sábado, 7 de abril de 2012

Saúde no terreiro - Rodas de conversa, cineclube e atendimento em serviços marcam o Dia Internacional da Saúde no Mansu Nangetu.


Para celebrar a passagem do Dia Mundial da Saúde, comemorado no dia 7 de abril, o Mansu Nangetu recebeu nesta quinta-feira, dia 5 de abril, uma equipe da Secretaria de Estado da Saúde- SESPA - formada pela enfermeira Ruth Cardoso, pelo técnico de enfermagem Bernardino Silva e pela agente administrativa Tânia Nunes. Eles chegaram ao terreiro às 16h e montaram um sistema de atendimento à população dentro do terreiro.


O filme "Chama Verequete", de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parrera, foi exibido na sessão do cineclube, promovendo através do enredo do filme um debate sobre a relação da cultura com a saúde. Os participantes falaram de como a alegria de participar das manifestações artísticas e culturais influenciam no quadro de saúde de cada um.
E como não poderia deixar de ser, a proibição do Batuque (como as religiões afro-brasileiras eram chamadas no séc. XIX) pelo código de posturas do município de 1848 e o combate policial ao carimbó como cultura de terreiro - que é mostrado no filme -, foi relacionado com a com a atual repressão às culturas dos povos tradicionais de terreiros, seja pela visão negativa repassada pelo fundamentalismo cristão das igrejas eletrônicas em canais de televisão, seja pela interpretação equivocada das Leis ambientais que resulta em representação policial à religisidade afro-amazônica, e também foi consenso reconhecer esta forma de racismo afeta também a saúde dos povos de terreiros.

A oferta de serviços gratuitos de verificação de pressão arterial e de verificação de nivel de glicose no sangue foi a grande atração do dia. Foram 37 atendimentos para membros da comunidade e para a vizinhança do Mansu, sendo que desses 9 apresentaram alteração na pressão arterial (1 de pressão baixa e 8 quadros de hipertensão) e 2 resultados apresentaram quadros de diabetes. Em todos os casos, a equipe da SESPA conversou com os atendidos sobre os cuidados básicos para a prevenção de doenças, e para aqueles que apresentaram alteração arterial ou de glicose foi orientado que procurassem serviços de urgência em hospitais ou que agendassem consulta com médicos em postos de saúde.


O uso de ervas medicinais, principalmente através de chás de infusão, e cuidados com a alimentação para a promoção de uma vida saudável - conhecimentos tradicionais preservados pela tradição da oralidade dos terreiros -,  também esteve presente nas conversas através das intervenções das lideranças de terreiros, que demonstraram o quanto esses conhecimentos influenciam na prevenção da saúde da população.


O evento terminou com um coquetel de café com pupunha e canjica e uma descontraída roda de conversa com as lideranças de terreiros Mametu Nangetu, Mametu Kaia Onilegi (Kátia Hadad), Mãe Nadir de Ogum,  Pai Valdiney de Badé e com Silvia Macedo do Movimento Popular de Saúde/ MOPS-PA, a roda foi na porta do terreiro e foi o momento em que as lideranças das comunidades de terreiros articularam com o MOPS-PA a extensão da agenda de saúde e acertaram a parceria com o MOPS-PA para uma agenda itinerante de serviços de saúde pelos terreiros de Belém e Ananindeua.





Fotos e texto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar - Instituto Nangetu/ Ponto de Mídia Livre.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Radioweb da UFPA debate intolerância religiosa.

A rádio web da UFPA gravou nesta quarta-feria, 04 de abril, um debate abordando aspectos do racismo no Brasil e como as práticas racistas se transformam em intolerância contra as religiões afro-amazônicas.
A luta pela garantia do direito constitucional de liberdade de consciência religiosa também foi pauta do debate, que abordou os mecanismos de resistência dos terreiros na preservação da memória, na preservação das concepções das africanidades afro-amazônicas, e a atuação política das lideranças de terreiros.
O debate ainda proporcionou uma rodada de avaliação da atuação da universidade e as possibilidades de intervenção da comunidade acadêmica para a promoção do respeito à diversidade religiosa brasileira.
O programa UFPA Debate foi apresentado pela jornalista Cássia Nascimento e vai ao ar na semana que vem, e para debater esse tema teve a participação da Profa. Marilu Campelo da Faculdade de Ciências Sociais e do Grupo de Estudos Afro-Amazônico/ GEAAM, pelo Prof. da Faculdade de Artes Visuais Arthur Leandro (Táta Kinamboji) que também é sacerdote do Mansu Nangetu, e de Babá Tayando (Luiz Augusto Loureiro Cunha), sacerdote do Tambor de Mina.

