Experimentação poética de Samantha Silva, Projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016
domingo, 10 de abril de 2016
Morada dos encantados. Experimentação poética de Samantha Silva.
Experimentação poética de Samantha Silva, Projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016
Fluxo de benção. Ação poética de Tainah Jorge.
Ação poética de Tainah Jorge para o projeto Nós de Aruanda, Belém: Galeria Theodoro Braga, abril de 2016.
De forma intuitiva, nasceu "Fluxo de Benção", uma proposta de intervenção urbana com o intuito de falar por stencils pixados em postes na região central de Belém, de amor e benção dentro de um padrão de línguas e linguagens dos povos tradicionais de matriz africana.
A partir de um grupo de mensagens instantâneas que foi
criado para dividir informações sobre outro projeto ( trilha “Afro Amazônicos e
seus símbolos” do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi), emanou-se então uma
comunicação diária de informações sobre o movimento social de povos tradicionais
de matriz africana. Em meio a este fluxo informacional, as Mães e Pais de Santo
envolvidos nessa micro comunidade, com amor e respeito mútuo entre suas
diversas nações, trocam bênçãos e mensagens de força e amor em suas línguas e
linguagens específicas de cada nação, gerando um curso, como uma corrente
diária de orações constantes, recorrente entre essas pessoas. Já que faz-se
necessário no momento contemporâneo a deliberação da pauta social latente das
questões de identidade e suas relações de interculturalidade para formação de
respeito mútuo e para a construção de uma cultura democrática de paz, a
proposição decide transpor o curso informacional restrito a comunidade virtual,
para as ruas da cidade.
O pixo é uma arte invisibilizada que surge e está presente
na urbanidade. Sua comunicação é restrita aos seus grupos. É subjulgada e
polemizada, assim como muitas ações de outras culturas, como a própria matriz
africana. Portanto, unem-se expressões marginalizadas para falar de amor. Um
amor que deve ser compreendido para ser respeitado, aceito e valorizado, como
parte da construção sociocultural do que é ser amazonido, do que é ser
brasileiro.
Assim, foram espalhadas frases por ruas movimentadas de
Belém e de Ananindeua, expressando desejos de saúde, justiça e caminhos de
sucesso pra todos que passarem e se identificarem com a obra. Com a intenção de
continuidade desse fluxo, pretende-se agora estender o convite aos pedestres
que apoiam a construção de respeito, paz e amor entre diferentes povos para
fotografar os pixos e compartilhar em suas redes sociais, usando as hashtags do
projeto. Ao final, será exposto na
Galeria Theodoro Braga, dentro do coletivo "Nós de Aruanda", um
painel com todas essas fotos, comprovando a vontade de quem participou dessa
construção de reverência a essa cultura pacifista.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Nós de Aruanda 2016 no Jornal da TV Cultura do Pará
Matéria exibida no Jornal da Cultura, Belém: TV Cultura do Pará, 8 de abril de 2016, 18:30,
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Museu Goeldi inaugura “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos”
Projeto educativo vai mostrar a estudantes do ensino médio as relações entre culturas afro religiosas e espécies de plantas do acervo do Parque Zoobotânico. Saiba como participar
Agência Museu Goeldi – As árvores contam histórias, partes do nosso próprio passado que por vezes desconhecemos. O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) inaugura em abril a “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos”, um roteiro ecológico pelo Parque Zoobotânico que contempla a cultura afro amazônica e suas relações com a natureza.
Todo o processo foi transformado em vídeos didáticos que serão disponibilizados para escolas da rede básica de ensino como ferramenta pedagógica. O material é recomendado para ser assistido por estudantes em sala de aula antes de uma visita ao Parque Zoobotânico.
A “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos” faz parte do projeto de pesquisa da bolsista de Educação Tainah Jorge. Ela explica que a meta desse projeto é estimular o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, de acordo com a Lei Federal 10.369.
A lei, promulgada em 2003, se refere à inclusão no currículo escolar do estudo da História da África e dos Africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra brasileira e do negro na formação da sociedade nacional. “A realização desse roteiro possibilita o acesso ao conteúdo afro brasileiro, criando um espaço de informação, educação e conscientização. Uma ferramenta de necessidade pública”, afirma.
Como participar – A primeira fase da “Trilha Afro Amazônicos e seus Símbolos” é o minicurso de formação sobre o projeto para professores de nível médio (1º a 3º ano) do ensino básico. Nele serão explicados os fundamento e os saberes ancestrais, bem como as plantas que fazem parte da trilha. O minicurso acontece no próximo dia 13 de abril (quarta-feira) de 9h às 11h30 e 14 de abril (quinta-feira), de 9h às 11h30 e de 14h às 16h30.
Os docentes interessados em participar do projeto devem se inscrever até esta sexta-feira (9) no Núcleo de Visitas Orientadas (NUVOP), localizado no Parque Zoobotânico (Av. Magalhães Barata, 376, bairro São Braz). Serão 30 vagas para professores no total. Para mais informações, ligue para o telefone (91) 3182-3249.
Texto: João Cunha, originalmente publicado no site do Museu Goeldi.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Manifesto público e reivindicações de Povos e Comunidades Tradicionais de Belém face ao projeto de Reforma do Ver-O-Peso
Manifesto público e reivindicações de Povos e Comunidades
Tradicionais de Belém face ao projeto de Reforma do Ver-O-Peso
![]() |
| Autoridades e lideranças de povos tradicionais de matriz africana, defendem o direito ao Ver-o-Peso. |
No 12 de janeiro
de 2016, no ato comemorativo dos 400 anos da cidade
Belém, foi anunciada pelo Prefeito
Zenaldo Coutinho e o governador do Pará, Simão Jatene a reforma e revitalização
do complexo do Ver-o-Peso. Nesse Autoridades dos povos tradicionais de matriz
africana tentaram apresentar ao Prefeito uma série de propostas de políticas
públicas de combate ao racismo religioso elaboradas pelo movimento “Atitude
Afro”. Esse propósito foi impedido quando nossa manifestação foi recebida com
um corredor polonês de evangélicos e o lançamento de spray de pimenta sobre os
manifestantes os povos tradicionais de matriz africana. Posteriormente, a Associação dos Filhos de Amigos do Ilê Iya
Omi Ase o Fa Kare (AFAIA), o Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará
(CEDENPA), o Instituto Nangetu e a
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), protocolaram no
Ministério Público do Estado do Pará (MPE), uma representação contra a
Prefeitura de Belém, em função das atitudes De racismo religioso, amparado pelo
estado que configura o genocídio de um povo. Violência contra um grupo étnico
com aparato do estado ou mesmo racismo institucional, ocorridas naquele
data.
Da mesma
forma que naquele evento chamamos
atenção para a necessidade de Políticas Públicas contra o racismo
religioso, também temos o propósito de
nós manifestar sobre o projeto de reforma e revitalização do Ver-O-Peso,
que concerne diretamente aos povos e comunidades tradicionais de Belém, entre
eles povos de matriz africana, quilombolas, benzedeiras, comerciantes de ervas
e animais. No entanto, apontamos dificuldades de conversar com a
gestão municipal sobre esse projeto e procuramos por todos os meios de dialogar
com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artistico Nacional - IPHAN.
Nossos
argumentos neste Manifesto apoiam-se
nos marcos legais que nos garantem
escuta diferenciada quando em intervenções em espaços que se reproduzem as
nossas tradições. Somos Povos Tradicionais,
regidos pela Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho, o Decreto 6040
de 2007 e os artigos 215 e
216 da Constituição Federal de 1988.
