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domingo, 10 de abril de 2016

Nkosi Bike - Performance de Carlos Vera Cruz.




Performance de Carlos Vera Cruz para o Projeto Nós de Aruanda, Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.




Luna kubanga kuta kueto Nkosi (Nkosi, aquele que briga por nós.)

Nkosi é um nkisi da nação de candomblé Angola. Divindade Bantu de origem Kongo, que no Brasil é comparado ao orixá Ogum dos Nagô Yorubá. Talvez por ser o senhor da guerra e do ferro; aquele que briga por nós, seguidores desta nação de candomblé. É o leão sagrado, o guerreiro da justiça, o comedor de alma dos ímpios e injustos.
Já que a Antropofagia tem suas bases no ritual antropofágico dos povos Tupinambás do Brasil colônia, o qual tinha o tema da vingança como principal força motriz. Foi nesta perspectiva, a da vingança, que propus a performance de intervenção urbana NKOSI’S BIKE, realizada na cidade de Belém do Pará. Uma cidade construída a partir da exploração de mão de obra escrava de origem Bantu . As mãos Bantus, como tecnologia, construíram a Amazônia colonial. E Nkosi, por ser o senhor do ferro, também é o nkisi da tecnologia.
NKOS’S BIKE é uma performance negra de intervenção urbana, que a partir da ideia Antropofágica de Oswald de Andrade e seus desdobramentos, propôs relações entre as populações de dois bairros de periferia de Belém (Cremação e Guamá), com a cultura Bantu presente na Amazônia. Foi a minha vingança Bantu; como a vingança dos Tupinambá, performada no ritual antropofágico. O Senhor da Guerra, montado em seu cavalo de aço, devorando qual leão da savana os inimigos, e se fortalecendo no cotidiano periférico da selva-urbe equatoriana.
O nosso guerreiro maior, comendo as referências assimiladas, e saindo em batalha por visibilidade e reconhecimento de uma Amazônia Negra, obscurecida pelo mito da predominância indígena na região. Buscando, na devoração do outro pelas abordagens, encontrar a si próprio, na esperança da aceitação identitária.

Carlos Vera Cruz
Artista, Performer e membro do Mansu Nangetu.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Arte afro-amazônica presente no projeto Feira Livre.

Pedro Olaia e Romário Alves em roda de conversa com Mametu Nangetu.

As paisagens de uma feira livre estão intimamente relacionadas aos frequentadores deste espaço/ tempo, elas tem a capacidade de agregar diferentes lógicas de organização e funcionamento que extrapolam as razões econômicas, colocando-as como fatores secundários, um lugar onde as práticas colaborativas são vivenciadas por necessidade e o intercâmbio cultural ocorre a cada encontro.
O Projeto "Feira livre; -performa-te cidade:  investigação performática, diálogos e outros sabores", coordenado pelo artista Pedro Olaia com a colaboração de Romário Alves, um projeto que se propõe a habitar o corpo-cidade, pensar e experienciar as feiras livres como extensão do corpo e produção de identidade.
São três feiras experimentadas como  espaços criativos abertos, lugares de produção de subjetividades, que serão experimentados criativamente pela interação dos propositores com outros três diferentes grupos artisticos, que são: Casa dos Bonecos, o Reator e o Instituto Nangetu. Para cada feira, o grupo envolvido abre o espaco cultural que representa para a construção de um laboratório multimidiático (open lab).
A vivencia criativa na feira da Ceasa com os artistas do Instituto Nangetu, é uma extensão das atividades que o grupo já desenvolve naquela área, os membros da comunidade já tem  um conjunto de trabalhos artísticos que coloca em questão o consumo irresponsável, os cuidados necessários para oferendas religiosas e o acumulo de lixo urbano na mata da CEASA.
Para além da área da mata, Mametu Nangetu quer experimentar, também, o espaço da feira que é a maior da cidade e o lugar de onde se distribui uma parte significativa dos alimentos da população. Para ela é importante relacionar esse espaço de convivência e trocas, cuja imagem também está relacionada á fartura do alimento, com o Nkise Mavambo, a divindade que, entre os povos bantu, transporta as oferendas que alimentam as tradições afro-amazônicas.

O Projeto Feira livre; -performa-te cidade:  investigação performática, diálogos e outros sabores, é premiado pelo Edital de Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação Artística da Fundação Cultural do Pará.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Poéticas de terreiro na programação cultural do COPENE na UFPA.

Laço Afro, com Carlos Vera Cruz, Rodrigo Ethnos e Tom Salazar.



Como parte da programação do palco principal do Centro de Convenções Benedito Nunes, na sexta-feira, 1° de agosto, foi apresentado o espetáculo "Laço Afro", um espetáculo musical que apresenta canções que traduzem a alma do povo negro, da gente preta, em suas experiências, prazeres, memórias e tradições. Misturando-as a textos sobre cultura afro-brasileira de grandes autores, como Jorge Amado, Cruz e Souza, e o paraense Vicente Salles. Além de performances para ilustrar toda a beleza de cores e corpos da cultura negra e nos revelar que laço é esse que une a todos nós. Elenco: Carlos Vera Cruz (Mansu Nangetu) – textos, vocais e performances; Tom Salazar – violão e arranjos musicais; Rodrigo Ethnos (Táta Kafungeji do Rundembo Ngunzo ti Bamburucema) – percussões e efeitos sonoros.
Pretinhos, minha família, esculturas de Mametu Nangetu.

Enquanto isso Mametu Nangetu e Isabela do Lago também apresentaram seus trabalhos de artes visuais durante os dias do congresso, foi na exposição "Áfricas e diásporas", uma coletiva com artistas negros organizada pelas Profas. Marilu Campelo e Zélia Amador, do Grupo de Estudos Afro-Amazônico/ GEAM (NEAB) - UFPA, nas dependências do IFCH da UFPA, Mametu Nangetu apresentou a série de esculturas "Pretinhos, a minha família", construídas com massa de papel sobre barro, cabaças e cuias, e Isabela apresentou a série "A dona da porteira", sequencia de pinturas sobre portas com imagens auto-referenciadas e caracterizadas entidades femininas do culto a Exu.
A dona da porteira, pinturas de Isabela do Lago.


O VIII COPENE - Congresso Nacional de Pesquisadores Negros, é um evento bienal criado em 2000 após a constatação de que o racismo na Universidade se manifesta de forma insidiosa, muitas vezes fugidia, mas com resultados bem concretos: a perda de possibilidade de crescimento e desenvolvimento pessoal e coletivo. O Congresso tem a intenção de apresentar e discutir os processos de produção e difusão de conhecimentos intrinsecamente ligados às lutas históricas empreendidas pelas populações negras nas Diásporas Africanas, emanadas nos espaços de religiosidades, nos quilombos, nos movimentos negros organizados, na imprensa, nas artes e na literatura, nas escolas e universidades, nas organizações não-governamentais, nas empresas e nas diversas esferas estatais, que resistem, reivindicam e propõem alternativas políticas e sociais que atendam às necessidades das populações negras, visando a constituição material dos direitos e aconteceu de 29 de julho a 2 de agosto de 2014 na UFPA, Campus do Guamá em Belém/PA.