Fotos do Pai Junior de Xangô, da ACAOÃ, gentilmente cedidas para o Projeto Azuelar.

Deputada Bernadete Ten Caten reuniu lideranças de terreiros em seu gabinete na ALEPA, para organizar a sessão solene de entrega da "Comenda Mãe Doca de Mérito Afro-religioso".

Lideranças de terreiros estiveram nesta terça-feira no gabinete da deputada Bernadete Ten Caten (PT) no Palácio Cabanagem - sede da Assembléia Legislativa do Estado do Pará - ALEPA, para orientar a equipe de assessores da deputada na condução da sessão solene para entregue do diploma e da medalha da "Comenda Mãe Doca de Mérito Afro-religioso" de 2012.

A reunião foi conduzida pela assessora parlamentar Jakelyne Costa. Ela explicou que Sessão Solene já está marcada e que vai acontecer na segunda-feira dia 23 de abril de 2012, e que o cerimonial da ALEPA sentiu a necessidade de buscar maiores informações sobre o trabalho social e cultural desenvolvido nos terreiros.


A função da reunião foi apresentar uma lista de nomes com o curriculo resumidos de cada um para servir de orientação aos parlamentares, e para isso ela pediu aos presentes a indicação de nomes de lideranças de terreiros que tenham o respaldo das comunidades e o reconhecimento de seus pares para encaminhar essas informações para os partidos que tem assento no Poder Legislativo.
O primeiro conselho apresentado pels lideranças presentes é de que os parlamentares tenham o cuidado de escolher seus homenageados entre a diversidade das práticas religiosas afro-amazônicas, para que todas as religiões de origem na África negra presentes no Pará se sintam representadas nessa homenagem.

A questão da representação das micro-regiões do estado também foi pauta apresentada pelas lidaranças de terreiros, e foi consenso que é preciso valorizar e atribuir a comenda do mérito para aqueles que mantém viva a religiosidade afro-amazônica nas regiões distantes da zona metropolitana de Belém, e que para isso será preciso que os próprios deputados se aproximem das comunidades e se disponham a conhecer o contexto de vida e de resitência dos povos de terreiros nas diversas regiões paraenses.
Quando as lideranças perguntaram se a lista que for apresentada será a mesma lista de homenageados, Jakelyne explicou que as bancadas tem autonomia para escolherem os nomes de seus homenageados e que entre esses deputados há aqueles que tem proximidade com comunidades de terreiros e que possivelmente já tenham escolhidos a quem entregar a comenda dentre os nomes que fazem parte de suas redes de relações, mas que considera importante  que as lideranças de terreiros visitem os gabinetes e apresentem a cada deputado os nomes e os critérios de escolha daqueles que são reconhecidamente importantes para o universo dos povos tradicionais de terreiros afro-amazônicos.
Foi escolhida uma comissão de terreiros para visitar os gabinetes e apresentar aos deputados a lista com 23 nomes importantes para as comunidades alí representadas e os critérios utilizados para a escolha dos que receberão a comenda.


Mãe Doca, um símbolo de resistência para as religiões afro-amazônicas.





Mãe Doca, em foto de 1917.

A comenda é uma celebração à memória da luta de de dona Rosa Viveiros, também conhecida como Nochê Navanakoly e como Mãe Doca, ela era maranhense de Codó e filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo e seu Vodun era Nanã e Toi Jotin. É Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense. Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades e preservava a religiosidade afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter seu Templo Afro-religioso aberto. Seu terreiro se manteve aberto até meados da década de 1960, e Mãe Doca se tornou o símbolo de resistência das religiões de matriz africana no Pará, e é em sua homenagem que o dia 18 de março se tornou o dia da Umabanda e das religiões Afro-brasileiras.



Comenda Mâe Doca de Mérito Afro-religioso celebra a resistência dos terreiros e o direito à liberdade de consciência religiosa.