O artigo 215 consagra o princípio da diversidade cultural,
ao garantir o pleno exercício de direitos culturais e o apoio e difusão das manifestações
culturais populares, indígenas e afro-brasileiras, impondo ao Estado brasileiro
a observância desses direitos, assim
deve promover a valorização da diversidade étnica e regional, a democratização de acesso aos bens culurais,
à defesa e valorização do patrimônio cultural,
que constituem ações fundamentais para o desenvolvimento cultural do
país. O artigo 216, seção II – Da Cultura, estabelece o
patrimônio cultural brasileiro composto por bens de natureza material e
imaterial, individuais e coletivos, protadores de referencia à identidade, à
ação e à memória dos distintos grupos que formam a sociedade brasileira,
estando representadas em 5 categorias, a saber: I – as formas de expressão; II
– os modos de criar, fazer e viver; III
– as criações científicas, artisticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos,
documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações
artistico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico,
paisagistico, artistico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
O Decreto
6040 de 7 de fevereiro de 2007 define no
artigo 3º I - Povos e Comunidades
Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais,
que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam
territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural,
social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e
práticas gerados e transmitidos pela tradição;
A
Convenção 169 da OIT estabelece no artigo 4º: 1. “Deverão ser adotadas as medidas especiais
necessárias para salvaguardar as pessoas, as instituições, os bens, o trabalho,
a cultura e o meio ambiente desses povos.
2. Essas medidas especiais não
deverão ser contrarias aos desejos livremente expressos por esses povos. 3. De maneira alguma deverá ser prejudicado
por essas medidas especiais o gozo, sem discriminação, dos direitos gerais da
cidadania”.
A
Convenção 169 da OIT destaca a consulta e a participação
dos povos interessados e o direito desses povos de definir suas próprias
prioridades de desenvolvimento na medida em que afetem suas vidas, crenças,
instituições, valores espirituais e a própria terra que ocupam ou utilizam. Conforme o artigo 6º os governos deverão: A)
consultar esses povos, mediante procedimentos apropriados, principalmente por
meio de suas instituições representativas,
toda vez que se considerem medidas legislativas ou administrativas
suscetíveis de afetá-los diretamente.
B) estabelecer os meios pelos
quais esses povos possam participar livremente, pelo menos na mesma proporção
que os demais segmentos da população
e em todos os níveis, na adoção
de decisões em instituições eletivas e órgãos administrativos e de outra
natureza, responsáveis por políticas e
programas que lhes digam respeito. C)
criar os meios para o pleno desenvolvimento das instituições e inciativas
desses povos e, nos devidos casos, proporcionar os necessários recursos para
este fim. D) as consultas realizadas na aplicação
desta Convenção deverão ser fietas de boa fé e de acordo com as circunstâncias,
com o objetivo de se chegar a um acordo ou obter o consentimento sobre as
medidas propostas”
Nós,
autoridades tradicionais de matriz africanas buscamos o dialogo que permita o
reconhecimento e respeito de direitos étnicos e culturais. Nesse interregno de
dois meses, provocamos duas
reuniões com os técnicos do IPHAN. Essas reuniões ocorreram: em 27 de fevereiro
quando fomos ao auditorio do IPHAN com objetivo de conhecer o projeto
arquitetonico. Em 1º de março, quando
participamos de uma conversa no próprio Ver-o-Peso com técnica do IPHAN e nós
povos Tradicionais de matriz africana mostrando in loco os lugares para a preservação
da nossa tradição e de comércio de ervas, animais e outros produtos necessários
para a manutenção das tradições de matriz africana no Pará. Nesse dialogo temos solicitado para que o
Iphan intermedeie o diálogo com a Prefeitura de Belém, sobre a revitalização da
feira, sem a eliminação da venda de animais vivos, ou bicho em pé, e de locais
necessários para a preservação das tradições de matriz africana na pedra do
Peixe do Ver-o-Peso, na orla da feira e na escadinha do Cais do Porto.
Na visita que
fizemos na feira, nos foi informado que o IPHAN e o Ministério Público
Estadual MPE iriam colocar o projeto em
consulta pública na internet e que nós poderíamos intervir na proposta pela
internet. Na oportunidades, nós fizemos
uma contra proposta de reunião presencial com povos tradicionais de territórios
tradicionais negros. Para isso argumentamos que a preservação desse comércio
influencia na economia de dois polos de territórios tradicionais negros, os
quilombos - que produzem os alimentos vegetais e animais; e os terreiros, que
consomem esses produtos e com eles reproduzem as tradições alimentares de
origem africana.
No dia 16 de
março ocorreu a reunião no prédio do Ministério de Educação e Cultura (MINc) em
Belém, convocado pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no qual participaram 26
representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater
a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do
Ver-o-Peso. Os comerciantes de animais
vivos inseridos no debate reclamaram de sua atividade não ter sido considerada
no plano de reforma da Prefeitura Municipal de Belém (PMB) enfatizando o caráter tradicional e o fato de
ter sido considerados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de
reforma. A compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e
reprodução das práticas tradicionais de matriz africana.
No dia 31 de
março próximo encerra o prazo do que está sendo apresentado como “consulta pública” sobre a proposta de intervenção (projeto
básico) para a Feira do Ver-o-Peso, integrante do Conjunto Arquitetônico,
Urbanístico e Paisagístico tombado pelo Iphan em 2012 (Portaria MinC nº (Lei nº
12.527/2011), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ante os fatos exposto e a iminencia dessa data, nós povos e
comunidades tradicionais de Belém reivindicamos:
1. Que o
Projeto Básico seja revisto inserindo o espaço para comercialização de animais
vivos, ervas e plantas. Essa revisão deve estar contemplada nos projetos
para a Feira do Açaí, Solar da Beira e Pedra do Peixe em atenção a se tratar de práticas de povos tradicionais.
2. Que
seja obedecido pelo IPHAN e Prefeitura de Belém o que estabelece a
Convenção 169 da OIT no seu artigo
6º acima transcrito no relativo à consulta aos povos
tradicionais. Esse procedimento deve corresponder a uma consulta livre, previa
e informada. O que difere da consulta
publica por intenet e ainda a anunciada
pelo IPHAN de realização de uma Audiência Pública para apresentação do projeto.
3. Que consoante a essas reivindicação anterior
seja revisto o prazo para esta etapa e a
imediata definida pelo IPHAN.
4. Que o
Ministério Público Federal – MPF focalize e insista junto ao IPHAN no tocante
aos dispositivos juridicos que dizem respeitos aos povos e comunidades
tradicionais do Pará. Até o presente nos parece não terem sido reconhecidos no
Projeto básico. Ainda que essa instancia
reitere o caráter das consultas públicas aos povos tradicionais.
domingo, 27 de março de 2016
Manifesto contra o racismo religioso.
![]() |
| Em 20 de março as autoridades de comunidades de terreiro foram às ruas de Belém pelo respeito ao sagrado de matriz africana, em ato organizado pelo INTECAB-PA e organizações parceiras. |
Consideramos muito grave a violência que se acentua por ódio
religioso contra as tradições de matriz africana no Brasil, seus lugares de
culto, seus símbolos e suas autoridades. Destruição de imagens do sagrado das
tradições de matriz africana, se somam aos ataques de depredação a templos
religiosos (ou aos territórios de preservação de tradições de matriz africana) em
toas as regiões brasileiras e se somam também os assassinatos de autoridades e
lideranças de casas, terreiros e roças tradicionais de matriz africana, e esses
casos são relegados a planos inferiores nas estatísticas dos órgãos de
segurança pública nos 26 estados e no DF.
