ações de legalização de terreiros e reconhecimetno dos terreiros como templos afro-religiosos para isenção do IPTU.
Outro assunto recorrente nos anseios dos afro-religiosos para a cidade de Belém foi o direito ao culto em espaços públicos e a proteção e preservação dos conhecimentos tradicionais.
Mãe Nazaré Inez, da Seara de Umbanda de Mamãe Oxum, falando ao candidato Edmilson Rodrigues, 



Edmilson Rodrigues e Jorge Panzera com lideranças de terreiros, durante o colóquio no Hotel Regente.



A proposta das lideranças de terreiro é de levar a mesma pauta para todos os candidatos à prefeitura de Belém.