A comenda foi institutída em 2009 pelo Poder Legislativo do Estado do Pará por iniciativa a e projeto da deputada Bernadete Ten Caten, e é concedido como reconhecimento da ALEPA às pessoas que trabalham na divulgação, manutenção e preservação das manifestações das religiões de matrizes africanas, mas somente em 2011 foi realizada a primeira sessão solene e entrega da comenda. 
A deputada Berndate Ten Caten e os Deputados Edmilson Rodrigues e Edilson Moura com as liderança de terreiros homenagedos pela ALEPA em 2011.


Em seu discurso na abertura da sessão em 2011, o presidente da ALEPA, Manoel Pioneiro (PSDB) disse que “Esta Casa de leis se sente honrada em tê-los em nossas dependências, até porque representamos todos os povos e religiões e esperamos também que vocês se sintam representados por esse poder".
A deputada Bernadete reconhece que a realização da sessão e a sua manutenção no calendário do Poder Legislativo é uma conquista para as lutas pelo respeito à diversidade religiosa, diversidade que é uma das características mais fortes do povo brasileiro, e afirma que "a liberdade de crença é um direito assegurado na Constituição Federal, que necessita urgentemente de validade prática, de modo que toda e qualquer crença ou religião possa ser exercida num contexto de respeito, paz e compreensão”.
Os homenageados são indicados pelas bancadas dos partidos políticos com assento na Assembléia Legislativa do Pará. São ao todo 16 partidos representados, porém em 2011 apenas 14 desses partidos participaram dessa homenagem e indicaram lideranças de terreiros para receber a comenda, os Homenageados em 2011 foram: 1) Charley Ernesto Ínto da Silva (Castanhal), indicado pela bancada do DEM; 2) Elder Fábio Alves Câmara de Andrade, indicado pelo PSB; 3) Itacy Dias Domingues, indicado pela bancada do PSC; 4) Luiza Ninfa de Oliveira, mãe Lulu, indicada pelo PT; 5) Luiz Augusto Loureiro Cunha, Babá Tayando, indicado pelo PR, 6) Luiz Carlos dos Santos Portilho, indicado pelo PSDB; 7) Marcelo Ricardo Soares Machado, indicado pelo PP; 8) Oneide Monteiro Rodrigues, Mametu Nangetu, indicada pelo PMDB; 9) Orlando Machado da Silva, Pai Orlando Bassu, indicado pelo PPS; 10)  Virgínia Lunalva Almeida, Mão Nalva de Oxum, indicada pelo PTB; 11) Iya Nare; 12) Walmir da Luz Fernandez, indicado pelo PSOL; 13)   Pai Esmael Tavares, indicado pelo PDT; 14)  Babalorixá Edson Catendé.





sábado, 31 de março de 2012

Seleção de bolsistas para o Projeto "Diálogos em cabana de caboco"

Samba do Marujo Basílio em fevereiro de 2009 - Mansu Nangetu. Foto de Táta Kinamboji/ Projeto Azuelar.
Informamos que até o dia 10 de abril estão abertas as inscrições para o processo seletivo de escolha de bolsistas para o Projeto de Extensão "Diálogos em Cabana de Caboco – Intercâmbi​o acadêmico e cultural com o Projeto Azuelar do Instituto Nangetu em Belém-PA", coordenado pelo Prof. João Simões da Faculdade de Ciências Sociais/ FACS-UFPA. Os interessados devem procurar o coordenador do projeto ou obter o edital de seleção na secretaria da FACS, mais informações pelo telefone 91-3201-8375.

Informações básicas

Requisitos para participação no processo seletivo:
Ser discente regularmente matriculado na UFPA nos cursos de graduação da grande área de filosofia, ciências humanas e sociais, ou de áreas afins, da Universidade Federal do Pará e estar cursando do 2º ao 8º semestre do seu Curso de Graduação em 2012. O candidato deverá dispor de 20h semanais para dedicação ao projeto, sendo obrigatório a disponibilidade para atuar no projeto nas sextas-feiras à noite (das 18 as 21h) e aos sábados à tarde (15 as 18h).
Período de inscrição: até 10 de abril de 2012. Nohorário de 09h às 12h e 14h às 17h, na secretaria da faculdade de ciências sociais.

Critérios de Seleção:
A seleção constará de 2 etapas: A primeira etapa constará de análise do Histórico Escolar,currículo, comprovante de matrícula, plano de trabalho, de acordo com osobjetivos propostos no projeto pretendido. A segunda etapa constará de uma entrevista com os estudantesaprovados na primeira etapa. A entrevista será realizada no dia 11/04/2012 apartir das 14:hrs.