É notório que o racismo manifesto no etnocentrismo da
sociedade brasileira incide contra práticas tradicionais afro-brasileiras, e
estas enfrentam a mais absoluta indiferença social. O problema sofre de notória
invisibilidade.
Podemos afirmar que persiste na sociedade brasileira a
associação nefasta entre a mídia e as instituições de justiça e segurança
pública a perpetuar o espectro racista de associação da herança africana com o
contexto do mal, e a legitimar o desrespeito às leis e à constituição da
República Federativa do Brasil e promover a violência contra a população negra
e aos terreiros e suas lideranças.
O que os Terreiros vivem hoje é o medo constante de se tornarem
vítimas da violência sem limites promovida por cultos de seitas cristãs que, ao
invés de levarem mensagens de paz e conforto aos seus fiéis, promovem o ódio
religioso cultivado em alicerces racistas por causa da origem negra africana de
nossa religião.
Os ataques racistas se perpetuam principalmente por parte de
adeptos de religiões pentecostais e neopentecostais (Igreja Universal do Reino
e Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Assembleia de Deus, entre
outras. A repressão é percebida pelas lideranças dos povos tradicionais de
matriz africana.
A luta pelo direito ao sagrado africano vem de muito tempo,
o agravante atual é que esses grupos de seitas cristãs que atacam as tradições
afro-brasileiras, possuem mandatos de cargos eletivos no executivo e
legislativo e concessão pública de canais de comunicação televisiva e
radiofônica, e que o ataque é massificado em redes de comunicação e em
discursos nas casas legislativas. As causas do racismo em forma de intolerância
religiosa estão intimamente ligadas ao aumento dos poderes midiáticos dos
praticantes de cultos pentecostais e neopentecostais - poderes que constroem um
império de comunicação utilizado para promover o poder político com caráter de
fundamentalismo cristão.
E essa situação, somada à ambiguidade das políticas educacionais
- cujo mesmo racismo institucional emperra a implantação de ações afirmativas
como o disposto na Lei 10.639/03 -, são considerados os principais fatores da
promoção da violência física, psicológica e social contra os povos tradicionais
de matrizes africanas.
Mais uma vez, lançamos um alerta para a violência contra as
tradições afro-brasileiras em nossos dias, principalmente como consequência do estereótipo
do mal repassado em campanha midiática e política contra os povos tradicionais
de matrizes africanas. Violência que incide sobre nossas casas, nossos símbolos
e até mesmo sobre nossos corpos, e repudiamos essa violência ao mesmo tempo que
exigimos que o Estado adote políticas de reparação. É preciso dar uma resposta
urgente da gestão pública nas três esferas, e essa resposta só será sentida
pelo nosso povo se for feita com ações e políticas públicas que tenham efeito
imediato e possam reprimir os malfeitores que atacam nossas lideranças, nossos
símbolos, nossos templos e nossa fé...
Belém, 21 de março de 2016 - Dia Internacional de Combate à
Discriminação Racial.
Mametu Nangetu
Presidente do Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e
Desenvolvimento social
Alguns casos de violência, e acreditamos que se as vitimas
fossem templos ou sacerdotes da fé cristã o Estado já teria dado respostas:
18/03/08 O terreiro Oyá Onipó Neto, localizado há mais de 29
anos na Avenida Jorge Amado, em Salvador, foi parcialmente demolido em 27 de
fevereiro, o que provocou polêmica e uma série de manifestações contra a
intolerância religiosa. A responsável por autorizar a demolição, Kátia Carmelo,
foi exonerada do cargo de chefia da Superintendência de Controle do Uso do Solo
do Município (Sucom) e o prédio está sendo reconstruído. http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL353993-5598,00-DEMOLICAO+DE+TERREIRO+PROVOCA+POLEMICA+EM+SALVADOR.html
06/10/2010 - A mãe de santo, a "Ialorixá" Maria
Ferreira de Jesus, 66 anos, também conhecida como "Mãe Dinha", foi
assassinada com vários tiros de pistola calibre 380, nesta terça-feira (5), em
Santa Bárbara. http://www.interiordabahia.com.br/p_policia/11243.html
08/11/2010 - Mãe de Santo manifestada é jogada no
formigueiro por policiais http://www.alagoas24horas.com.br/620460/mae-de-santo-manifestada-e-jogada-no-formigueiro-por-policiais/
07/10/2011 - A mãe de santo Analice de Freitas Sacramento,
de 58 anos, foi assassinada com vários golpes de facão, na noite da última
quarta-feira http://www.bahiapolitica.com.br/mae-de-santo-e-assassinada-a-golpes-de-facao/
13/7/2012 - Sete terreiros de umbanda e um centro
doutrinário espiritualista foram invadidos e saqueados por populares em São
Domingos, no Brejo da Madre de Deus e em Santa Cruz do Capibaribe nessa
quinta-feira http://maranauta.blogspot.com.br/2012/07/populacao-do-agreste-destroi-terreiros.html
15-07-2012 em Olinda. Centenas de evangélicos com faixas e
gritando palavras de ordem realizaram protesto em frente a um terreiro de
matriz africana e afro-brasileira – candomblé, umbanda e jurema. As imagens
poderiam ser de um filme sobre a Idade Média. No entanto, foram registradas no
domingo, no Varadouro, em Olinda, Grande Recife. As cenas de intolerância
religiosa circularam ontem nas redes sociais e provocaram a revolta de milhares
de internautas. http://gravatahoje.blogspot.com.br/2012/07/versao-pernambucana-da-noite-de-sao.html
20/07/2012 - Polícia Civil localiza suspeitos da morte de
Mãe de Santo Patrícia de Oyá em Rio Pardo http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2012/07/20/policia-civil-localizam-suspeitos-da-morte-de-pai-de-santo-em-rio-pardo/?topo=52,1,1,,171,e171
26/8/2012 - O Vale do Amanhecer, centro de doutrina
espiritualista Cristã, também foi alvo da ira da população. Um funcionário do
templo, Emanuel Jonas da Silva, chegou a ser agredido pelos populares e prestou
depoimento à polícia. O centro só não foi incendiado porque policiais militares
conseguiram impedir a ação dos manifestantes. O grupo ainda conseguiu saquear o