Sobre o Azuelar
O Projeto “Diálogos em Cabana de Caboco – Intercâmbio acadêmico e cultural com o Projeto Azuelar do Instituto Nangetu em Belém-PA” é uma proposta de intervenção colaborativa da universidade nas atividades do Projeto Azuelar - projeto do InstitutoNangetu que está em funcionamento regular desde dezembro de 2005. A intolerância religiosa é o foco das ações do ProjetoAzuelar, e por conseguinte também é o foco do Projeto Diálogos em Cabana deCaboco.

Informações importantes:
Metas:
1.Realizar parceria com o Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu– Ponto de Mídia Livre para:
1.1 Fortalecer as atividades doCineclube Nangetu;
1.2 Contribuir com os programasda rádio-janela através do fomento de debates sobre temas de interesse eabordagem desses temas com o referencial teórico das ciências humanas;
1.3 Contribuir com o referencialteórico antropológico para as produções culturais desenvolvidas no terreiro;
1.4 Contribuir com textos para oblog do Instituto Nangetu.
2.Realizar ciclo de diálogos entre o conhecimentotradicional de terreiros e o conhecimento acadêmico, envolvendo lideranças decomunidades de terreiros e pesquisadores universitários;
3.Produzir arquivo de entrevistas e relatos de experiênciasde vida e outras fontes de pesquisa sobre os povos tradicionais de terreiros;
4.Publicar ensaios, resumos, artigos e relatórios com asistematização do projeto.

Metodologia:
O projeto Diálogos em Cabana de Caboco – Intercâmbioacadêmico e cultural com o Projeto Azuelar do Instituto Nangetu em Belém-PA,adota a metodologia de transmissão de conhecimentos dos povos tradicionais deterreiros: o “fazer junto”, dividindo as responsabilidades e estabelecendoparcerias entre a universidade e a organização social.
A proposta é atuar como parceiros para fortalecer as açõesdesenvolvidas por um grupo social vulnerável que sofre com a intolerância àspráticas religiosas afro-amazônicas.
O projeto valoriza as ações protagonizadas pelo InstitutoNangetu e é dividido em duas frentes de trabalho:
A primeira é apoiar as atividades de mídia culturaldesenvolvidas pela comunidade do Mansu Nangetu através do Projeto Azuelar:
1. Participação nas reuniões do conselho editorial quedecidem sobre programação mensal de filmes e nas sessões regulares do“Cineclube Nangetu”. Nossa atuação é dialógica e visa colaborar na escolha detítulos das obras a exibir e intervir com o olhar acadêmico na discussão que ofilme vier a provocar; e
2. Colaborar nos programas mensais de duas horas de duraçãona Rádio-Janela Azuelar – participar dos programas como mediadores/debatedores/ provocadores, levando o conhecimento universitário pra os ouvintesdos debates propostos pela comunidade do Mansu Nangetu no programa experimentalde rádio que funciona na porta do terreiro;
A segunda é desenvolver ações que possam despertar acomunidade para possível ampliação das atividades do projeto por elesdesenvolvido.
1.      Realizar entrevistas (gravação de conversas emáudio e vídeo) com membros do terreiro de outras comunidades e recolher relatossobre as relações das pessoas da comunidade com a religiosidade afro-amazônicae os reflexos dessa religiosidade nas relações sociais, afetivas eprofissionais de cada um.
2.      Organizar esse material gravado para resultarem:
a) pequenas estórias de vidagravadas em áudio para veicular nos programas da rádio, em vídeo para produçõesde documentários audiovisuais, e em texto para o blog mantido pelo projeto, e
b) em fonte de informação para ospesquisadores da universidade; e
3.       Organizardois ciclos de debates (rodas de conversa), sendo um em cada semestre,colocando na "mesa" (ou na roda) uma liderança religiosa para debater(dialogar/conversar) com um pesquisador da academia sobre temas de interessecomum.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sessão infantil animou o cineclube.

Foi uma sessão inusitada, aproveitando a presença dos netos de Mametu Deumbanda que vieram passar o fim de semana com a avó, exibimos o programa "Animações para crianças que todos gostam", da Programadora Brasil. E foi uma festa infantil, com as crianças comentando espontaneamente as estórias de cada animação que passva na tela e imitando as aventuras das personagens dos filmes.