Templo e destruir objetos do local. Tronos, Mesa Evangélica e imagens. "As
pessoas estão invadindo os espaços aleatoriamente. Muitos não conhecem a
história das religiões e estão cometendo injustiças". Apontou o delegado
Antônio Dutra. http://amanheceremnoticias.blogspot.com.br/2012/08/os-principais-alvos-da-revolta-da.html
04/08/2013 - Além de
Yá Mukumby foram mortas mais três pessoas, entre as quais, sua mãe, Alial de
Oliveira Santos, 86 anos, e uma neta de 10 anos. O crime chocou Londrina, a
segunda cidade mais populosa do Paraná e a quarta da região sul. Além do pano
de fundo machista (o alvo do agressor era sua própria companheira, Patrícia
Amorim Dias, de 19 anos) o crime pode ter sido gerado pela intolerância
religiosa: de acordo com vizinhos, o assassino Diego Ramos Quirino, 30 anos,
era evangélico e dizia estar "com o diabo no corpo”. http://www.afropress.com/post.asp?tipo=fotos&id=15261
16/12/2013 “Picharam minha casa, jogaram pedras várias
vezes. Há cinco anos, cancelei sessões públicas e deixamos de tocar o atabaque
para preservar nossa crença”, conta. Nos aglomerados da capital, o fenômeno se
repete e os terreiros também se mantêm discretos. Apesar de presentes, já não é
tão fácil encontrá-los. http://www.otempo.com.br/preconceito-e-viol%C3%AAncia-fazem-terreiros-se-esconderem-em-bh-1.761460
07/03/2014 - Monumento em homenagem a 'Mãe Doca' é destruído
em Belém. http://www.ormnews.com.br/multimidia/video/40215
1/04/2014 - Polícia investiga incêndio e destruição de
imagens em terreiro de candomblé em Goiana. A polícia investiga a depredação e
incêndio ocorridos em um terreiro de candomblé na madrugada da segunda-feira,
dia 1º de abril, em Goiana, na Zona da Mata Norte pernambucana. O local de
culto à entidade Jurema teve suas dependências tomadas pelas chamas e várias
imagens sagradas foram quebradas. O responsável pelo terreiro é o babalorixá
conhecido como Pai Dedo. http://www.ablogpe.com/2014/04/policiainvestigaincendioedestruicao.html
01/08/2014 Terreiro de candomblé é incendiado pela oitava
vez em Duque de Caxias - http://boaforma.uol.com.br/videos/assistir.htm?video=terreiro-de-candomble-e-incendiado-pela-oitava-vez-04020D18326AD0895326
25/11/2014 - Mãe de Santo de 61 anos é morta dentro de casa
em Eunápolis, na BA http://g1.globo.com/bahia/noticia/2014/11/mae-de-santo-de-61-anos-e-morta-dentro-de-casa-em-eunapolis-na-ba.html
23/04/15 às 15h38 - Comerciante que estrangulou e matou mãe
de santo é presa em Euclides da Cunha (BA) http://varelanoticias.com.br/comerciante-que-estrangulou-e-matou-mae-de-santo-e-presa-em-euclides-da-cunha-ba/
20/05/2015 -Mãe de santo presta queixa por ofensa http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=266336
10/06/2015 - A morte de uma ialorixá nonagenária em
Camaçari, município industrial localizado a 40 quilômetros de Salvador, é
centro de comoção http://oglobo.globo.com/sociedade/religiao/parentes-de-ialorixa-morta-dizem-que-ela-teve-infarto-causado-por-perseguicao-religiosa-16396381#ixzz43bCShFhv
16/06/2015 A menina,
iniciada no Candomblé há quatro meses, seguia com parentes e irmãos de santo
para um centro espiritualista na Vila da Penha, quando foi atingida na cabeça
por uma pedra, atirada, segundo testemunhas, por um grupo de evangélicos. Ainda
segundo os relatos, momentos antes, eles xingaram os adeptos da religião de
matriz africana. “Eles gritaram: ‘Sai Satanás, queima! Vocês vão para o
inferno’. Mas nós não demos importância. Logo depois, o pedregulho atingiu
minha neta e, enquanto fomos socorrê-la, eles fugiram em um ônibus”, contou a
avó da menina, Kathia Coelho Maria Eduardo, de 53 anos, conhecida na religião
como Vó Kathi - http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-06-16/intolerancia-religiosa-leva-menina-a-ser-apedrejada-na-cabeca.html
27/06/2015 "Macumbeiro desgraçado! Povo do diabo!"
A relação com os vizinhos, que já não era boa, com o tempo só fez piorar –ponto
de as ofensas começarem a ser ouvidas na rua, diz Caio Marcelo Affonso, 42,
dirigente espiritual do terreiro de umbanda Pena Vermelha, na zona leste.
"Todos nós que vivemos o Orixá já passamos por algo constrangedor",
afirma o religioso, que demorou um ano e três meses para conseguir alugar um
local para o terreiro. "Quando falava para o que era, não alugavam em
lugar nenhum", conta. Nem só com
ofensas verbais, no entanto, a intolerância se manifesta por ali. Pedras e
pedaços de paus já foram atirados contra uma das áreas do terreiro, afirma. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1648608-terreiro-de-umbanda-em-sao-paulo-e-alvo-de-pedradas-e-xingamentos.shtml
15/07/2015 - Um terreiro que existe há 39 anos na cidade de
Juazeiro, norte da Bahia, sofre há cerca de três meses com ação de vândalos,
segundo conta a líder religiosa Adelaide Santos. O templo Ilê Abasy de Oiá
Guenã, no bairro Kidé, chegou a ser arrombado algumas vezes, e a casa onde ela mora com netos e filhos também foi
apedrejada. Por causa disso, a líder religiosa de 63 anos passou a dormir na
casa de vizinhos. http://www.portaldenoticias.net/terreiro-de-candomble-e-apedrejado-em-juazeiro/
12/08/2015 O babalorixá
Antônio Caldas contou que o terreiro, localizado no bairro Jardim
Borborema, foi atingido por pedradas durante a realização de um Fórum de
Diversidade Religiosa. De acordo com o líder religioso, este não foi o primeiro
ataque ocorrido no local. Antônio revelou que, em outros momentos, já chegaram
a jogar bombas, pedras e até coquetel molotov. http://www.maispb.com.br/117862/terreio-e-apedrejado-em-campina-grande.html
12/09/2015 Pouco mais de um mês após um ataque a um terreiro
de religião de matriz africana, pelo menos dois templos da mesma doutrina foram
incendiados na madrugada deste sábado (12/9) no Entorno do Distrito Federal. Um
caso ocorreu em Santo Antônio do Descoberto e o outro, em Águas Lindas, ambos
municípios goianos a aproximadamente 50 Km do DF. A ocorrência mais grave é a
de Santo Antônio do Descoberto. O terreiro ficou todo destruído pelo fogo. Uma
vizinha disse que viu os primeiros estalos, no telhado, por volta das 6h.
Outros vizinhos tentaram ajudar, mas não conseguiram apagar o fogo a tempo de
evitar a destruição do espaço onde adeptos do candomblé se reúnem. O mesmo
templo havia sofrido um ataque parecido em 5 de agosto. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/09/12/interna_cidadesdf,498369/dois-terreiros-de-religioes-afros-sao-incendiados-no-entorno-no-df.shtml
13/09/2015 - Pai de santo é morto a tiros dentro de casa na
BA; mulher presenciou crime. Segundo família, vítima foi atingida por diversos
disparos de arma de fogo. Homicídio ocorreu na noite de sábado (12), na cidade
de Simões Filho http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/09/pai-de-santo-e-morto-tiros-dentro-de-casa-na-ba-mulher-presenciou-crime.html?utm_source=twitter&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=share-bar
30/09/2015 - Segundo relatos, o pai de santo foi alvejado em
várias partes do corpo http://portalitaberabareporter.com.br/itaberaba/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-em-itaberaba/
05/10/2015 – Executado dentro da igreja. Vítima tentou se
esconder em templo evangélico, mas foi morto a tiros por bandidos encapuzados,
em Benevides. De acordo com informações repassadas pela polícia, Roberto era
pai de santo e ainda não se sabe o que motivou o homicídio, já que não há
indícios de envolvimento dele com a criminalidade. http://www.ormnews.com.br/noticia/executado-dentro-da-igreja e http://www.ormnews.com.br/noticia/umbandista-executado-a-tiros
16/10/2015 - Donizete Souza Braga, de 56 anos, foi executado
dentro de um centro de umbanda em Cotia (SP)
http://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-em-centro-de-umbanda-em-cotia-sp-16102015
27/10/2015 Os organizadores do terreiro disseram à polícia
que não é a primeira vez que o local é alvo de ataque. Segundo eles, durante os
cultos, que são realizados duas vezes por semana, o prédio foi apedrejado em
várias ocasiões. http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2015/10/imagens-de-santos-sao-destruidas-em-terreiro-de-macumba-em-botucatu.html
28/10/2015 O Terreiro de Pai Ivon, localizado no bairro de
Santa Teresa, em Olinda, está sendo alvo de uma ação de desocupação para
posterior demolição na manhã desta quarta-feira. Na sexta-feira passada, o
sacerdote Ivon Carlos recebeu a ordem, mas recorreu e conseguiu, no Fórum de
Olinda, um prazo de oito dias para tentar reverter a ação. A Comissão de
Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para
tentar evitar a demolição do templo. De
acordo com Tiago Nagô, ativista de direitos humanos para os povos tradicionais,
o terreiro é o último existente na Ilha do Maruim, após as últimas
desapropriações realizadas pela Prefeitura de Olinda. "Não é uma
residência comum, é um terreiro africano, que está sendo posto abaixo com o
pretexto das reformas urbanas, para dar caminho a uma pista. Os povos de
matrizes africanas não terão lugar para cultuar, enquanto várias igrejas
evangélicas estão sendo abertas na mesma comunidade. Eles estão desobedecendo a
Lei Federal 12.288 de 2010, o Estatuto da Igualdade Racial", denuncia
Tiago Nagô. http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/10/28/interna_vidaurbana,606748/terreiro-e-alvo-de-acao-de-desocupacao-em-olinda.shtml
01/11/2015 PF descobre despacho de macumba na casa de Collor
contra Janot POR GUILHERME AMADO - "Numa mesa, os agentes encontraram uma
foto do conselho do CNMP com os rostos de Janot e de George assinalados num
círculo feito a caneta. Acima da foto, numa folha de papel com o timbre do
Senado, os nomes de vários orixás: Iemanjá, Elegbara, Oxalá, Ogum, entre
outros." http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/pf-descobre-despacho-de-macumba-na-casa-de-collor-contra-janot.html
02/12/2015 - O pai de santo Marco Antônio Albuquerque da
Cruz, de 50 anos, babalorixá do candomblé, foi encontrado morto dentro da casa
em que morava no bairro da Pratinha II, em Belém. http://mobi.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-352114-pai-de-santo-e-encontrado-morto-dentro-de-casa.html
17/12/2015 - o pai de santo José Flávio Ferreira de Andrade,
de 36 anos, foi atingido com 3 tiros e caiu morto em frente à casa onde morava,
localizada no bairro Estrela, mais precisamente na Alameda Liberdade. http://www.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-353643-tres-pessoas-sao-assassinadas-a-bala-em-castanhal.html
22/12/2015 = Na madrugada desta última terça-feira um pai de
santo de 50 anos foi assassinado a tiros e facadas dentro de sua residência
localizada no bairro Águas Negras no distrito de Icoaraci (21 km de Belém). http://noticiasplantaopolicial.com.br/noticias/pai-de-santo-e-morto-a-tiros-e-facadas-apos-reagir-a-assalto-dentro-de-sua-residencia
08/01/2016 - Um pai de santo foi morto a tiros na esquina de
casa no início desta quinta-feira (7) em Duque de Caxias, na Baixada
Fluminense. http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/01/pai-de-santo-e-morto-tiros-na-esquina-de-casa-na-baixada-rj.html
11/02/2016 - A mãe de santo Salomé Moura Coelho, 57 anos, e
o companheiro dela, que ainda não foi identificado, foram encontrados mortos na
tarde do dia 10 dentro de um terreiro no bairro Engenho Velho de Brotas. http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/mae-de-santo-e-companheiro-sao-encontrados-mortos-em-terreiro-no-engenho-velho-de-brotas/?cHash=8cb875fab2a62df0d01143a81867bd28
20/03/2016 – Destruição de imagem de Iemanjá na Paraíba,
“vândalos acabaram de cortar a cabeça da nossa estátua de Yemonja que se
localizar na praia do cabo branco” - https://www.facebook.com/belatuca/posts/1031975523507417?comment_id=1032784566759846¬if_t=comment_mention
08/ 08/ 2016 - Pai
de santo é executado. Religioso foi esfaqueado doze vezes num bar; o
crime provocou comoção entre a comunidade afrorreligiosa “Já
roubaram a casa do meu filho várias vezes. Quase toda semana eles
entravam e levavam tudo. Só deixaram um armário que tem lá.”
http://www.ormnews.com.br/noticia/pai-de-santo-e-executado
08/ 08/ 2016 - Pai
de santo é morto com doze facadas. Em Ananindeua - Religioso é
atacado por dois homens num bar situado no bairro Icuí-Guajará “Os
que aceitaram falar, sem se identificar, afirmaram que Mário era
muito conhecido na área e que existiam pessoas querendo expulsá-lo
do local devido às suas manifestações religiosas.”
http://www.ormnews.com.br/noticia/pai-de-santo-e-morto-com-doze-facadas
08/08/2016 - Pai de
santo é morto com golpes faca. “Moradores que preferiram não
revelar o nome comentaram que José era pai de santo e a religião
incomodava a vizinhança devido aos cultos que realizava em casa.
Esta, portanto, seria uma das supostas motivações. Além disso,
populares disseram que a casa da vítima era constantemente assaltada
e, por isso, ela teria jurado de morte os criminosos que podem ter
revidado à ameaça.”
http://mobi.diarioonline.com.br/noticias-interna.php?nIdNoticia=376587
No mesmo fim de semana em que José Cavalcante foi assassinado, 3 homens armados de revólveres invadiram um terreiro de umbanda em Icoaraci e atacaram pais e mães de santo, que se preparavam para uma festa no espaço religioso. Uma mãe de santo levou um tiro de raspão e precisou de atendimento médico. http://www.diarioonline.com. br/noticias/policia/noticia- 377191-mortes-de-pais-de- santo-no-para-ficam-impunes. html
No mesmo fim de semana em que José Cavalcante foi assassinado, 3 homens armados de revólveres invadiram um terreiro de umbanda em Icoaraci e atacaram pais e mães de santo, que se preparavam para uma festa no espaço religioso. Uma mãe de santo levou um tiro de raspão e precisou de atendimento médico. http://www.diarioonline.com.
segunda-feira, 21 de março de 2016
[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais .
[Reforma do Ver-o-Peso] Sistema de escuta de povos e comunidades tradicionais para incluir necessidades na consulta pública para o projeto de reforma da feira do Ver-o-Peso.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 22/03/2016, das 10h às 15h.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 22/03/2016, das 10h às 15h.
21 de março, eliminação da discriminação racial.

Em dia 21 de março de 1960, vinte mil pessoas protestavam pacificamente, na cidade de Johanesburgo, capital da África do Sul, contra a lei obrigava os/as negros/as a portar cartões de identificação, especificando os bairros e locais, onde lhes eram permitido circular quando os manifestantes foram surpreendidos pela polícia do antigo regime segregacionista do apartheid que atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.
domingo, 20 de março de 2016
Rei Congo e a Cabanagem na webTV Azuelar
Rei Congo e a Cabanagem, roda de conversa com João
Lúcio Mazzini da Costa e Mametu Nangetu.