"Chama Verequete", de Luiz Arnaldo Campos, no Cineclube Nangetu,

Será dia 5 de abril (quinta-feira) às 18:30, como parte do "Dia da saúde" no Mansu nangetu.

Cineclube Nangetu
Tv. Pirajá, 1194 - Marco (entre Duque de Caxias e 25 de setembro)
Informações: 32267599
entrada franca.

Cena do filme "Chama Verequete"
Chama Verequete
Direção: Luiz Arnaldo Campos e Rogério Pereira. Ano: 2002 Duração: 18min Classificação: Livre Cor Belém – PA
Sinopse: Chama Verequete é um documentário poético sobre o Vodun da música paraense, Mestre Verequete, que foi buscar seu nome artistíco no fundo dos terreiros do Tambor de Mina, um dos locais onde se materializa o sincretismo afro-caboclo-indígena, matriz da cultura amazônica. Chama Verequete é um filme conduzido pelas histórias e canções do Mestre, intercalado por intervenções ficcionais que documentam a luta do carimbó contra o preconceito e a discriminação, até a sua vitória final, com o reconhecimento público de sua condição de ritmo raiz do Pará.

Prêmio de Melhor Música no Festival de Gramado, Melhor Fotografia no Festival de Documentários de Santa Catarina, Melhor Fotografia de Curta Paraense no I Festival de Belém do Cinema Brasileiro, Melhor Curta Paraense no I Festival de Belém do Cinema Brasileiro e Menção Honrosa no Festival de Cinema de Curitiba.

Cineclube fará parte de programação de promoção da saúde.
A programação acontece no Mansu Nangetu das 16 as 19h do dia 5 de abril faz parte da Semana em comemoração ao dia 7 de abril - o DIA MUNDIAL DA SAÚDE - e é promovida pelo Movimento Popular de Saúde – MOPS-PA, com a participação do LESBIPARÁ e Instituto Nangetu.
Neste dia os convidados poderão fazer coleta de glicemia e verificação de pressão arterial, e ainda participar de conversas sobre prevenção de doenças e promoção da saúde e, claro, com tudo isso vem também a promoção do bem estar psicológico e social.
Ao final haverá uma sessão do cineclube especialmente pensado para discutir violência, intolerância e promoção da cultura de paz

Lideranças de Terreiros participaram do Fórum de Extensão da UFPA - diálogos com os movimentos sociais.



O Fórum de Diálogos da Pró-Reitoria de Extensão surgiu da necessidade de assegurar o intercâmbio permanente entre a Universidade e setores estratégicos da sociedade, para que desse diálogo resulte ações universitárias de intervenção e apoio às ações já desenvolvidas pelos movimentos e grupos sociais, assim como promover conhecimentos referentes às tecnologias existentes na universidade que possam ser absorvidas no cotidiano do trabalho e das organizações populares.
Estiveram presente as lideranças do MST, do Movimentos dos Atingidos pelas Barragens, Movimento Negro, Movimento de Mulheres Prostitutas, Lideranças comunitárias de bairro e lideranças de Terreiros de religiões afro-amazônicas.
Os professores da UFPA apresentaram uma mostra de projetos existentes que são desenvolvidos em bairros ou em comunidades específicas, e os impactos positivos que as intervenções universitárias tem proporcionado aos grupos sociais atendidos, indicando aos presentes que se interessaram pelas ações as formas de inserção naqueles projetos.
Mametu Nangetu e Táta Kinamboji representaram o Instituto Nangetu e a rede de cineclubes nos terreiros, e quando chegou o momento da universidade ouvir os movimentos sociais, falaram do contexto social das comunidades de terreiros e da situação de vulnerabilidade da população afro-religiosa – grupo social que sofre constantemente com racismo (inclusive o racismo institucional) expresso em atitudes de intolerância e repressão às praticas religiosas de origem na África Negra.
O pró-reitor, prof. Fernando Artur Neves, reconheceu a necessidade da universidade conhecer as singularidades de cada grupo social que se organiza em prol da luta por melhores condições de vida, e desse diálogo ficou acertada uma segunda conversa da UFPA com as lideranças de terreiros para que as comunidades de terreiro apresentem as suas pautas específicas para a Pró-reitoria de Extensão, e essa reunião deve acontecer em uma data próxima a 13 de maio, com organização do Instituto Nangetu.