Como parte da celebração do dia da Mãe Doca, o 18 de
março, dia Estadual e Municipal da Umbanda e das
religiões afro-brasileiras em Belém e no Pará
Captção de imagens e de áudios
Tata Kinamboji
Samili Maria Moreira Silva e Silva
Sibely Nunes
Vitor Gonçalves
Weverton Ruan Rodrigues
Edição/Montagem
Táta Kinamboji
Realização
webTV Azuelar - Projeto Azuelar
Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre
Apoio
REATA - Rede Amazônica de Povos Tradicionais de
Matriz Africana - rede [aparelho]-: - Projetos de
extensão da UFPA: Ngomba d’Aruanda: apoio às ações
de mídia cultural do Projeto Azuelar/ Ponto de Mídia
Livre do Instituto Nangetu; e Produção do Programa
‘Nós de Aruanda’ para a ‘WebTV Azuelar’, poéticas
visuais em combate ao racismo - Eu vou navegar na
Casa da Mãe das Águas (Ilê Iyabá Omi). (Coordenação
Prof. Arthur Leandro) - UFPA-PROEX
O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos
afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14
de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra) e
da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria
da deputada Araceli Lemos) e registra a luta de de dona
Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê
Navanakoly e como Mãe Doca, que era filha de santo
do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e
Toi Jotin. É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas
três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o
racismo e outros preconceitos da época e inaugurou
seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.
Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as
divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica,
e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-
religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de
resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no
Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se
tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-
brasileiras.
Belém, março de 2016.crição
quarta-feira, 16 de março de 2016
Reunião debate a presença de tradições de matriz africana no Ver-o-Peso.
por Abílio Dantas para o blog OUTROS 400
O projeto da prefeitura pode apresentar elementos de racismo institucional. Ontem pela manhã, em reunião realizada pelo Iphan, lideranças de povos tradicionais e técnicos debateram a venda de animais vivos no Ver-o-Peso.
“O Plano Nacional da Igualdade Racial demarca, no primeiro ponto, que se deve combater o racismo institucional. Então eu pergunto a todos aqui: alguém sabe o que é racismo?”. O questionamento de Arthur Leandro, da Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, deu o tom de preocupação da reunião realizada ontem, pela manhã, no prédio do Ministério da Cultura (MinC), em Belém. O encontro, convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reuniu 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.
Os dois únicos vendedores do setor, Edivaldo Moreira e Lucivaldo Oliveira, iniciaram a reunião relatando o susto que sentiram ao constatarem que a atividade que garante o sustento de suas famílias não havia sido considerada ou, ao menos, citada no projeto de reforma apresentado pelo prefeito Zenaldo Coutinho na audiência pública realizada no dia 3 de março deste ano. Segundo os comerciantes, isso representa o esquecimento de uma atividade que possui tradição na capital. “Essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar”, defendeu Lucivaldo.
A antropóloga e técnica do Iphan, Larissa Guimarães, responsável pela condução do encontro e pela inscrição das falas, que avolumavam-se rapidamente, reconheceu que o projeto apresentado pela prefeitura não apresentava nenhuma proposta para o setor de animais. “O que queremos aqui é escutar todas as partes e pensar qual é a melhor maneira de garantirmos a permanência do setor. Ninguém está falando em retirar”, afirmou.
A superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, cumpria também o papel de mediadora da reunião e propôs ideias para que a polêmica entre as exigências legais de manejo de animais colocadas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importância da atividade para comerciantes e líderes religiosos fosse conciliada. “Não seria possível realizar um convênio com a UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) para que fosse dado um auxílio técnico sobre o trato de animais?”, questionou.

RITUAIS AFRO-RELIGIOSOS
“É racismo institucional não considerar os povos de matriz africana que construíram a história desse país”, declarou Edson Catendê, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC/MinC). De acordo com ele, Arthur Leandro e Emanuell Souza, também do CNPC, a compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas afro-religiosas. “É cultural, não só para as religiões de matriz africana, mas de todos nós, pois os animais são trazidos das ilhas, das estradas, vem de todo lugar. É triste perceber que, mais uma vez, estamos sendo invisibilizados nessa cidade”, denunciou Emanuell.

Pato, galinha, cabra e bode são alguns dos animais que Mãe Nangetu, líder religiosa e conselheira municipal de cultura de Patrimônio Imaterial, compra com frequência no Ver-o-Peso. Os animais devem ser adquiridos ainda inteiros, saudáveis e bonitos, segundo ela, pois são utilizados em oferendas em rituais sagrados oferecidos aos deuses.
“Ninguém faz nada sem dar oferenda ao grande comunicador, que é Exu, e que na minha tradição banto se chama Mavambo Izila. Antes de se fazer qualquer ritual, tem que se fazer uma oferenda pra ele, pra que chegue até nossos deuses”. Para ela, a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”, concluiu.
Ao fim da reunião, decidiu-se coletivamente pela criação de um Grupo de Trabalho que será composto pelos vendedores do setor de animais, os representantes da UFRA, Sindicato dos Feirantes, Seurb, Secretaria de Economia (Secom), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Quilombolas, Conselho Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Políticas Culturais e Iphan. O próximo encontro foi marcado para o dia 29 de março, às 10h, também no prédio do MinC.
Fotos: Kleyton Silva
“O Plano Nacional da Igualdade Racial demarca, no primeiro ponto, que se deve combater o racismo institucional. Então eu pergunto a todos aqui: alguém sabe o que é racismo?”. O questionamento de Arthur Leandro, da Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana, deu o tom de preocupação da reunião realizada ontem, pela manhã, no prédio do Ministério da Cultura (MinC), em Belém. O encontro, convocado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reuniu 26 representantes de organizações governamentais e da sociedade civil para debater a permanência do setor de venda de animais vivos no Complexo do Ver-o-Peso.
Os dois únicos vendedores do setor, Edivaldo Moreira e Lucivaldo Oliveira, iniciaram a reunião relatando o susto que sentiram ao constatarem que a atividade que garante o sustento de suas famílias não havia sido considerada ou, ao menos, citada no projeto de reforma apresentado pelo prefeito Zenaldo Coutinho na audiência pública realizada no dia 3 de março deste ano. Segundo os comerciantes, isso representa o esquecimento de uma atividade que possui tradição na capital. “Essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar”, defendeu Lucivaldo.
essa atividade é herdada de pai para filho. Eu recebi essa herança dos meus avós. Na última reforma nós não tivemos problemas. Nós sabemos que é preciso melhorar, mas não acabar
A antropóloga e técnica do Iphan, Larissa Guimarães, responsável pela condução do encontro e pela inscrição das falas, que avolumavam-se rapidamente, reconheceu que o projeto apresentado pela prefeitura não apresentava nenhuma proposta para o setor de animais. “O que queremos aqui é escutar todas as partes e pensar qual é a melhor maneira de garantirmos a permanência do setor. Ninguém está falando em retirar”, afirmou.
A superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, cumpria também o papel de mediadora da reunião e propôs ideias para que a polêmica entre as exigências legais de manejo de animais colocadas por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importância da atividade para comerciantes e líderes religiosos fosse conciliada. “Não seria possível realizar um convênio com a UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) para que fosse dado um auxílio técnico sobre o trato de animais?”, questionou.
Líderes religiosos acusaram a prefeitura de praticar racismo institucional ao não considerar os povos de matriz africana no projeto de reforma do Ver-o-Peso.
Enquanto ocorria o debate, várias dúvidas pairavam, mas um fato foi confirmado: a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) não ouviu os setores interessados durante a elaboração da primeira etapa do projeto de reforma. A representante da Secretaria de Urbanismo (Seurb), Paula Andréa Rodrigues, admitiu que a escuta não foi realizada. “Seria muito importante que essa reunião tivesse sido realizada lá atrás, para que toda essa realidade fosse conhecida, mas isso não foi feito”, disse. A ausência de diálogo, de acordo com as lideranças religiosas, pode resultar em um ato de racismo institucional.RITUAIS AFRO-RELIGIOSOS
“É racismo institucional não considerar os povos de matriz africana que construíram a história desse país”, declarou Edson Catendê, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC/MinC). De acordo com ele, Arthur Leandro e Emanuell Souza, também do CNPC, a compra e abate de animais vivos é parte fundamental da existência e reprodução das práticas afro-religiosas. “É cultural, não só para as religiões de matriz africana, mas de todos nós, pois os animais são trazidos das ilhas, das estradas, vem de todo lugar. É triste perceber que, mais uma vez, estamos sendo invisibilizados nessa cidade”, denunciou Emanuell.
ccc
"Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições", afirma Mãe Nangetu.
Pato, galinha, cabra e bode são alguns dos animais que Mãe Nangetu, líder religiosa e conselheira municipal de cultura de Patrimônio Imaterial, compra com frequência no Ver-o-Peso. Os animais devem ser adquiridos ainda inteiros, saudáveis e bonitos, segundo ela, pois são utilizados em oferendas em rituais sagrados oferecidos aos deuses.
a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”
“Ninguém faz nada sem dar oferenda ao grande comunicador, que é Exu, e que na minha tradição banto se chama Mavambo Izila. Antes de se fazer qualquer ritual, tem que se fazer uma oferenda pra ele, pra que chegue até nossos deuses”. Para ela, a proibição da venda de animais seria não só uma violência simbólica, mas “racismo mesmo, intolerância. Além da gente oferecer, nós distribuímos para a comunidade. Alimentamos as nossas comunidades a partir das nossas tradições”, concluiu.
Ao fim da reunião, decidiu-se coletivamente pela criação de um Grupo de Trabalho que será composto pelos vendedores do setor de animais, os representantes da UFRA, Sindicato dos Feirantes, Seurb, Secretaria de Economia (Secom), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Quilombolas, Conselho Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Políticas Culturais e Iphan. O próximo encontro foi marcado para o dia 29 de março, às 10h, também no prédio do MinC.
Fotos: Kleyton Silva
segunda-feira, 14 de março de 2016
GT sobre tradições de matriz africana no Ver-o-Peso,
[Reforma do Ver-o-Peso] Visando o estabelecimento e estreitamento de diálogo entre os diversos agentes sociais/tradicionais que atuam no complexo do Ver-o-Peso, vimos por meio deste convidar vossa senhoria a participar de Reunião do Grupo de Trabalho para debater o comércio de animais vivos e outros produtos necessários para a reprodução das tradições de matriz africana na reforma da feira do Ver-o-Peso. Com a participação de comunidades quilombolas, feirantes, comunidades de terreiros de povos tradicionais de matriz africana, barqueiros, os arquitetos responsáveis pelo projeto, agentes da vigilância sanitária, pesquisadores de agricultura familiar e técnicos do IPHAN.
Local: Auditório do IPHAN-PA/ MinC - Regional Norte.
Endereço: Av. Gov. José Malcher, 474 - Nazaré
Data/Hora: 16/03/2016, às 10h
Mais Acarajé, Menos racismo! Dia 18 de março é dedicado à Mãe Doca.
O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, que era filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin.
É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-brasileiras.
sábado, 12 de março de 2016
19 de março, 11h - Roda de Abertura do novo polo do Grupo de Capoeira Angola Negros de Aruanda
No próximo sábado, dia 19/03, a partir de 11h no Mansu Nangetu, Roda de Abertura do novo polo do Grupo de Capoeira Angola Negros de Aruanda, sob orientação de Mestre Carlinhos. Não percam!
sexta-feira, 11 de março de 2016
NEGRAS E NEGROS CONTRA O RETROCESSO
Mais de 70 Entidades, grupos e representações do Movimento Negro Brasileiro lançaram uma nota em que se colocam contra qualquer retrocesso conservador no país, mas ao mesmo tempo criticam o governo Dilma e cobram mudanças: “O governo federal, alvo das incursões destes setores mais conservadores, ao invés de enfrentá-los, continua sucumbindo e impondo uma agenda muito similar ao de seus algozes(…) é preciso uma mudança de rumo desse governo. A população negra não pode pagar pela crise econômica e política do país.”
Originalmente yblicado em GELEDES: Entidades do Movimento Negro criticam governo Dilma, mas se colocam contra retrocesso conservador -
Originalmente yblicado em GELEDES: Entidades do Movimento Negro criticam governo Dilma, mas se colocam contra retrocesso conservador -
A nota, que é fruto de um esforço político de busca de convergência entre diferentes campos político-ideológicos do movimento negro, afirma também que sua prioridade é “o enfrentamento à política genocida, contra a redução dos direitos trabalhistas, contra a reforma da previdência, contra os cortes em programas sociais como saúde e educação”.
Confira o documento na íntegra:
NEGRAS E NEGROS CONTRA O RETROCESSO
Brasil, 9 de março de 2016
Neste mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher e inspiradas nas histórias de centenas de mulheres negras na luta contra a Escravidão, na preservação das nossas religiões de matrizes africanas, na manutenção de nossa cultura e entre tantos elementos a mais, as Entidades Sociais que conformam o Movimento Negro Brasileiro, reunidas sob a égide da Convergência, vêm a público manifestar sua posição consensual contra a tentativa de golpe articulada pelos setores conservadores com apoio da mídia e por meio de ações de parte do Judiciário.
Dessa forma, apresentamos os seguintes apontamentos:
1 – Os setores que protagonizam esta tentativa golpista historicamente defendem propostas contra as bandeiras de luta do movimento negro e popular: Defendem a redução da maioridade penal; são contra as cotas e as ações afirmativas; atuam para retirar as perspectivas racial e de gênero dos planos de educação entre outros;
2 – Pressionam pela imposição de uma agenda neoliberal; pela entrega do pré-sal e do patrimônio nacional às empresas estrangeiras e o pleno atendimento das demandas do grande capital financeiro;
3 – Estes setores defendem o recrudescimento das políticas repressivas, da violência policial e do genocídio da população negra;
4- Combatem as reivindicações das mulheres negras, a descriminalização do aborto, pregam o esvaziamento das poucas políticas públicas direcionadas às mulheres, notadamente as mulheres negras, tais como as trabalhadoras domésticas;
5 – Reconhecemos que os significativos avanços promovidos contra a miséria extrema, a fome, a inclusão de milhares de jovens negros e negras nas universidades além da implantação de políticas de promoção e igualdade racial, são, entre outros fatores, elementos que levam as elites brasileiras se unirem e atacarem o atual governo.
6 – O governo federal, alvo das incursões destes setores mais conservadores, ao invés de enfrentá-los, continua sucumbindo e impondo uma agenda muito similar ao de seus algozes, sobretudo nos aspectos econômicos e em iniciativas tal qual a lei antiterrorismo. Somos contra o Impeachment da atual presidenta e não toleraremos qualquer tentativa de golpe à nossa frágil e insuficiente democracia. Mas é preciso uma mudança de rumo desse governo. A população negra não pode pagar pela crise econômica e política do país. O Movimento Negro brasileiro afirma uma agenda de enfrentamento à política genocida, contra a redução dos direitos trabalhistas, contra a reforma da previdência, contra os cortes em programas sociais como saúde e educação.