Saúde nos terreiros - Mansu Nangetu oferece serviços de saúde no dia 5 de abril de 2012


A programação acontece no Mansu Nangetu das 16 as 19h do dia 5 de abril faz parte da Semana em comemoração ao dia 7 de abril - o DIA MUNDIAL DA SAÚDE  - e é promovida pelo Movimento Popular de Saúde – MOPS-PA, com a participação do LESBIPARÁ e Instituto Nangetu.
Neste dia os convidados poderão fazer coleta de glicemia e verificação de pressão arterial, e ainda participar de conversas sobre prevenção de doenças e promoção da saúde e, claro, com tudo isso vem também a promoção do bem estar psicológico e social.
Ao final haverá uma sessão do cineclube especialmente  pensado para discutir violência, intolerância e promoção da cultura de paz.

terça-feira, 27 de março de 2012

Filmes sobre Carmen Miranda e o universo artistico do início do séc. XX.

A principal discussão que o filme provocou foi o contexto de vidas dos artistas na primeira metadde do séc. XX, os efeitos nefastos que o sucesso rápido pode trazer.



segunda-feira, 19 de março de 2012

Nota sobre as matérias dos jornais O Liberal e Amazônia.

O 'Amazônia Jornal' e o Jornal 'O Liberal' publicaram em suas edições de hoje, 19/03/2012, matérias identificando o Instituto Nangetu como o organizador da caminhada de combate a intolerância religiosa que ocorreu ontem, dia 18 de março - Dia Municipal e Estadual da Umbanda e das Religiões Afro-brasileiras, e por termos sentido na interpretação do texto publicado nos dois jornais uma certa exclusividade de esforço da nossa organização para a realização da caminhada, nos sentimos na obrigação de dizer publicamente que:
1. Mametu Nangetu é fundadora e coordenou o INTECAB-PA durante quinze anos, sendo de 1994 a 2002 como vice-coordenadora e de 2003 a 2009 como coordenadora geral da entidade, portanto ela é reconhecida pela imprensa e pela sociedade como uma lideranca e referência das comunidades de terreros.
2. Compreendemos que pode existir mal entendidos entre aquilo que é dito e o que é compreendido pelo interlocutor, e por isso acreditamos que pode ter havido falha entre o que a repórter compreendeu daquilo que nós queríamos que ela compreendesse, e que portanto reconhecemos que parte da responsabilidade do que foi publicado também é nossa.
3. Para a realização de um evento desse porte é necessário e empenho de toda a diversidade de identidades das religiosidades afro-amazônicas em sua construção, E que foi apenas com o comprometimento de cada casa, de cada liderança de terreiro ali presente,  que foi possível reunirmos a multidão de afro-religiosos do Pará e dar visibilidade para as nossas lutas por cidadania.
4. Compartilhamos do entendimento que o INTECAB-PA é o organizador do evento, mas que essa organização e realização é compartilhada com todas as comunidades de terreiros, e que a realização do evento cabe a todas as comunidades de terreiros, inclusive ao Mansu Nangetu e ao Instituto Nangetu.
5. Enfim, gostaríamos que todos compreendessem que assim como as demais comunidades de terreiros de Belém nós também nos sentimos parte da organização desta caminhada, mas sabemos que apenas com a união de todos é que podemos conquistar políticas públicas afirmativas para os povos de terreiros, e QUE reconhecemos a importância de todos os envolvidos nesse processo que resultou no sucesso que foi a III CAMINHADA ESTADUAL PELA LIBERDADE RELIGIOSA FÉ E RESISTÊNCIA "CAMINHANDO A GENTE SE ENTENDE".