Nós que atuamos na luta contra o racismo e as desigualdades étnico-raciais, temos a convicção que qualquer ruptura com o frágil e ainda pouco eficaz processo democrático atingirá de forma mais grave o conjunto da população negra.
Somos a favor da investigação de todos os casos de corrupção, mas não ao uso oportunista disso para impor uma agenda antipopular que penalize ainda mais nosso povo negro.
Trazemos em nossa ancestralidade toda uma história de luta e resistência que estamos dispostos a honrar neste momento tão importante na história deste Brasil que é nosso e construímos com cada gota do nosso suor.
A solução para a crise está na adesão às propostas históricas dos movimentos populares e do movimento negro.
EM FRENTE E PELA ESQUERDA. RETROCESSO NUNCA MAIS!
Assinam:
ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores Negros
APNs – Agentes Pastorais Negros
CEN – Coletivo de Entidades Negras
CEN – Coletivo de Entidades Negras
Círculo Palmarino
CONAJIRA – Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial
CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas
CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras
ENEGRECER – Coletivo Nacional de Juventude Negra
FNMN – Fórum Nacional de Mulheres Negras
FONAJUNE – Fórum Nacional de Juventude Negra
Instituto Luiz Gama
MNU – Movimento Negro Unificado
Quilombação
Rede Afro LGBT
RAN – Rede Amazônia Negra
UNEAFRO BRASIL
UNEGRO – União de Negros pela Igualdade
CONAJIRA – Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial
CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas
CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras
ENEGRECER – Coletivo Nacional de Juventude Negra
FNMN – Fórum Nacional de Mulheres Negras
FONAJUNE – Fórum Nacional de Juventude Negra
Instituto Luiz Gama
MNU – Movimento Negro Unificado
Quilombação
Rede Afro LGBT
RAN – Rede Amazônia Negra
UNEAFRO BRASIL
UNEGRO – União de Negros pela Igualdade
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras – AMNB
Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular
Associação Nacional de empresários e Empreendedores Afrobrasileiros – ANCEABRA
Associação Religiosa de Tradição Afro-Cubana Ifanilorun
Bloco Afro Quilombo de Sergipe
Blog Negro Belchior
Bocada Forte Hip Hop
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia – CEPEGRE/UEMS
Centro de Estudos e Referência da Cultura Afrobrasileira do Acre – CERNEGRO
Centro Nacional de Africanidades e Resistência – CENARAB
Coletivo Afrontar de Uberaba/MG
Coletivo CIATA do LPEQI
Coletivo Mocambo Cultural
Conselho de Entidades Negras do Interios do Estado do Rio de Janeiro – CENIERJ
Conselho Municipal de Igualdade Racial de Osasco
Conselho Municipal de política Étnico Racial de Curitiba
Consorcio Nacional dos Núcleos de Estudos Afrobrasileiros – CONNEABS
Dandaras no Cerrado
Federação Juvenil Comunista de la Argentina
Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciforme – FENAFAL
Federação das Religiões de Matriz Africana do Acre – FEREMAAC
Forum Sergipano dos Povos de Matriz Africanas
Fórum de Educação e Diversidade Etnorracial do Rio Grande do Sul
Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-brasileiras/ PA
Grupo de Estudos e Pesquisas em Relações Étnico-raciais, Educação e Formação de Professores. FE/UF – GREED
Grupo de Música Percussiva Gantó
Grupo de Pesquisas Religiosidades e Festas
Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de São Paulo – GTNM/SP
Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular
Associação Nacional de empresários e Empreendedores Afrobrasileiros – ANCEABRA
Associação Religiosa de Tradição Afro-Cubana Ifanilorun
Bloco Afro Quilombo de Sergipe
Blog Negro Belchior
Bocada Forte Hip Hop
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia – CEPEGRE/UEMS
Centro de Estudos e Referência da Cultura Afrobrasileira do Acre – CERNEGRO
Centro Nacional de Africanidades e Resistência – CENARAB
Coletivo Afrontar de Uberaba/MG
Coletivo CIATA do LPEQI
Coletivo Mocambo Cultural
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Conselho Municipal de Igualdade Racial de Osasco
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Consorcio Nacional dos Núcleos de Estudos Afrobrasileiros – CONNEABS
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Federação Juvenil Comunista de la Argentina
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Federação das Religiões de Matriz Africana do Acre – FEREMAAC
Forum Sergipano dos Povos de Matriz Africanas
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Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-brasileiras/ PA
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Grupo de Pesquisas Religiosidades e Festas
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Geledés Instituto da Mulher Negra
Instituto de Capoeira Cordão de Ouro – Mato Grosso do Sul
Instituto Ganga Zumba
Associação Franciscana DDHFP
Instituto Mocambo do Pará
Instituto da Mulher Negra de Mato Grosso – IMUNE
Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social/ PA
Instituto de Resistência Cultural Afro-brasileira – Moviasés Guarulhos
Núcleo da Comunidade Negra de Osasco – NUCONO
NEAB/Unifesp
Núcleo Estadual da Marcha das Mulheres Negras do Espírito Santo
Núcleo Estadual de Mulheres Negras do Espírito Santo
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal do Espírito Santo – NEAB/UFES
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Juiz de Fora – NEAB-UFJF
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade do Estado de Santa Catarina – NEAB/UDESC
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Sertão
Núcleo Negro Unifesp Guarulhos
Opaas – Observatório das Políticas de Ações Afirmativas do Sudeste
Pastoral Afro Achiropita
Portal Alma Preta
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
Secretaria de Combate ao Racismo da Federação Interestadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – FITMETAL
Secretaria Nacional de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Casa de Tradição e Cultura Afro-Brasileira de Minas Gerais – Ilê AxéOgunfunmilayo
Sociedade Comunitária “Fala Negão \ Fala Mulher” da Zona Leste de São Paulo
Instituto Das Pretas do Espírito Santo
QUILOMBHOJE Literatura
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REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
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terça-feira, 1 de março de 2016
Dançando para Iemanjá, roda de conversa com João Simões Cardoso Filho e Mametu Nangetu.
Como parte da celebração do dia Estadual e Municipal da Umbanda e das religiões afro-brasileiras em Belém e no Pará, o Instituto Nangetu promove uma série de rodas de conversas para o mês de março, o convidado do sábado, 19 de março, é o professor João Simões Cardoso Filho.
Dançando para Iemanjá, dinâmicas sociais e políticas religiosas.
Conversa com João Simões Cardoso Filho e Mametu Nangetu.
Sábado, 19 de março, a partir das 9:30.
Mansu Nangetu - Tv. Pirajá, 1194 - Belém/PA.
Transmissão pela webTV Azuelar http://www.ustream.tv/channel/azuelar
Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-brasileiras.
Dançando para Iemanjá, dinâmicas sociais e políticas religiosas.
Conversa com João Simões Cardoso Filho e Mametu Nangetu.
Sábado, 19 de março, a partir das 9:30.
Mansu Nangetu - Tv. Pirajá, 1194 - Belém/PA.
Transmissão pela webTV Azuelar http://www.ustream.tv/channel/azuelar
João Simões é pesquisador e autor da Tese "Dançando para Iemanjá", um estudo que parte da análise do Festival de Iemanjá pra debater cultura, natureza e sociedade. Nesta conversa com Mametu Nangetu, eles se propõem a abordar as políticas religiosas e as dinâmicas sociais na perspectiva do enfrentamento ao racismo e da defesa das tradições de matriz africana na Amazônia.
O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, que era filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin.
É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência do Povo Tradicional de Matriz Africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umbanda e das religiões Afro-brasileiras.
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