Marcha clama tolerância




Centenas de participantes caminham pelas ruas de Belém para pedir respeito às religiões de origem africana
Na manhã de ontem, foi realizada a "III Caminhada Estadual pela Liberdade Religiosa, Fé e Resistência - Caminhando a gente se entende", organizada pelo Instituto Nangetu com o apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e de alguns políticos. A concentração teve início às 9h, no Ver-o-Rio. De lá, os participantes saíram em direção à Praça da República. "O nosso objetivo é a quebra da intolerância, da discriminação, do racismo. Mostrar para a sociedade que nós somos de religião matriz africana e queremos respeito da sociedade", declarou Mametu Nangetu, do Instituto Nangetu, existente há 26 anos no Estado.
Ela destaca que existem 3.600 terreiros de macumba somente em Belém, conforme mapeamento feito pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). "As nossas dificuldades envolvem, principalmente, o poder público. Precisamos de cooperação para que essas comunidades tenham acesso às políticas públicas, porque elas ainda estão muito excluídas", disse.
Ontem, o dia foi ainda mais especial para as comunidades afro-religiosas do Estado, pois foi no dia 18 de março de 1981 que uma mulher tocou tambor pela primeira vez no Pará. Essa mulher era mãe Doca. "Ela sofreu muito nas mãos da polícia e a gente faz essa homenagem pela resistência dela", explicou Nangetu.
Existente há 16 anos no Brasil, o Instituto Nacional de Tradição Cultural Afro-Brasileira (Intecab) também coordenou a caminhada de ontem, que reuniu centenas de pessoas. No carro-som que seguiu os participantes até a Praça da República, uma faixa dizia: "Diga não à Discriminação. Intolerância religiosa também é crime. Denuncie". De acordo com Elder Fábio Câmara de Andrade, a caminhada reuniu lideranças Afro Religiosas de todo o Pará. "Essa caminhada faz parte de uma articulação nacional, resolvemos trazer ao Estado para fortalecer essa luta contra a discriminação religiosa", enfatizou.

Ações de mídia livre do Azuelar ganham apoio da UFPA em projeto de extensão do Prof. João Simões.


O Projeto “Diálogos em Cabana de Caboco – Intercâmbio acadêmico e cultural com o Projeto Azuelar do Instituto Nangetu em Belém-PA” é uma proposta de intervenção colaborativa da universidade nas atividades do Projeto Azuelar - projeto do Instituto Nangetu que está em funcionamento regular desde dezembro de 2005.

O professor João Simões acompanha as comunidades de terreiros em suas lutas por cidadania, na foto ele está em primeiro plano de camisa azul durante a caminhada de combate da intolerância religiosa de 2011.

Para o prof. João Simões, é preciso que a universidade se envolva mais nas iniciativas das comunidades de terreiros, organizados em identidade jurídica ou não, para potencializar as ações como esta e estabelecer intercâmbios culturais e acadêmicos através da colaboração dialógica entre a universidade e os Povos Tradicionais de Terreiros, e que este projeto pode proporcionar o interesse dos estudantes pelo estudo das comunidades de terreiros e estreitar os laços dessas comunidades com a universidade.
É a intolerância religiosa o foco das ações do Projeto Azuelar, e por conseguinte também é o foco do Projeto Diálogos em Cabana de Caboco. O projeto apresentado ao Edital PIBEX/ UFPA foi construído em parceria com a equipe do Projeto Azuelar e por pedido de Mametu Nangetu, o prof. João explica que é frequentador das ações do projeto, que sempre que ele pode ele vai aos debates, nos cortejos públicos e nas sessões de cineclube, e que foi num desses encontros que Táta Kinamboji propôs a construção de um projeto conjunto para firmar uma parceria institutcional com a Faculdade de Ciências Sociais/ IFCH – UFPA, e a oportunidade veio agora com a aprovação deste projeto de extensão.

Veja os detalhes da proposta:


Equipe pelo Instituto Nangetu atuante na parceria:
Mametu Nangetu
Táta Kinamboji
Táta Kasuleka
Táta Dianvula
Táta Kamelemba


Metas:
1.Realizar parceria com o Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu – Ponto de Mídia Livre para:
  • Fortalecer as atividades do Cineclube Nangetu;
  • Contribuir com os programas da rádio-janela através do fomento de debates sobre temas de interesse e abordagem desses temas com o referencial teórico das ciências humanas;
  • Contribuir com o referencial teórico antropológico para as produções culturais desenvolvidas no terreiro;
  • Contribuir com textos para o blog do Instituto Nangetu.
2.Realizar ciclo de diálogos envolvendo lideranças de comunidades de terreiros e pesquisadores;
3.Produzir arquivo de entrevistas e relatos de experiências de vida e outras fontes de pesquisa sobre os povos tradicionais de terreiros de Belém;
4.Publicar ensaios, resumos, artigos e relatórios com a sistematização do projeto.


Metodologia:
O projeto Diálogos em Cabana de Caboco – Intercâmbio acadêmico e cultural com o Projeto Azuelar do Instituto Nangetu em Belém-PA, adota a metodologia de transmissão de conhecimentos dos povos tradicionais de terreiros: o “fazer junto”, dividindo as responsabilidades e estabelecendo parcerias entre a universidade e a organização social.
A proposta é atuar como parceiros para fortalecer as ações desenvolvidas por um grupo social vulnerável que sofre com a intolerância às práticas religiosas afro-amazônicas.
O projeto valoriza as ações protagonizada pelo Instituto Nangetu e é dividido em duas frentes de trabalho:
A primeira é apoiar as atividades de mídia cultural desenvolvidas pela comunidade do Mansu Nangetu através do Projeto Azuelar: 1. Participação nas reuniões do conselho editorial que decidem sobre programação mensal de filmes e nas sessões regulares do “Cineclube Nangetu”. Nossa atuação é dialógica e visa colaborar na escolha de títulos das obras a exibir e intervir com o olhar acadêmico na discussão que o filme vier a provocar; e 2. Colaborar nos programas mensais de duas horas de dração na Rádio-Janela Azuelar – participar dos programas como mediadores/ debatedores/ provocadores, levando o conhecimento universitário pra os ouvintes dos debates propostos pela comunidade do Mansu no programa experimental de rádio que funciona na porta do terreiro;
A segunda é desenvolver ações que possam despertar a comunidade para possível ampliação das atividades do projeto por eles desenvolvido.
1. Realizar entrevistas (gravação de conversas em áudio e vídeo) com membros do terreiro e recolher relatos sobre as relações das pessoas da comunidade com a religiosidade afro-amazônica e os reflexos dessa religiosidade nas relações sociais, afetivas e profissionais de cada um. A organização desse material resulta em: a) pequenas estórias de vida gravadas em áudio para veicular nos programas da rádio, em vídeo para produções de documentários audiovisuais, e em texto para o blog mantido pelo projeto, e b) em fonte de informação para os pesquisadores da universidade; e 2. Organização de dois ciclos de debates (rodas de conversa), sendo um em cada semestre, colocando na "mesa" (ou na roda) uma liderança religiosa para debater (dialogar/conversar) com um pesquisador da academia sobre temas de interesse comum.


Não há dificuldade intransponível quando se quer fazer parte da luta do noso povo.

Táta Kinamboji está com dificuldades de locomoção e não poderia fazer o esforço de andar pela extensão prevista para a caminhada "Fé e resistência", mas com o jogo solidário das comunidades de terreiros ele pode vir fotografando a caminhada sentado na trazeira do carro do Pai Junior, sacerdote do Ilê Ase Nagô Osoguiã e Yemonjá, terreiro de Mina Nago liderado por Babá Tayando.
O Instituto Nangetu agradece publicamente ao Pai Elder Fábio de Ogum, a Mãe Katia Hadad (INTECAB-PA), ao Pai Junior, ao Babá Tayando (ACAOÃ), ao Pai Orlando Bassu (ARCAXA), e a todos os irmãos que que nos minimos gestos colaboraram para que Táta Kinamboji pudesse participar conosco deste momento.





Fotos de Táta Kasuleka (Gianno Quintas) para o Projeto Azuelar/ Instituto Nangetu - Ponto de Mídia Livre.

domingo, 18 de março de 2012

Comite Inter-religioso do estado do Pará fez parte da caminhada "Fé e Resistência".

Sacerdotes e sacerdotizas dos mais diversos cultos, representantes de várias crenças que fazem parte do Comitê Inter-religioso do Estado do Pará, se juntaram às lideranças de comunidades tradicionais de terreiros na luta pela liberdade de culto e pelo respeito à diversidade religiosa.
A pastora luterana Cibele Kuss (foto) representou o Comitê Inter-religioso na abertura do evento. Também participaram pelo Comitê o padre Henrique Leconte (I. Católica Ap. Romana), Zé Caeté (Círculo Esotérico), o sacerdote Sridhara Dassa (Hare Krishna), Tony Vilhena (Metodista), Gilson Dias (Unipop/REJU), Dinaílson Benassuly (Ananda Marga), Mametu Nangetu, Pai Tayandô e Mametu Kátia Haddad, que é diretora social do INTECAB, entidade que organizou a caminhada em conjunto com as comunidades de terreiros.